segunda-feira, 23 de março de 2015

[Crítica] In the Flesh - 2ª Temporada


Status: Cancelada
Duração: 60 minutos
Nº de episódios: 6 episódios
Exibição: 2014
Emissora: BBC

Crítica:

A vida é difícil. E a morte não é mais fácil.


Depois de uma excelente primeira temporada, abordando um tema batido através de uma abordagem original, In the Flesh recebeu a chance de voltar para um segundo ano. Com o dobro de episódios para continuar sua história, o criador da série voltou a investir nos nossos personagens favoritos, desenvolvendo-os e expandido os próprios conceitos plantados pelo roteiro no ano de estreia. Infelizmente, ao contrário da primeira temporada, este segundo ano não apresentou uma história independente - com começo, meio e fim -, terminando com diversas pontas soltas. Digo que isso é uma infelicidade porque, depois de quase um ano de espera por qualquer tipo de anúncio, a BBC cancelou oficialmente a série.

Causando uma revolta geral por parte dos fãs, diversas mobilizações através da internet surgiram com o objetivo de dar à série uma nova casa. A BBC3 justificou o cancelamento pela falta de orçamento - que só daria espaço para um novo drama na grade. É de conhecimento público que a emissora BBC3 passou por muitos problemas financeiros, especialmente no ano passado, levando a sua falência e movendo sua atividade para uma plataforma online. O fato é que o cancelamento de In the Flesh causou uma repercussão muito maior do que os envolvidos estavam esperando, rapidamente levantando campanhas focando o retorno do drama pós-apocalíptico. Até o fechamento deste texto, a principal petição, Give In The Flesh a Third Season, já apresentava mais de 40 mil assinaturas. Outras petições apostam suas fichas diretamente em plataformas onlines, como a gigante Netflix (30 mil assinaturas) e Amazon (20 mil assinaturas).

Com todas as informações em torno do cancelamento e da campanha de ressurreição esclarecidos, podemos falar sobre os eventos narrados neste segundo ano da série. O primeiro ano teve foco no relacionamento amoroso e trágico do protagonista, mas este novo ano também desenvolve novos ângulos apresentados na primeira temporada. O mais relevante deles é o site que o Kieren acessou. Amy havia partido para encontrar este grupo, e nós nunca soubemos o que estava acontecendo. Essa segunda temporada traz uma luz sobre o assunto, assim como também se aprofunda na mitologia da própria história. Há uma maior repercussão em torno do Primeiro Renascido, e também sobre a Segunda Ascensão - duas tramas importantes deste segundo ano.

Amy está de volta! Continua uma fofa, e é sempre ótimo acompanhá-la. Sua amizade com o Kieren fica um pouco abalada no começo, mas eles logo conseguem superar os seus problemas. Ela é a responsável por apresentar o novo interesse amoroso do Kieren, o Simon, também um portador do falecimento parcial. Apesar de preferir o Rick como par do Kieren, não posso negar que o Simon fica mais interessante com o passar dos episódios. Assim como podemos suspeitar no começo, o novo personagem tem os seus segredos, assim como suas próprias crenças - que podem colocar em risco a vida de alguns dos nossos personagens favoritos. Ainda assim, ao final desta segunda temporada, Simon mostra-se uma ótima adição à série. Além de ser uma peça fundamental para os eventos da trama, ele também ajuda o Kieren em seu processo de aceitação.

Dentre alguns dos pontos negativos deste ano, temos o retrocesso da personagem Jem Walker, irmã do Kieren. Ao longo dos três primeiros episódios da série, ela passou a aceitar a condição do seu irmão, ao mesmo tempo em que tinha que lidar com os seus dramas do passado. Nesta nova temporada, no entanto, ela volta a cometer os mesmos erros de julgamento que fizera no começo da série. Seu drama se intensifica, e a personagem torna-se covarde sobre pressão - relevando um novo lado que não havíamos justo antes. Seu novo relacionamento com um dos principais matadores de zumbis da região também não a ajuda a subir em nosso conceito. Apesar disso, ninguém consegue ser tão odioso quanto a nova personagem, Maxine. Ela começa a série como a própria definição de intolerância. A personagem foi obviamente nascida para ser odiada, uma vez que até mesmo suas motivações aparentam sua loucura interior.

Ela é uma das maiores responsáveis pela movimentação em torno da procura do Primeiro Renascido. Segundo a lenda, somente depois da morte do Primeiro Renascido haverá uma Segunda Ascensão. É somente na Season Finale, porém, que suas atitudes tornam-se extremas, colocando em jogo um dos nossos personagens favoritos. Além dessa trama, há um plot sendo construído no decorrer deste ano, em torno dos efeitos colaterais dos remédios dos portadores da síndrome do falecimento parcial. Seu ápice também acontece durante o último episódio, mas o roteiro dá piscas suficientes para os espectadores adivinharem o que está passando a acontecer com os personagens. Queria ter visto até aonde o enredo iria desenvolver essa história, sendo ela uma das mais interessantes levantadas nesta temporada.

O grande fato é que esta é uma série delicada e muito diferente do que o grande público está acostumado a acompanhar. No entanto, sua qualidade é inegável, e o público que permanece ligado na história é fiel. Duas vezes vencedor do BAFTA TV Award, esta série merecia uma chance de ter um desfecho digno. Em tempos em que a televisão aberta está recheada de produções clichês, In the Flesh era como um sopro refrescante para nós, pequeno grupo de espectadores, que ansiávamos por algo novo. Espero muito que a série continua de alguma forma, afinal de contas, os ganchos deixados no final desta segunda temporada foram sensacionais. Agora só nos resta esperar para saber se toda a mobilização online trará uma Segunda Ascensão ou se a série será enterrada de uma vez por todas.
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