domingo, 27 de setembro de 2015

[Crítica] Scream Queens - 1x01/02: Pilot / Hell Week (Series Premiere)


"Só porque você conhece um cara da mesma turma da colega de quarto da garota morta, não significa que poderia ter sido você".

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Sucesso. Ryan Murphy e sua equipe de roteiristas viraram sinônimo de sucesso e não há ninguém que discorde disso. Desde Nip/Tuck a Glee e mais recentemente American Horror Story, tirando The New Normal, Ryan tem um histórico de emplacar produções lucrativas e que sempre arrebatam o público. Por mais que as vezes a qualidade seja questionável (Nip/Tuck em suas últimas temporadas desapontou, assim como Glee que despencou não só em qualidade narrativa como em audiência), o material trabalhado por Ryan sempre causa um burburinho na TV norte-americana e mundial, e isso é algo inquestionável. Se Nip/Tuck pegou carona nos dramas médicos, Glee abriu portas para novas produções do gênero, e American Horror Story trouxe o "terror" de volta para o horário nobre por assim dizer, já que o gênero nunca esteve em evidência.

Então vamos falar da estreia do ano, e sim, para mim, essa era a estreia mais aguardada. Scream Queens veio para ser a nova antologia da Titia, o que não necessariamente signifique que a toda nova temporada teremos uma trama nova com os mesmos atores como personagens diferentes. Scream Queens resumidamente trata-se de um assassino no campus, que tem por objetivo matar todas as universitárias que compõe a Fraternidade Kappa Kappa Tau, que outrora já foi a elite da universidade, mas com a recém promovida reitora Munsch (Jamie Lee Curtis impecável como sempre), será obrigada aceitar qualquer membro que queira fazer parte daquele mundo de festas, drogas, bulimia e cabras bêbadas.

Que Ryan sabe e tem talento para criar novas histórias com os temas mais diversificados, bom, isso não é surpresa pra ninguém, e que ele sabe conduzir uma auto-crítica cheia de referências e um humor completamente politicamente incorreto, isso é mais que óbvio. E Scream Queens basicamente comprova isso no nível mais elevado possível. Desde referências escrachadas ao gênero terror e comédia a uma crítica aos tempos atuais e a obsessão dos jovens pela popularidade e pelas novas tecnologias. Os dois primeiros episódios basicamente elevam isso a um modo que o mais leigo entenda, e mesmo assim não se torna algo óbvio, o que só um roteiro incrivelmente inteligente consegue fazer.

Mas vamos ser sinceros, a série não é terror. Isso é ponto e acabou. Ela tem elementos e citações ao gênero, mas verdadeiramente o show se encaixa muita mais no humor negro e na comédia do que em qualquer outro tipo. O que lembra outras produções como Pânico, que beirava o trash, coisa que o programa consegue extrapolar, mas sem parecer algo forçado.

Sobre essa estreia e a abordagem narrativa, temos que evidenciar que tudo aquilo não se passa no nosso mundo, ou pelo menos na nossa realidade, porque são as situações mais inverossímeis possíveis, e os personagens mais caricatos já vistos. Ou seja, o piloto vai de empregada afogada em óleo fervente e um crime e um segredo sem pretensão compartilhados por um bando de meninas, a mortes divertidíssimas com direito a um último suspiro só para mandar um tweet. Minhas congratulações para série com a morte da Chanel #2 que não tinha como ser mais hilária, desconstruindo aquela velha fórmula da gritaria para um momento mais "por favor não" por SMS. Se a série não te conquistar com essa sequência, desista, pois não tem modo de ter momento mais WTF do que este.

Sobre os personagens, apesar de todos terem uma personalidade única e caricata, que é a proposta da série, alguns personagens pecam em cativar e Grace que faz o lado bondoso da atração é com certeza o elo mais fraco, já que os roteiristas sempre foram felizes em construir bitches, mas na hora de criar o lado bom da força, sempre mostraram certo cuidado excessivo o que prejudica a construção do caráter da protagonista e prejudica nossa empatia com a mesma. Por outro lado temos todo um time de incríveis personalidade, com Emma Roberts fazendo seu papel habitual de manda-chuva do grupo e Lea Michele sendo a melhor surpresa, já que a mesma deixou de ser uma Rachel sonhadora e estrelista para literalmente se tornar um ser psicótico. Ela com certeza, entre os rostos conhecidos, rende os melhores diálogos e cenas, e sua caracterização com aquele colar cervical está impecável.

Vou dedicar agora um parágrafo só para a segurança do campus Denise (Niecy Nash) que é fácil a pessoa mais engraçada da produção. É IMPOSSÍVEL não rir em TODAS as cenas dela, sua apresentação e introdução são hilárias, cenas que eu revi mais de uma vez. Só a voz dela é suficiente para te arrancar gargalhadas, e como todo o texto dela é impecável, você ri até chorar muito facilmente. Não tem como não desejar que ela viva até o final nem que seja para dar uma pontinha de alguns minutos em todos os episódios, mas ela tem que estar lá.

Agora sobre alguns problemas. Os dois primeiros episódios tem uma velocidade frenética e a todo momento coisas explodem na cara do espectador. Isso até funciona, mas pode ser um incômodo futuro, já que nem todos os capítulos tendem a ter esse ritmo acelerado, o que pode incomodar e diminuir o entusiasmo de quem assiste. Outro caso são os nomes pesadíssimos do elenco. Se tratando de um show que tem necessidade de assassinatos, é compreensível que tenhamos um elenco maior do que outras produções, mas investiram demais em nomes, e isso acaba por criar certo previsibilidade de quem vive e quem morre, já que meio que esperamos que os nomes mais fortes durem mais. E apesar do uniforme do assassino ser muito criativo e original, ele é literalmente um alerta vermelho, o que pode dificultar cenas onde ele tenha que se esconder na escuridão para dar o "bote".

Com um piloto equilibradíssimo, um humor ácido, roteiro inteligente, personagens cativantes, Scream Queens tende ser a estreia do ano e é fácil entender toda a aposta de marketing da Fox, já que é perceptível o cheiro do sucesso. Vamos esperar para ver se a qualidade continua e que mais sangue jorre para todos os lados.

P.s.:  Taylor Swift surda = melhor pessoa.
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1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. nao concordo com a parte dos nomes de peso, sendo que Ariana Grande morreu no primeiro episódio (infelizmente kkkk)... PS: Ainda só assisti o primeiro episódio.. mas já ri muito com todo o clima trash e debochado da série

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