terça-feira, 25 de agosto de 2015

[Crítica] Fear the Walking Dead - 1x01: Pilot (Series Premiere)


O medo começa aqui.

Review:
(Spoilers Abaixo)

Vocês realmente acharam que tinham visto o último de mim, não é verdade? Não havia pensado em assumir as críticas desta série, mas depois de conferir o Pilot e descobrir que teremos um ciclo de apenas seis episódios, resolvi arriscar para trazer uma movimentação maior para o nosso mundo (que anda meio vazio, confesso). Quem conferiu meus textos a respeito da série-mãe, The Walking Dead, sabe que ela não é uma das minhas favoritas. De fato, eu confesso que ainda nem consegui terminar a quinta temporada. Reconheço que ela tem muitos pontos positivos, mas desenvolvimento não é um deles. Infelizmente, para este spin-off, pecar no desenvolvimento não é algo que essa série não pode se dar ao luxo. Não estamos falando de um grupo de sobreviventes em uma estrada, estamos falando de pessoas comuns com suas rotinas do dia a dia sendo atormentadas por um mal desconhecido e arrebatador.

A ideia do desenvolvimento de um apocalipse zumbi sempre me agradou. Raramente vemos este período de tempo nas produções lançadas sobre os mortos-vivos, mas acredito que seja um dos ângulos mais interessantes para se tratar a respeito desse tema. Imaginar todo o caos tomando conta das ruas - quando a humanidade dá lugar ao instinto de sobrevivência, pessoas tentando sobreviver a algo desconhecido -, pode dar a chance desse spin-off não só se separar de seu material original, como também fornecer um novo ângulo em torno de todo esse lance apocalíptico. Não estamos falando de um "pós", estamos falando de "agora". Seguindo este conceito, destaco o excelente prólogo do filme Madrugada dos Mortos, o remake. Apesar de ser bastante curta, a sequência traz um início de tirar o fôlego, mostrando as ruas tomadas pelo caos desenfreado, o que resultaria apenas no começo da infestação.

Espero muito que Fear the Walking Dead não se contenha e consiga ir tão alto quanto esperamos. Sabemos que, em termos de produção, a série pode apresentar muitas coisas. No entanto, não sabemos se o roteiro terá a ousadia necessária para vender e até mesmo convencer os espectadores deste importante evento que acarretará no drama vivido pelo grupo do Rick. Vocês já pararam para pensar em como a Terra foi tomada pelos zumbis na série? Quero dizer, atualmente eles sequer são tratados como uma grande ameaça. Como então eles conseguiram dominar todos os lugares? Governo ocultando informações? É neste ponto que essa série tem mesmo que trabalhar. É fácil seguir a partir da devastação, mas mostrar como tudo ocorreu em detalhes pode não ser tão simples assim.

Estamos falando de uma época globalizada, onde você não pode dar nenhum deslize na rua sem parar no YouTube e se tornar um viral. Como a série irá justificar uma possível falta de informação, levando à dominação dos mortos-vivos, com o fluxo inestimável de notícias jogadas na rede? Neste primeiro episódio, por exemplo, temos um vídeo de um zumbi atacando um enfermeiro e levando vários tiros. Ele continua a levantar, mas só morre quando um tiro acerta sua cabeça. Todos acham que é apenas uma brincadeira, mas quando todos perceberem que aquilo é real não há justificativa para as pessoas não saberem como lidar com a ameaça que enfrentam. E esses foram apenas os primeiros casos. Algo que eu acho que pode contribuir para a propagação - e ainda pegar todos de surpresa - é o fato de que todos os que morrem, mesmo os que não foram mordidos, se transformam. Nós já sabemos dessa informação desde a segunda temporada de The Walking Dead, e esse spin-off obviamente fez questão de se utilizar dela.

Pelo que parece, a garota no começo do episódio não foi mordida. De fato, ela morreu durante uma overdose e voltou para devorar os drogados ao seu redor. O mesmo podemos dizer do traficante no final, que levou um tiro, mas ainda assim se transformou. Esse argumento é o mais convincente caso o enredo foque nele como uma força determinante para a queda dos vivos. Acredito que o episódio poderia ter mostrado um pouco mais das consequências da "epidemia", com as escolas e ruas mais vazias, pessoas extremamente suspeitas cambaleando no fundo de algumas cenas, entre outras coisas. Tudo isso aconteceu nesta Series Premiere, mas eles poderiam ter acentuado esse sentimento de vazio pela cidade.

Focando finalmente nos personagens, temos mais uma vez uma família com problemas. Pensei que eles iriam logo me deixar entediado com os seus problemas do dia a dia, mas reconheço que gostei deles - ou pelo menos a maioria. O grande destaque mesmo fica por conta do filho, Nick Clark, o drogado da família. Quando assisti aos trailers, pensei que ele seria o típico garoto errado bad boy, mas fiquei surpreso com a fragilidade do personagem. Com o desenvolvimento do episódio, fui percebendo que ele está mesmo desestruturado, o que o distanciou daquela imagem clichê que tinha formado sobre o personagem. Vê-lo chorando no ombro do amigo foi um momento que realmente me fez rever os meus conceitos. Sua psicose, misturada com o pavor e a abstinência, tornaram Nick um dos personagens mais interessantes deste primeiro momento da série.

O conflito interno da mãe a respeito do filho também contribuiu para torná-la carismática. Nós conseguimos nos identificar com o seu sofrimento. Extremamente humana, ela busca pelo seu filho, ainda que parte dela deseje desistir dele. O mesmo não posso dizer a respeito do padrasto e a irmã. Enquanto o padrasto teve algumas cenas interessantes, e mostrou ter outra família que provavelmente irá aprofundá-lo como personagem nas próximas semanas, a irmã não conseguiu se livrar o clichê "adolescente rebelde". Acredito - e espero - que haja aquela desconstrução básica em torno da personagem, e que passemos a conhecer outros lados dela.

Com apenas mais cinco episódios para a conclusão deste primeiro ano, espero embarcar em um ciclo agradável, e compartilhar com vocês os meus pensamentos sobre ela toda semana. Tem bastante tempo que não pego uma série para o nosso mundo, então estou bastante empolgado por voltar a escrever textos semanais. Agora só resta esperar para saber se a série conseguirá manter um bom ritmo ou irá cambalear como em seu material de origem. Apesar das possibilidades, acredito que este primeiro ano pode nos surpreender justamente pela quantidade reduzida de episódios encomendados. Lembrem-se que a primeira temporada de The Walking Dead também foi composta que seis episódios e foi muito boa. Como curiosidade, devo acrescentar que os produtores revelaram que, em questão de linha do tempo, durante todo este ciclo, o personagem Rick ainda estaria em coma. Espero que eles aproveitem mais esse período de tempo antes de partir para a devastação completa da humanidade.
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