segunda-feira, 21 de setembro de 2015

[Crítica] Contracted: Phase II


Direção: Josh Forbes
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 78 minutos
Título original: Contracted: Phase II

Crítica:

Não há vacina para o medo.

Depois de conseguir impactar os seus espectadores e conseguir um bom retorno dos críticos, Contracted se tornou um dos lançamentos independentes mais interessantes de sua época. No entanto, nada em torno de seu desfecho gritava "sequência", ainda assim, aqui estamos para falar sobre a segunda parte - ou deveria dizer fase? Sempre tenho um pé atrás com relação a sequências que ninguém pediu, e esta definitivamente parecia se encaixar neste grupo. Gostando ou não do término do primeiro filme, não podemos negar que, além de surpreendente, sua conclusão fazia perfeito sentido com o que a trama havia apresentado. Gostei de ver uma história tão peculiar acarretar em um cenário tão comum atualmente, o apocalipse zumbi. Mas como uma sequência poderia esquivar do óbvio?

A história dessa vez gira em torno de Riley, que no filme anterior teve relações sexuais com a contaminada Samantha. Assim como ela, Riley passa a mostrar bizarros sintomas enquanto o seu corpo apodrece lentamente. No entanto, apesar de ter contraído a doença através do sexo, ele logo perceberá que não é preciso tanto para passar o vírus para outras pessoas. Tentando salvar aqueles que ama de serem infectados, Riley terá que descobrir o responsável por espalhar a doença: o paciente zero. Enquanto o indivíduo pode estar mais perto do que ele imagina, outros casos de contaminados espalham pela cidade, trazendo o caos na região. Agora, Riley terá que encontrar uma forma de pelo menos romper o ciclo, uma vez que não existe uma cura para o seu problema.

Não demorou muito para eu comprar a ideia de uma sequência. Principalmente depois de ver quão ligada ela seria com o original. De fato, esta segunda parte começa justamente pela última cena do primeiro filme - com Samantha completamente transformada. Não é preciso raciocinar muito para saber o que acontece, o que é uma das boas decisões do roteiro. A trama precisa de tempo para se reestruturar - focando a narrativa em outro personagem - ao invés de pular diretamente no meio de um caos pós-apocalíptico. No entanto, o personagem Riley não tem força para carregar o filme nas costas. Ele não é um personagem particularmente carismático, então não há comoção em torno dos sintomas espalhando pelo seu corpo. A reação provocada com mais frequência é a de nojo.

O filme apresenta um milhão de personagens novos, e nenhum deles tem qualquer carisma ou personalidade. É um pouco difícil acompanhar uma história onde você não se importa com ninguém, então parte do suspense vai para o lixo nesse processo. O foco do roteiro parece repousar no excesso - em todos os aspectos. Temos mais contaminados, mais cenas extremamente nojentas e mais violência. De fato, os efeitos de maquiagem estão muito bons. Destaque para uma certa cena envolvendo uma lente de contato, um dos pontos mais agonizantes desta sequência. Há uma cena envolvendo sangue caindo em um prato de mingau, o que me lembrou muito da icônica sequência de almoço do filme Fome Animal. Homenagem ou cópia, foi um momento bastante forçado do roteiro. Não tem como encarar algo assim como seriedade, o que acaba afastando essa sequência do tom original.

Apesar de tudo, talvez o meu maior problema com essa segunda parte seja a revelação em torno da identidade do paciente zero. Como mencionei na crítica de Contracted, havia sido inteligente o diretor não ter mostrado o rosto do indivíduo. Sem colocar um rosto, ele poderia se parecer com qualquer um - o que torna toda a ideia ainda mais ameaçadora. Nesta sequência eles não só revelam quem é, como também mostram o que se passa pela sua cabeça. O personagem deixa de ser um mistério para se tornar uma piada, com pretextos religiosos risíveis. O enredo destrói completamente o personagem. Ele não é mais uma ameaça, mas sim digno de pena - extremamente patético. O terceiro ato se perde completamente na história, e o filme ainda tem a cara de pau de acabar do nada.

E não estamos falando de uma conclusão bombástica como no primeiro filme. Não há o sentimento de conclusão nesta sequência. Fica claro que é apenas uma "fase" de transição para o próximo filme da franquia - afinal de contas, tudo fica guardado para uma possível terceira fase. Eu detesto sequências que se contêm justamente para guardar material para outras futuras sequências. O roteiro entregou uma história cheia de efeitos nojentos para disfarçar o vazio do seu conteúdo. Não consigo nem dizer o quanto eu fiquei decepcionado com essa segunda parte, eles tentaram expandir os seus próprios conceitos, mas acabaram traindo sua mitologia. Sinceramente não tenho o menor interesse para saber o que uma possível terceira fase mostrará. Com todo o potencial perdido, a única coisa que "contraí" foi uma enorme antipatia pela franquia.


Trailer:

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Comentários
1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. Eu particularmente gosto da franquia, apesar do segundo filme ser meio "bosta", diferente do primeiro que achei foda (a ideia do filme é boa)
    Mas de certa forma estou ansioso pela phase 3, principalmente depois da revelação no final do phase 2, que o médico que a Samantha se consultou e o verdadeiro vilão, isso explica o fato dele ter sido negligente com ela. Enfim o filme vai do gosto de cada um.

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