sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Crítica | O Misterioso Caso de Judith Winstead


Direção: Chris Sparling
Ano: 2015
País: EUA
Duração: 92 minutos
Título original: The Atticus Institute

» Será distribuído pela Universal Pictures, direto em DVD, com o título O Misterioso Caso de Judith Winstead. Bem diferente do título original! No entanto, não acredito que tenha ficado ruim.

Crítica:

Em posse da possessão.

Produções de terror found footage têm, como objetivo principal, gastar menos e faturar mais vender "realidade". Parte desses filmes se baseiam em eventos verdadeiros, mas outros apenas alegam fatos que nunca aconteceram. Este é o caso de O Misterioso Caso de Judith Winstead, que monta um documentário sobre único caso de possessão demoníaca confirmada pelo Governo dos EUA. A grande verdade é que este caso não passa de invenção da cabeça dos roteiristas, tornando todas aquelas considerações finais irrelevantes. Essa busca pelo "realismo", ao mesmo tempo em que faz o filme se destacar, também o limita em seu desenvolvimento, tornando-se uma faca de dois gumes.

Na trama, Dr. Henry West fundou o Instituto Atticus no início de 1970 para testar indivíduos que manifestassem habilidades sobrenaturais. Apesar de testemunhar vários casos notáveis, nada poderia ter preparado o Dr. West e seus colegas para Judith Winstead. Ela superou todas os indivíduos que já haviam sido estudados – logo ganhando a atenção do Departamento de Defesa dos EUA, que posteriormente assumiu o controle do centro de pesquisa. Quantos mais experimentos eram realizados em Judith, mais claro ficava que suas habilidades eram uma manifestação das forças do mal dentro dela, levando o governo a tomar medidas para transformar essa força em uma arma. Mas eles logo descobriram que há poderes neste mundo que simplesmente não podem ser controlados. Agora, os detalhes dos eventos inexplicáveis que ocorreram dentro do Instituto Atticus estão vindo a público depois de permanecerem em sigilo por quase quarenta anos.

Ao contrário de vários filmes found footage, este de fato se parece com um documentário de verdade. Seguindo os moldes dos documentários exibidos pelo History Channel, o enredo de O Misterioso Caso de Judith Winstead cumpre bem a sua proposta de desenvolver um mockumentary, com direito a depoimentos e, principalmente, fotos e vídeos do caso do qual a história se trata. E, apesar de ser uma abordagem diferente no gênero, tratar toda a trama como um simples documentário também tem o seu preço negativo. Devido ao acesso de depoimentos no decorrer da narrativa, é difícil para o espectador se concentrar no núcleo que é realmente importante para a história: os experimentos com Judith Winstead.

Particularmente, não achei essa abordagem ruim, mas sua execução esteve longe de ser perfeita. Alguns dos atores prestando depoimentos não tiveram um bom desempenho, e essa quebra na narrativa poderia ter diminuído com o desenrolar do filme, dando a chance do diretor construir um clima de tensão – que foi impossível ser mantido devido as constantes quebras de ritmo. Esse não é um documentário verdadeiro e sequer relata uma trama baseada em uma história real, então não havia mesmo necessidade de focar tanto nas pessoas falando. O objetivo desta produção é ser um filme de terror, pelo amor de Deus. Apesar de tudo isso, eu não achei o filme realmente entediante, conseguindo manter minha atenção mesmo com todas as interrupções.

O roteiro apresenta algumas ideias interessantes, mas elas poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Primeiro que os testes parapsicológicos com a Judith Winstead poderiam ter sido estendidos. Tivemos algumas cenas realmente legais com ela manifestando o seu "poder", e o roteiro poderia fazer uso de mais momentos como aqueles antes do Governo dos EUA se intrometer na história. Também considero essa ideia do Governo usar o "desconhecido" para ficar à frente dos seus inimigos interessante, mas, sabendo com o que estavam lidando, eles poderiam ter estudado um pouco mais a entidade sobrenatural que estava a sua frente. O enredo perdeu a oportunidade de criar excelentes diálogos entre os militares e entidade que estava possuindo a protagonista. Poderíamos ver, pela primeira vez desde O Exorcista, uma conversa franca com um demônio, e conhecer melhor suas intenções.

Tenho certeza de que nem todos irão gostar deste filme, mas eu o considero relativamente acima da média. Há diversas cenas legais – mas não exatamente originais – que garantem o entretenimento da trama. Só confesso que não gostei nada do final. Poderia ter um desfecho bem mais elaborado, mas a sensação que fica é que o roteirista estava com pressa para concluir a história que criou. Por último, acredito que a atriz Rya Kihlstedt merece um destaque no papel da protagonista, Judith Winstead. Ela se saiu muito bem no papel, conseguindo representar muito bem o que era esperado de sua personagem. É uma pena que ela não tenha tido mais tempo em tela; caso o filme focasse um pouco mais nela e menos nos depoimentos, talvez o resultado final fosse superior.


Trailer Legendado:

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Comentários
8 Comentários

Comentário(s)

8 comentários:

  1. Tambem gostei do filme, apesar de foundfoontage no estilo documentario ele ficou acima da media pra mim tbm, deu pra ver de boa, pena o final ser tao fraco. Mas valeu apena.

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  2. o filme já saiu no brasil com o titulo de O Misterioso Caso de Judith Winstead caso queira atualizar o post ;)

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  3. Eu achei o filme francamente mau... O found-footage já é, por si, excessivamente utilizado, mas já que o é, ao menos que fossem mais originais. Este filme é muito pouco original, mas até tinha potencial para ser interessante, se tivesse seguido um rumo diferente.

    Cumprimentos,

    Sarah
    http://depoisdocinema.blogspot.pt

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  4. Eu gostei até saber agora pelo post que não é sequer baseado em fatos reais. Já estava aqui na net procurando algo sobre o Instituto, rs. Não gosto do gênero Terror. O que me fez assistir o filme foi acreditar que fosse uma espécie de documentário.
    Então, como filme de terror não assusta e a única graça era achar que era real. Fiquei interessada na pessoa do dr. Henry, já querendo até saber o que aconteceu com ele. A única coisa que me chamou a atenção e me levou a achar que não era real é que não conseguia, como psiquiatra, encaixar Judith em qualquer diagnóstico psiquiátrico. Rs. Mas valeu por conhecer esse tipo de filme.

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    Respostas
    1. Em se tratando da Igreja Católica, quando familiares pedem auxílio do padre em casos de suspeita de obsessões, após uma avaliação preliminar (anamnese), o padre procura orientar conforme o caso. Rarríssimamente são casos "concretos" de obsessão ou obsediação espiritual. Geralmente são transtornos psicológicos e psiquiátricos. Motivo pelo qual, após a anamnese e as primeiras orientações, caso o padre perceba que seja algo além de desentendimentos familiares "leves", corriqueiros, que não necessitem de interferência profissional psicoterapêutica, por exemplo, mas, como o padre não é médico, faz parte do "procedimento padrão", consultar um profissional da área (preferencialmente paroquiano) e levá-lo para examinar o possível paciente.

      Esses procedimentos são necessários, até mesmo para juntar o parecer do psiquiátra ao "processo de pedido de exorcismo completo", o que é feito por um padre especializado, se for o caso.

      Ou seja, o ritual completo de exorcismo, conforme a Igreja Católica, só é feito após avaliação e parecer médico, após um período de acompanhamento à família e depois da autorização do Vaticano, liberado pela Arquidiocese e ministrado somente por padres exorcistas, pois receberam treinamento específico, inclusive primeiros socorros, e sabem como proceder em casos de convulsões e outros processos que muitos leigos confundem com "possessão demoníaca".

      Enfim, espero ter elucidado algo sobre o tema.

      Shalom Adonai.

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  5. Ninguém ainda ganhou o milhão oferecido por James Randi. Por que será???

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