segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[Crítica] Avatar: A Lenda de Korra - Livro IV: Equilíbrio


Status: Finalizada (Livros: I - II - III)
Duração:  22 minutos
Nº de episódios: 13 episódios
Exibição: 2014
Emissora: Nickelodeon
Título Original: The Legend of Korra - Book 4: Balance

Mulher não precisa de homem para ter o seu final feliz. 

Review:
(Spoilers Abaixo)

Sabe aquela sensação de vazio, de que algo muito importante se foi e que não vai voltar? Sei que parece exagero, mas tu começas a senti-la (pelo menos eu comecei) desde o primeiro episódio do quarto livro, porque tudo te trás a ideia de despedida e equilíbrio é a última coisa que tu vais sentir quando tudo isso acabar; não porque não tenha sido épico, mas porque simplesmente tu não acreditas que acabou. Terminei de assistir agora pouco, então ainda não superei. É quase tão forte quanto o que senti com Breaking Bad. Quase.

Equilíbrio só vem para deixar ainda mais claro do que The Legend of Korra trata, é muito mais do que a história de uma heroína tentando salvar o mundo. Coisa que não é tão rara por aí, mas que na grande maioria das vezes é extremamente sexualizada, ou a personagem feminina é apenas uma ponte para que o masculino brilhe - exemplo disso é as HQs, as roupas das mulheres são sensuais ao extremo, é só pensar na Mulher Maravilha e na Canário Negro - ou ela é a vitima indefesa que precisa de um homem para salvá-la e após isso poderão viver felizes para sempre - nem a Disney acredita mais nessa formula -. Só por isso Korra já seria inovadora, mas ela supera essas questões.

Nada na história é sem significados e os personagens - principalmente a Korra, até pela limitação temporal - são muito bem construídos e aqui eu me refiro muito mais ao psicológico do que a qualquer outra coisa. Há batalhas épicas durante todos os quatro livros, mas nenhuma delas é por simples exibição de poder. Há sempre algo por trás. Os próprios "vilões" não querem o poder pelo poder e se sua busca fosse equilibrada (Toph) poderia ter resultado em algo bom - não só para eles, como para os outros.


E é exatamente disso que equilíbrio se trata, da busca da personagem por uma restauração, depois de enfrentar os desafios das temporadas passadas a personagem está destruída física e psicologicamente, especialmente após a batalha dela com o Zahir. O medo de que as coisas não acabassem bem acabou a consumindo e a tornando vulnerável, sim um herói também pode ter medo da morte, mas a Korra não deixou esse medo destruí-la e é aqui que aparece uma das melhores "surpresas" da temporada - além de rápidos flashs da Katara e do Zuko - a Toph estava de volta, afinal os Avatares não conseguem fazer nada sozinhos. Ele participa de alguns personagens, inclusive interagindo com as filhas no décimo episódio da temporada e um dos meus favoritos.

No geral a família do Aang não ganha tanto destaque nessa temporada final, quando falo isso me refiro especificamente aos seus filhos, isso porque Tenzin e os irmãos saíram um pouco de foco, mas os netos do Aang tomaram o centro da ação. Jinora, Ikki e Meelo terão pra sempre um lugar cativo no órgão que bombeia o meu sangue. Agora que estão mais crescidos - esqueci-me de falar, mas a série retoma três anos após os acontecimentos narrados no terceiro livro (com isso Meelo não é mais uma criança ele é um homem :D) - eles podem participar das batalhas sem maiores implicações, ponto pra gente que pode conhecer melhor os personagens, nisso destaco o episódio 4 que é focado nos três irmãos e que, sob pena de está me tornando repetitivo é um dos mais legais da temporada.

Os três anos não serviram para amadurecer só os três filhos de Tanzin, os personagens principais também ganharam contornos mais adultos, acho que os mais impactados com isso, até mesmo no visual foram a Korra e a Asami, a Korra já não era mais uma garota, nesse livro podemos ver uma mulher buscando conviver com os seus demônios e sobreviver a eles. Os irmãos Mako e Bolin também são afetados por isso, enquanto Mako se torna segurança pessoal do excêntrico-jovem-Rei da Tribo da Terra o Bolin se torna um dos braços direito da Kuvira - a grande unificadora e também a vilã principal da temporada, que pela primeira vez é uma mulher, não existia melhor forma de encerar a série -. Ganharam destaque também nessa última temporada, o que não é surpreendente devido o carisma dos personagens, foram o Varick e a Zhu Li, com um plot intrinsecamente ligado aos acontecimentos centrais da série por sinal.


Sinto que já falei muito do apanhado geral e nada muito específico, só estou tentado evitar os spoilers ao mesmo tempo que tento mostrar o quanto a série é legal e o quanto ela foi capaz de romper barreiras, mesmo sendo um anime que tecnicamente não teria motivos para fazer isso, ainda assim os produtores foram bastante ousados e fizeram, pode ser idiota falar isso, mas acredito que eles fizeram história e uma história muito épica por sinal. Enfim, o texto já está bastante longo vou finalizar com alguns destaques, não menos importantes, mas que se desenvolvidos poderiam tornar o texto muito mais moroso do que já está. São eles:

  • Humanos e espíritos estão muito mais conectados agora, O livro desenvolveu o plot que eu esperava desde o segundo livro, mas que foi um pouco esquecido no terceiro, que é justamente essa relação, que pode inclusive ser maléfico se os propósitos forem esse.
  • Falando um pouco da Kuvira. Ela, assim como os outros vilões, pode ser vista em tipos reais, inclusive tipos brasileiros em uma ditadura não muito distante e com um poder bélico menos reduzido, mas o legal é que a série, como eu já havia falado, trabalho o psicológico e aqui mais uma vez rompe a ideia de que o as pessoas são más porque são, mostrando como o contexto pode e influência no comportamento humano.
  • Senti falta do namorado da Jinora, mas ele não foi o único que ficou meio de lado. A nação do fogo, por exemplo. Mas não estou reclamando, no geral tu nem sentes falta disso.
  • Tem um momento Korra - Zahir muito interessante.
  • E por falar em Korra - Zahir, lembrei-me de algo que quase passava em branco. Estou me referindo ao lance da Korra e da Asami que gerou alguma polêmica, que não faz qualquer sentido, pelo menos não pra mim, mas que nem por isso foi menos foda - o fato, não a polêmica - sinceramente desde o primeiro episódio do quarto ano tu percebes que elas vão terminar juntas, até porque o lance com o Mako já foi faz tempo e elas estão muito mais conectadas. Enfim, fica a dica, mulheres não precisam de homens para serem felizes, nem para ter os seus felizes para sempre. Eu achei massa e fim da história, nos vemos por ai.

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