segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

[Crítica] [REC] 4: Apocalipse


Direção: Jaume Balagueró
Ano: 2014
País: Espanha
Duração: 96 minutos
Título original: [REC] 4: Apocalipsis | [REC] 4: Apocalypse

Crítica:

Chegou a hora de sair.

Depois do enorme fiasco que foi o [REC] 3: Gênesis, voltei todas minhas expectativas para o quarto - e último - filme da franquia. Não me deixei abalar pela queda de qualidade brusca da segunda parte para a terceira, até porque, este quarto filme tinha missão de continuar a história da mocinha da saga, Angela Vidal, que terminou sua participação em [REC] 2: Possuídos de uma forma bastante peculiar, garantindo assim, um gancho emocionante para uma sequência que teria tudo para fechar a história da franquia com chave de ouro. Agora eu pergunto para todos vocês: acham mesmo que valeu a pena esperar, ou a franquia poderia ter terminado algumas sequências atrás? Obviamente, se vocês ainda não assistiram os dois primeiros filmes, será um erro enorme continuar lendo este texto. Estejam avisados.

A história, como já havia dito, volta a seguir a dramática e aterrorizante história de Angela Vidal, a única sobrevivente dos dois primeiros filmes. Depois dos eventos de Possuídos, onde ela se revelou possuída pelo verme que habita o corpo da menina Medeiros, Angela deu um jeito de sair do prédio sem ser executada pela equipe do Controle de Doenças. Infelizmente, para o demônio dentro dela, as coisas não são tão fáceis como parecem. Para se certificar que a infecção não tenha chances de se espalhar mais uma vez, Angela é presa em um enorme navio - para uma bateria de testes. A sorte dos tripulantes é testada quando eles passam a ser rapidamente infectados por este estranho vírus - que foi solto no navio -, ao mesmo tempo em que nem tudo que parece realmente é...

O meu maior problema com esta sequência não foi o fato dela ter abandonado de vez o gênero found footage em que se consagrou, mas sim o enredo trair o próprio subtítulo do filme. Depois do gancho deixado pelo segundo filme, esperava-se ver o vírus tomando conta do mundo, com a Angela reinando sobre o apocalipse na Terra. Infelizmente, a real premissa está muito longe disso, e simplesmente não consegue remeter ao "apocalipse" em nenhum momento da produção. Não me importei com a história se passar em um barco, mas esperava muito mais da conclusão, que sempre se mostrou tão pessimista e realmente chocante nas sequências anteriores.

Outra grande decepção - talvez a maior de todas - gira em torno da participação da Angela Vidal. O material promocional instigou nossa curiosidade, com a personagem segurando um motor cheiro de sangue com a maior cara de satânica, mas o roteiro entrega algo completamente diferente e fora das nossas expectativas. Se no final do segundo filme nós tivemos uma pequena prévia da personagem possuída, o mesmo não acontece nesta sequência - que é justamente o momento em que ela mais deveria brilhar. A seguir, me aprofundarei sobre a participação da personagem na história, o que pode gerar alguns spoilers (nada muito forte, porque é meio óbvio de deduzir se vocês já viram o trailer). Então, caso não queiram saber de nada, pulem para o próximo parágrafo. Estando avisados, devo dizer: Angela sequer está possuída neste filme! Eu não me importo em vê-la como a mocinha novamente, mas esperava ver sua personalidade demoníaca até pelo menos metade do filme antes do parasita passar para outro corpo. Além de ser um enorme desperdício, é completamente enganoso.

Não senti falta da câmera em primeira pessoa, e até acho interessante os criadores da franquia tentarem sair de suas zonas de conforto. Além disso, este roteiro poderia facilmente ter sido adaptado para se tornar um found footage, principalmente porque há câmeras por todo o navio, mas Jaume Balagueró optou seguir o estilo tradicional, principalmente porque a câmera em primeira pessoa já havia sido abandonada na metade do filme anterior. Apesar de ser menos "tenso" ou "realista" - como algumas pessoas gostam de falar -, o estilo tradicional é mais "limpo", e nos dá a chance de vermos melhor o que está acontecendo na tela, principalmente a aparência dos contaminados, que agora são gravados com foco e close. É muito mais fácil quando a pessoa que está gravando não está também tentando lutar pela sua vida.

No final das contas, eu esperava muito mais deste último filme. Tinha tudo para ser épico, mas acabou sendo apenas melhor que o terceiro (o que não quer dizer grande coisa). O terceiro ato, que poderia ser tão sangrento quanto A Morte do Demônio, pega o caminho mais fácil, e opta por não derrubar sangue (mais uma vez, um grande desperdício da Angela, que tinha um motor afiado nas mãos). Enfim, a única conclusão que este filme trouxe foi o desfecho da luta pela sobrevivência da protagonista, Angela Vidal, que depois de muito sofrer, não vai mais precisar correr pela sua vida (interpretem como quiser). Infelizmente, não foi o desfecho que esperei por anos. O enredo poderia ter sido muito melhor com menos macacos e uma mocinha mais badass - principalmente depois de tudo o que ela passou. Para a franquia em geral, a conclusão mais digna seria o final do segundo filme, que é o melhor desfecho de todos os quatro filmes.

PS. Achei interessante como o roteiro apresentou uma personagem que está ligada diretamente com os eventos do terceiro filme, que trazia uma história totalmente separada dos dois primeiros. Não foi nada relevante para a história deste quarto filme em geral, mas foi legal ver que os roteiristas não jogaram simplesmente Gênesis para debaixo do tapete.

Trailer:

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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. e a critica do episódio nove da terceira temp. de ARROW??? o blog anda muito lento c/ as criticas!

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  2. O terceiro filme não é assim TÃO nada a ver com os outros filmes porque quem começou toda a confusão foi o tio do noivo, o veterinário, que recebeu o dog infectado da menina, também infectada, do primeiro filme.

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