quarta-feira, 25 de março de 2015

[Crítica] Muck


Direção: Steve Wolsh
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 90 minutos
Título original: Muck

Crítica:

Os sortudos já estão mortos.

Não tem muito tempo desde que o trailer deste filme foi liberado na internet e causou uma certa comoção por parte dos fãs. Com a promessa de "um filme de terror para os fãs os gênero feito por fãs do gênero", Muck prometia um slasher sem efeitos computadorizados. Apesar do orçamento limitado, a produção contou inteiramente com efeitos práticos e de maquiagem. O audacioso projeto, que pretende desenvolver uma trilogia, foi financiado através de uma campanha do Kickstater, conseguindo alcançar o seu objetivo de 250 mil dólares - tornando-se, assim, uma das campanhas de mais sucesso já fundadas. Tudo parecia perfeito e até mesmo eu estava ansioso para assistir. Bem, tudo parecia ótimo mesmo, até o filme começar.

Na história, um grupo de adolescentes estão correndo de alguém desconhecido. Alguns sem roupas e outros feridos, o grupo parece que acabou de sair de um verdadeiro inferno. Eles encontram uma casa no meio do nada e decidem buscar ajuda nela. Sem telefones ou moradores, eles logo percebem que aquelas paredes não impedirão a entrada do que os está perseguindo. Enquanto um deles tenta buscar ajuda, os outros ficam atentos aos acontecimentos ao redor do lugar. Para o azar do grupo, o terror parece muito maior do que realmente é, e ele não pode ser contido entre quatro paredes. A medida que os jovens vão lutando por suas vidas, eles também percebem que até mesmo o seu pesadelo tem pesadelos.

Não entendeu nada do que eu quis dizer com essa resumo da história? Então você entendeu certo. Antes de embarcar nessa loucura toda, tenho que esclarecer que Muck é apenas uma parte de uma trilogia. Até aí não é nada demais, só que acontece que, apesar de ser o primeiro filme lançado, Muck representa o capítulo do meio. É por este motivo que a história já começa com personagens feridos e desesperados no meio do nada. A já anunciada - e financiada - prequel, intitulada Muck: Feast of Saint Patrick, promete contar o que começou essa loucura toda, além de diversas informações vitais que ficaram faltando no decorrer deste filme. A grande questão é: quem ficou interessado o suficiente para desperdiçar mais de uma hora de suas vidas em mais uma empreitada duvidosa?

Eu reconheço que foi uma ideia audaciosa, especialmente quando existem tantos projetos por aí que ficam no limbo e não conseguem sair do papel (alguém disse Olhos Famintos 3?), e também trouxe alguns bons momentos para os fãs do gênero, mas o resultado final é apenas péssimo. Nada, simplesmente nada, é revelado sobre a história - ou sobre o que os jovens estão correndo. O enredo obviamente tenta criar uma certa curiosidade apresentando diversos elementos em sua história, mas nunca desenvolve nenhum deles. Não sabemos quem são aqueles homens brancos e muito menos do que eles têm tanto medo. Esse mistério poderia ser preenchido de uma forma inteligente na próxima história, mas o mais provável é que, até os créditos finais, poucas pessoas ficarão interessadas em uma segunda rodada.

Apesar de todos os defeitos envolvendo a (falta de uma) história e os péssimos atores, o filme surpreende com uma ótima produção. Temos uma boa fotografia, com uma ótima iluminação (especialmente pelo filme se passar de noite no meio do mato). Além disso, as mortes são bem feitas, com efeitos práticos - como havia sido produzido. Até mesmo as cenas com fogo merecem destaque. Em geral, esse é um filme que teve todo um cuidado especial com seus detalhes técnicos, tornando-se este o maior ponto positivo deste projeto. Infelizmente, nada pode preencher o buraco deixado pela falta de um enredo. Não estou dizendo que queria tudo mastigado, mas os envolvidos deveriam saber que nós, fãs do gênero, queremos mais do que garotas seminuas correndo por motivo algum.

A edição ainda faz questão de trazer uma montagem de cenas não linear, com cenas acontecendo antes de outras, mas sendo mostradas depois. Este estilo em nada acrescenta ao filme no resultado final, além do recurso apenas ser usado na primeira metade da história. Talvez o que mais tenha me incomodado é o fato do enredo ter levado a história para o humor pastelão, como se do nada o filme tivesse se transformado em uma extensão da franquia Todo Mundo em Pânico. Por que diabos certo personagem não chamaria a polícia quando teve acesso de um telefone? Há pessoas morrendo a torto e a direito, mas os sobreviventes sequer parecem tensos (e ainda têm tempo de fazer piadinhas irritantes). O tom apresentado pelo discurso dos personagens é muito diferente do que o tom que o próprio filme havia se disposto a apresentar. Agora, com a prequel já financiada (aqueles que pagaram devem ter se revirado na cadeira quando assistiram este primeiro filme), só nos resta aguardar. Eu sinceramente achei uma verdadeira decepção, esperava muito mais e o resultado final foi como um soco no estômago.


Trailer:

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