domingo, 26 de abril de 2015

[Crítica] GirlHouse


Direção: Trevor Matthews
Ano: 2014
País: Canadá
Duração: 99 minutos
Título original: GirlHouse

Crítica:

Aproveite o show.

Este filme traz uma premissa bastante interessante sobre o conteúdo pornográfico online. Como já comentei em outros textos - como na crítica de Lucky Bastard -, a indústria pornográfica realmente sofreu com a popularização da internet. Quem atualmente iria para a locadora (ainda existem?) pegar um filme pornô se tudo o que você quer está apenas a um clique de distância? Enquanto o Google abriu um mundo de oportunidades para os internautas, várias outras foram fechadas para quem trabalhava no ramo. Os espertos tiveram que se adaptar para gerarem lucro, e é justamente neste ponto que entram os diversos sites pagos, que prometem conteúdo exclusivo para os seus assinantes. GirlHouse consegue situar perfeitamente sua história neste cenário atual, enquanto entrega algumas mortes violentas para os amantes do gênero fantástico.

A trama segue um grupo de garotas que vivem em uma casa cheia de câmeras. As imagens são transmitidas ao vivo 24 horas por dia. O objetivo é atrair a atenção dos espectadores, usando nudez ou qualquer outro meio sexual, para aumentar os acessos. Quanto mais atenção uma garota chama, mais ela ganha. Com dificuldades financeiras e correndo o risco de não conseguir manter sua faculdade, Kylie decidi aceitar o convite de morar na casa. Tudo parece perfeitamente bem, até que um maníaco, super fã dos vídeos, é desprezado e bloqueado por uma das garotas, e decide se vingar com as próprias mãos – e várias facas. Se aproveitando de seus vastos conhecimentos de informática, ele consegue localizar e invadir a casa. Não demora muito para os corpos começarem a se amontoar, enquanto os espectadores não podem fazer nada... a não ser assistir.

Devo dizer que eu realmente adorei o enredo deste filme. Nunca havia visto uma história parecida. Achei ousada, assim como a ideia de misturar um slasher nesta equação. Infelizmente, mesmo com um grande potencial, o enredo falha em diversos pontos de sua história, além de não conseguir fazer uma boa distribuição dos elementos que sua trama faz questão de levantar. Ainda assim, este é um filme diferente do que estamos acostumados e, apesar de provavelmente não revolucionar o gênero, certamente não será descartado de sua cabeça em apenas alguns dias. Considerando que a maioria dos filmes lançados atualmente são completamente descartáveis, GilHouse já se inicia com um ponto ao seu favor. Apesar disso, não posso deixar de comentar que, considerando sua proposta, esperava muito mais cenas de nudez.

O maior problema deste filme, na minha opinião, girou em torno do seu assassino. Em momento algum ele consegue convencer, nem mesmo quando está matando facilmente suas vítimas. O enredo tenta mostrar parte da história através de sua perspectiva, com a inclusão até mesmo um prólogo mostrando sua violência e perturbada infância. O fato é que todas essas cenas não conseguem construir um vilão crível. Ele é mais patético do que ameaçador, e isso é um grande problema. O pior de tudo é que o enredo tenta vender um vilão perturbado e violento, mas falha miseravelmente em tudo. E se a credibilidade do assassino está em jogo, tudo o que a trama apresenta em torno de suas "fantásticas" habilidades online tornam-se duvidosas.

Até consigo entender o fato do cara conseguir hackear um site, mas todas as suas outras "conquistas" tornam-se demais para um ser humano normal engolir. Seria mais interessante se um grupo de homens bêbados e violentos tivessem seguido as jovens até a casa depois de uma discussão em algum bar. Outro grande desperdício do roteiro foi não ter feito as suas vítimas interagirem com os internautas que as estão assistindo. As garotas estão realmente lutando por suas vidas, então seria muito interessante se os espectadores pudessem ajudá-las a se salvar, uma vez que eles podem ter acesso à casa inteira através das câmeras. É uma pena que o enredo jogou fora essa oportunidade com mais uma desculpa inconcebível de que o vilão consegue controlar tudo através do tablet em suas mãos.

Apesar do tom negativo, há alguns momentos bem legais depois que as mortes começam a acontecer. Há uma certa violência e variedade em torno das fatalidades que deve agradar os espectadores mais sanguinários. Só achei que o filme deveria ter entregado mais perseguições. Praticamente todas as garotas dão de cara com o assassino e morrem, sem grandes lutas. Gostei da protagonista e o seu confronto final com o vilão foi bem legal - apesar de tudo se passar no mais completo escuro -, só esperava algo mais relevante em torno do seu interesse amoroso. Se pararmos para pensar, ele não fez nada de útil. Enfim, por mais estranho que possa parecer, eu estava gostando mais deste filme quando ele não havia se tornado um terror. Somente seguir aquelas personagens já estava interessante para mim, e esperava muito mais delas uma vez que começaram a lutar por suas vidas. No balanço geral, acredito que este filme esteja na média, e pode trazer alguma diversão em uma noite tediosa e sem grandes expectativas.


Trailer:

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