sexta-feira, 17 de julho de 2015

[Crítica] The Following - 3ª Temporada


Status: Cancelada
Duração: 42 minutos
Nº de episódios: 15 episódios
Exibição: 2015
Emissora: Fox

Crítica:

Joe Caroll foi apenas o começo.


Apesar de ter concluído sua proposta inicial na temporada anterior, The Following acabou sendo renovada, recebendo uma chance de reestruturar sua narrativa e, basicamente, iniciar uma trama completamente nova. É fato que a série acabou saindo dos trilhos, mas este reiniciar poderia ser exatamente o que ela precisava para conseguir algum fôlego. Imagine uma América assombrada pelo terror que Joe Caroll protagonizou, sem confiar em seus próprios vizinhos; imagine assassinos em potencial se tornando mais ousados e empolgados com o fato do Joe ter se tornando uma lenda, inspirando assim, outros a seguirem o seu caminho. Infelizmente, todas essas ideias ficaram na imaginação mesmo, porque o enredo escolheu seguir o caminho mais arrastado possível.

Os gêmeos psicóticos foram, inegavelmente, o grande destaque do segundo ano. O ator, Sam Underwood, que os interpretava era sensacional, mas algo se estragou assim que o roteiro decidiu matar um deles. Acredito que o que os tornava interessantes era justamente essa dinâmica psicopata entre eles. Sem contar que suas personalidades eram completamente distintas. Neste terceiro ano, com o irmão mais ativo morto, ficamos com o mosca morta e sem atitude do Mark. Todos nós sabíamos que ele iria aparecer em algum momento, mas eu não esperava que já fossem focar no personagem logo de cara como um vilão principal. Ficou óbvio que ele não tem força suficiente para carregar a série, muito menos ter os seus próprios seguidores. Por este motivo, os primeiros episódios desta temporada foram arrastados e sofríveis.

Só foi depois de uma interessante reviravolta, semanas depois da Season Premiere, que passamos a entender melhor o que o roteiro estava fazendo. Foi uma jogada ousada, ainda mais porque teve que enrolar por semanas, mas nada justifica a falta de conteúdo dos primeiros episódios. Pelo menos o roteiro consegue justificar os absurdos que estavam acontecendo, focando no verdadeiro vilão que estava por trás de tudo. Este vilão, que já havia sido apresentado na temporada anterior, surpreendentemente ainda não era o final deste terceiro ano. Esperava muito mais do personagem, considerando que ele era o mentor dos serial killers. No entanto, ele pareceu extremamente raso. Ainda bem que o desenvolvimento desta temporada engatou uma reviravolta e apresentou um novo nêmesis para o Ryan Hard - alguém realmente digno de um confronto.

Considerando tudo isso, só posso dizer que a primeira metade desta temporada foi uma enrolação sem fim para chegarmos no que realmente importa. A série, ao invés de já começar seguindo um novo caminho, preferiu jogar seguro, sem alterar muito a sua estrutura e trazendo de volta rostos conhecidos. Vocês não acreditaram que o Joe Caroll nunca mais apareceria novamente, não é verdade? Eu imaginei que eles manteriam o personagem como uma espécie de Hannibal Lecter, ajudando o Ryan a caçar outros assassinos livres com a ajuda de sua mente perturbada. Não estava nada ansioso com o retorno do personagem, então me surpreendi bastante ao gostar de suas participações. De fato, foi nesta terceira temporada que eu vi algo interessante nele - algo que poderia render bons momentos futuros para a série. Finalmente torci por Joe Caroll, que nunca esteve tão aberto e humano. O episódio que se passa dentro da prisão foi realmente um dos melhores de toda a série, e mostra um aprofundamento no relacionamento entre Joe e Ryan.

Quanto ao novos personagens, só posso dizer que eles são todos descartáveis. O Theo, vilão principal desta temporada, foi interessante de acompanhar, principalmente por ele parecer muito mais perigoso que o Joe Caroll, mas não foi bem desenvolvido. O personagem amava sua irmã, o roteiro até investe um pouco nesse plot, mas tudo acaba se perdendo em um banho de sangue mal escrito. Posso dizer o mesmo do novo casal psicopata da série, Kyle e Daisy. Eles foram bons personagens, mas pareciam novas versões de outros já apresentados pela série. Além disso, era um pouco difícil se importar com o relacionamento deles e os seus planos quando nós sabíamos que eles não iriam durar na série. Psicopatas não costumam ter um final muito feliz em The Following, e têm uma validade de até duas temporadas.

Na reta final deste ano, tivemos a introdução de uma nova trama, que desde o começo estava óbvio que seria o foco de uma possível quarta temporada. Infelizmente a série acabou sendo cancelada. Apesar de ter concluído a trama do vilão da temporada - que em seus minutos finais decidiu encarnar o The Walking Dead, em uma das sequências mais nonsenses e vergonhosas da série -, não houve uma conclusão significativa para nenhum dos personagens. Tudo ficou em aberto, com o Ryan muito mais perto de se tornar o Joe Caroll do que caçar pessoas como ele. Ironicamente, fiquei curioso para ver um pouco mais desse lado sombrio e durão do protagonista. É claro que a série tinha potencial para muito mais, então é uma pena que tenha acabado com tanta coisa aberta. Mas, se serve de consolo, é bem provável que os roteiristas fossem estragar suas possibilidades de fazer algo excelente.
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