sábado, 28 de fevereiro de 2015

[Crítica] Patrick: O Despertar do Mal


Direção: Mark Hartley
Ano: 2013
País: Austrália
Duração: 96 minutos
Título original: Patrick | Patrick: Evil Awakens

Crítica:

A única coisa mais perigosa do que seu ódio, é o seu amor.

Estava com muita vontade de ver este filme, mas confesso que meu desejo estava mais ligado à atriz que interpreta a protagonista do que a história em si. Sharni Vinson, que esteve excelente em seu papel de mocinha no eficiente suspense de invasão domiciliar, Você é o Próximo, volta para o gênero fantástico com esta refilmagem de um filme, de mesmo nome, de 1978. Não me levem a mal, este filme poderia ter sido ótimo, até porque, eu não tenho preconceito com remakes. Porém, basta dar uma olhada mais atenta ao trailer abaixo que você já saberá que não deve esperar muito desta produção de baixo orçamento.

Na história, depois de matar a mãe e o amante dela, Patrick se torna um paciente em coma de uma afastada clínica psiquiátrica dirigida pelo enigmático Dr. Roget, que o trata como cobaia de seus estranhos experimentos sobre a vida e a morte. Quando começa a trabalhar na clínica, a enfermeira Kathy fica perturbada com o tratamento e começa a sentir que Patrick está tentando se comunicar com ela. Acontece que Patrick tem poderes psíquicos e transfere seus pensamentos para o computador dela. À medida que a comunicação se intensifica, fatos estranhos e aterradores começam a acontecer. Patrick se afeiçoa a Kathy, fazendo com que seus sentimentos se manifestem através uma mortal e sangrenta obsessão.

Nunca tive a oportunidade de conferir o original, mas, depois de uma breve pesquisa, deu para perceber que este remake segue basicamente a mesma história. Um dos maiores pontos positivos desta produção é a sua ambientação. Os cenários da velha clínica são escuros e macabros, dando a impressão que o filme não se passa em tempos atuais. De fato, teria sido muito mais eficiente se o enredo se desenvolvesse décadas atrás, porque combinaria perfeitamente com a atmosfera do filme. Sem contar que a tecnologia moderna em nada acrescenta à trama. A fotografia escura e cinzenta (quando não manipulada por péssimos efeitos visuais) também é um dos grandes acertos, contribuindo por tornar o filme mais depressivo.

Infelizmente, mesmo conseguindo criar um clima de suspense na primeira metade do filme, o diretor sabota seu próprio projeto ao apresentar uma carnificina desvairada e muito mal feita. Ao invés de se sustentar com bons diálogos e cenas tensas, o diretor prefere escrachar tudo, colocando uma morte sangrenta atrás da outra, com direito a muitos efeitos computadorizados duvidosos. E se o filme estava interessante em um primeiro momento, essa sensação logo passa quando o diretor insiste em esfregar a limitação do orçamento - que não era alto suficiente para apresentar efeitos convincentes - em nossas caras. E o pior de tudo é que a maioria dos efeitos visuais sequer eram necessários. Precisava mesmo daquelas faíscas ridículas e mal feitas para que os espectadores entendessem que determinado personagem estava tomando choque?

Fiquei extremamente decepcionado com a direção que a história tomou. Este filme teria sido um ótimo suspense psicológico, especialmente porque o diretor tinha um ótimo elenco a sua disposição. Além da já citada Sharni Vinson (Bait), o elenco ainda conta com as participações de Charles Dance (o eterno Tywin Lannister, da série Game of Thrones) e Rachel Griffiths (da série A Sete Palmos), ambos extremamente desperdiçados pelo roteiro. As melhores cenas ficam por conta da interação entre a protagonista, Kathy, e o garoto em coma, o psicótico Patrick (interpretado de uma forma decente pelo novato Jackson Gallagher). Caso o filme investisse mais em cenas entre eles e menos mortes, o resultado final teria ficado bem melhor.

Enfim, no final só resta mesmo a decepção de um filme que poderia ter sido excelente, mas que foi desenvolvido de uma forma errada. Faltaram reviravoltas, principalmente envolvendo o complicado passado do antagonista, e sobraram tramas que não levaram a lugar algum, como o irritante namorado da protagonista. São alguns detalhes bobos, mas que no final poderia ter salvado o filme de se tornar esquecível. Não estou dizendo que é realmente ruim, mas certamente poderia ter sido mil vezes melhor. Deve valer uma conferida em uma tarde tediosa, mas certamente não será lembrado por muito tempo depois.


Trailer Legendado:

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