sexta-feira, 15 de maio de 2015

[Crítica] Red Machine


Direção: David Hackl
Ano: 2014
País: EUA | Canadá
Duração: 93 minutos
Título original: Red Machine | Grizzly | Endangered | Into the Grizzly Maze

Crítica:

Caçar ou ser caçado.


Gosto muito de filmes de animais assassinos – quando não produzidos pelo canal SyFy –, então fiquei bastante ansioso quando este filme foi anunciado, com a trama envolvendo um urso assassino. Ainda que filmes com ursos não sejam tão variados quanto os envolvendo cobras ou até mesmo tubarões, há alguns bons exemplares neste segmento, como o trash O Parque dos Ursos Selvagens, que garantem o nosso entretenimento. Red Machine, tendo ao seu dispor alguns atores conhecidos e talentosos, parecia ser uma boa aposta neste subgênero de animais assassinos, que não vê um lançamento decente há um tempo.

A trama segue em dois irmãos que se reencontram depois de desentendimentos do passado. Estranhos ataques de urso chamam a atenção dos dois, que decidem investigar o que está acontecendo. Não demora muito para eles perceberem que não estão lidando com um animal comum, mas sim um urso enorme muito inteligente e mortal. A situação piora ainda mais quando eles entram na floresta em busca de Michelle, esposa de um deles, que leva a vida tirando fotos da natureza. Acontece que a Michelle é surda e muda, tornando-a um alvo fácil para o animal faminto que espreita na área. Agora, o grupo terá que ser mais inteligente que o predador para sair dessa com vida.

Infelizmente não foi dessa vez que os animais assassinos voltaram a ficar em alta. Este filme tinha tudo para ser ótimo, mas não só ficou abaixo das minhas expectativas, como acabou se mostrando um filme incompetente, que não tem êxito sobre nada que sua trama se propõe a desenvolver. Queria muito que Red Machine tivesse se saído melhor porque poderia abrir as portas para mais produções similares. No entanto, o enredo não só falha em entregar um filme empolgante, como também consegue se distanciar mais e mais da coerência conforme os minutos vão passando. No final das contas, sobrevivente talvez seja quem permaneceu acordado até os créditos finais.

Em meio a tantos pontos negativos, vamos começar falando sobre as coisas que este filme tem a oferecer. A fotografia é simplesmente maravilhosa! A floresta, cheia de tons vivos de verde, se distanciam daqueles típicos bosques amarelados dos Estados Unidos. É uma pena que todos os elogiam se limitem apenas a paisagem, porque ela só sozinha não tem a capacidade – e sequer o dever – de salvar o filme de si mesmo. Outra decisão inteligente foi a de introduzir uma personagem surda como uma das protagonistas. Apenas ela, Michelle, consegue atrair qualquer tipo de simpatia por parte do público. Ficamos com pena dela justamente por causa de sua vulnerabilidade, ainda mais se considerarmos que a capacidade de ouvir os barulhos a sua volta, em uma floresta, pode determinar se você vive ou morre.

É uma pena que o enredo apenas a jogou na história, sem tirar proveito dessa situação para causar tensão nos espectadores. Até há uma cena em que a personagem se perde por uns instantes em uma névoa misteriosa – que se dissipou em menos de um minuto –, mas tudo acabou muito rápido, sem a menor construção de um clima apreensivo. Todos os outros personagens são um saco. Temos os dois irmãos, que têm um relacionamento problemático, e mais uma garota, que nunca realmente mostra para o que veio. Sinceramente, não consegui me importar menos com a relação entre os dois personagens masculinos.

Assim como também não dei a mínima para a tentativa frustrada do enredo de desenvolver uma subtrama envolvendo caça ilegal de animais. E ainda bem que eu não prestei atenção, porque não teve qualquer relevância no geral. Pior do que tudo isso é o próprio urso, exageradamente grande, que sempre consegue chegar por trás de suas vítimas para um ataque surpresa sem fazer um barulho sequer. Fala sério, não é verdade? Toda a credibilidade do filme se perdeu quando o urso consegue estar em todos os lugares sem ninguém perceber sua presença até que seja tarde demais.

Outra grande decepção é a produção deste filme, que apesar de parecer cara, se entrega nas cenas com o animal assassino. O urso raramente divide a tela com os personagens, e quando isso acontece, é extremamente falso, assim como os seus ataques, que, além de repetitivos, são mal feitos. Apesar de mostrar alguma violência, não há nada que realmente chame a atenção em torno das mortes. Não recomendo este filme! Tinha tudo para ser excelente, mas além de entregar uma história tediosa, falhou miseravelmente no mais importante: o urso.


Trailer:

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