quinta-feira, 30 de julho de 2015

[Crítica] Sharknado 3: Oh, Não!


Direção: Anthony C. Ferrante
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 88 minutos
Título original: Sharknado 3: Oh Hell No!

Crítica:

Oh, hell no!

Gostando ou não, xingando muito no twitter ou ficando com raiva na sua depressão solitária, todos têm que admitir que a franquia Sharknado já deixou sua marca na cultura popular contemporânea. Sendo um dos maiores sucessos do canal SyFy, e continuando a crescer com a ajuda da internet, não vejo a franquia terminando tão cedo. Por isso não fiquei nada surpreso quando o filme terminou com a promessa de um quarto filme, alegando que eles "ainda não acabaram". De fato, nunca ficou tão claro que um novo capítulo precisava ser feito. Explicarei mais sobre isso ao longo do texto, mas já adianto que foi uma jogada de marketing ousada, que provavelmente ajudará a sequência a ganhar ainda mais visibilidade. Mais uma vez nós pensamos "oh, não, eles não fizeram isso". E, sim, eles fizeram!

Na trama, Fin é reconhecido pela Casa Branca por causa de sua bravura depois de ter enfrentado dois sharknados. Ele logo percebe que esta aberração meteorológica só continua piorando, e talvez seja o único que possa fazer algo a respeito disso. Depois de salvar o presidente em Washington D.C., ele parte em busca de sua família, April e sua filha, que estão em um parque temático, na Flórida. As férias dessa família, no entanto, se tornará uma luta pela sobrevivência quando um novo sharknado se formar no local, obrigando todos a lutarem por suas vidas. No caminho, Fin ainda encontra rostos conhecidos, como Nova - a garçonete que foi engolida viva por um tubarão -, que agora dedica sua vida a caçar essas monstruosidades. Juntos, eles têm um plano de acabar com esse fenômeno de uma vez por todas.

Eu comecei desaprovando essa franquia, mas definitivamente estarei com ela até o fim (algo que parece estar longe de acontecer). Os filmes definitivamente são péssimos, mal escritos e atuados e os efeitos visuais são um verdadeiro pesadelo, mas os produtores sabem muito bem disso e têm se aproveitado de seus defeitos para entregar cenas mirabolantes e divertidas que nenhum outro filme que se preze teria coragem de mostrar. Com esta terceira parte não é diferente! De fato, temos tubarões até mesmo no espaço dessa vez. E como eles podem sobreviver no espaço sideral, vocês podem perguntar? Bem, alguém até pergunta isso no filme, e a resposta mais lógica que eles deram foi "se eles sobrevivem a um tornado...". Como anunciava a frase de efeito do primeiro filme: "foi dito o suficiente".

A sequência de abertura na Casa Branca certamente é um dos melhores momentos dessa terceira parte. Gostaria de ter visto mais momentos em câmera lenta e tubarões saindo por todos os lados daquele lugar, mas certamente tivemos boas doses de bizarrice, principalmente envolvendo o desfecho dessa cena. O resto do filme, no entanto, não consegue manter o mesmo clima cômico de sua introdução. Os roteiristas continuam caindo no erro de tentar construir algum drama em torno de seus personagens. Será que eles não percebem que isso os torna chatos ao invés de profundos? Existem tubarões caindo do céu, pelo amor de Deus! Não queremos saber de sentimentos, queremos pessoas com serras elétricas nas mãos cortando esses cretinos ao meio. Eu também ainda sinto falta das ruas alagadas como no primeiro filme, mas agora que os tubarões conseguem sobreviver até mesmo no espaço, tenho certeza que eles lidarão bem com o asfalto seco.

Gostei muito que o roteiro voltou a apresentar a personagem Nova, uma das melhores coisas no primeiro filme. Aqui ela está muito mais preparada na tarefa de caçar tubarões, mas um pouco do drama envolvendo ter sido comida por um tubarão atrapalha a personagem em alguns momentos. Mas nada que uma tomada dela saindo da água em câmera lenta só de biquíni não possa resolver. E o melhor é que Sharknado não é sexista porque o Fin está lá do lado dela vendendo o mesmo para o outro time. Se no segundo filme a cena mais digna foi o Fin cortando um tubarão ao meio em câmera lenta, neste terceiro exemplar certamente são os dois saindo da água. Não há nada muito empolgante envolvendo a morte dos tubarões. Já vimos tudo aquilo antes, assim como a forma que eles acabam com suas vítimas. O roteiro deveria investir em algo mais mirabolante, mesmo com efeitos ruins, seria bem divertido.

Na categoria participações especiais, temos o David Hasselhoff (Anaconda 3) ganhando bastante tempo precioso em tela como o pai do Fin. Sua introdução foi péssima, não consegui me divertir em momento algum. O cantor Ne-Yo também aparece rapidamente no começo do filme, só para ser devorado por um tubarão. Em uma participação muito parecida - mas que merece muito mais atenção -, temos o sanguinário George R.R. Martin (!), autor da saga literária que deu origem à série Game of Thrones, assistindo um filme sobre tubarões de três cabeças no cinema. Preste atenção na roupa da mulher sentada ao lado dele - uma clara referência a um dos momentos mais épicos da série/livro. Por último deixei a rápida participação da atriz Kellita Smith, uma das estrelas da série Z Nation, que traz uma referência hilária envolvendo a série de zumbis em que participa.

Enfim, eu esperava mais deste terceiro filme. O segundo conseguiu me divertir muito mais. Houveram tantas oportunidades perdidas, a maioria delas envolvendo a April, que agora tem uma mão ciborgue que poderia ter protagonizado algumas cenas bem legais. O confronto final ter se passado no espaço também não deixou a oportunidade de um confronto mais pessoal entre os tubarões e os nossos heróis. No entanto, a serra elétrica laser certamente fez valer a pena. E tudo a partir disso foi uma trasheira tão grande que até perdoei todos os minutos anticlímax que nos fizeram acompanhar. No final de tudo, os produtores ainda tiveram a cara de pau de colocar em risco a vida de um dos personagens, fazendo o destino dele(a) ficar em nossas mãos. Eu já torci muito pela morte brutal de tal personagem, mas atualmente ele acabou virando o jogo e mostrando algum potencial. Além disso, depois de sobreviver a todos os eventos do terceiro filme naquele estado, seria muito injusto que não vivesse para sambar na cara da sociedade na futura sequência. Agora só resta esperar o quarto filme para saber o que acontece, e torcer para que seja melhor do que este.


Trailer:

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário