sexta-feira, 10 de abril de 2015

[Crítica] Witches of East End - 2ª Temporada


Status: Cancelada
Duração: 45 minutos
Nº de episódios: 13 episódios
Exibição: 2014
Emissora: Lifetime
Título no Brasil: As Bruxas de East End

Crítica:

As trevas estão emergindo.

Apesar de não ser perfeita, a primeira temporada de Witches of East End foi pelo menos divertida. Trilhando um caminho mais leve - com bastante humor -, a nova série tentou buscar novos caminhos para contar sua história, e acabou surpreendendo ao relevar a origem das bruxas no final do primeiro ano. Tenho certeza que enquanto muitos gostaram, outros detestaram a revelação. Eu considerei a reviravolta minimamente curiosa, e a minha maior preocupação era sobre como os roteiristas desenvolveriam essa proposta. O final da temporada de estreia terminou com um clarão, a vida de todos em risco e a possibilidade de um perigo maior do que as nossas protagonistas enfrentaram em seus 10 primeiros episódios. Parecia um bom pontapé para o segundo ano, não é verdade?

O fato é que esta segunda temporada é realmente muito superior se a compararmos com a anterior. Não só os personagens foram melhor desenvolvidos, como os arcos dramáticos deste segundo ano estão muito mais intensos. Ainda existe o humor típico da série, mas este foi reduzido de acordo com a gravidade dos eventos narrados a cada semana. A grande questão é que a vilã da primeira temporada se tornou uma verdadeira piada com os males que dão as caras neste ano. E não tivemos apenas um inimigo, mas vários arcos bem definidos - cada um trazendo o seu próprio vilão. Se na primeira temporada, esta era apenas uma série leve e boba para passar o tempo, esta segunda chance que ela teve elevou, e muito, o seu nível.

A primeira criatura que nossas heroínas tiveram que enfrentar foi uma Mandrágora, criatura que não é estranha aos fãs da saga Harry Potter, ou vocês não lembram daquela planta com grito ensurdecedor? Nesta série, a concepção da criatura é completamente diferente do que ela é conhecida. Nada a respeito dela faz lembrar de uma planta, e o fato dela ter tentáculos que saem de todo o seu corpo, que supostamente deveriam remeter à raízes, a distanciam ainda mais da descrição tradicional. A única conexão entre a planta e a criatura da série são os efeitos afrodisíacos. Enquanto os frutos amarelados da planta são considerados afrodisíacos, na série, a criatura parece ter um efeito sexual em torno da Ingrid, que é com quem está intimamente ligada. A Mandrágora, no entanto, é apenas a primeira dentre vários vilões, e merece destaque porque sua introdução na história foi uma forma inteligente de aprofundar a mitologia da trama.

Fiquei muito feliz em ver que os roteiristas se tocaram que isso não é The Vampire Diaries, e não insistiram no triângulo amoroso encabeçado pela Freya. Mas também, não havia muito o que explorar entre eles três depois que o Dash foi abandonado, não é verdade? Só reconheço que fiquei um pouco decepcionado com o Dash nesta temporada. Achei que, agora com poderes, o personagem iria flertar um pouco com as trevas. Infelizmente (ou não), o personagem acabou se aproximando da Ingrid. E como no mundo das séries, aproximação geralmente resulta em romance, desta vez não foi diferente. De fato, todos os personagens estiveram bastante ocupados com suas próprias tramas nessa temporada. Gostei do novo relacionamento da Wendy, apesar dela sempre ser minha bitch favorita. E até mesmo Joanna conseguiu me surpreender com o seus relacionamentos do passado.

Não posso deixar de destacar o décimo episódio deste segundo ano, intitulado The Fall of the House of Beauchamp, e que trouxe um dos momentos mais chocantes e marcantes de toda a série. Em um momento raro, os roteiristas tiveram bastante coragem e conseguiram mudar drasticamente minha perspectiva em torno da série. Passei a encarar os episódios finais com o coração na mão e uma ansiedade muito maior. Por mais que eu soubesse que certos acontecimentos seriam resolvidos de alguma forma, não tinha como não ficar abalado com o choque do sofrimento alheio, ou até mesmo perceber a audácia do enredo em relação a algo que já era dado como certo.

Mais bombástico do que isso, somente a notícia de que a série havia sido cancelada - sem um desfecho apropriado. Foi um dos cancelamentos que eu mais senti nos últimos, porque obviamente havia muito a ser contado em torno deste universo levantado por Witches of East End. Além do mais, a série conseguiu se superar e entregou um segundo ano muito mais impactante que o primeiro. Como eles puderam cancelar a série com vários ganchos instigantes? Se na primeira temporada houve um clarão e não sabíamos o que aconteceria a partir de então, o final desta segunda traz ganchos individuais para cada personagem, mostrando que a série não estava nem perto de dizer adeus, e que podia crescer muito ainda. Simplesmente decepcionante! Esse é o sentimento que define o fim de uma trama cheia de potencial, mas que ficará aberta e sem um desfecho apropriado para sempre (ou até que seja resgatada do limbo, assine a petição).
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