terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[Crítica] Cinquenta Tons de Cinza


Direção: Sam Taylor-Johnson
Ano: 2015
País: EUA | Canadá
Duração: 125 minutos
Título original: Fifty Shades of Grey

Crítica:

Perca o controle.

Considerando a natureza desta história, quando o livro em que este filme foi baseado viu a luz do dia, não era de se espantar que dividiu águas, tornando-se uma verdadeira febre entre os leitores. A polêmica se espalhou tão rápido quanto suas cópias nas livrarias. Mas o que há de tão chocante? Sexo realmente ainda é um assunto que choca as pessoas? Então por que as pessoas continuam dando audiência para programas baixos como o Big Brother Brasil - que, em 2015, se tornou um verdadeiro antro de pornografia (1-2-3)? É fato que as pessoas tendem a ver com maus olhos tudo aquilo que elas consideram diferente, e, somando com o sexo apresentado durante toda a história, está criada uma polêmica.

A história segue Anastasia Steele, uma estudante de literatura de vinte e um anos, recatada e virgem. Uma dia ela recebe a missão de entrevistar, para o jornal da faculdade, o poderoso magnata Christian Grey. Logo no primeiro encontro nasce uma poderosa conexão entre os dois, despertando a curiosidade de ambos. Logo, Anastasia se vê em um mundo completamente diferente do qual estava acostumada. Com Christian ao seu lado, ela é introduzida aos prazeres sexuais e emoções incapazes de controlar. Porém, nem tudo é perfeito, e o seu príncipe rico e bonito pode esconder muito mais do que aparenta na superfície. Dividida entre seguir a razão ou o seu coração, Anastacia se joga de cabeça em um jogo misterioso de dedução, prazer e dor, sem saber o que a aguarda por trás de certas portas...

Antes de começar a falar sobre os pontos positivos e negativos do filme, tenho que começar com uma curiosidade que nem todos devem saber. Inicialmente, esta história era uma fanfic de Crepúsculo - com os protagonistas inclusive tendo o mesmo nome que o casal da saga dos vampiros brilhantes, Edward e Bella. É por isso que as duas histórias - e os seus personagens - se assemelham em diversos pontos. Apesar de muitos acusarem a trama de uma cópia descarada e sexualizada, acho muito interessante ver o resultado final de algo que começou como uma brincadeira e se transformou em uma saga própria - que, por bem ou por mal, teve um grande impacto na cultura popular contemporânea.

O filme obviamente não conseguiu comportar todo o sexo da versão literária, e muitas dessas cenas foram cortadas. O sexo ainda está lá, mas está bem menos explícito, e não chega a ser cansativo como no livro. Muitos podem se decepcionar, porque, apesar de toda a polêmica, não há nada realmente surpreendente nas cenas mais "provocantes" - pelo menos nada que não tenhamos visto anteriormente. Como fã de Game of Thrones, devo dizer que a série da HBO mostrou muito mais sexo e nudez do que este filme, por exemplo. E ninguém correu, gritou e se descabelou por causa disso. Cinquenta Tons de Cinza poderia facilmente ter ganhado uma abordagem mais pesada, mas a diretora fez um ótimo trabalho ao preferir trabalhar com o conceito do erotismo do que mostrar tudo gratuitamente na tela.

Apesar disso, ainda acredito que as esperadas cenas no Quarto Vermelho deixaram a desejar. Há apenas duas sequências neste primeiro filme, e nenhuma delas realmente causa impacto. São muito rápidas, e também há muitos cortes. Não dá tempo para o espectador "entrar" no ambiente - e muito menos no espírito da coisa. Em termos de sadomasoquismo, este filme apresenta um conteúdo muito pobre. A trama sequer consegue arranhar a superfície deste mundo, preferindo não arriscar, e jogando seguro com os mais variados tipos de chicotes. Quem leu os livros sabe que a autora se dispõe a apresentar uma variedade considerável de instrumentos e "brinquedos" (alguns eu até tive que jogar no google para obter uma melhor compreensão), e é justamente pelo filme se conter que as polêmicas em torno dele se tornam ainda mais injustificáveis.

Dentre os diversos pontos positivos desta produção, destaca-se o casal de protagonistas e a trilha sonora. Dakota Johnson e Jamie Dornan têm uma forte química juntos, e estão ótimos em seus papéis. Enquanto Jamie Dornan consegue trazer toda a sensualidade que o seu personagem necessitava, Dakota Johnson vai além, e incorpora uma personagem com muito mais personalidade do que a nos livros. Sua Anastacia é interessante, carismática e divertida! Além disso, o filme tem uma excelente trilha sonora, com destaque, é claro, para a música da Beyoncé, Crazy in Love, que foi remixada especialmente para este filme. Essa nova versão empolga, principalmente quando sua batida se mistura com os movimentos dos personagens, desencadeando uma dança rítmica e sensual.

Como já havia lido o livro, sabia exatamente como o filme acabaria, mas não tinha certeza se o roteiro cortaria exatamente naquele ponto. Seguindo exatamente como a trama original, temos um desfecho atípico e pouco empolgante. Deu para perceber que os espectadores que estavam na sessão comigo ficaram claramente desapontados. E não é para menos! Isso não é realmente culpa do filme, porque o roteiro só estava seguindo uma trama já moldada, mas acredito que este tipo de final é muito mais aceitável em um livro do que um filme, já que os espectadores terão que esperar um ano ou mais para saber o que acontecerá a seguir (isso se eles não se cansarem e correrem para os livros). É como se todo o terceiro ato tivesse sido deixado para a continuação, o que certamente é broxante.

Ainda assim, acredito que a direção fez um trabalho aceitável na cena final, ligando-a diretamente com uma das primeiras cenas do longa - passando a ideia de que estamos apenas no começo desta jornada. E estamos mesmo! Há muito mais para ser explorado nesta história de amor (e sexo) entre Christian e Anastasia. Como não poderia deixar de ser, o filme foi um sucesso absoluto, arrecadando quase 100 milhões de dólares em seu final de semana de estreia - números estes que ultrapassaram até mesmo as expectativas dos produtores. Suas duas sequências já receberam sinal verde, então agora é só esperar pela segunda parte, que, na minha opinião, é bem melhor que a primeira (pelo menos nos livros).

Quero dedicar um último parágrafo para alguns avisos especiais. Muitos julgam o filme e falam que ele irá moldar a cabeça das pessoas com uma ideia fantasiosa, mas, convenhamos, a maioria dos filmes não é exatamente assim? É óbvio que um personagem como o Christian, na vida real, não teria o seu "final feliz", e estaria muito mais perto de protagonizar um filme de terror do que de romance, mas isso é ficção, como todos os seres consciências já deveriam saber. O céu é o limite, e você só leva a sério - ou para sua própria vida - se você permitir. Por último, só faço um apelo: não levem os seus filhos para assistir este filme. Ainda que não seja dos mais fortes, pode ser extremamente prejudicial para o futuro desenvolvimento da sua criança. Foi chocante ao ver crianças assistindo, e fiquei tão perturbado que tive que colocar uma alerta neste texto. Bom senso existe, use-o!


Trailer Legendado:

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