sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

[Crítica] Infectado


Direção: Derek Lee & Clif Prowse
Ano: 2013
País: EUA | Canadá
Duração: 85 minutos
Título original: Afflicted

Crítica:

Capturado. Na câmera.

Depois de assistir filmes medíocres, como Abdução, nada melhor para restaurar nossa fé no found footage do que produções que não têm medo de inovar e mostrar que esse subgênero é muito mais do que uma câmera tremida. Neste quesito, Infectado chega espalhando originalidade e injetando um novo ânimo em todos aqueles que já estavam pensando em desistir desses filmes gravados em primeira pessoa. É realmente renovador ver que ainda existem filmes que buscam se destacar dos demais, não se contentando em ser apenas "mais um" em um mar de produções iguais. Quase consegue valer por todos os outros vinte filmes ruins que assistimos pelo caminho até chegar neste.

A história gira em torno de dois melhores amigos, Derek e Clif, que partiram numa viagem ao redor do mundo. A viagem, documentada durante todo o trajeto, se torna especial para os dois por causa do estado de saúde delicado de Derek, que pode morrer a qualquer momento devido a um problema no cérebro. Suas vidas mudam quando Derek tem um encontro com uma mulher misteriosa, em que termina desacordado e ensaguentado na cama de um hotel. Logo, fica claro que ele foi infectado com algum tipo de vírus, que além de o transformar fisicamente em um predador, também o afasta de sua humanidade. Agora, com a ajuda de seu amigo Clif, ele terá que descobrir como parar a infecção antes que se torne uma verdadeira ameaça para as pessoas ao seu redor.

Antes de falar sobre o filme em si, devo destacar que os protagonistas também são os escritores e diretores deste filme. Eles rodaram a produção na Europa, com um orçamento de apenas $318,000. Se pararmos para pensar nos orçamentos milionários dos filmes atuais - até mesmo os de terror -, esse orçamento é uma verdadeira pechincha. E o melhor é que, ao contrário de várias outras produções com baixo orçamento, a produção deste filme é excelente. Os efeitos são ótimos, e muito mais impressionantes do que a maioria dos filmes desenvolvidos por grandes estúdios. E é justamente isso que Infectado precisava para se adequar a sua proposta: realismo. Os atores são desconhecidos, e nenhum dos efeitos parecem falsos, garantindo assim, dois dos maiores requisitos de um found footage.

A introdução da câmera é coerente, assim como os motivos para se continuar gravando. Além disso, diferente de tudo o que já vi em outras produções semelhantes, há uma "resposta" imediata para as cenas que nós, espectadores, estamos assistindo dentro da realidade do filme. As gravações são postadas na internet, e o diretor foi inteligente ao mostrar os comentários das pessoas - que basicamente ocupam a nossa posição de espectador - reagindo àquilo que nós também acabamos de ver. Não é o típico "todo mundo morreu, achamos essa câmera". O mundo inteiro está acompanhando o drama dos protagonistas conforme a situação deles vai ficando cada vez mais tensa. E há consequências para isso, com a introdução de uma caçada humana por parte dos policiais.

O roteiro se destaca ao apresentar algo que já vimos antes por meio de uma abordagem completamente diferente. Não quero dizer do que se trata, até porque eu tive uma grata surpresa na metade do filme quando me dei conta do que realmente estava acontecendo, mas só posso garantir que é inteligente e inovador. E não estou me referindo apenas ao modo não-convencional da história ser contada. Há toda uma nova mitologia, que descarta alguns dos mitos que estamos acostumados a ver em produções recentes. É exatamente por isso que uma sequência seria muito bem-vinda, porque ainda há muito mais para ser explorado e esclarecido.

Para vocês terem uma ideia, este filme venceu as categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Diretor no Fantastic Fest, que é o maior festival de cinema de terror dos EUA. E não é para menos! É um excelente filme, que com certeza deixará todos esperando por uma segunda parte - especialmente depois daquela cena que acontece durante os créditos finais. Tenho certeza de que qualquer outro filme deste estilo terá encontrado o seu desfecho aos 48 minutos de duração (aproximadamente), mas Infectado vai além, ousa, e continuar a contar sua história. Merece ser assistido, porque realmente irá renovar sua fé em filmes gravados em primeira pessoa.


Trailer Legendado:

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