terça-feira, 30 de dezembro de 2014

[Crítica] Ouija - O Jogo dos Espíritos


Direção: Stiles White
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 83 minutos
Título original: Ouija

Crítica:

Você pensa que está no controle.

Estava muito ansioso para assistir este filme! Como já disse na crítica de O Jogo dos Espíritos (que foi lançado há mais de dez anos), enredos que giram em torno dessa temática não são comuns - o que é de se espantar, considerando que não é muito difícil pensar em uma boa história envolvendo o tema. Além disso, Ouija parecia trilhar o caminho correto; um bom orçamento, um ótimo elenco jovem e uma boa equipe por trás da produção. Ao contrário da maioria dos fãs do gênero, eu realmente gosto dos filmes produzidos pela Platinum Dunes (que pertence ao Michael Bay). Nem todos os seus filmes podem ser maravilhosos, mas pelo menos há a garantia de uma boa produção, com um orçamento decente. Infelizmente, bons efeitos não conseguiram suprir a falta de profundidade do roteiro.

Na história, depois da misteriosa morte de Debbie, Laine se nega a acreditar que sua melhor amiga foi capaz de tirar a própria vida. Buscando por alguma espécie de despedida, a garota reúne quatro dos seus amigos para jogar a tábua de ouija, tentando assim um contato direto com o espírito de Debbie. Em seu primeiro encontro sobrenatural, eles recebem uma resposta, mas não demora muito para se tornar seu pior pesadelo. Com o passar dos dias, o grupo se sente cada vez mais dominado por uma força invisível, que parece determinada a impor sua presença. Agora, ligados à tábua, os jovens terão que buscar informações sobre o passado da entidade que os persegue à medida que cada um deles é eliminado permanentemente do jogo.

Muitas pessoas começaram a falar mal deste filme antes mesmo de assisti-lo. Procuro não fazer comentários negativos antes dos créditos finais, até porque, surpresas positivas costumam acontecer. Infelizmente não foi dessa vez. E não estou falando que o filme não é bom por carregar essa atmosfera adolescente. Eu realmente não acho que filmes de terror voltados para o público adolescente precisam ser necessariamente bobos. Produções recentes, como All Cheerleaders Die, mostram que é possível desenvolver uma história interessante envolvendo jovens, sendo voltadas para este público específico. Além disso, este tipo de filme pode acabar sendo muito divertido caso seja guiado apropriadamente.

Uma das coisas que mais gostei do começo dessa história foi o peso da amizade dos personagens. O elo entre a protagonista e a sua amiga morta é muito forte, e é interessante que o roteiro se baseie nisso para desenvolver o resto de sua história. A relação entre os outros personagens, porém, volta a cair no mesmo clichê que todos os outros filmes de terror. Eles começam a morrer, e é como se mal se conhecessem. Quanto mais corpos começam a aparecer, menos chocados eles passam a se mostrar. Se por isso lado isso é seco demais, por outro dá para entender. Afinal de contas, todos eles querem sobreviver, e não conseguirão fazer isso se estiverem gastando um tempo de qualidade chorando em um canto. Ainda assim, a amizade entre as duas meninas permanece forte até o final, o que deve ser encarado como um dos poucos pontos positivos.

Quando eu disse que o roteiro era fraco, eu me referia principalmente à história envolvendo a entidade que os adolescentes estão tentando escapar. Diferente da ótima explicação que enredo do filme Sobrenatural: Capítulo 2 fez em torno da origem de suas assombrações, aqui em Ouija tudo não passa de uma investigação genérica. Mas isso não é o pior! Os roteiristas tentaram fazer uma reviravolta, mas é algo tão previsível - e nada novo no gênero - que qualquer pessoa que viu alguns episódios da série Supernatural (que tem um episódio com o mesmo plot twist), ou alguns filmes sobre o tema nos últimos anos, vai saber exatamente o que está por acontecer na tela.

Para completar, o fato dos jovens serem possuídos momentos antes de morrer foi a pior decisão possível por parte do roteiro. Algumas das cenas, que poderiam ter sido tensas (como a do banheiro), foram completamente decepcionantes justamente porque não tem a menor graça assistir a jovens morrendo quando eles não têm qualquer tipo de reação. Como eu posso sentir medo ou ficar tenso com o que está acontecendo na tela se tudo o que eu vejo é um enorme vazio? A última decepção, para acabar de crucificar o filme, é que uma das cenas mais legais do trailer (que é quando a menina diz "Isso não é real, é apenas um jogo" enquanto os seus olhos viram em suas órbitas) não está presente no corte final. Olivia Cooke, a atriz que interpreta a protagonista do filme, afirmou em uma entrevista que, à pedido do estúdio, metade do filme teve que ser refilmado, trazendo algumas mudanças drásticas à história.

Para vocês terem uma ideia da mudança, a personagem que os jovens visitam no hospício sequer existe no corte original. Como não poderia deixar de ser, este filme foi massacrado pelos críticos. Isso, no entanto, não o impediu que ir super bem nas bilheterias - surpreendendo até mesmo o estúdio com os seus bons números de abertura. Infelizmente, para mim, este filme já deve ser considerado uma das maiores decepções do ano - competindo fortemente pelo primeiro lugar. Apesar dos pesares, tem bons efeitos visuais e uma história redondinha. Não considero um dos piores filmes que já vi na minha vida, mas acredito que foi um dos que mais desperdiçaram seu potencial. Serve para assistir em uma tarde entediante e despretensiosa? Acredito que sim, desde que vocês não tenham nada melhor para ver e/ou não criem expectativas.


Trailer:

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Comentários
2 Comentários

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2 comentários:

  1. Faz uma crítica sobre o filme "Assim na terra como no inferno", quero mt ler tua crítica

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