sábado, 28 de fevereiro de 2015

[Livro] The Double Me - 3x03: It's Vice-President For You, Little Brother [+18]

 3x03:It's Vice-President For You, Little Brother
      “Ódio. Tão puro quanto fogo”.

— O que você quer dizer com “seu relacionamento precisa de energia”? — Nate fez uma careta.
Falava com Andy pelo celular, com uma mão erguida até a orelha e a outra presa no volante. Em momento algum pensou em parar sua caçada a lojas de grifes para prestar atenção no que era dito do outro lado da linha. Falar com Andy, depois de um uma parceria subestimada e de conversas de bar, comparava-se apenas a uma constrangedora conversa com sua mãe.
— Todos sabem o que você e Jensen fazem para se divertir quando estão entediados — Andy continuou. — Só achei que gostariam de adicionar alguém improvável a esta equação.
— Okay... Eu não sei se entendi, mas definitivamente poderia ter ficado sem esta conversa hoje.
— Quer dizer, vocês estão sempre inovando... — Andy falava como se estivesse dando de ombros. — Só estou perguntando se posso ajuda-los.
— Então... Você quer foder com nós dois?
— Você contaria a alguém?
— Eu não contaria a alguém que fiz uma coisa que eu nunca faria — Outra careta formou-se enquanto planejava as palavras certas para dar um fim no assédio.
— Jensen concorda com você?
— Você está bêbado?
— Nate, qual é! — Seu tom de voz birrento já estava de volta. — É só por diversão! Eu nem sou gay!
— Eu não me importo, só me deixe em paz.
Nate notou, do lado direito da estrada, o sofisticado restaurante italiano que costumava visitar junto do pai em suas noites de folga. Mas agora Simon tinha tradições mais importantes. Ao invés de levar os filhos e a esposa, levava jovens interesseiras sem qualquer tipo de pudor quando o assunto é um decote chamativo. Nate podia ver a destruidora de lares vestindo azul, com um batom vermelho, as pernas a mostra e o cabelo jogado sob o ombro esquerdo. Parecia apreciar a companhia de Simon na mesa como se estivesse apreciando sua conta bancária.
— É apenas um teste! — Disse Andy. — Amigos ajudando amigos. Não diga que nunca pensou nisso antes...
— Eu preciso ir. Não me ligue pelos próximos oito meses, por gentileza — E guardou o celular no casaco em um movimento ligeiro.
Deu marcha ré, parou no acostamento e desceu para a calçada. Ao passar pela porta giratória do restaurante, ganhou a atenção imediata do pai e de sua convidada, na mesa mais próxima a primeira janela da esquerda. Seus olhares constrangidos faziam jus a expressão de garoto levado que Nate mantinha no rosto.
— Estou interrompendo alguma coisa? — Ironizou, notando o prato de Tara em cima da mesa. — Hmm, Carpaccio? Isso é tão... Humilde.
— Bonito, olhos verdes e um vocabulário impecável — Disse Tara, com uma elegância invejável. — Você deve ser Nate.
— E você deve ser Tara, minha nova mãe.
Simon suspirou.
— Nate, por favor...
— Tudo bem — Tara apaziguou. — Nate, você gostaria de juntar-se a nós?
— Por que não? — Sorriu-lhe em resposta. Para as outras pessoas, era apenas uma cortesia desdenhosa. Para ele, a reação apropriada a sua recente fantasia. Daria tudo para ver Tara entalando-se com a comida e deixando um seio a mostra na tentativa de se salvar. De preferência, tão engraçado como os flashes em sua cabeça.
A moça olhou ao redor em busca do garçom.
— Por gentileza... — Chamou.
E em poucos segundos já havia uma cadeira colocada especialmente para Nate. O plano era simples: Colocar a madrasta em seu devido lugar e fazê-los arrepender-se de terem feito o convite.
— Então... — Nate olhou para cada um seguidamente. — Quando é o casamento?
Simon tentou articular, e mais uma vez foi interrompido pela mulher.
— Pergunto-me as coisas horríveis que você deve pensar de mim após ouvir apenas um lado da história. Mas tenho medo de ir longe demais. Algo me diz que sua imaginação não possui limites.
— Ao contrário do que você pensa, a realidade é o que mais me fascina — Disse Nate. — Todos temos segredos, e todos pagaríamos uma fortuna para mantê-los longe dos holofotes. Diga-me você, Tara, quanto valeria o passado quando bilhões estão em jogo?
Tara só pôde hesitar. Uma ameaça de Nathaniel Strauss era o suficiente para colocar em alerta todos os seus mecanismos de defesa. Não era apenas sua reputação que corria perigo. Havia alguém que dependia inteiramente de seus cuidados e não merecia lidar com consequências. Porque era inocente, gentil e carinhoso. Porque era seu filho, e o amava como nenhuma canção poderia explicar.
Gus, de apenas oito anos, tinha acabado de passar pela porta giratória do restaurante com as mãos dadas a sua babá. Correu para os braços de Tara sem pensar duas vezes, deixando que todos ouvissem em alto e bom som a palavra “mãe”.
— Oi, querido! — Tara o abraçou. — Como foi na escola?
— Me pediram para desenhar o futuro — O garoto estendeu a folha de papel que trazia em mãos.
À essa altura, Nate já havia constatado ser o único surpreso ao presenciar a cena carinhosa entre mãe e filho. Simon estava muito confortável para alguém que havia se tornado pai de um desconhecido. A não ser que... Não, não era possível. Gus lembrava bastante a criança inofensiva que Nate costumava ser; até mesmo na cor dos cabelos e no tom de pele. Era mais provável ter parentesco com os trigêmeos do que com Simon, seu possível pai adotivo.
— Foi você mesmo quem desenhou? — Tara sorriu, um tanto surpresa. Os talentos artísticos do filho, até então, manifestavam-se apenas na escrita.
— Sim, é claro — Ele respondeu. — A Senhora Montgomery disse que eu tenho um dom — E atentou para Nate do outro lado da mesa. — Quem é esse cara?
— Esse é o meu filho, Nate — Simon parecia mais calmo apenas em estar na presença do garoto. Ponderou num tom de voz suave e mostrou o meio sorriso que Nate não via há anos. — Está lembrado?
— Sim, o garoto das revistas... Aonde está o seu irmão?
— Ele está... — Antes de terminar, Nate olhou para seus companheiros na mesa. Ambos imploravam com o olhar para que não envolvesse Gus em seu jogo de provocações. É só uma criança, pensou. Não tem culpa alguma. — Ele está em casa estudando. É o que ele gosta de fazer para se divertir.
— Você não gosta de estudar? — Gus abriu a mochila para guardar o desenho.
Nate começou a gaguejar na primeira palavra. A inocência de Gus tirava toda sua concentração; e de repente, não teve mais certeza do que estava fazendo ali. Simon parecia estar muito satisfeito com a nova família para se importar com quem estava deixando para trás.
— Eu tento gostar — Forçou-se a responder. — E agora preciso ir.
Nate levantou-se de imediato. Desejou friamente que tivessem uma boa refeição e partiu.
Ao parar em frente a porta giratória, foi obrigado a olhar para trás. Se aquele era um plano de Tara para ganhar a empatia da família inteira, estava começando a dar certo. Ninguém se oporia a uma criança como Gus; ninguém impediria Tara de usá-la para conseguir o que quer. Poderia haver previsibilidade em seus desígnios, mas a família Strauss estava vulnerável demais para perceber.
Quando alguém aparece em suas vidas, é para que todos possam se queimar.


Vinte minutos se passaram enquanto Thayer e Travis esperavam pelo pai. O honorado Senhor Theodor Van Der Wall estava elegantemente atrasado para quem decidira reunir os filhos com tanta urgência em seu escritório. Se os irmãos bem lembravam, aconteceu o mesmo há alguns anos quando precisou informa-lhes sobre a separação. Theodor os chamou até a empresa, e dominado pela imprudência, mostrou-lhes as fotos que seu detetive particular conseguiu em uma das escapadas da esposa.
Thayer e Travis desaprenderam a estar juntos algumas horas depois, quando foram obrigados a escolher de qual lado estavam. Sendo o mais novo, Travis correu para os braços da mãe, deixando o irmão cuidar sozinho do princípio alcoólico de seu pai. Não era uma história triste, ambos concordavam. O único problema era enfrentar as reuniões de família e perceber que o outro irmão ainda existe.
— E aonde diabos você acha que eu estava? — Ouviram a voz estridente do pai do lado de fora.
— Eu disse que o Senhor tinha compromissos inadiáveis com sua família — Disse a secretária. Thayer lembrava que a antiga chamava-se Laura, e a nova não era boa o bastante para que lembrasse o nome.
— Que família? Todo mundo sabe que já mandei minha esposa para o inferno!
— E ele está de volta... — Travis murmurou, descontente.
— Passe isso para cá! — Theodor finalmente abriu a porta para o escritório. — E saia da minha frente, eu detesto seu cheiro de comida tailandesa!
Thayer e Travis acompanharam o pai com o olhar até que estivesse sentado atrás de sua mesa marrom. Não havia mudado muito desde a última reunião. O cabelo grisalho, as roupas refinadas, o cheiro de vinho francês e a barriga como um tanque de guerra ainda estavam lá. Nova York inteira sabia que Theodor era um verdadeiro grosseirão. E o único motivo para ser requisitado em todos os eventos importantes da cidade continuava sendo sua extensa conta bancária.
— Então, meus garotos... — Resmungou com a voz rouca. — O que diabos vocês estão fazendo aqui?
— Você nos chamou — Thayer respondeu.
— Oh, é verdade — Theodor coçou a barba como sempre fazia para forçar o desempenho de suas memórias. — Eu os chamei aqui porque precisamos conversar.
— Sobre o que? — Mesmo receoso, Travis decidiu perguntar.
— Como “sobre o que”? Sobre seus respectivos futuros. Não vou sustentar dois marmanjos para o resto da vida como se fossem duas donzelas.
Thayer demorou um segundo para pensar na resposta apropriada.
— Não planejamos viver do seu dinheiro para o resto da vida.
— Filho, não me tome por idiota. A vida ocupacional de Thayer e Travis Van Der Wall resume-se a foder com o pau dos outros e gastar milhões em estética. Quer dizer, não me levem a mal, não há nada de errado em praticar a sodomia discreta da nossa nação. Mas não é o suficiente para carregar o nome da nossa família.
— Carregar o nome da nossa família? — Havia uma parte de Travis que não captara a ideia da mensagem.
— Tenho certeza que ambos possuem expectativas quanto a assumir a presidência da editora Van Der Wall no futuro.
Os irmãos trocaram um olhar curioso. Levou apenas dois segundos, e nada trouxe além de dúvidas para os dois lados.
Theodor sentiu-se livre para continuar sem interrupções.
— Como filho mais velho, Thayer deveria assumir o cargo de vice-presidente e ocupar o meu lugar quando chegar a hora. Mas não posso ignorar o grande potencial de meu filho mais novo para os negócios. Neste impasse, existe apenas uma maneira de prosseguirmos.
— Qual? — Os dois irmãos perguntaram ao mesmo tempo.
— Uma competição. Vocês terão uma semana para provar que estão a altura da Editora Van Der Wall. Mas apenas um estará ao meu lado no fim desta guerra.
Travis remexeu-se na cadeira, totalmente desconfortável. Thayer teria feito o mesmo se não tivesse aprendido a esconder todas as suas inseguranças na frente do pai. Era exatamente o que Theodor queria, deixá-los apreensivos, temendo que qualquer movimento derrubasse seus cavalos. E Thayer nem sabia o quanto queria seguir os passos do pai até ouvi-lo falar com todas as letras.
— É tudo por hoje — Theodor levantou-se, fechando os botões do paletó. Já estava preparando sua deixa para seguir com os horários em sua agenda. — Se eu fosse vocês, começaria agora.
Thayer e Travis acompanharam os passos do pai até que tivesse passado pela porta. Fitaram a mesa, os quadros e a paisagem do lado de fora, certos de que aquela situação constrangedora não se desenrolaria sozinha. Os irmãos precisavam travar uma batalha pelo legado da família. E ambos achavam ter tudo o que é preciso para representar os Van Der Wall pela próxima geração.
— Você sabe que assumir os negócios da família sempre foi o meu objetivo, não é? — Travis disparou, sem saber se havia raciocinado o suficiente.
— E o que isso significa? — Thayer lançou-lhe um olhar cínico.
— Você nasceu para ganhar medalhas olímpicas e eu para assumir os negócios da família. Todos ganham dessa maneira.
— Como se eu fosse deixar a vice-presidência nas suas mãos imaturas.
— Não ouviu o que nosso pai disse? Eu tenho um grande potencial para os negócios. É por isso que o direito de nascença não significa absolutamente nada nesta conquista.
Thayer estava farto daquela conversa. Levantou da cadeira e preparou mais um contra-ataque verbal.
— Quer saber? Eu não preciso provar nada a você — Dirigiu-se até a porta. Travis o seguiu apenas para continuar seu jogo de intimidação. — Nosso pai não está tão velho a ponto de fazer uma péssima escolha em relação ao patrimônio dos Van Der Wall. Tenho certeza que tomará a decisão certa.
— Você acha mesmo que tem chance?
— Contra você? É óbvio.
— Se eu fosse você, não teria tanta certeza.
Pararam no meio do corredor das cabines onde vários funcionários trabalhavam com apenas uma parede fina separando-os. Os telefones não paravam de tocar, e o cheiro de café manteve-se insuportável desde o minuto em que se aproximaram daquela área. Pelo menos ainda estava passando cartoons na TV do canto superior direito. Era uma ótima distração para todos que passavam a maior parte de sua vida trabalhando para Theodor Van Der Wall.
— É uma competição — Thayer virou-se para o irmão. — E o melhor sempre vence.
— Deve ser a única coisa em que concordamos. Mas acredito que sua definição esteja equivocada.
— Posso perguntar por quê?
— Sylvia, você ainda está com o pen drive? — Travis gritou para a funcionária da cabine número cinco.
A jovem de cabelos loiros observou por cima da parede de sua cabine enquanto sussurrava a palavra “sim”. Era tímida demais para fazer qualquer outra coisa que o Senhor Travis não mandasse.
— Poderia colocá-lo? Está na hora do show — Travis lançou um sorriso sugestivo para o irmão.
— O que você está fazendo? — Thayer não conseguiu disfarçar a preocupação. Algo gritava em sua cabeça que Travis estava a ponto de um xeque-mate.
Nos instantes que sucederam a estranha conversa entre Travis e Sylvia, o desenho na TV foi substituído pela logomarca do Kiss&Tell, um dos programas de auditório mais famosos de Nova York. Thayer nem sabia o que estava acontecendo até perceber que a notícia especial mencionava seu irmão. De acordo com o jornalista, Travis Van Der Wall era o provável candidato para ocupar o cargo de vice-presidente da Editora Van Der Wall, tendo ele fechado um contrato milionário com a modelo russa Cornelia Novasck para representar as marcas dos principais investidores da Van Der Wall. Nada de sensacionalismo, apenas a verdade que muito em breve estaria na boca de qualquer nova-iorquino que prese o entretenimento.
— Gostou? — Travis soava vitorioso a cada letra pronunciada. — Será exibido amanhã à noite.
— Você sabia da proposta do nosso pai? — Thayer deu um ar de risos incrédulo. Como seu irmão poderia estar um passo à frente?

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— Ouvi uma conversa pelo telefone, nada que você não pudesse ter feito para tomar vantagem.
— Seu filho da puta egoísta...
— É Vice-Presidente para você, irmãozinho.
Travis despediu-se com outro sorriso, certo de que acabara de chegar ao inalcançável de seus objetivos. E Thayer não estava disposto a convencê-lo do contrário. Só precisava fazer uma ligação para destruir tudo o que o irmão conhecia cmo vice-presidência... Ou talvez como reputação.
Tirou o celular do bolso e discou rapidamente o número. Nate estava saindo do restaurante italiano quando ouviu o toque de seu celular.
— Tenho um Van Der Wall para destruir. Você está dentro? — Thayer foi direto ao ponto.
Nate olhou para a mesa do pai novamente, apenas para ter certeza da decisão que iria tomar. Nada poderia garantir as boas intenções da nova madrasta, e Simon sempre fora inocente demais para ler as pessoas. Talvez o evento das empresas Byron fosse a oportunidade perfeita para garantir que nenhuma meretriz roubaria seu patrimônio.
— Tenho um Strauss para destruir — Replicou. — Estou dentro pra caralho.


Era a décima quinta vez que Alex olhava para o relógio de pulso. Constatando o atraso de sua companhia, foi obrigado a iniciar um ciclo vicioso que só terminaria quando estivesse nos dormitórios da Yale. Olhar o relógio, levantar a cabeça, atentar para a entrada, suspirar de cansaço e olhar para o relógio... Às vezes lembrava que havia um copo de suco de laranja em cima da mesa esperando a ansiedade autorizar sua fome; porque qualquer um que estivesse esperando por mais de cinquenta minutos precisava de líquido.
Quando não tentava admitir para si mesmo que Yale continuaria sendo apenas um sonho, notava os pequenos detalhes ao seu redor que fariam toda a diferença contra a ociosidade. Tinha certeza que aquele restaurante português fora a escolha certa para dialogar amigavelmente com o único homem capaz de transformá-lo em um universitário. Não era frequentado por pessoas com pouco poder de consumo, muito menos pelas celebridades subestimadas que estão sempre envolvidas em escândalos. Era elegante, caro, e totalmente favorável a todos que desejam fechar negócios. Se ao menos ele tivesse honrado o compromisso...
Alex olhou para trás de relance, apenas para cobrir com os olhos um espaço maior no ambiente. Começara a perceber que sua inquietude chamava atenção das pessoas. Mais especificamente de Cameron, o garçom de cabelos negros e olhos castanhos que fora designado a recolher os pratos da mesa ao lado.
— Ele não vem — Sussurrou de maneira aleatória.
— Como é? — Alex não sabia se havia entendido, nem se o garçom realmente falava com ele.
— Você levou um bolo. Achei que estava claro.
— E como você sabe que estou esperando um “ele”?
— Você é Alex Strauss, não é? Todos sabem que está esperando um homem.
Alex deu um ar de risos cheio de desdém. Entendia o jogo provocante daquele desconhecido, e estava pronto para atacar.
— Pergunto-me porque você tem tanta convicção de que me conhece.
— Eu sei o que leio nas revistas. É o suficiente — O sorriso de Cameron exalava prepotência sempre que se propagava. O jovem formou uma pilha de talheres na mesa e levou as mãos aos pratos.
— Seu gerente aprecia a arrogância desnecessária a respeito da vida privada dos clientes?
— Eu não sei. O que acha de perguntar a ele?
Alex parou para analisá-lo. Cameron era ousado demais para alguém que gostaria de manter o emprego. Só havia um motivo para que estivesse com um sorriso no rosto enquanto ultrapassava os limites...
— Você adoraria, não é? — Alex sentia estar com a faca e o queijo nas mãos. — Aposto que este não é o seu emprego dos sonhos. Talvez até acredite ser bom demais para servir homens ricos e suas esposas troféus.
Cameron olhou para baixo com um sorriso constrangido, que nem de longe tirava o mérito de sua inegável inteligência.
— Você me pegou — Ele admitiu. — E agora tudo o que eu posso fazer é pedir a sua ajuda.
— Como um futuro estudante de psicologia, sinto-me na obrigação de admitir a veracidade da sustentação do ego humano que se aplica a sua personalidade. Mas como cidadão nova-iorquino, defendido pelos direitos da democracia e dos bons modos, eu simplesmente... Me recuso.
Cameron assentiu. Alex Strauss estava provando a cada palavra que fora uma péssima escolha para seu plano de emergência. Se ao menos continuasse sendo o garoto introvertido que ficava a mercê do irmão...
— Eu gosto da maneira como você pensa — Decidiu admitir. Juntou os talheres junto da pilha de pratos e segurou contra o corpo. — É como ouvir o desespero gritante de quem almeja pertencer a algum lugar. Se você já começou a identificar-se como Alex Strauss ao invés de Alex Bennett, não há motivos para não encerrar o meu caso. Obrigado por nada, nós definitivamente nos vemos por aí.
Alex manteve a expressão audaciosa no rosto, mas não durou por muito tempo. Foi só validar o distanciamento de Cameron para começar a refletir. Há alguns meses, odiaria ser chamado de Alex Strauss. E agora sentia-se indiscutivelmente bem com o novo sobrenome. Quando foi que Alex Bennett deixou de existir para que pudesse viver a vida de um dos herdeiros Strauss?
De repente, nem Yale mais importava. Tomou o último gole do suco, fechou a conta e partiu rumo ao manobrista do lado de fora. Mal teve tempo de tocar nas chaves antes que Mia aparecesse de surpresa.
— Alex — Ela cumprimentou, aproximando-se.
— Hey... — Alex parou com a porta do carro aberta. — O que você está fazendo aqui?
— Vivendo o pior dia da minha vida. A mercadoria da loja atrasou e meu carro foi rebocado. Eu sei, sou péssima nisso, mas é uma notícia velha. Como foi a entrevista?
— O que?
— A entrevista. Yale. Restaurante português. Alguma dessas coisas faz sentido para você?
Alex levou um segundo para sintonizar a si mesmo no mundo real. Havia mesmo contado aos irmãos sobre a entrevista. E isso explicava porque Mia estava ali quando não deveria.
— Ele não veio — Respondeu. — E eu estou indo para casa.
— Que droga. Quer conversar sobre isso?
— Não, eu só preciso ir para casa. Você quer uma carona?
— Não andei onze quarteirões para nada — A irmã sorriu.
Dois segundos se passaram enquanto processavam a ideia, e então, um grande estrondo alastrou-se. Vários delinquentes num veículo blindado jogaram garrafas em chamas no carro de Alex, gritando todos os tipos de ofensas que o desespero não os deixou compreender. Uma acertou o chão; a outra, a lataria; e a terceira colocou fogo nos bancos de couro que Alex tanto sentia orgulho.
Alex e Mia tentaram conter as chamas, mas só conseguiram depois que alguns estranhos aproximaram-se para ajudar.
— Ai meu Deus! Você está bem? — Mia tocou-lhe o ombro para ter certeza de que estava inteiro.
— Eu... — Alex sentiu a garganta travar. O corpo tremia, o rosto suava, e os olhos não conseguiam fixar-se em outra coisa que não fosse a garrafa dentro do carro. Porque não era apenas um objeto em chamas; havia uma mensagem legível chamando por ele, implorando para ser abrangida.
— Alex? — Para a irmã, era como se ele estivesse hipnotizado.
Alex não disse nada, apenas entrou no carro e puxou o pedaço de pano que havia dentro da garrafa.
— O que é isso? — Mia aproximou-se para ler junto do irmão.
— “Vocês são todos abominações” — Alex leu. — “Assinado: The Judges”.
E nada mais precisou ser dito. Os irmãos expuseram suas dúvidas apenas com uma troca cautelosa de olhares. O símbolo minimalista em forma de foice poderia ser o que mais temiam.


Jensen ouviu o celular tocar.
— Aonde você está? — Perguntou ao atender. Todo cuidado era pouco enquanto tentava conversar com o namorado e manter os olhos atentos na direção. Infelizmente, o tráfego de Nova York não estava ajudando em nada.
— Tive um pequeno imprevisto — Jensen podia ouvir uma música de fundo de onde quer que o namorado estivesse. — Mas vou para o apartamento assim que puder.
— Que tipo de imprevisto?
— Eu... Você sabe, Alex e seus dramas. Ele precisa de mim, por mais que não admita.
Jensen conseguiu perceber a inquietude na voz do namorado como se estivessem frente a frente.
— Você tem certeza?
— Se eu tenho certeza? É claro, eu não sou maluco — Nate desdenhou.
— Tem certeza que isso não tem a ver com a festa dos By...
E o impacto incidiu. Um carro desgovernado acertou sua BMW pela porta do passageiro, fazendo com que o veículo virasse de lado e fosse arrastado sete metros no asfalto. Jensen foi ferido na testa e nas pernas, mas não da maneira grave que poderia esperar. Teve forças suficientes para quebrar a vidraça do carro e arrastar-se para fora no meio dos destroços.
Não havia dúvidas de que era um cara de sorte. Como poderia ficar de pé e raciocinar depois de um impacto fulminante? A resposta para esta pergunta estava jogada no meio da avenida, em uma folha de papel que mais parecia um presságio de morte. Mesmo cambaleando, não hesitou em resgatar a pequena folha para matar sua curiosidade.
“Não há mais lugar para vocês nesta nação” — Leu para si mesmo. — “Assinado: The Judges”.
Era o bastante para entender que acidentes não acontecem.

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3x04: If You're Just an Evil Bitch, Then Get Over It (07 de Março)
Não se preocupem, Twins. Semana que vem temos THEON para todos os gostos e mais um pouco do mistério por trás dos ataques. Será que Cameron veio pra ficar? rs
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Comentários
4 Comentários

Comentário(s)

4 comentários:

  1. Que capítulo espetacular!!! Meu Deus, adoro disputas entre irmãos, espero que eles extrapolem para conseguir a cadeira da vice-presidência! Esse Cameron acredito que irá mexer mais com Alex do que imaginamos... Vamos aguarda!!!

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    Respostas
    1. Obrigado, Joel. Sim, quando irmãos disputam pela ambição é provável que nenhum dos dois sobreviva no final hahahaha. Cameron é um dos novos personagens que pretendem causar nesta temporada. Espero que gostem do que preparei para ele e do que ele preparou para os Hamptons xD

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  2. Não sei se é sua inspiração direta ou uma delas na parte de bitchness, mas acho Nate bem parecido com a Blair Wardolf. Associei a dupla dele com Thayer aos momentos em que ela se juntava a Chuck e eram imbativeis. Está numa linha bem coesa.

    O Andy voltou a aparecer depois de sumir na segunda temporada, mas tá um pouco solto na história, bebendo deslocado e implorando por threesomes. Ou é impressão minha? Você deve já ter algo preparado pra ele.

    Com certeza, está preparando algo. Parabéns.

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    Respostas
    1. Eu adoro Gossip Girl, John. E estaria mentindo se o próprio livro não tivesse referências dessa série. Eu não diria que Nate é uma espécie de Blair, mas acho que um mistura entre vários personagens dessa série. Acredito que ele tenha um pouco da Blair, do Chuck e até da Serena em certas ocasiões.

      O Andy está solto na história mesmo. Na verdade, eu não tenho muita coisa envolvendo ele pra essa temporadas. Ele vai ser muito mais relevante na 4ª, por motivos que eu ainda não posso dizer.

      Obrigado pelo comentário <3

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