domingo, 11 de janeiro de 2015

[Crítica] The Walking Dead - 5x04-08: Slabtown / Self Help / Consumed / Crossed / Coda


Nem tudo acontece como queremos.

Review:
(Spoilers Abaixo)

Em uma certa entrevista, quando os roteiristas foram questionados se eles se sentiam na "obrigação" de matar personagens em episódios-chave da série, eles disseram que isso não acontece. Eles não se reúnem e pensam "Tem um tempo que não matamos ninguém, o que você acha de fulano?". Essa declaração, no entanto, parece uma enorme mentira depois que assistimos a Mid-Season Finale desta quinta temporada. Uma morte nunca foi tão gratuita. Mas antes de eu começar a soltar toda a minha indignação, tenho a obrigação moral de comentar rapidamente esta leva de episódios que não deram as caras no Meu Mundo Alternativo. Fico triste pelo atraso - fruto de problemas pessoais -, mas feliz que estou com vocês por mais um ano.

Começando pela ordem certa, temos o quarto episódio desta temporada, Slabtown, que foca exclusivamente na Beth. Depois de ter sido sequestrada nos episódios finais do ano anterior, a maioria das pessoas jurava que o destino dela estava definido. Então foi uma surpresa ver que ela não só estava viva, como também tinha todo um plot só para ela. A garota fraca, que ganhou uma porção de haters depois dela se aproximar do Daryl, acabou sendo a melhor coisa desta primeira metade da série. O grupo principal estava literalmente à deriva, e isso é algo muito triste de observar. O plot da Beth deu um foco ao grupo, e o seu episódio-solo foi um dos mais interessantes dentre estes da primeira metade.

O "sistema social" dentro do hospital certamente merecia mais destaque por parte do roteiro. Ao invés de focar semanas na sobrevivência do grupo principal, os roteiristas poderiam ter desenvolvido a convivência no hospital, destacando não só a Beth, como também a Dawn - uma excelente antagonista, que deveria ter sido muito mais explorada do que realmente foi. As cenas em que a Beth e a Dawn interagem são as melhores dessa leva de episódios, sendo a relação delas uma das mais interessantes de toda a história da série. As duas estabelecem uma força enorme em cena, são complexas. Dawn, que tenta se mostrar forte para provar que é digna de ser uma líder, acaba tendo o seu poder questionado - quando deveria, na verdade, estar colocando as coisas em ordem.

Os episódios seguintes são de uma preguiça enorme. Fica evidente que os roteiristas estenderam esse plot "vagando pela terra" o máximo que eles puderam. Self Help foi sofrível de assistir. Tivemos que acompanhar, por mais de quarenta minutos, um grupo inteiro quase sem carisma algum. Nem mesmo Maggie e Glenn conseguiram salvar a história, que sequer destacou os dois. O mais importante foi a revelação do Eugene, que finalmente contou a verdade sobre a cura para o vírus. E a verdade é... que ela não existe. Nada realmente surpreendente aqui, não é mesmo? Já falei sobre isso em vários textos anteriores, então estava um pouco óbvio. O ponto mais fraco do episódio foi essa aproximação forçada entre a Tara e o Eugene. Não convenceu, e toda vez que ela tentou defendê-lo, mais ela caía no meu conceito - o que é preocupante, já que ela nunca esteve realmente em alta.

Consumed foi um pouco menos doloroso de assistir, mas justamente porque contava com dois dos personagens mais carismáticos da série atualmente, Carol e Daryl. A interação entre os dois é ótima, mas mais uma vez os roteiristas fazem um trabalho arrastado. Suas cenas poderiam ter se resumido em vinte minutos ou menos, abrindo espaço para alguma outra narração. A queda da ambulância também foi muito forçada, especialmente quando fica claro que ela iria cair de cabeça para baixo... Mas baixou um corte na cena, e BOOM.... caiu empézinha. A história desse episódio tinha a missão de introduzir o Noah ao Daryl, e também mostrar como a Carol acabou capturada pelo povo do hospital. Pelo menos isso o episódio cumpriu, mas sua execução poderia ter sido muito melhor.

Agora só nos resta Crossed, que foi a introdução do plano de troca do Rick, e Coda, que trouxe o tal final devastador que os produtores também falaram. Diferente dos episódios anteriores, Crossed foi mais interessante porque justamente serviu para os preparar para o que estava para acontecer. Mas a grande verdade é que nada poderia nos preparar para a cena final do oitavo episódio, não é mesmo? Eu sabia exatamente que a Beth não sairia viva da Mid-Season Finale, mas não esperava que tivesse sido daquele jeito. Muita gente ficou indignada, muita gente tem esperança que a personagem volte (!!), muita gente fez abaixo-assinado para refazerem o episódio (!!!!) e muita gente diz que a atriz quis sair da série, por isso o motivo de sua morte. Só posso garantir que esse não foi o caso. Logo depois da exibição do episódio, Emiy Kinney se mostrou bastante afetada pelo destino da Beth. Declarou que não queria ter saído assim, e que sua personagem ainda poderia crescer muito na narrativa. Concordo.

Eu me recuso viver em um mundo onde a Beth morre por nada, mas o Eugene continua vivo. Os roteiristas de The Walking Dead tem um histórico de matar os seus melhores personagens quando eles mais têm potencial para crescer. Assim como a Carol, Beth também evoluiu muito desde a sua primeira aparição. Ela começou como uma garota fraca que tentou suicídio e se tornou forte, sem medo de desafiar pessoas mais poderosas do que ela. Foi responsável pela morte de alguns personagens no hospital, mostrando que era muito mais perigosa do que aparentava. Eu sinceramente não gostava da personagem, mas nesta temporada eu me apeguei a ela. Merecia uma oportunidade de crescer ainda mais. É extremamente injusto vê-la sendo cortada na trama quando a história ainda está cheia de personagens ruins. Metade deles poderiam morrer, que não faria a menor diferença.

E o pior de tudo é o sacrifício da Beth do final sequer teve sentido. Muitos podem dizer que ela tomou aquela atitude para libertar os outros que estavam lá contra sua vontade, acabar com o autoritarismo do lugar, mas é possível que, depois de sua morte, nada realmente mude. Dawn era uma excelente personagem, que poderia ter sido redimida - até mesmo incorporada ao grupo principal. Certamente acrescentaria mais do que o Noah (que não deve durar muito na narrativa). Tudo o que eu posso dizer é que a morte da Beth foi brutal e sentido. Na verdade, houve um sentido: chocar os espectadores. Isso aconteceu com a morte da Andrea no final da terceira temporada. Os roteiristas não se esforçam para entregar um roteiro intrigante, e têm que apelar em matar personagens para manter a história. Se tirarmos essa cena brutal, o que resta? Nada. Um monte de nada.

Vale destacar também a cena em que a Maggie chega no hospital, vendo o grupo sair lentamente, com um sorriso no rosto. Foi de partir o coração quando ela vê a irmã morta nos braços do Daryl. Concordo com todos aqueles que acham meio hipócrita, já que ela nunca sequer perguntou pela irmã em todo esse tempo que elas estiveram separadas, mas também concordo com as pessoas que afirmam que ela não queria tocar no assunto já que não gostaria de imaginar que sua irmã tivesse morrido. Ainda assim, tenho certeza de que os roteiristas poderiam ter incluído uma ou duas falas sobre a Maggie sentindo falta da irmã, já que o desenvolvido da história nunca foi a prioridade deles. Mas, voltando ao momento final em si, devo confessar que foi muito poderoso. Lauren Cohan entregou um sofrimento legítimo, de partir o coração de qualquer um.

Enfim, é como este clima de pesar que eu aguardo a segunda metade da temporada. Também alerto que a vaga para assumir as reviews de The Walking Dead estão abertas. Basta mandar seu texto para o meu e-mail (nefferson_2@hotmail.com). Vale lembrar que busco análises críticas, e não somente resumos dos episódios. Coloque sua opinião de verdade, e boa sorte!
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