quarta-feira, 2 de setembro de 2015

[Crítica] The Lizzie Borden Chronicles - 1ª Temporada


Status: Cancelada
Duração: 42 minutos
Nº de episódios: 8 episódios
Exibição: 2015
Emissora: Lifetime

Crítica:

Ela tem um machado para afiar.


Apesar de ter sido lançada apenas um ano após a estreia do filme, está óbvio que nunca houve planos para continuar a história de Lizzie Borden. O desfecho do filme basicamente encerra sua jornada, separando-a de sua irmã. Sem contar que, historicamente, Lizzie nunca mais se envolveu em outro crime. Ela teve uma vida longa, feliz e sem mortos aos seus pés. Então o que supostamente poderia se tratar uma série continuando os eventos do filme A Arma de Lizzie Borden? A saída mais óbvia é mudar o tom da história, saindo do certinho "baseado em uma história real" e entrando no gênero ficção. É exatamente isso que essa minissérie faz; cai de cabeça no mundo da dramaturgia, onde o exagero é essencial e a pilha de corpos deve subir até o teto.

A trama volta a seguir Lizzie Borden e sua irmã, Emma, após ter sido absolvida pelo assassinato dos seus pais. Lizzie só quer recomeçar e tem grandes planos para o futuro. Seus planos, no entanto, podem correr alguns riscos depois de um caçador de recompensas chega à cidade. Ele é conhecido por apanhar os criminosos que conseguiram driblar a justiça, disposto a sujar suas mãos se for necessário. Lizzie, como esperta e mortal, seguirá com sua vida, lidando com os seus problemas da forma que sabe melhor: matando-os. Enquanto isso, o caçador vai chegando cada vez mais perto da verdade, enquanto Lizzie tenta esconder sua verdadeira natureza de sua irmã, que permanece no escuro. Agora, talvez não só cabeças comecem a rolar, mas também verdades.

Como vocês leram acima, a irmã não sabe a verdade sobre o crime envolvendo os seus pais. Quem assistiu ao filme sabe que Lizzie sussurra no ouvido de sua irmã o que realmente aconteceu, e a trama termina avisando que elas nunca mais se viram outra vez. Apesar de "continuar" sua história, o enredo da série apenas ignora esse momento, seguindo as duas personagens como se nada tivesse acontecido. Com a boa-fé da Emma em sua irmã restaurada, o fantasma da verdade volta a ser um dos trunfos narrativos reservados para este primeiro ano da série. Fico contente que eles mantiveram a Emma na história, mas não posso deixar de comentar o quanto é porca essa falta de coesão do filme para a série. Como já disse, é aparente que eles não produziram o filme pensando em continuá-lo.

Pelo lado bom, a série é muito mais interessante do que o filme. E, para aqueles que não o assistiram, fico feliz em informar que não é necessário. Basta saber que a Lizzie usou um machado para matar brutalmente os seus pais e foi absolvida por esses crimes, e vocês estarão prontos para entrar nessa jornada de apenas oito episódios. De fato, a série recebeu uma encomenda inicial de seis episódios, com dois adicionais recebendo luz verde mais tarde. Essa divisão ficou extremamente delimitada! Todo o arco narrativo da série se encerra no sexto episódio, com os dois últimos servindo como uma espécie de segunda temporada limitada. Ironicamente, são justamente os dois últimos episódios que trazem os melhores momentos da série.

Gosto muito de como o enredo trabalhou a relação entre a Lizzie e a Emma. Senti uma vibe meio Dexter e Debra, especialmente na reta final. As coisas só melhoram depois que a Emma finalmente descobre a verdade sobre sua irmã, tornando-se uma personagem mais interessante e menos inocente. Apesar de ter horror das atitudes da irmã, Emma se mostra tão forte quanto ela quando é preciso. Gostaria de ter visto mais dessa dinâmica entre elas duas, afinal de contas, a trama dos dois últimos episódios tinha potencial para carregar toda uma temporada, então a reta final manteve um ritmo bastante acelerado. Apesar de ter sido prometida como uma minissérie, fica claro que o desfecho desse primeiro ano não teve uma conclusão planejada. Não há grandes ganchos para uma segunda temporada, mas a trama tinha potencial para ir além do que fora apresentado.

A série acabou se tornando uma experiência muito melhor do que o filme. Sem se levar muito a sério, temos uma Lizzie Borden mais carismática e ousada. O roteiro não tem problemas em nos fazer torcer pela assassina, principalmente porque é inteligente o suficiente para humanizá-la através de sua irmã. A forma com a qual Lizzie consegue resolver os seus problemas também é bastante inteligente, e os seus crimes semanais certamente tornaram a série mais divertida. Christina Ricci entrega uma interpretação menos contida - uma Borden ousada -, que não tem problemas em lançar olhares cretinos para os seus inimigos e espectadores. Enfim, não me arrependo de ter acompanhado esta série. Depois do filme eu pensei que seria uma perda de tempo, mas fico feliz em ver que esses episódios seguem um tom completamente diferente.
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