domingo, 26 de abril de 2015

[Crítica] Lucky Bastard


Direção: Robert Nathan
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 94 minutos
Título original: Lucky Bastard

Crítica:

Isso não vai terminar bem.


O que seria dos jovens entediados de madrugada sem a internet? Todos os dias, a todo momento, milhares de pessoas acessam sites pornográficos. A quantidade de sites dedicados ao sexo é enorme - apesar da grande maioria absoluta não produzir os próprios filmes -, e os números vêm de encontro com o fato de que mais e mais pessoas estão tendo acesso à internet nos últimos anos. Sendo um tabu ou não, a indústria pornográfica está apenas a um clique de distância. Neste caso, não é de se admirar que alguns enredos ousados tenham incorporado esse tema como plano de fundo de seus filmes, especialmente no gênero terror/suspense, onde o sexo quase sempre pode determinar quem vive ou morre.

A história gira em torno de um website pornô que tem o objetivo de convidar os seus fãs a fazer sexo com estrelas pornôs. Mike, criador do site, insiste na presença da estrela Ashley Saint, uma atriz que sonha em mudar de carreira e se tornar uma atriz de verdade, mas ela se mostra bastante receosa em trabalhar com alguém amador. Não demora muito para eles selecionarem o "bastardo sortudo" da vez. Seu nome é Dave, um cara tímido que parece ser completamente inofensivo. No entanto, depois que Dave falha em sua cena, as coisas saem do controle, mostrando um lado psicótico que ninguém poderia ter previsto. Agora, se sentindo humilhado, o "bastardo sortudo" irá eliminar todos aqueles que riram dele e duvidaram de sua masculinidade.

Eu nem preciso dizer que este filme está cheio de nudez, não é verdade? Ainda assim, devo alertar que não há sexo explícito. Em uma entrevista, quando perguntado o motivo de não haver penetração de verdade, o diretor relevou que essa nunca foi sua intenção, uma vez que essas cenas seriam desnecessárias e em nada acrescentariam à história. Decisão completamente lógica e inteligente. Mas se vocês ficaram decepcionados, fiquem sabendo que, apesar de não mostrar sexo de verdade, o filme apresenta algumas cenas bastante gráficas de simulação sexual, além, é claro, de nudez frontal por parte dos atores - tanto masculino quanto feminino. Considerando a proposta do enredo, essas cenas já eram esperadas e se distanciam da apelação sexual clichê dos filmes de terror, que geralmente costumam acrescentar sexo sem qualquer coesão.

Uma curiosidade interessante sobre a produção deste filme é que ele foi gravado, de fato, em uma locação usada para filmes pornôs reais. Sendo o IMDB, a casa onde as gravações ocorreram contém um stripper pole - que é rapidamente mostrado neste filme - e uma máquina de camisinhas. Apesar do baixo orçamento, a produção não deixou a desejar. Não há muitas cenas gráficas de violência ou uso desenfreado de péssimos efeitos computadorizados sem qualquer motivo aparente. O enredo conhece suas limitações e não constrói situações maiores que o próprio orçamento. Em sua grande maioria, não há nada de especial em torno das mortes, mas há algumas cenas bem legais no decorrer da história.

O grande problema que eu tive com esse filme foi a sua palpável falta de tensão. A trama se desenvolve a partir de um maníaco desestruturado, mas não há muitos momentos de apreensão. A maioria das cenas acontecem rápido demais, ou sequer há construção de um clima de suspense. Ainda assim, como já adiantei, algumas cenas de tortura são interessantes - e até mesmo engraçadas -, como a que envolve um certo consolo. Apesar disso, acredito que é muito mais fácil vocês se chocarem pela nudez e sexo do que a própria violência. Eu também esperava mais cenas de perseguição e mortes mais variadas. Por que o bastardo sortudo não soltou aquela maldita arma e pegou uma faca? Teria causado um efeito bem mais interessante e apreensivo para o terceiro ato.

Também achei extremamente desnecessárias as primeiras cenas com os policiais entrando na casa e encontrando os corpos. Não só soubemos como a grande maioria dos personagens morreu, como também não há muita surpresa em torno de suas identidades no decorrer do filme. Até pensei que no final da trama as gravações dos policias seriam retomadas de alguma forma - dando continuidade à cena e mostrando alguma relevância para a história em geral -, mas foi só aquele prazer sádico de mostrar o que aconteceu antes mesmo de conhecermos as vítimas. Enfim, apesar dos seus defeitos óbvios, Lucky Bastard traz um bom ângulo no já desgastado found footage, e é uma opção interessante para quem ficou curioso com essa história peculiar. Apesar de considerar acima da média, nem preciso avisar que não é para todos os públicos, não é verdade?


Trailer:

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário