segunda-feira, 13 de abril de 2015

[Crítica] Sinistro - A Maldição do Lobisomem


Direção: William Brent Bell
Ano: 2013
País: EUA
Duração: 89 minutos
Título original: Wer

Crítica:

A lenda renascerá.

Apesar da onda maçante de filmes envolvendo vampiros, as produções que envolvem os seus rivais da natureza – os lobisomens – não ficam para trás quando o assunto é variedade. Ainda que em menor quantidade, até porque um enredo deste tipo requer uma produção considerável, esses metamorfos da lua cheia têm ganhado atenção em produções independentes. Nos últimos anos, destaca-se Sinistro – A Maldição do Lobisomem, Wolves e WolfCop, três filmes com tons muito distintos, que chamaram atenção suficiente para entrar em nosso mundo.

Na história, após o assassinato brutal de uma família americana em férias na área rural da França, um homem peculiar que vive perto da cena do crime é cegamente acusado pelos assassinatos. Acreditando que seu cliente é inocente, a advogada de defesa americana Kate Moore e sua equipe decidem fazer uma abordagem científica, a fim de provar a incapacidade física do homem para as autoridades locais. Conforme ela investiga sua enigmática história familiar, ela descobre evidências que sugerem o renascimento inesperado de uma lenda. Quando um banho de sangue tem início, Kate deve fazer tudo o que puder para sobreviver ao terror que se segue e impedir que o caos se espalhe.

A primeira coisa a se destacar neste filme é que não estamos lidando com um found footage, apesar de a câmera tremer tanto quanto em produções deste segmento. Isso pode incomodar muita gente, e até fazer com que o filme fique com uma cara mais amadora, mas há um determinado estilo, que é mantido durante todo o longa por parte da direção, que parece lógico. É como se acompanhássemos toda a história através dos olhos de uma testemunha onisciente, algo muito parecido com o que vimos no uruguaiano A Casa.

Um dos maiores acertos deste filme é o modo como o enredo trata a história do lobisomem e sua transformação. Desde o começo, acompanhamos um personagem que, acredita-se, é afetado pela luz da lua cheia, tornando-se uma criatura fora de controle. O ângulo científico com o qual é desenvolvida a história é realmente algo novo. Fora isso, não há muita coisa diferente em torno da mitologia do lobisomem deste filme e o que conhecemos popularmente. Mas é justamente esta pesquisa em torno dos efeitos que a “maldição” causa ao corpo humano que destaca este filme de tantos outros lançados ultimamente.

No elenco destaca-se o desconhecido Brian Scott O'Connor, obviamente. O cara é enorme, estranho e sua caracterização, com pelos por todo o corpo, passa uma ideia realista de como seria um lobisomem da vida real. Queria uma interação maior entre ele e a personagem principal, Kate Moore – interpretada pela sempre ótima A.J. Cook (Premonição 2) –, que vive sua advogada de defesa. A atriz conseguiu dar a vida a uma personagem forte, que tenta ajudar as pessoas, mas se vê perdida quando tudo o que ela acredita é questionado por evidências científicas que comprovam o impossível.

Muitas pessoas não irão gostar do desfecho do filme, que fica aberto e com a possibilidade de diversas interpretações. Mesmo com a reportagem final, nada fica claro a respeito do que realmente aconteceu depois que o filme terminou. Poderia ter se encerrado de uma forma mais inteligente, mas isso ainda não consegue tirar o mérito e a originalidade do filme. Gosto muito de ver como o roteiro não se prendeu a um pequeno grupo em algum lugar isolado, fazendo uso da polícia para caçar a fera e repórteres para disseminar a informação. É uma pena que não se aprofundaram nos efeitos da mídia em torno de um evento que, até então, poderia ser considerado extraordinário. Apesar do fato de que algumas coisas poderiam ser melhores, recomendo este filme justamente por sair do lugar comum, apresentando um novo ângulo em torno de um ser que já foi cansativamente explorado.


Trailer:

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