quinta-feira, 4 de junho de 2015

[Crítica] The Drownsman


Direção: Chad Archibald
Ano: 2014
País: Canadá
Duração: 88 minutos
Título original: The Drownsman

Crítica:

Por quanto tempo você consegue segurar seu fôlego?


Estamos em tempos em que poucas produções realmente parecem prometer alguma coisa boa. O espectador acostumado com filmes de terror, consegue identificar logo quando um lançamento só vai apresentar mais do mesmo - e isso se resume a grande parte dos filmes atuais. São todos descartáveis, então temos que procurar bastante por alguma novidade que valha a pena. É nisso que entra as produções independentes, que têm ganhado força com a popularização das plataformas online. Atualmente, podemos encontrar filmes tão bem produzidos, com seu baixo orçamento, do que filmes que são lançados nas telonas. E não podemos esquecer que algumas das maiores surpresas do gênero acontecem no circuito independente, porque é justamente o local onde o talento fala mais alto do que o controle dos grandes estúdios.

Na trama, depois de quase se afogar em um lago, Madison encontra-se ligada a uma vida de medo. Depois de um ano vivendo atormentada por uma fobia extrema, hidrofobia - causando severos problemas em sua vida pessoal -, suas amigas decidem que é hora de uma intervenção. Madison continua a insistir que existe uma entidade pronta para pegá-la, e que ela usa a água como fio condutor entre o mundo dela e o nosso. Parecendo insana, suas amigas decidem ajudá-la com um inocente ritual - que infelizmente traz grandes repercussões para todos. Agora, todas estarão na mira desta criatura sombria, que usará todos os meios para chegar até as meninas. Juntas, elas terão que descobrir sua identidade e suas motivações se quiserem viver... ou jamais deverão entrar em contato com água novamente.

O conceito deste filme é bastante simples, mas ainda assim eficiente. Como uma pessoa pode evitar de entrar em contato com água? Precisamos bebê-la todos os dias, assim como também precisamos tomar banho. Se pararmos para pensar, a água está presente em todos os momentos do nosso dia a dia, então tentar escapar dela pode ser uma tarefa complicada. A água, neste filme, é quase como um personagem à parte. É mais do que um fio condutor, ela persegue as meninas. O enredo ainda traz diversos conceitos interessantes para a proposta que levantou, com direito a muita pia transbordando e chuva. Ainda há outros momentos bem legais, como a cena no elevador - mesmo que não seja muito sentido.

Um dos principais pontos positivos deste filme é a sua mitologia. É forte o suficiente para que possa desenvolver sua própria franquia, além de apresentar um potencial novo ícone do terror contemporâneo. O vilão é eficiente, assim como sua trama pessoal. A única coisa que fica devendo é a sua caracterização. Não há muita coisa marcante em torno da entidade, que se tivesse um visual melhor desenvolvido, poderia se tornar bastante popular no gênero. Ainda assim, sua presença é forte e sua história de fundo certamente poderia ser melhor explorada em futuras sequências. Além disso, não posso deixar de destacar a mocinha do filme, vivida pela atriz Michelle Mylett (Antisocial), que também tem potencial para ser o grande nêmesis do vilão.

Dentre os pontos baixos, o filme peca um pouco em torno de sua produção. Em diversos momentos, parece que estamos vendo algo amador - as cenas parecem cruas demais. E algumas das atrizes de apoio não conseguem convencer em seus pequenos papéis. Péssimas interpretações! O que consola é o fato de que as atrizes principais conseguem se sair melhor com suas personagens. Apesar desses detalhes, os efeitos envolvendo as mortes e "pessoas sendo tragadas para o outro mundo" estão bem feitos. O diretor é inteligente em não apelar para efeitos digitais e usa bons ângulos para camuflar essas "abduções". Só há um momento em que ele opta por usar CGI, que se mostra bastante mal feito, em alguns respingos mínimos de água. Tais efeitos são desnecessários, poderiam facilmente ser substituídos por água de verdade e não acrescentaram em nada. Em outras palavras, a maioria de vocês sequer vai perceber.

Enfim, eu fiquei surpreendentemente satisfeito com este filme. Vários aspectos dele poderiam ter sido melhores, mas a proposta é sólida e poderia sustentar facilmente sua própria franquia. No entanto, não posso terminar este texto sem fazer uma crítica ao terceiro ato, principalmente em torno da luta final entre a entidade e a mocinha, que deveria ter sido mais emocionante. Ficou tudo muito escuro e rápido, e o roteiro certamente poderia ter se aproveitado mais da presença da melhor amiga da protagonista (resultando em um ótimo trabalho em equipe). Como já disse, está longe de ser perfeito, mas tem sim os seus pontos positivos e muitos outros que podem facilmente ser consertados em uma possível sequência. Acredito que vale uma conferida.


Trailer:

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1 Comentários

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1 comentários:

  1. Eu gostei do trailer, mas achei que o filme seria puro clichê. Depois dessa crítica não vejo a hora de assistir.

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