quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

[Crítica] The Den


Direção: Zachary Donohue
Ano: 2013
País: EUA
Duração: 81 minutos
Título original: The Den

Crítica:

Ele quer que você assista.

Vocês já estão cansados de found footage? Eu também. É perceptível que as produções seguindo o estilo com a câmera em primeira pessoa foram exploradas com exaustão nos últimos anos, saturando esse subgênero. Dezenas de filmes ruins foram lançados, tentando alcançar o mesmo sucesso – ou qualquer retorno, na verdade – da franquia Atividade Paranormal. Atualmente, esse tipo de produção perdeu grande parte de sua força, o que torna viável escolhermos com mais cuidado os lançamentos desse estilo, principalmente para quem adora uma câmera tremendo.

Na história, depois de receber uma garantia para a sua tese de pós-graduação, Elizabeth Benton se cadastra em um site de vídeo-chat conhecido como The Den, com a missão de explorar os hábitos de seus usuários. Durante um de seus bate-papos aleatórios, Elizabeth assiste horrorizada o assassinato cruel de um adolescente na frente de sua webcam. Enquanto a polícia rejeita a hipótese e a considera como uma brincadeira viral, Elizabeth acredita que o que ela viu é real e toma para si a responsabilidade de encontrar a verdade. Sua vida gira rapidamente fora de controle quando ela é puxada para os recantos mais sombrios da internet. Agora, Elizabeth se encontra presa em um jogo distorcido em que ela e seus entes queridos estão rumo ao mesmo destino terrível da primeira vítima.

Se antes, em um filme de terror, o normal era rejeitar todo e qualquer tipo de tecnologia para facilitar a vida dos assassinos de plantão (malditos celulares que nunca funcionam!), atualmente, temos até todo um filme gravado pela internet. Este é o caso de The Den, que consegue reciclar, de uma forma inteligente, um subgênero completamente escavado nos últimos anos. Gosto de filmes que incorporam a tecnologia atual, porque a rede online, apesar de facilitar muito a nossa vida, também representa portas abertas para o desconhecido. Acredito que o enredo do filme é especialmente tenso porque é uma realidade que está ao nosso alcance. Há diversos sites idênticos ao que aparece no filme, como o clássico chatroulette, onde você pode conversar com estranhos e vê-los através da webcam.

Imagina se, em uma dessas conversas aleatórias, você testemunha um assassinato? Apesar de quase tudo na internet ser falso, somente a ideia do acontecimento é de gelar a espinha. É por isso que eu gosto tanto de filmes que trabalham o tema da internet, porque é uma área com infinitas possibilidades de desenvolvimento, estando a maioria delas sob o alcance do público geral (isso sem contar a deep web, que apresenta um nível completamente novo de bizarrice). O fato do filme inteiro ser gravado através da webcam também é algo digno de nota. Não é apenas um câmera sendo carregada. É algo pessoal, que basicamente abre as portas da sua casa para o desconhecido, tornando ainda mais tensas as cenas em que o vilão aparece em tela, porque ele invade um espaço pessoal - como se pudesse estar dentro da nossa própria casa.

Apesar do conceito ser muito interessante, o mesmo não se pode dizer das revelações finais do enredo. Como já era de se esperar, os roteiristas não souberam dar um desfecho digno para a trama que criaram. Fiquei bastante decepcionado com a reviravolta final, apesar dela não ter sido ruim o suficiente para afundar todo o filme. Ainda acredito que as pessoas poderão apreciar diversos pontos da história, apesar do terceiro ato destoar do resto da história apresentada. Pelo menos até o confronto final tem os seus méritos. A protagonista se mostra muito mais forte e determinada do que aparentava. O gore também se mostra presente na segunda metade do filme, surpreendendo quem esperava por algo mais "psicológico".

Não tenho o que reclamar sobre a protagonista. A atriz, Melanie Papalia, até que consegue passar uma imagem carismática, o que é uma surpresa, considerando que os outros dois filmes que tive a oportunidade de conferir com ela, A Face da Morte e Extraterrestrial, foram péssimos. O vilão tem uma aparência assustadora, e consegue convencer nas cenas mais tensas. Gostei como o filme não se contêm perto do final, mostrando todo o seu potencial, acelerando a trama em uma perseguição interessante de acompanhar. É uma pena que o desfecho tenha sido decepcionante, porque eu esperava muito mais da conclusão. Apesar dos pesares, acredito que esse filme tenha conseguido acrescentar alguma novidade para um subgênero tão desgastado, e mesmo com seus pontos negativos, merece receber um certo destaque por apresentar uma história que foge do convencional.


Trailer:

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