quarta-feira, 25 de março de 2015

[Crítica] Glee - 6x12/13: 2009 / Dreams Come True (Series Finale)


"E com cada osso quebrado Eu juro que vivi."

Review: 
(Spoilers Abaixo)

Não foi fácil e não digo isso da maneira mais positiva possível. Não foi fácil, não porque a série estava perfeita e dizer adeus parecia ser a missão mais impossível, não foi fácil porque em seus últimos anos Glee não era mais "Glee" e eu realmente não via a hora de dizer adeus, para o bem ou para o mal, queria que o show tivesse um ponto final, digno pelo menos, para consertar os inúmeros erros anteriormente cometidos. Nestes dois últimos episódios a série teve a chance de se redimir com seu público mais fiel, mas será que o show aproveitou esta oportunidade?

Sim e não é a resposta para esta pergunta. Sim porque nostalgia tivemos aos montes e não porque em inúmeros momentos as decisões não foram as mais acertadas. Mas devo admitir que no último episódio eu passei os 45 minutos chorando, e quando as cortinas finalmente se fecharam, foram mais alguns instantes de lágrimas correndo. Não porque foi o final perfeito, mas Glee fez parte da minha vida por um bom tempo, parte da minha rotina, e agora não passará de uma boa lembrança. Não terá mais aqueles momentos de ansiedade esperando as músicas todas as segundas e terças, nem mesmo os spoilers sobre quais melodias estariam no show, ou até a raiva que aqueles numerosos e longos hiatus me proporcionavam. Mas sem mais delongas vamos aos episódios.

2009


"Glee pela própria definição quer dizer abrir-se para a alegria."

Você que é fã da série a longa data, vamos combinar, este foi o nosso episódio. Depois de tantos anos, fazia um bom tempo que a série não entregava um episódio todo destinado aos verdadeiros fãs, onde o intuito dos roteiristas era satisfazer todas as nossas vontades. Bom, neste tivemos isso e muito mais, a direito ao momento mais nostálgico já proporcionado pela série e a direito também a respostas, que nem sempre foram as mais importantes, mas mesmo assim foi célebre assistir aos principais motivos de alguns personagens e o início da longa caminhada que estes teriam.

O episódio teve como principal foco os momentos que não foram mostrados no piloto, ou seja, as situações não se passam muito antes daquelas do primeiro episódio, seria mais como assistir uma versão do diretor ou algo assim, com uma mitologia ampliada. Apesar disso, nem tudo o que se procedeu pareceu certo, mas os acontecimentos foram tão melancólicos que na hora os erros se mostravam um pouco irrelevantes e apenas depois de algum tempo analisando, é possível enxergar algumas falhas, mas volto a repetir, nada que fosse grotesco ou grosseiro.

Os cinco originais e os motivos pelos quais eles entraram no Glee Clube foram o fator determinante para que o divertimento fosse concreto. Algo que me desanimou um pouco foi o tratamento que deram ao Kurt, que se mostrou bastante deprimido e oprimido, lembrando bastante os momentos do Bullying sofrido, mas acentuaram demais estas situações, parecendo até um personagem bobo e ingênuo demais, um pouco diferente daquele mostrado no início, que era confiante mesmo em meio a algumas circunstâncias. 

Agora o que me surpreendeu mesmo foi como trataram de Rachel e Kurt, como eles se conheceram e deixando claro os primeiros passos dessa amizade que seria uma das mais (se não "a" mais) importantes dentro da série. Os dois realmente tiveram chance de brilhar, claro, ao modo antigo, cada um com sua personalidade adolescente: uma Rcahel determinada e egocêntrica e um Kurt um pouco mais contido. A performance deles foi linda, realmente excelente, apesar da música não ter sido a melhor escolhida (na minha opinião), a caracterização se mostrou perfeita, e o entrosamento tão bem posteriormente desenvolvido dos mesmos já mostrava seu início glorioso. Esta introdução da parceria e amizade foi o melhor do episódio, já que nós já sabíamos por onde eles andariam, e ver a relação antes mesmo de ser construída foi esplêndido. 

Tina e Artie, depois de tanto tempo sentados ao fundo com apenas algumas tiradas por episódio, e música a cada três, finalmente puderam também mostrar ao que vieram, e enfatizar porque eles merecem este espaço, fazendo parte dos cinco originais. A relação deles também foi muito bem construída, e tivemos a oportunidade de ver a amizade que nascia, depois se transformaria em amor e voltaria a ser amizade. Tina estava ótima, já que era aquela inocente e gaga da primeira temporada, bem diferente da Tina chata com inúmeras personalidade que veríamos a partir das outras temporadas. Interessante como ela sabia de seu potencial, mas não queria muito mostrar ao mundo o que realmente podia fazer. Foi interessante ver também a audição de Artie, que tinha sido a única a não ser mostrada no piloto original. A música fazia bem seu estilo, e ver aquele nerd performando de novo foi realmente muito bom.

Outro relacionamento explorado foi o de Mercedes e Rachel, este de amor e ódio que sabemos da existência. Por um lado a confiança de Mercedes e todo seu poder vocal, do outro uma Rachel assutada com a competição. Importante ressaltar como Rachel desde o início se firmou como principal estrela do clube, já que entendemos porque ela recebeu o primeiro solo, e por mais impossível que pareça, pelo menos hoje para nós, foi por pena, já que a ideia era dar para a pessoa mais patética, assim alguém que se considerasse mais, não teria inveja. Tudo obra de Terri, que fez uma bela participação, e devo dizer que sentia saudades dessa bitch e de suas maluquices.  Me pergunto se tudo o que aconteceu dentro desta história tivesse sido diferente, que rumo as vidas deste personagens tomaria.

Tivemos uma linda homenagem ao Finn, que foi motivo de discussão dos cinco integrantes do clube, se ele realmente merecia fazer parte daquela trupe. Inegável como os diálogos neste momento se dispuseram a enfatizar um lado do personagem que depois seria muito bem explorado: sua bondade, ingenuidade e respeito. Impossível não chorar com as falas daqueles que se tornariam melhores amigos. Mas nem tudo foi perfeito, por exemplo, não tivemos Quinn nem Santana e Brittany, compreensível já que elas já se despediram a um tempo, mas foi triste não ver estes rostos tão queridos pelos fãs mostrando um pouco mais de suas histórias. No geral, este é um episódio que mostra que depois de todo esse tempo, os roteiristas ainda levam em consideração aqueles que fizeram deste programa um grande sucesso, apesar de tudo. Com certeza um dos melhores episódios da série toda.

Dreams Come True


"Fazer parte de algo especial não te torna especial. Algo é especial porque você é uma parte dela."

É hora de dizer adues, de se despedir e deixar os personagens que tanto amamos viverem suas vidas fictícias onde nunca mais veremos estes rostos que aprendemos a respeitar, a admirar e acima de tudo, a amar. Foi um adeus doloroso, difícil de se dar, mas que necessitava existir, já que a tempos a série gritava por um encerramento, antes que eles afundassem ainda mais um pingo da história que ainda prestava. Não foi perfeito, longe disso, mas dizer adeus nunca vai ser fácil.

Algumas decisões deste final me deixaram realmente contrariado e até incrédulo, já outras, foram as mais acertadas possíveis. É sempre difícil fazer um final para uma série, já que impossível agradar a gregos e troianos, e é impossível toda a história que acompanhamos a anos ter aquele final que tanto esperamos ver. O episódio final teve uma característica bem peculiar, usado em várias outras séries, que é o método de avançar e voltar no tempo, para mostrar como a vida dos personagens se sucede no futuro. Cada protagonista teve este recurso utilizado, mas nem todos tiveram os finais que todos esperavam.

Comecemos pelo Will, este que depois de tanta luta finalmente conseguiu vencer na vida (nas Nationals e na Escola) já que graças aos seus esforços para com as artes, o Mckinley se tornou um colégio voltado para a mesma e se antes um Glee Clube com doze alunos era sempre uma meta difícil de se alcançar, agora o que não falta é gente para tentar chegar ao estrelato, já que temos vários grupos dentro daquele ambiente. Olha, eu particularmente gostei do que foi feito, mas essa foi uma situação um pouco surreal demais. Will se tornou diretor e Sam ficou com o final do Finn, já que ele se tornou o professor do principal Glee Clube da escola. Infelizmente não gostei dessa parte, já que nesta última temporada Sam não fez absolutamente nada, a não ser formar um par romântico com a Rachel (que eu particularmente odiei) e no final o que pareceu é que os roteiristas estavam com preguiça de escrever um final para ele, então decidiram utilizar a de outro personagem que infelizmente não esteve mais na série desde o final da quarta temporada. 

Sue teve o desfecho mais hilário de todos, fazendo jus a tudo o que ela já fez dentro do show. Ela se tornou vice-presidente dos EUA. Era o típico final que os fãs poderiam almejar, já que era óbvio que ela faria algo bem fora do normal, e ter alguém como Sue na vice-presidência pode ser algo bem perigoso, interna e externamente para o país.

Um ponto acertado também foi o "final feliz" de Rachel com Jesse, sinceramente, este era o único casal que eu realmente torcia para que se formasse após a partida de Finn. Uma questão um pouco falha é o fato dos dois não se verem a alguns anos, e depois de todo esse tempo, uma música foi o suficiente para aquela antiga paixão reacender. Apesar disso eu não enxergava no fim das contas Rachel se juntando com o Sam, e dei graças que isso realmente não aconteceu, e na realidade eu já sabia que Sam seria apenas um tapa buraco para esta parte da atração. Cinco anos no futuro, Rachel está sendo a barriga "solidaria" para Klaine, e os fãs mais atentos notaram uma pequena referência a Faberry, onde na quinta temporada quem doou os óvulos para o casal foi a Quinn, mas quem se propôs a gerar a criança foi a Rachel. Não sei se isso realmente é uma pequena referência aos fãs ou algum esquecimento do roteiro mesmo, como já aconteceu anteriormente.

Klaine ao meu ver não teve um final muito digno, já que eu não entendi muito bem para onde os dois se dirigiram profissionalmente tanto quanto pessoalmente. Eu na verdade esperava ver Kurt no mundo da Broadway ou algo assim, e Blaine em algum ramo que realmente não me importa, mas não foi isso o que aconteceu, e isso me deixou bem triste. Mercedes, Tina e Artie também receberam seus futuros mais ou menos concretos. Mercedes finalmente se tornou uma cantora famosa e os primeiros passos disso foram dados já no presente, onde ela revelou que será o show de abertura da Turnê da Beyoncé. Linda a performance dela dizendo adeus, e o seu discurso de como poderia demorar algum tempo para aquela turma de amigos se reencontrar novamente, refletindo isso na vida real dos atores, já que agora vários estão com novos e diversificados rumos e projetos a seguir. E por incrível que pareça, Artie e Tina formaram um casal, pra valer desta vez. Eu particularmente achei esse final um pouco "alternativo" demais, já que pareceu que não haviam pensado em um final separado para cada um e então decidiram unir os dois, porque cá entre nós, eles não eram um casal desde a primeira temporada, e depois de todo esse tempo eles terminarem juntos foi um pouco sem propósito.

Algo interessante também foi ver como o elenco se portou diante as câmeras, mostrando reações muito verdadeiras o que fortalece aquela ideia do adeus verdadeiro, já que todos estavam realmente chorosos o que mostra a amizade deles fora da telinha e como aquilo foi tão difícil para eles como para nós.

Agora existem alguns pontos que não agradaram nem a gregos e aos troianos:
- Rachel quando ganhou o Tony: gente não gostei daquele discurso de meio minuto todo direcionado ao Will. Sinceramente, como encerramento da personagem, gostaria de ver um agradecimento mais bem elaborado, nem o Finn foi citado. Após a terceira temporada, quando era prometido uma apresentação a vida adulta dos personagens, esperava que todo esse desenvolvimento de perdedora a vencedora da Rachel fosse mostrado e isso não aconteceu. Ela simplesmente ganha o Tony e fica por isso mesmo.

- Nenhum outro personagem teve um final. Muito triste mas é verdade. Por exemplo a Santana. Ela que esteve na série como protagonista até a quinta temporada, ela que era uma das mais amadas, simplesmente não sabemos para onde ela foi e o que ela faz da vida. Na quarta e quinta temporada ela era a mais perdida em NY já que teve inúmeros empregos e nunca um rumo profissional certo foi dado a personagem. Muito frustrante não ver o que ela está fazendo após os cinco anos e se realmente todo aquele talento foi explorado ou não. Fora ela, Quinn e Puck também não mostraram onde estão. O final de Quinn foi simplesmente aquele de que ela foi para faculdade, após isso, não fazemos ideia de onde ela está nem se ela continua com o Puck. Este que também não fazemos ideia do que está fazendo, já que ele foi para o exército após a partida do seu melhor amigo e nunca mais soubemos por onde ele andou.

- A performance final, apesar de linda e chorosa, deprimente e alegre foi algo duvidoso de se acreditar. Todos eles voltaram para o colégio para uma última canção, mas o problema é que foram personalidades demais, que nem eram tão importantes dentro do espetáculo. Matt por exemplo, entrou mudo e saiu calado, mais insignificante impossível. Todos estiveram presentes, até mesmo Terri, o que não fez o menor sentido. E apesar de terem dado as caras, o que os fãs realmente queriam era ver por onde estas caricaturas andaram, e não meramente uma dancinha ali no final. Mas como Glee foi uma das séries com um dos maiores elencos é até compreensível em certo ponto que nem todos tenham suas trajetórias mostradas. Marley foi a única que não deu as caras, e eu agradeço por isso.

- Kurt não teve solo essa temporada e Quinn não teve nenhum desde a terceira. Triste eternamente por causa disso.

No geral, a série teve um final bom, agradável e justo, poderia ser BEM melhor, mas não é aquele tipo de encerramento que te bate aquele arrependimento de ter começado a assistir. Apesar dos erros dos últimos anos, nestes dois episódios finais a série pelo menos tentou se redimir um pouco, não conseguindo plenamente, mas comprovando que um respeito pelos fãs ainda existe. Agora é esperar pra ver se as emissoras ainda vão investir neste tipo de show, e pago pra ver alguma outra série deste gênero fazer tanto sucesso quanto Glee.

Pontas deixadas soltas:
- A princípio Marley e Mercedes continuaram virgens.
- O último diálogo entre Rachel e Quinn foi na quarta temporada e isso me frustrou demais.
- Nenhuma explicação sobre Quinn não estar presente no tributo ao Finn ou no casamento Brittana foi dada.
- Novamente nenhum diálogo entre Kurt e Rachel, melhores amigos sem falas. Infelizmente nesta temporada a amizade dos dois esteve bem apagada.
- O filho de Sue nunca mais apareceu e nem foi citado no final, mostrando o desleixo de algumas storylines dentro do roteiro.
- "Black Sue" não deu as caras, senti falta dela no final, sempre uma presença marcante.
- Os novatos não tiveram "finais", o que era esperado, já que foram deixados de lado por quase toda a temporada.
- Nem personagens um pouco mais importantes, como Kitty tiveram seus finais.
- A série terminou e não descobrimos como o Finn morreu.
** Existem inúmeros outros pontos, mas não me recordo por agora, então se quiserem complementar nos comentários, seria ótimo.

Informações extras:
Ao meu ver, esta temporada empata em ruindade com a quarta (que foi a pior, na minha opinião). Para treze episódios o ritmo foi muito lento e muita coisa desnecessária aconteceu (Samchel). Sem contar que vários personagens, incluindo a principal protagonista, foram desconstruídos de forma errônea sem nenhuma "dó". [Pelo menos na quarta temporada tivemos NY que foi a grande salvação de histórias boas a serem contadas.]

Lista de melhores temporadas (Na minha opinião):
1ª - Terceira Temporada.
2ª - Primeira Temporada.
3ª - Segunda temporada.
4ª - Quinta Temporada.
5ª e 6ª - Quarta e Sexta temporada, não consigo escolher qual eu gostei menos.
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Comentários
5 Comentários

Comentário(s)

5 comentários:

  1. Totalmente de acordo com você!
    Parabéns!
    Estou debulhada em lágrimas. Você descreveu tudo que sinto e penso a respeito da série no fim...ah, essa vida não é justa.
    Glee foi minha paixão, fez parte da minha vida de um modo incrivelmente profundo e verdadeiro.
    Enfim, assino embaixo da sua lista de melhores temporadas. A terceira para mim sempre será absolutamente perfeita! E só me atrevo a rever as três primeiras. As restantes para mim são triste demais por não terem nem um pouquinho de Finchel daquele jeitinho que todos os fãs fiéis do casal ama.
    Meu consolo hoje quanto ao casal é ler livros e livros imaginando eles, Finchel, (Finn e Rachel) como os mocinhos de todo romance sempre com um final feliz muito lindo. Sem isso eu acho que seria uma perda ainda mais dolorosa e terrível para o meu pobre e ingênuo coração que se apaixonou por este casal. O melhor para mim, o mais lindo que já pude ver!, e olha que já vi e conheci a história de muitos. Mas nenhum me cativou e me ganhou como Finchel.
    Bjs!

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  2. Só uma observação : eles falam sim como o Finn morreu e foi no exército .
    Puck e Quinn ficam juntos, tem um episódio que mostra, ela com um noivo que acabam terminando por causa do Puck e tals

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    Respostas
    1. Eles não falam como ele morreu! E não foi no exército, até porque ele abandonou e foi fazer faculdade para ser professor e ir cuidar do coral

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  3. Os atores que interpretavam Quinn e Finn, não possuíam boa relação nos bastidores, por isso ela não foi convidada para o tributo. Não cabia uma explicação fictícia para isso. Melhor não comentar...

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  4. E meu casal gay favorito "Kleine" não ter um final feliz??? Isso me deixou muito triste!!!!

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