domingo, 10 de maio de 2015

[Crítica] Daredevil - 1ª Temporada


Status: 2ª Temporada
Duração: 60 minutos
Nº de episódios: 13 episódios
Exibição: 2015
Emissora: Netflix
Título no Brasil: Demolidor

Crítica:

A justiça é cega.

Quando você pensa que a Casa das Ideias não tem para onde crescer, ela acaba fechando um contrato ambicioso com a Netflix, garantindo quatro novas séries com heróis que ainda não tiveram a oportunidade de serem introduzidos no universo unificado da Marvel. Daredevil foi apenas o primeiro lançamento, que ainda contará com Jessica Jones, Punho de Ferro e Luke Cage. E, para completar o quadro geral, todos esses heróis ainda deverão se juntar em uma quinta produção, chamada The Defenders. Se a Netflix já estava te dando trabalho com suas excelentes produções originais cada vez mais numerosas, imagine agora que ela se juntou com a Marvel para te bombardear com diversos lançamentos de alta qualidade?

A trama segue Matt Murdock, vítima de um acidente que o deixou cego quando adolescente, mas também incutiu nele superpoderes sensoriais. Matt se forma advogado e abre sua firma na perigosa "Cozinha do Inferno", junto com o seu melhor amigo, Foggy Nelson, onde lutam por justiça. De dia Murdock atua como advogado, mas de noite ele ascende como o Demolidor, o guardião das ruas de Nova York. Sua sentinela se torna fundamental quando ele se envolve em uma sangrenta trama sobre o domínio da cidade, onde o misterioso Wilson Fisk acredita que algumas coisas devem morrer para que outras melhores nasçam em seu lugar. Porém, mesmo agindo sob a escuridão da noite, nem mesmo o Demolidor tem o poder de enfrentar seu inimigos sozinhos, e, para triunfar na proteção de sua cidade, ele precisará confiar em seus amigos.

Acho incrível essa iniciativa da Marvel de usar séries para trazer seus heróis menos conhecidos para os holofotes. Daredevil foi uma escolha inteligente para abrir essa nova leva de produções em parceria com a Netflix, uma vez que ele é o herói mais conhecido dentre os quatro protagonistas. De fato, antes de todo esse cuidado com o seu conteúdo, quando os direitos autorais do personagem ainda repousavam nas mãos da Fox, o Demolidor ganhou um filme solo, em 2003, estrelando o ator Ben Affleck no papel principal. Ainda que não seja um filme tão ruim - convenhamos há outros muito piores, incluindo o seu spin-off, Elektra -, não é raro que Demolidor - O Homem sem Medo figure entre as piores adaptações das últimas décadas.

Mas tudo isso é coisa do passado e nós devemos esquecer, porque se vocês não ficaram satisfeitos com a primeira tentativa de dar vida ao Daredevil, vocês certamente se sentirão representados com a excelente adaptação da Netflix. De fato, esta é uma produção única no universo da Marvel, uma vez que ela tem suas próprias características, destoando do clima de seus últimos lançamentos. Nesta série, há um tom escuro predominante, assim como muitos dias chuvosos. Certamente o sol não brilha na Cozinha do Inferno. O que vocês estavam esperando? Achei esse tom sinistro da série perfeito para a construção do personagem, que por diversas vezes parece cruzar a linha tênue entre justiça e retaliação. Em sua jornada de estreia, o herói parece estar tentando construir o seu caminho e ainda estar definindo sua identidade.

Esse é um conceito muito interessante levantado pelo enredo, porque coloca o seu protagonista no mesmo patamar que nós, seres humanos comuns e falhos. Matt Murdrock não é um deus com um martelo poderoso e muito menos se transforma em um monstro verde. Ele conta apenas com os seus sentidos aguçados e a vontade de limpar sua cidade do mal que a assola. E, o mais importante e crível de tudo: ele apanha. E apanha muito. Não estamos falando daquelas super surras onde o protagonista aparece com um pequeno corte na testa. Na verdade, as consequências de seus embates são assustadoramente realistas. E o que falar das cenas de luta? Maravilhosas. Muito bem coreografadas, especialmente aquelas que têm longos takes contínuos, que impressionam pela quantidade de movimentos e falta de cortes.

Não poderia fechar essa crítica sem falar do vilão desta primeira temporada, Wilson Fisk, que conseguiu elevar o conceito de antagonismo. Vincent D'Onofrio esteve sensacional na pele do Rei do Crime, conseguindo ser tão ameaçador quanto carismático. Um dos maiores acertos do enredo foi a de desenvolver o seu vilão, e mostrá-lo também como um homem comum, com um passado terrível e sentimentos. Somente no formato de uma série, que conta com muitas mais horas que um filme, o roteiro poderia se dar ao luxo de desenvolver tão bem o seu vilão, mostrando muito mais do que o lado malvado e caricato que estamos acostumados a acompanhar. Enfim, essa série é maravilhosa e não posso deixar de dizer o quanto estou ansioso para acompanhar a segunda temporada.. Agora só nos resta esperar, e torcer para que as outras séries em parceria com a Netflix consigam ser tão boas quanto esta.

PS. E o que falar daquela abertura maravilhosa? As imagens e a trilha sonora conseguiram captar com perfeição o tom sombrio da série.
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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Gostei da crítica, mas me pareceu que você simplesmente se deixou levar pela opinião da maioria quanto à grande parte dos quesitos da série. O fato de Demolidor (O Homem sem Medo, 2003) estar entre as piores adaptações das últimas décadas (!), o tom sombrio adotado pela Marvel, as cenas de luta realistas, tudo isso eu já tinha visto em várias outras críticas e comentários de fanboys e fissurados da Marvel por aí; por isso esperava algo diferente em sua crítica. Não estou dizendo que ela foi ruim, muito pelo contrário, foi bem construída e posicionada, porém acho que faltou algo mais pessoal e, digamos, diferente.

    Ou talvez eu esteja apenas cismando sem motivo. De qualquer forma, gostei da avaliação de Daredevil aqui no blog, e espero a próxima da 2ª Temporada (se vocês estiverem dispostos, claro).

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    Respostas
    1. Acredito que seja porque estes são aspectos incontestáveis da série - alguns dos seus maiores méritos neste primeiro ano. Não gosto de me aprofundar na trama, pelo menos na primeira temporada, para não dar muitos spoilers para as pessoas que ainda não virão a série.

      E sim, eu com certeza estarei de volta para o segundo ano, e Daredevil continuará aparecendo no nosso mundo com críticas de temporadas completas - assim como os seus outros companheiros da Netflix.

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