quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

[Crítica] Cam2Cam


Direção: Joel Soisson
Ano: 2014
País: EUA | Tailândia | Áustria
Duração: 91 minutos
Título original: Cam2Cam

Crítica:

Enquanto você os assiste, eles estão assistindo você.

Que a internet facilita, e muito, a nossa vida, isso é um fato. Atualmente, somos praticamente escravos das ilimitadas informações que vagam pela rede. Antigamente, se você quisesse ver um filme, você ia até a locadora mais próxima escolher um. Porém, hoje em dia, é muito mais fácil assistir online, baixar ou até mesmo conferir através de plataformas online, como a gigante Netflix. Até mesmo a oportunidade de ler esta crítica, por exemplo, é fruto dos benefícios da tecnologia. Está a fim de ver aquele filme desconhecido mas não sabe se ele presta? Basta jornada no google para conferir alguma análise sobre ele. Os tempos em que você precisou confiar na capa chegaram ao fim. Mas nem tudo que vem com a internet é positividade, porque a rede esconde coisas sombrias - que podem levar diretamente a você.

Na história, uma jovem mochileira americana, Allie, cai nas mãos de um misterioso grupo de estrangeiros que vivem em Bangkok e que atuam em um site interativo provocante chamado Cam2Cam. O fascínio sedutor da cidade, juntamente com o estranho magnetismo sexual da líder do grupo, Marit, vira o mundo de Allie de cabeça para baixo. Sua viagem, no entanto, mascara os seus verdadeiros objetivos - que é investigar o assassinato de sua irmã, trazendo justiça ao seu assassino. Com a ajuda de seu novo grupo de amigos, ela irá descobrir o lado negro da internet, que tem ligação direta com a morte de sua irmã. Agora, em uma cidade onde os estrangeiros vêm para se reinventar, Allie descobrirá, tarde demais, que nada é o que parece.

Tenho certeza que a maioria sequer imagina, mas este filme é baseado em um curta-metragem de mesmo nome, produzido em 2008. Obviamente não tive a oportunidade de conferi-lo, mas, pela sinopse, parece se tratar exclusivamente da cena de abertura deste filme - que, surpreendentemente, tem mais de vinte minutos de duração. Essa é a melhor parte da história, que depois de apresentar a verdadeira protagonista, saiu completamente dos trilhos ao desenvolver uma trama que pouco tem a ver com a proposta inicial do roteiro. Não vai demorar muito para o espectador passar a se questionar "Estou assistindo o mesmo filme do começo?". Não é culpa de vocês! O grande problema aqui é que os roteiristas falharam miseravelmente em esticar a trama do curto em que o filme foi baseado, preenchendo o resto da história com subtramas completamente distintas e pouco convincentes.

É mesmo uma pena que o roteiro não tenha se aprofundado na temática inicial. Apesar de tentar narrar uma história tendo os perigos da internet como plano de fundo, os roteiristas esquecem completamente a proposta que estão tentando desenvolver, banalizando completamente toda a trama. Fiquei muito surpreendido - negativamente - com os rumos que a história tomou depois do prólogo. Todo o mistério envolvendo o site Cam2Cam é esquecido. De fato, não existe nenhum fio condutor na história, que deveria trazer a irmã da vítima inicial em uma investigação, mas a garota não procura saber de nada sobre o trágico assassinato. Não há qualquer investigação por parte dela, o que é realmente frustrante.

E, como se não bastante sermos obrigados a acompanhar uma mocinha pouco carismática e bipolar, ainda temos que aguentar um péssimo elenco de apoio. Todos os personagens que aparecem na tela são extremamente estranhos, e é um pouco difícil entender porque a protagonista não saiu correndo e chamando a polícia logo de cara. Nada aqui é interessante ou faz sentido. Mas como tortura pouca é bobagem, os roteiristas ainda fizeram questão de escrever enormes monólogos entediantes para os seus personagens, com a intenção de introduzir um pouco de mistério. Como já disse, não funciona. Depois do prólogo, o filme não tem mais história nenhuma. E o pior de tudo é o que o roteiro ainda tenta trazer uma reviravolta no seu desfecho, o que é completamente risível.

Afastem-se o máximo possível dessa bomba, que só não é tão ruim quanto A Face da Morte porque os primeiros vinte minutos pelo menos conseguem ser eficientes. Além disso, os únicos pontos positivos que consigo pensar envolvem a fotografia do filme, que difere das paisagens comuns dos EUA ao nos mostrar um pouco da cultura na Tailândia, e o fato de que as poucas cenas online envolvem conversas pelo finado MSN, o que certamente bateu uma nostalgia. Ver aquela janelinha e os emoticons, que todos já devem ter usado alguma vez na vida, bate uma saudade de um tempo antigo que nunca mais irá voltar. Mas é só isso, minha gente! E esses pontos não são nada relevantes, apenas curiosidades leves. Nada que os faça conferir essa porcaria de filme, que deveria ser esquecido na parte mais escura da deep web.


Trailer:

Compartilhe
  • Share to Facebook
  • Share to Twitter
  • Share to Google+
  • Share to Stumble Upon
  • Share to Evernote
  • Share to Blogger
  • Share to Email
  • Share to Yahoo Messenger
  • More...
Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. tirando teen wolf, as séries da MTV são menosprezadas pelo blog. ninguém vê fingind carter, faking it, eye candy...? são séries tão boas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nosso mundo ama as séries da MTV! Além de "Teen Wolf", "Awkward". também ganhou espaço na nossa grade por um tempo, e ela voltará em breve com críticas de temporadas completas - assim como "Faking It", que terá suas críticas postadas no final dessa atual segunda temporada. Além disso, a estreante "Eye Candy" já garantiu o seu espaço nas críticas semanais do nosso mundo. Somente "Finding Carter" não tem previsão para estrear no blog, o que é uma pena.

      Excluir
    2. que bom, amo o blog e as resenhas, é bom ver que as séries da mtv são valorizadas

      Excluir