segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

[Crítica] American Horror Story - Freak Show | 4ª Temporada (Segunda Parte)


Status: Renovada
Episódios (Primeira Parte): 09-13
Emissora: FX

O fim de um espetáculo fracassado.

Crítica:
Spoilers Abaixo!

Um pequeno aviso para os leitores: Este não é um texto positivo. Detestei essa temporada, e os parágrafos abaixo irão refletir isso. Caso você tenha amado e não suporta opiniões contrárias - tendo que xingar muito nos comentários, no facebook e twitter -, pouparei o seu tempo e advertirei que é melhor você parar por aqui.

Depois de ter decepcionado os seus fãs com a terceira temporada, a grande promessa desta quarta seria voltar aos moldes que consagraram a segunda. Com uma pegada mais sombria, uma trama mais séria, e, para ficar melhor ainda, uma personagem que apareceu em Asylum - com a promessa ainda de conectar os eventos entre as duas temporadas. Não tinha como ficar melhor, não é verdade? Infelizmente, apesar de tudo parecer excelente, na prática, a realidade foi outra. Agora, com toda a temporada exibida, posso dizer com toda certeza: este foi o pior ano de toda a série. Foi a primeira vez que eu realmente me questionei se valeria voltar para o quinto ano. Eu voltarei, é claro, mas é porque esta série pode se reinventar completamente a cada temporada, o que sempre gera a esperança de que as coisas serão melhores. Mas será que elas serão mesmo?

Apesar de cada temporada contar uma história independente, é notável que o roteiro da série já se desgastou. E isso surpreende, afinal de contas, todo novo ano os roteiristas têm a oportunidade de recomeçar do zero, introduzindo novas personalidades e plots. Então o que está ficando tão manjado na série? Será que são os mesmos atores? As mortes "chocantes" que agora todos estão esperando que aconteçam? Eu acredito que haja vários motivos, na verdade. Não tem como negar que os atores são excelentes, mas, apesar de interpretarem personagens diferentes, há uma certa aura das suas "vidas passadas". Não estou dizendo que eles são ruins, devo repetir. De fato, quero apontar para a incapacidade do roteiro que apresentar um novo personagem completamente diferente do que já vimos antes.

Jessica Lange, em quatro anos, interpretou três grandes bitches. Todas elas eram ruins, não tinham medo de matar outros para conseguir o que quer, e mesmo assim conquistaram os espectadores (pelo menos as duas primeiras, uma vez que a Elsa Mars não conseguiu ficar no mesmo patamar). Peter Evans, em todas as quatro temporadas, viveu quatro mocinhos, sendo o primeiro deles, o anti-herói Tate, o mais notável de todos. Cadê a rotatividade? Há um milhão de formas para introduzir um novo personagem para esses atores, mas porque continuar investindo em mais do mesmo? E o que falar de todos os outros atores talentosíssimos que foram completamente descartados este ano? Kathy Bates realmente merecia aquele personagem medíocre e mal desenvolvido que lhe foi dado?

É a primeira vez que isso acontece nesta série, mas, a partir da metade desta temporada, eu não tinha  ninguém com quem eu me importasse. Ryan fez e aconteceu, matou basicamente 90% do elenco, mas já era tarde demais. Por que eu me chocaria com aquilo se eu nenhum deles me conquistou? Emma Roberts, que teve um dos finais mais brutais de toda a série, ficou completamente apagada no decorrer da temporada. Começou como uma vigarista, se tornou a mocinha, e logo caiu no esquecimento ao começar um romance tedioso com o personagem do Peter Evans. Ajudou o povo do circo, morreu praticamente na frente deles, e fim. Nem mesmo Jimmy mostrou uma emoção sequer com a notícia. E o que dizer da Ethel? Que começou com um plot sobre uma doença mortal, se tornou completamente dispensável, e morreu como uma mera figurante. Cadê o planejamento desta temporada?

Poucas são as tramas que você consegue ver um começo, meio e fim no decorrer deste ano. Em termos narrativos, foi uma bagunça completa. Personagens que deveriam ser importantes morrendo a torto e a direito, outras aparecendo do nada e sumindo da mesma forma, e, para completar, subtramas ridículas que em nada acrescentaram à trama - como a da mulher-lagarto. Neil Patrick Harris deu diversas entrevistas dizendo que queria participar da série. Suas preces foram atendidas e ele foi introduzido nesta temporada mesmo. Mais uma vez, temos a introdução de um novo personagem praticamente cuspido na tela, que faz algumas coisas horrendas, e some - sem um verdadeiro desfecho. Situações induzem ainda mais ao desinteresse na história. Ao invés de seguir com uma história linear, Ryan parece que estava tecendo com um monte de retalhos, assassinando assim, a narrativa deste quarto ano.

Mas nem tudo foi ruim! De fato, esta temporada teve dois grandes acertos. O primeiro era o palhaço, que foi muito bem desenvolvido. Além de assustar todo mundo, aumentando as doses de terror da primeira metade do quarto ano, ele também conseguiu emocionar com sua história trágica de vida. É uma pena que o personagem não tenha durado muito, mas talvez tenha sido para melhor, porque pelo menos assim ele não sofreu desgaste. O segundo personagem que certamente elevou o nível desta temporada foi o Dandy, que se tornou a grande estrela - ofuscando disparadamente a Elsa Mars - de Freak Show, relevando-se, sem dúvidas, a maior aberração de todas. Dandy teve algumas das melhores cenas e falas desta temporada. Apesar disso, confesso que o personagem tenha perdido um pouco o rumo depois de ter matado sua mãe - que foi um dos momentos mais tristes deste ano, já que a dinâmica entre eles era excelente.

O final, que deveria ser cheio de tensão e suspense, resultou em uma das sequências mais entediantes do ano. Dandy, dono do circo, resolveu matar todas as aberrações. Mas a cena não poderia ter sido mais sem graça. Um a um, todos eles sucumbiram aos tiros. Você sabe que tem alguma coisa muito errada quando um verdadeiro massacre está acontecendo na sua frente e você só quer que aquilo acabe logo para assistir outra coisa. De todos os personagens que acompanhamos, apenas três permaneceram em pé na conclusão da história. Fiquei com um pouco de raiva de tudo aquilo que o roteiro nos fez testemunhar, só para no final todo mundo morrer da forma mais sem graça possível. Foi quase uma tentativa desesperada de chocar, eliminando de uma só vez todos aqueles personagens que eles sabiam que ninguém se importava. Saiu pela culatra, é claro. Pouca foi a comoção que eles causaram, mesmo em seus momentos finais.

Enfim, eu poderia ficar falando sobre os defeitos deste ano ainda por vários outros parágrafos, mas decido encerrar por aqui. Ainda de vocês irem aos comentários me xingar de todos os nomes possíveis, me acusar de continuar vendo só para falar mal, fiquem sabendo que esse texto foi mais um desabafo. Eu era apaixonado por esta série - uma das minhas favoritas -, então é realmente triste ver o declínio que ela sofreu. Se você amou este ano, achou que foi o melhor, eu certamente não te agredir verbalmente, já que eu sei que minha opinião não é universal (Deus me livre se fosse). Exponha sua opinião sem ter que passar por cima da dos outros. De resto, só fica a minha esperança de que o próximo ano seja melhor. Já saíram algumas novidades, e uma delas é uma reinvenção completa na série. Isso não poderia ter vindo em uma hora melhor, já que é exatamente isso que a série está precisando.
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