sexta-feira, 24 de julho de 2015

[Crítica] Scream - 1x04: Aftermath


"Bem vindo ao meu pesadelo"

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Meus queridos, mais uma semana e mais sangue para nós... Erro meu, não tivemos sangue na verdade, já que dessa vez a série seguiu por um caminho nunca explorado antes e não tivemos nem um mísero assassinato desta vez no decorrer de quarenta minutos. E por mais que isso possa parecer estranho, o episódio não foi prejudicado por causa disso, na realidade deu um folego aos personagens e uma nova perspectiva aos telespectadores.

Scream é baseado em um filme slasher que fez muito sucesso na década de noventa, o que fez com que o gênero fosse mais uma vez algo recorrente em novos longa metragens e por consequência o desgaste foi inevitável. Pois bem, como na maioria deste tipo de filmes temos um número considerável de mortes ao longo de noventa minutos em média,  isso faz com que sejamos apresentados aos personagens rapidamente para que criemos alguma empatia, para logo em seguida eles entrarem para a faca. Não podemos culpar as películas já que existe um tempo curto estimado e temos que concordar que dez, onze ou quinze mortes numa destas obras não deixa muito espaço para que conheçamos aqueles rostos que estão sendo brutalmente assassinados. Na realidade são raras as vezes que nos apegamos realmente a algum personagem, sempre torcendo para ele, e isso ocorre mais em filmes que tem sequências, e que nas mesmas os sobreviventes voltam.

Em Pânico isso foi muito bem trabalhado, já que em todos os quatro filmes tivemos o nosso tão amado trio lá, firme e forte, para serem os protagonistas absolutos. Ou seja, independente pra quem torcíamos, estes três sempre foram o nosso ponto seguro. Existem aquelas exceções onde algum rosto se torna tão querido que realmente nos preocupamos com seu personagem, como Jennifer em Pânico 3, Randy em Pânico e  Pânico 2 ou mesmo Kirby em Pânico 4. Mas como estamos falando de uma série de televisão de terror, que por obrigação deve estabelecer um elo mais forte entre quem assiste e quem está sendo morto, Scream nessa semana tenta mudar alguns dos paradigmas vindos dos filmes onde as primeiras regras se estabeleceram.

Realmente esta atitude merecer ser aplaudida, e se você ainda não me entendeu, deixa que eu explico. Se nos filmes temos poucos minutos para conhecer aquele bando de jovens que sabemos que cedo ou tarde morrerão, na série temos muito mais tempo de realmente ter novas perspectivas das personalidades dos jovens que inevitavelmente não viverão até o fim da temporada. Ou seja, se no cinema as facetas são muto mais superficiais - sempre temos os velhos esteriótipos, como o casal que só sabe transar, a menina promíscua, o menino bonitão, o jovem feio e nerd, e a final girl sempre sendo a mais bondosa e santa (e cá entre nós, a mais sem sal) - a série tem tempo suficiente de ampliar ou mesmo mudar todo estes perfis criados que fazem parte obrigatoriamente do gênero.

E foi nisso que o show apostou neste episódio. Muito feliz de vermos que ninguém que é tida como uma vadia, será uma vadia todo o tempo, e que nem sempre a menina boa, agirá como uma menina boa 24 horas do dia . Brooke é com certeza o nome que me vem a mente, já que neste início, ela que é a menina promíscua da vez, começa a quebrar este esteriótipo, ensinando que ninguém é tão raso assim e que as pessoas tem incontáveis sentimentos, desejos e modos de refletir sobre os acontecimentos. Outro fato importante é que nos filmes de terror nunca temos tempo de acompanhar o luto dos personagens, já que de instante para instante novos corpos vão se amontoando. É interessante como o programa trabalha isso, já que tem essa genuína oportunidade de mostrar como as pessoas nessa situação se sentem com o que está ocorrendo a sua volta.

Mas existem alguns problemas também, que envolvem as atuações dos atores. Nada tão gritante como no piloto, mas Emma, que deveria causar comoção no espectador acaba por repeli-lo um pouco, já que deixa transparecer sua atuação, deixando claro que aquelas lágrimas estão lá, contadas e programadas. Apesar disso ela se sustenta na maior parte do quadro proposto. A polícia ainda continua como ponto fraco para a atração, já que ainda apontam para o suspeito mais errado possível. Estes são pontos que a série não só pode como deve melhorar para que ela não se estabeleça apenas como um programa casual sem grande relevância.

Também tivemos mais algumas dúvidas e respostas levantadas. Emma e Audrey tentam se aventurar em um hospital abandonado devido uma possível pista/armadilha que a protagonista recebe pelo correio. É engraçado como é trabalhado a comédia nestas ocasiões, como por exemplo aquela velha e cansada sugestão do "vamos nos separar" que está presente, mas apenas para acentuar o fato da 'vida real' já que é normal que isso aconteça no cinema, a separação do grupo, e vamos ser sinceros, no nosso mundo ninguém com um pingo de inteligência usaria ou apontaria esta opção. Ou mesmo a protagonista entender que é realmente a protagonista, já que ela diz que podem entrar no local abandonado porque o assassino já teve mais de uma oportunidade de atacá-la e não o fez, então entendemos (e ela também) que por enquanto ela está a salvo da faca.

É importante também dizer que quando o Noah se junta as meninas, com aquela velha fórmula do "alguém está aqui, será o assassino?" não convenceu ninguém. Era óbvio para quem assistia que era apenas o menino, mas a cena da dúvida de quem seria se prolongou por instantes demais, desperdiçando desnecessariamente a incerteza. Mas é justamente quando ele as encontra que o negócio toma o rumo que todos esperávamos. O menino realmente é o melhor presente que esta série poderia nos dar, despejando, acertadamente as referências que a franquia trabalhou tão bem. Ele comenta as falsas pistas, o falso covil do assassino, porque é verdade: quem ameaçaria alguém por snapchat e viveria num lugar abandonado comendo animais mortos? Fora isso há citações a Pretty Little Liars e como alguém teria réplicas perfeitas das protagonistas e muitos outras falas que demonstram a preocupação do roteiro em ser algo crú e verídico aos olhos de quem assiste.

Apesar dos bons momentos a correria no final não foi legal, já que eles correram do nada para o nada. Não havia uma real ameaça mas teve gritaria, um pouco sem propósito na minha opinião. Entendemos um pouco mais sobre o que o grupo suspeito (Nina, Tyler, Will e Jake) estava fazendo, e descobrimos que envolve tanto chantagem como vídeos não só da própria Nina como também de outros alunos que "dominam" a escola.

Bom, apesar de um episódio sem sangue, tivemos uma história trincada e favorável para a trama. Até Piper teve oportunidade de mostrar suas garras e deixar claro que ela pode ser tanto uma personagem mais investigativa quanto oportunista. Ficam ainda alguns receios no ar mas nada que bote em questão a qualidade do produto final. Interessante também que alguém (aposto no maníaco) está fazendo uma enquete online para ver quem deveria ser a próxima menina "quente" a ser morta, e não duvido que o resultado tenha realmente influência sobre o que vem a seguir. Aguardemos para ver quem será o próximo.

P.s.: discordo da parte que o Noah diz que em uma briga entre Madonna e Lady Gaga seria Gaga que ganharia, porque ainda existe só uma rainha e essa é a Madonna, sem mas.
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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Super adorei esse ep,porque eles exploraram mais os personagens (fazendo eu gostar da Audrey pela primeira vez) e adicionaram pistas sobre quem é o assassino . Resumido doi um otimo ep e estou super ansioso pro próximo pq parece que as coisas vão pegar fogo

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  2. po veio, a unica coisa q ta me irritando na serie é q as mortes parecem n afetar ngm
    qeisso quem ver a audrey por exemplo nem diz q a rachel significava algo pra ela pqp
    diz q tá de luto e cinco minutos depois tá la morrendo de rir... assim fica dificil se importar com os personagens

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