sábado, 28 de fevereiro de 2015

[Crítica] A Casa dos Mortos


Direção: Will Canon
Ano: 2015
País: EUA | UK
Duração: 90 minutos
Título original: Demonic | House of Horror

Crítica:

Toda casa tem os seus segredos. Não tente descobrir os dessa.

Em um momento raro nos cinemas nacionais, um lançamento não só chegou antes no Brasil do que no seu país de origem, como nos EUA sequer há uma data de estreia ainda. Considerando que as estreias sempre chegam por aqui semanas depois do lançamento oficial, principalmente filmes de terror - que tendem a ter suas estreias canceladas nas telonas o tempo todo -, é digno de nota o fato da estreia de A Casa dos Mortos ter seguido na contramão do que lhe era esperado. Infelizmente, apesar das circunstâncias extraordinárias, o mesmo não pode ser dito da qualidade do filme em si, que, mesmo tendo a produção assinada por James Wan, não apresenta nada de novo no gênero.

A história gira em torno de cinco amigos que decidem sair à caça de fantasmas em uma casa abandonada. A intenção deles é se comunicar com os espíritos do local - que tem um passado perturbador -, ao mesmo tempo em que tentam registrar as atividades em câmera. Não demora muito para que as coisas saiam do controle, ocasionando a morte de quase todos. Agora, com a ajuda do único sobrevivente, um policial e uma psicóloga se esforçam para descobrir o que realmente aconteceu naquela casa. Desconfiados se a versão fantástica do sobrevivente é real, eles ficam em dúvida quanto a sua credibilidade. Afinal, ele é culpado por matar os seus amigos, ou é apenas mais uma vítima?

Mesmo com as inúmeras críticas negativas, eu estava ansioso para conferir este filme. Estreou em fevereiro de 2015, em um circuito bastante limitado, sem encontrar grande público. A história, que segue basicamente o mesmo clichê que já vimos em diversas outras tramas sobrenaturais, se apoiando em um grupo de jovens lidando com coisas além de seus conhecimentos e uma casa com um passado bizarro. E assim o palco está montado! O enredo, no entanto, consegue se diferenciar das demais produções do gênero ao optar por não contar a história através de uma cronologia linear, alternando as cenas dos jovens na casa com a investigação dos policiais. Enquanto as cenas na casa são desenvolvidas sem grandes surpresas, a investigação e interrogatório em torno do sobrevivente fica a cargo de despertar o interesse dos espectadores.

Infelizmente, a trama não consegue se sustentar por muito tempo. À medida que vemos os acontecimentos na casa se misturando com o depoimento do jovem que sobreviveu, a história vai enrolando os espectadores até os minutos finais, onde o roteiro tenta amarrar todos os acontecimentos de uma só vez - falhando miseravelmente não só em explicar a trama, como também em surpreender a audiência. Não precisa nem assistir ao filme para saber que esta história pede por uma reviravolta. Não é apenas o convencional "jovens procuram e acham". O roteiro se propõe a algo diferente, desenvolvimento sua trama de forma que os espectadores não consigam montá-la de imediato. A revelação, no entanto, fica muito abaixo do esperado.

Além disso, o roteiro não consegue aproveitar dos próprios elementos que apresentou para surpreender os espectadores. Nós acompanhamos os eventos de três pontos diferentes: o presente, que consiste na investigação policial; o passado, que narra o que aconteceu com os jovens; e, por último, os acontecimentos que estes jovens gravaram através de suas câmeras. Ao invés do roteiro aproveitar essas filmagens que os policiais estão tentando recuperar para ludibriar os espectadores, ou até mesmo brincar com os fatos, os policiais milagrosamente recuperam apenas as filmagens mais dispensáveis. Praticamente todas as cenas found footage são desnecessárias e se tornam deslocadas no decorrer da trama.

Por último - e ainda mais grave -, quando as coisas parecem que vão ficar realmente assustadoras na trama dos jovens na casa - logo depois deles fazerem o ritual para estabelecer contato -, o roteiro abandona esse ponto de vista, resumindo o que aconteceu depois em menos de um minuto. É um dos momentos mais broxantes do filme, porque eu acredito que todos esperavam por uma "conclusão" melhor do que aquela. Basicamente, temos um roteiro que enrola bastante para jogar tudo na nossa cara nos minutos finais. Não foi uma jogada inteligente, porque além de cortar eventos que poderiam ter rendido bons sustos, a explicação apressada tem diversos furos. Só para não dizer que nada conseguiu se destacar, devo comentar sobre a cena que um dos personagens diz que tem uma mulher atrás de uma das jovens (que se encontra no trailer abaixo). É uma pena essa cena acontecido muito cedo na história, porque nenhuma outra cena conseguiu superá-la.

Enfim, mesmo que o filme não tenha sido maravilhoso, a coragem da Paris Filmes de lançá-lo nos cinemas deve ser reconhecida. A Casa dos Mortos provavelmente servirá como diversão passageira - e facilmente esquecível - para aqueles que não esperam por muito. Pelo menos o filme tem uma ótima produção, com direito a bons efeitos visuais e um elenco decente, que inclui veteranos como Maria Bello (Escuridão) e Frank Grillo (Uma Noite de Crime: Anarquia), mesmo que ambos tenham sido mal aproveitados, sendo obrigados a dar vida a papéis descartáveis e unidimensionais - principalmente Grillo, que encarna um personagem chatíssimo e que nada acrescenta à trama. De resto não há mais nada para se falar. Caso haja a curiosidade, assistam. Como já disse, não é bom... mas você provavelmente não vai querer se matar depois de ter assistido.


Trailer Legendado:

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