segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

[Crítica] Jamie Marks Está Morto


Direção: Carter Smith
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 101 minutos
Título original: Jamie Marks Is Dead

Crítica:

Quão longe você iria para ser lembrado?

Ainda sem previsão de lançamento no mercado de vídeo brasileiro, Jamie Marks Está Morto teve sua estreia nacional na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ganhando um destaque considerável dentro do circuito. A trama é diferente de tudo o que se pode esperar, desenvolvendo-se de uma forma bastante peculiar, onde o roteiro acaba se afastando dos clichês típicos de histórias de fantasmas. Não se enganem, este não é um filme de terror. Caso estejam esperando por sustos, sangue e mortes, este não é um filme recomendado para vocês. De fato, este é um drama sobrenatural com um ritmo bastante lento, que tem como objetivo desenvolver uma melancólica história de amizade.

Na trama em si, que se passa em uma cidade pequena e fria, o corpo do adolescente Jamie Marks é encontrado perto do rio. Adam, estrela do time de cross-country do colégio, desenvolve uma obsessão por Jamie, um garoto com quem ninguém falava, a não ser para fazer bullying de vez em quando. Quando o fantasma de Jamie começa a visitar Adam e Gracie, a colega que descobriu o corpo, Adam fica preso entre dois mundos. Ele começa um romance com Gracie, mas também sente uma ligação profunda com Jamie, que o aproxima do mundo dos mortos. Agora, estando entre os vivos e os mortos, Adam terá que fazer uma escolha para definir os acontecimentos do seu futuro, onde quer que ele esteja.

Esse é mais um daqueles filmes que são "vendidos" de uma forma errada. Conferindo o pôster e o trailer, temos uma impressão completamente errada sobre o tom da história. Jamie Marks Está Morto não tem o objetivo de assustar a audiência. O roteiro sequer está preocupado em manter um suspense, que ocorrem em poucas cenas - e todas elas são desnecessárias. Diferente da abordagem convencional das histórias sobre espíritos, esta traz um drama relevante sobre a relação entre dois garotos, um morto e o outro vivo, que juntos preenchem o "vazio" na vida de cada um. Esse é o melhor ponto positivo do filme, que apesar de ser interessante, está longe de ser perfeito.

Dentre os pontos negativos, destaca-se as subtramas desnecessárias. O filme poderia ser bem mais curto e eficiente em sua mensagem se não perdesse tempo enrolando com histórias paralelas que pouco acrescentam no enredo central. Todo o plot em torno da fantasma atormentada que matou os próprios pais soa como uma grande enrolação, assim como os conflitos do protagonista com a sua família, e até mesmo na escola, que apesar de necessários, parecem vazios por terem sido abandonados em certo ponto do roteiro. Outro grande problema é que o enredo nunca consegue desenvolver de forma satisfatória a relação do Adam com o seu possível interesse amoroso, Gracie. As cenas do casal são chatas, fazendo-nos torcer para que o protagonista volte a interagir novamente com o Jamie.

Apesar das reclamações, há diversos pontos positivos no filme. A sutileza com o qual a história é contada, assim como a fotografia e a trilha sonora, que ajudam a compor o tom de melancólica tão requerido pela história, são encaixados perfeitamente em um drama sensível sobre aceitar o seu destino e seguir em frente. Os dois protagonistas, Cameron Monaghan (Adam) e Noah Silver (Jamie), estão excelentes em seus papéis, transmitindo perfeitamente a vulnerabilidade e a química necessária para a composição de sua relação de amizade. O clima homoerótico entre os dois não é gratuito, e é desenvolvido de uma forma coesa, sem partir para cenas vulgares e apelativas.

Sei que muitos não irão gostar deste filme. Até mesmo eu fiquei pensativo sobre o que havia achado depois que os créditos finais começaram a subir. Gosto de pensar que fui surpreendido positivamente por um enredo inteligente sobre o pós-vida, apesar de nem todas as minhas expectativas, criadas no decorrer do filme, terem sido preenchidas no seu desfecho. Não há respostas ou até mesmo reviravoltas no terceiro ato, e isso pode decepcionar muita gente. Se vocês esperam a solução para o assassinato de Jamie, pode cair fora, porque, com o passar dos créditos finais, sequer sabemos o que aconteceu exatamente. Acredito que essa resposta poderia ter sido entregue no final do filme. Teria completado a trama, ainda que o objetivo central nunca tenha sido esse. Só tenho uma coisa a dizer sobre este filme: não é para todos. Então só me resta perguntar: é para você?


Trailer:

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