quinta-feira, 2 de abril de 2015

[Crítica] Cinderela


Direção: Kenneth Branagh
Ano: 2015
País: EUA | UK
Duração: 105 minutos
Título original: Cinderella

Crítica:

Meia-noite foi apenas o começo.

Depois dos sucesso de Malévola, tanto de público quanto de crítica, a Disney não perdeu tempo e agilizou o seu projeto live-action seguinte, Cinderela. A ideia é basicamente a mesma: revitalizar a obra clássica, apresentando-a a um novo público através de atores em carne e osso. A concepção da história, no entanto, não apresentaria um novo ângulo, focando em narrar a mesma estrutura que já conhecíamos. Essa é a primeira investida da Disney que não tem o objetivo de introduzir uma nova perspectiva do enredo, como aconteceu com Alice no País das Maravilhas e Malévola, então o sucesso deste projeto certamente determinaria o curso dos futuros lançamentos planejados pelo estúdio, como os já anunciados A Bela e a Fera e Dumbo.

A história, como todos sabemos muito bem, segue a vida da jovem Ella, cujo pai comerciante casa novamente depois que fica viúvo de sua mãe. Ansiosa para apoiar o adorado pai, Ella recebe bem a madrasta e suas filhas, Anastasia e Drisella, na casa da família. Mas quando o pai de Ella falece inesperadamente, ela se vê à mercê de uma nova família cruel e invejosa. Sem ter como manter suas regalias e tendo que despedir os empregados, Ella foi passivamente relegada à posição de empregada da família. A jovem sempre coberta de cinzas, que passou a ser chamada de Cinderela, bem que poderia ter começado a perder a esperança. Mas, apesar da crueldade a que fora submetida, Ella está determinada a honrar as palavras de sua falecida mãe: tenha coragem e seja feliz.

Confesso que não estava muito ansioso para conferir essa adaptação. Cinderela nunca foi um dos meus clássicos favoritos, e quando soube que este filme não apresentaria nada de novo, fiquei com um pé atrás. Neste caso, o enredo apresenta aquele conceito clássico sobre princesas sofridas, príncipes que se apaixonam com apenas um olhar e um toque de magia para garantir aquele manjado final feliz. Sabia exatamente o que esperar, então não posso falar que fui desavisado, mas certamente esperava por mais algumas mudanças da história original. No final do filme, o enredo soou um tanto quanto antiquado e isso acontece justamente porque o enredo se manteve praticamente intacto. Atualmente, as personagens femininas são sempre retratadas de forma forte e basicamente independentes, então voltar a encarar a submissa Cinderela pode ser encarado como um retrocesso.

Apesar disso, fiquem tranquilos, porque a Cinderela deste filme tem bastante personalidade. Apesar dela lutar para manter a promessa que fez a sua mãe de ser boa, ela não se encontra feliz e muito menos tem coragem para fazer algo a respeito. Aliás, a personagem até demonstra coragem em determinadas atitudes, mas não consegue passar por cima do ego de sua "família". Queria muito ter acompanhado mais cenas entre ela e o príncipe antes do grande baile, o que certamente enriqueceria a relação entre eles dois. Pelo menos tivemos um rápido encontro no bosque, o que basicamente não justifica todo o "amor eterno da procura infinita". O roteiro poderia ter contornado este problema, atualizando a história de uma forma mais crível. No entanto, o objetivo do filme é mesmo mostrar um conto de fadas legítimo, onde existe magia sim, e também amor à primeira vista.

Voltando a nossa atenção aos personagens, não é apenas a Cinderela que brilha com seus sapatinhos de cristal. De fato, a Madrasta interpretada pela sempre ótima Cate Blanchett foi uma das melhores coisas desta adaptação. Além de manter um porte refinado, a interpretação de Blanchett garantiu uma camada mais profunda em torno de sua personagem. Gostei muito do diálogo entre a Madrasta e a Cinderela no final do filme, onde a vilã revela parte de seu passado, levando-nos a refletir os acontecimentos que a tornaram uma mesquinha daquele jeito. Queria que o roteiro tivesse investido um pouco mais na personagem, assim como também voltou sua atenção à Malévola. Não precisava humanizá-la e torná-la boa, mas certamente deixou a sensação de que uma boa trama envolvendo o passado da personagem foi deixada por debaixo dos panos.

Também não posso terminar este texto sem destacar a participação da Fada Madrinha. Helena Bonham Carter estava lindíssima, dando vida a uma personagem que, apesar de só aparecer em uma cena, trouxe bastante personalidade a ela. Em geral é apenas isso! Cinderela não apresenta nada de muito original, e muito menos traz uma nova perspectiva do clássico de animação, mas consegue cumprir sua proposta de criar um conto de vidas diante dos nossos olhos, com uma excelente produção, fotografia e um elenco afiado. Quem estiver esperando algo mais, certamente ficará decepcionado. Mas quem gosta da personagem e quer se sentir iluminado ao vê-la ganhar uma nova vida em carne e osso, deve ficar mais do que satisfeito com o resultado. PS. Boatos que o ator que interpretou o príncipe, Richard Madden, teve que esconder o pênis durante as filmagens porque ficava muito chamativo, mas devo dizer que a infeliz escolha do uso de jockstrap para o elenco masculino acabou realçando essa área em todos os homens que apareceram na tela.


Trailer Legendado:

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