quinta-feira, 12 de março de 2015

[Crítica] Simplesmente Acontece


Direção: Christian Ditter
Ano: 2014
País: Alemanha | UK
Duração: 102 minutos
Título original: Love, Rosie

Crítica:

Às vezes, o amor certo chega na hora errada.

Baseado em um livro chamado Where Rainbows End, da autora irlandesa Cecelia Ahern - cujo primeiro romance foi o popular P.S. Eu Te Amo -, este filme é a mais nova adaptação de uma trama de romance que promete trazer mais uma história de amor para as telonas. O livro em questão não era muito conhecido em território nacional. Em sua primeira edição, lançada em 2006 por uma editora pequena, o romance teve o seu título traduzido literalmente, Onde os Terminam Arco-íris. Atualmente, porém, com o lançamento do filme, o romance recebeu uma nova edição, através uma editora maior, com uma nova capa e um título diferente. Nas mãos da editora Novo Conceito, o livro recebeu o mesmo título nacional que o filme, Simplesmente Acontece. Esclarecidas essas curiosidades técnicas, vamos nos aprofundar no conteúdo do filme em si.

A história gira em torno dos jovens britânicos Rosie e Alex, que são amigos inseparáveis desde a infância, experimentando juntos as dificuldades amorosas, familiares e escolares. Embora exista uma atração entre eles, os dois mantêm a amizade acima de tudo. Eles planejam grandes planos para o seu futuro, mas acabam se distanciando quando Alex recebe uma bolsa para estudar medicina em Harvard, enquanto Rosie se vê impedida de seguir com seus objetivos. Mesmo prometendo ficar sempre unidos, a distância entre eles faz brotar segredos, enquanto cada um encontra outras pessoas com quem dividir sua vida. Mas, a cada período de desencontro, os dois percebem que o destino continua os atraindo - mesmo que nem sempre seja a hora certa para que um relacionamento aconteça.

Este não é muito o meu tipo de gênero favorito - apesar de apreciar um bom filme de romance em alguns momentos. Não tinha muitas expectativas em torno deste filme, até porque, tudo em torno dele gritava clichês. Convenhamos, casal de amigos que se gostam e nunca ficam juntos por causa dos desencontros da vida? Essa história não parece nada original. E não é mesmo! A questão é que a trama acerta ao dar uma repaginada mais leve para o enredo, acrescentando boas doses de comédia e situações que causam vergonha alheia. Além de desviar do manjado drama, esses momentos divertidos ajudam a deixar os personagens mais carismáticos. Ainda assim, mesmo apresentando alguns pontos positivos, a história ainda pode se tornar cansativa aos olhos dos espectadores.

Ao contrário do livro, que narra os eventos através de quarenta e cinco anos na vida dos protagonistas, o filme sintetiza a história em apenas doze. Com isso, não é preciso ter lido o livro para saber que tinha coisa do romance foi deixado de fora nesta adaptação. Não tive a oportunidade de conferir a obra de Ahern, mas dá para perceber o quanto o enredo resume os primeiros anos dos protagonistas em alguns cortes de cenas rápidos. A trama também conta com muitas passagens de tempo, narrando diferentes momentos na vida de ambos os personagens. Apesar de começarem juntos, vemos o efeito da distância agindo no relacionamento entre eles, fazendo-nos refletir como a mais pura das amizades pode ficar fria com o passar dos anos.

Essas várias passagens do tempo também têm o seu lado negativo, porque elas se tornam cansativas. Você sabe que o casal ficará junto no final do filme - isso é um fato inquestionável -, mas a jornada de desencontros se torna entediante em certo ponto. Afinal, surge aquele sentimento de enrolação, onde já sabemos exatamente como terminará, mas o roteiro ainda não se propõe finalizar logo sua trama. Entendo que o enredo se propõe a falar sobre o destino e também como a vida pode estar distante de um conto de fadas - onde tudo dá certo -, mas o drama em excesso e os desencontros perfeitamente sincronizados tiram um pouco do mérito da narrativa inicial, caindo no convencional romance dramático que existe aos montes por aí.

Não tem como terminar este texto sem falar sobre os atores que deram vida ao casal de protagonistas. Eles são fofos juntos, e até têm uma boa química. Porém, Lily Collins simplesmente não envelhece! Não estou querendo ser um chato neste aspecto - e garanto que isso não será relevante para a cotação do filme -, apenas quero ressaltar algo que chamou minha atenção. Em certo ponto da história, sua filha parece muito mais sua irmã. Já o Sam Claflin passa por uma transformação maior, justamente por ele ter marcas de expressão que a produção faz questão de ressaltar conforme os anos passam. Enfim, este é apenas um filme de romance comum - levemente divertido - e que provavelmente não será lembrado a longo prazo. Pode servir como diversão passageira, mas obviamente não traz nenhuma relevância para o gênero.


Trailer Legendado:

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