sexta-feira, 10 de julho de 2015

[Crítica] Scream - 1x02: Hello, Emma


Já quero a confirmação de uma segunda temporada, obrigado.

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Estou aqui para dizer que esse segundo episódio veio para calar a minha boca, e eu nunca fiquei tão feliz por isso. Todas as críticas que fiz sobre o piloto vieram por terra e nessa segunda semana a série realmente mostrou ao que veio, e digo com muita felicidade, que veio para ser algo grandioso.

Eu estava com um pé bem atrás sobre este episódio, até porque já conheço a estrutura de séries de terror neste estilo: primeiramente somos apresentados aos personagens e o roteiro faz com que nos identifiquemos com o maior número possível das vítimas. Levando outros shows como exemplo, geralmente nos primeiros três, quatro ou cinco episódios, temos algumas mortes menos importantes e nenhuma cena de perseguição que seja realmente de tirar o folego, já que os primeiros a morrerem sempre são os figurantes que aparecem aqui ou ali em duas ou três cenas. Depois das apresentações das primeiras semanas, começa realmente o que o espectador quer ver (o banho de sangue literalmente) e aquelas caricaturas que já começamos a nos apegar vão indo um por um, até que o elenco principal - vamos dizer que sejam os rostos das fotos promocionais, vão dizendo adeus. Eu como sentimental, chorei por exemplo nos episódios finais de Harper's Island com cada morte que acontecia, e digo que provavelmente isso se repetirá com Scream. A série está seguindo por esse caminho, e por enquanto estou mais que satisfeito com o que foi feito.

Sobre o episódio devo dizer que foi tenso do início ao fim (principalmente no final, mas isso é mais pra frente). Como os filmes sempre nos trouxeram cenas de abertura que são suas marcas registradas, o programa também parece que agirá assim, trazendo a cada semana um personagem sendo morto antes do logo Scream aparecer. Fico feliz em dizer que a abertura desta vez foi muito bem feita e digo que foi melhor do que a do piloto. A escolhida em questão recebe um telefonema da suposta namorada e como em Pânico 3 o assassino parece ter aquele aparelho que transforma sua voz na de qualquer um. Isso pode funcionar muito bem, até porque nem sempre saberemos se quem está ligando é o psicopata ou não. Papo vai, papo vem, ela é morta rapidamente o que não impede que os poucos minutos choquem quem está assistindo.

Em seguida temos o decorrer dos quarenta minutos sem grandes surpresas ou aparições do maníaco, mas se isso não tinha funcionado muito bem antes, dessa vez foi a decisão mais acertada. O roteiro faz já no início que comecemos a nos apegar aos poucos aos rostinhos que logo serão mortos. Emma que não conseguiu se sair muito bem como a protagonista anteriormente, desta vez deixa claro que consegue segurar o papel facilmente. Brooke é outra que eu ainda tinha certa desconfiança sobre a personalidade promíscua que a mesma devia ter e agora vejo que estava enganado, já que entre todos ela é a mais natural e habituada com o que tem de fazer em cena, sendo aquela amiga, mas ao mesmo tempo agindo como uma vadia má.

Noah que é sem dúvida o elo mais forte com o telespectador, já que ele possui as falas e as atitudes de alguém que se imagina dentro do show, é até então a melhor surpresa, conseguindo fazer comédia de um modo que não soe forçado com a situação. O único problema, que não é culpa propriamente do personagem, é que cada vez que ele abre a boca pra falar dos assassinatos ou do perfil do assassino, uma trilha sonora entra ao fundo, fazendo com que quem está assistindo preste mais atenção de um modo meio obrigatório. Suas falas funcionariam muito mais se não houvesse essa intromissão dos efeitos sonoros para que nós saibamos que ele está fazendo todas aquelas referências. Infelizmente parece que a produção está tratando o espectador como uma criança burra como se não soubéssemos que suas atitudes estão sendo o vínculo dele com nós.

O assunto em questão foi um MMS que todos da escola receberam com uma máscara assustadora em evidência e logo atrás, na piscina, o corpo já sem vida de Nina. Noah explica muito convincentemente que estamos na era da internet, Facebook, Instagram, Yutube, etc, e que todos querem compartilhar (pelo visto até o assassino) e que não tem mais sentido deixar tudo para si. E o mais importante, ninguém faz aquilo apenas uma única vez. É majestoso como isso funciona dentro do programa.

Também tivemos a apresentação da Gale da série. Claro que Piper Shay (Amelia Rose Blaire) não tem metade do carisma da minha amada repórter sarcástica Gale, mas ela também apareceu em apenas dois momentos, quem sabe no futuro tenhamos um desenvolvimento melhor. Outra coisa que me frustrou um pouco é a Nina ser uma Alison (Pretty Little Liars) da vida, ou seja, todos a achavam uma vadia e tinham medo dela, e todos desejavam sua morte, direta ou indiretamente. Casey em Pânico era apenas uma adolescente que tinha dado o azar de ser a primeira vítima, mas na série parece que Nina merecia tudo o que aconteceu com ela, e isso me soa um pouco forçado dentro do script. Um fato que também me incomodou foi a reação de Audrey ao saber do falecimento da namorada. Ela chora ali alguns segundos mas depois está tudo bem, fazendo até piadas com a comunidade LGBT, indo em jogos de basquete do time da escola e dando força a um amigo para se encontrar com uma garota. Nunca passei por nada assim, mas acho que para uma recuperação completa são preciso mais que 24 horas.

Por fim, e mais importante, tivemos a melhor cena até então apresentada em Scream. Não foi um ataque, não foi um assassinato, foi apenas uma ligação para a protagonista. Depois de todas as referências apresentadas, com direito até a cena do banheiro onde Sidney escuta boatos sobre ela, Emma recebeu mais uma visita do nosso assassino. Foi o momento mais nostálgico e o  melhor diálogo. Ela está em casa sozinha, a noite, e o alarme toca dizendo que a porta da cozinha foi destrancada, ela desliga o alarme a caminha até o cômodo e vê que a porta está aberta. Ela recebe uma ligação supostamente da empresa de segurança dizendo que um carro da empresa estará chegando em poucos minutos e que tudo ficará bem. Claro que a interação dos dois fica estranha com as perguntas de cunho questionáveis que o tal atendente está fazendo (há citações a Game of Thrones, Scandal e How to Get Away With Murder [que entrará para a grade do blog em sua segunda temporada]). Chega então o grande clímax, quando ele fala pra ela que a real pergunta que ela deve se fazer é se a mesma se trancou com ele para dentro ou para fora da casa. Foi realmente assustador e nostálgico ao mesmo tempo. Infelizmente não tivemos um primeiro ataque a heroína, mas foi incrível assistir aqueles minutos recheados de referências, só faltou mesmo o "Qual o seu filme de terror favorito?"

Também é importantíssimo ressaltar que a saga de filmes Pânico ainda não foi citada. Existem todas estas referências mas ninguém ainda fez um link com o que está acontecendo e o que aconteceu na ficção. Não sei se estão esperando para fazerem uma ligação dos dois universos, onde o sucedido nos filmes é realidade ou se vão ser citados mais para frente por qualquer outro motivo, mas os roteiristas não podem tratar o material em que se baseiam como se nós não soubéssemos de onde eles tiraram todas estas ideias. Eles não podem simplesmente esquecer a franquia.

Creio que daqui para frente teremos cada vez mais a presença do mascarado e que já devemos nos preparar para os corpos que começarão logo logo a se amontanhar e que infelizmente grande parte do elenco e aqueles que gostamos farão parte da pilha. É triste ver um rosto familiar sendo morto, mas temos que concordar que estamos assistindo por isso mesmo, ver todas essas personalidades que nos identificamos serem brutalmente assassinadas.

P.s.: Ainda não tenho suspeitas sobre o rosto por trás da máscara, deixemos que mais mortes aconteçam para eu poder me pronunciar.

Informação extra: escrevi essa review no início da tarde antes das ótimas notícias. SIM, Scream já foi renovada para uma segunda temporada.
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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. A série me surpreendeu neste segundo episódio, quase apagando as desconfianças que eu alimentava desde o piloto. Gostei da forma como colocaram as suspeitas em tantas pessoas, como o namorado da Emma (apesar de duvidar que o assassino seja mais uma vez o namorado) e as referências que, para os fãs que já decoraram os filmes Scream, causaram grande nostalgia e foram assimiladas no ato, como as já citadas cenas do banheiro e da ligação. Enfim, estou em dúvida sobre quem é o verdadeiro assassino; Fiz até um mapa (!), mas por enquanto a lista de suspeitos está elevada, de modo que não posso me aprofundar em detalhes. Só por um "What your favorite scary movie?" no episódio 3 e que venham mais mortes!

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  2. Eu acho que o assassino é o cara novo, filho do policial (não me recordo o nome agora). Ele está recebendo pouco foco (e todos sabemos que geralmente fazem isso pra nos surpreender depois), e, além disso, fez todo o público (e até a Emma) acreditar que o assassino era o namorado.
    A propósito, sua crítica ficou incrivelmente boa. Você conseguiu captar exatamente os mesmos pontos que eu — principalmente a parte sobre o luto da Audrey. Qual é, ninguém tem sua namorada assassinada e passa a fazer piadas horas depois.

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  3. Amo a serie Pânico, assim como os livros da franquia Punhalada, postados aqui no blog.
    Estou amando a serie, e amei a review, se fosse pra apostar em um assassino sei que é cedo, mas acredito que como sempre serão dois assassinos sendo um jovem e alguem da idade da mãe da protagonista (criando algum plot que "justifique as mortes" no passado) apostaria no delegado e na moça asiatica.
    E se fosse responsavel pela serie, faria uma morte fake do assassino que voltaria apensa no final, no caso da minha "viajem" seria a asiatica.

    "O inesperado é o novo clichê"

    Felipe M

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