sábado, 4 de outubro de 2014

[Livro] The Double Me - 2x16: You Are My Heaven [+18]

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2x16:You Are My Heaven
"Você não pode destruir um grande amor sem destruir a si mesmo".

— Alex, você precisa comer alguma coisa — Era a quinta vez que Judit alertava.

— Prefiro voltar para o cativeiro — Alex lançou um olhar enojado para a sopa na bandeja a sua volta, parecia vômito de animal. Era um dos motivos para odiar passar a noite em hospitais... Ou simplesmente visita-los.

— Já pedi para não fazer este tipo de piada... — Judit suspirou, derrotada. Talvez Alex tivesse passado tempo demais ao lado do irmão. E se este fosse o caso, seria melhor continuar folheando sua revista.

Sentado na cama do lado direito, Thayer apenas observava a interação graciosa entre mãe e filho com um lindo sorriso nos lábios. Em poucas horas poderia tirar os curativos de seu rosto e fingir que não fora acertado duas vezes por um louco com uma pá. Em sua defesa, foi Alex quem começou a fingir que o sequestro nunca aconteceu para que pudessem a conversar como dois bons amigos da noite anterior até o amanhecer.

— Por que Thayer não precisa tomar essa sopa? — Perguntou Alex. — Ele também foi ferido.

— Ele tem razão — Thayer virou para Judit. — Eu não comeria nada feito neste lugar.

— Eu tinha certeza que perderia esta batalha. Bom, o que vocês acham de sushi para o café da manhã?

— Acho que amo você — Alex quase babou nos lençóis só de imaginar.

— Volto logo — Judit jogou a revista em cima da poltrona e colocou a bolsa em volta do braço. — Vocês vão ficar bem?

— Não precisa se preocupar. Eu fico de olho nele — Thayer garantiu.

Judit sorriu para o filho uma ultima vez antes de passar pela porta. Alex e Thayer passaram a manhã inteira desejando que ela não estivesse por perto, mas assim que este desejo foi realizado, ambos concluíram que não havia nada a ser dito. Trocaram um olhar desconcertado, mexeram os lábios ao mesmo tempo, mas nenhuma palavra saiu.

Alex só queria ter certeza de que era o momento para agradecer sua ajuda e fazer as perguntas difíceis que havia evitado. Como sabia onde estava? Por que não chamara a polícia antes de se aventurar num perigoso resgate? Por que arriscou sua vida para salvá-lo? A lista não parava por aí.

E quando finalmente resolveram quebrar o silêncio, acabaram falando ao mesmo tempo.

— Você primeiro — Thayer permitiu.

— Ok... — Alex fitou o lençol branco que cobria dos pés a cintura. — Como você sabia onde eu estava?

— GPS. Foi só rastrear depois que você me ligou do seu celular.

— Bem pensado... — Alex estava impressionado.

— Você está bem, não é? Digo, mentalmente?

— Acho que sim. Saber que George está morto e que Brett vai passar a vida inteira na prisão ajuda um pouco. Pode parecer cruel, mas... Não consigo pensar em nada mais justo.

— Você passou por muita coisa, pode pensar o que quiser.

E lá estava o mesmo olhar misterioso de Thayer, capaz de enfeitiçar qualquer pessoa que estivesse perto demais. Alex sentiu-se tão intimidado que precisou olhar novamente para o lençol antes que as bochechas ficassem vermelhas.

— Por que você não chamou a polícia? — Perguntou logo em seguida.

— Eu gosto de pensar que sou um super herói. — Thayer sorriu.

— Você sabe que não é um super herói. E não se arriscaria tanto por uma pessoa a não ser que...

— A não ser que...? — Thayer o incentivou a continuar sua ideia.

— A não ser que ela significasse muito para você...

Thayer abaixou a cabeça. Alex sempre conseguia despertar, sem ao menos querer, o lado inseguro que tanto tentava esconder. Não poderia ser tão difícil dizer a verdade depois de tudo o que passaram juntos, poderia? Bastava repetir palavras de encorajamento até ser consumido pela inspiração. “Olhe para ele e diga tudo o que sente”. “Seja romântico, mas não exagere”. “Diga que gosta de como ele sorri”. “Não, espera, convide-o para um encontro”. “Fale qualquer coisa, ou ele vai pensar que você é louco”.

— Você sabe para sorrir também você... — Thayer não acreditava no que tinha acabado de dizer. “Merda, você é um perdedor”. – Repetiu para si mesmo.

— O que? — Alex sorriu.

— Me desculpe, eu queria saber se você...

— Alex! — Nate passou pela porta como um furacão. E lá se foi o momento de Thayer para tomar uma atitude. — Ai meu Deus, você ta legal? — Ele correu até o irmão para um abraço de urso.

— Isso dói — Alex sentiu-se inteiramente sufocado. O abraço estava durando mais do que esperava.

— Eu soube o que aconteceu — Nate continuou. — Como você se sente?

— Me sinto ótimo, graças ao Thayer.

— Certo — Nate começou a julgar Thayer pelo olhar no momento em que ouviu seu nome. — Eu soube disso. Machucado legal, Guadalajara.

— Obrigado — Thayer tentou encarar como um elogio.

Nate voltou novamente sua atenção para o irmão.

— Enfim... Você sabe quando vai receber alta?

— Provavelmente só amanhã — Alex respondeu. — Meu médico quer que eu fique em observação.

— Eu ainda não acredito que isso aconteceu de verdade. Isso é loucura — Nate sentou ao seu lado na cama.

— Não é nada que eu não tenha repetido para mim mesmo umas trezentas vezes...

— Sinto muito, Alex. Vamos superar tudo isso.

— Valeu, Nate. Você é o melhor — Alex sorriu levemente.

— Eu só não entendo porque, em nome de Jesus Cristo, essa família sempre vem parar numa cama de hospital. O que está havendo com a tabela de carmas no mundo celestial? Só suportamos uma tragédia de cada vez, muito obrigado — Nate olhou para a bandeja em volta de Alex. — Você vai comer esse vômito?

— Bom... — Thayer suspirou. — Vou deixar vocês dois a sós.

— Espera, aonde você vai? — Percebendo o nervosismo exagerado, Alex decidiu reformular a sentença. — Quer dizer, te vejo depois?

— Tudo bem — Thayer assentiu antes de ir embora.

Nate prendeu o riso quando percebeu o que estava acontecendo. Thayer e Alex estavam tão conectados que não suportavam a ideia de ficar longe um do outro. Seria romântico se não fosse tão... Pensando bem, era muito romântico, e não havia porque julgar as consequências de uma paixão.

Alex olhou para o irmão logo em seguida, sem entender a sensação que de repente assolou aquele quarto. Sua sensibilidade gêmea estava dizendo que Nate tinha acabado de tirar conclusões precipitadas. Mudar de assunto era o melhor a fazer quando tinha certeza que seus sentimentos por Thayer nunca passariam despercebidos aos olhos do irmão.

— Você não precisava vir até aqui, Nate. Sei que também está passando por muita coisa.

— Você quase morreu, Alex. Eu deveria ficar ao seu lado vinte e quatro por sete.

— Mas eu estou bem — Mentiu Alex, descaradamente. Com um pouco de sorte, talvez conseguisse fazer Nate acreditar que ficaria seguro sendo rodeado por tantos médicos. — Você não precisa me...

— Cala a boca, cabeção. Eu te amo e quero estar aqui com você. Não me expulse só porque você prefere ficar com o Guadalajara.

Alex abaixou a cabeça e sorriu sem graça. Tarde demais para esconder as bochechas vermelhas.

— Você tem notícias de Jensen?

— Ele ainda não acordou... — Toda a positividade de Nate desaparecera de repente. — Eu nem sei se um dia ele vai acordar. Minha vida pode ser resumida apenas nisso.

— Eu sinto muito.

Alex tocou na mão de Nate em cima do lençol. Com todo o horror que vivera nos últimos dias, tinha esquecido de confessar a si mesmo o quanto seus sentimentos haviam mudado. Jensen não era mais o causador de suas noites em claro e das repentinas dores de cabeça. Nem mesmo servia como um bom exemplo de primeiro amor inesquecível. Não por guardar qualquer tipo de ressentimento, mas por entender que sua ligação com Thayer era muito mais forte do que qualquer outra.

— Quer conversar sobre isso? — Alex perguntou.

— Eu não sei. Jensen está naquele quarto de hospital porque se meteu na frente de uma bala para me salvar. Justin será enterrado ainda hoje. Quentin foi embora porque nunca consegui corresponder seus sentimentos. E você está aqui, quando eu poderia ter te protegido. Conversar não vai resolver nenhum desses problemas, só vai intensifica-los até eu começar a me perguntar por que ainda continuo tentando.

— Você não acha que já está na hora de se livrar de toda essa culpa?

— Eu... — Nate suspirou. — Eu nem saberia por onde começar.

— Cara, Jensen McPhee se meteu na frente de uma bala para salvar você. E ele está vivo, ainda tem uma chance de se recuperar. Isso deveria significar alguma coisa.

— Você definitivamente não está em posição de oferecer conselhos amorosos. Thayer Van Der Abs está apaixonado por você e tudo o que você faz é ficar calado?

— Dá um tempo — Alex sorriu. — Nem todo mundo é tão vadia como você. Com quantos anos começou a cobiçar os meninos no parquinho? Dois?

— Eu fui hétero até os onze, acho que tivemos isso em comum.

— Tanto faz. Isso não muda o fato de eu ser uma vergonha quando se trata de garotos.

— Então... — Nate se levantou-se. — Nunca vai dizer a ele como se sente?

— Eu só preciso encontrar o momento certo...

— Tipo um dia depois dele salvar sua vida? Espere — Nate hesitou para ler a nova mensagem de texto em seu celular. — Eu preciso ir. Essa conversa ainda não terminou.

— Eu acabei de ser sequestrado. Quem decide isso sou eu.

— É, vai sonhando, gêmeo bom.

Nate bagunçou o cabelo do irmão antes de passar pela porta. Alex não sabia, mas Thayer estava no fim do corredor observando a neve cair através da janela enquanto aguardava o resultado da investigação de seu cupido. No final, era muito mais fácil pedir para que Nate conversasse com Alex ao invés de fazer todas as perguntas que feriam seu orgulho.

Só havia um problema no plano de emergência que haviam bolado: Nate sempre jogava com suas próprias regras. E estava disposto a contar algumas mentiras caso ajudassem a fazer Thayer e Alex finalmente acontecer.

— Ele não vai falar — Disparou Nate ao se aproximar. — Ele nem pensa em falar.

— Nossa... — Thayer deu um ar de risos depressivo. — Eu deveria ter previsto isso.

— Alex Bennett não é fácil, e eu tenho certeza que esse é um dos motivos para você se importar tanto.

— Eu sei com quem estou lidando, não precisa me lembrar.

— A questão é... Até onde você iria por ele?

— Não é uma pergunta justa, eu...

— Thayer — Nate firmou a voz e deu um passo a frente. — Até onde você iria por ele?

— Me desculpe, mas eu não tenho uma resposta para essa pergunta. Eu não sou romântico. Na verdade, eu sou totalmente o oposto de romântico. Não sei o que está acontecendo comigo ou porque a porra do meu sistema circulatório para sempre que ele olha pra mim. O problema não sou eu, é o seu irmão! Ele é tão... Injustamente atraente. E teimoso! Como uma pessoa pode ser tão teimosa desse jeito? Ele está estragando tudo!

Nate decidiu apenas sorrir como resposta. Mesmo sem intenção, sua pergunta foi muito bem respondida. Agora tinha certeza que Thayer Van Der Wall havia encontrado seu ponto fraco.

— Por que você está rindo? — Thayer sentiu-se ofendido.

— Você não sabe o quanto é divertido vê-lo com raiva de si mesmo porque está apaixonado pelo meu irmão.

— Vai se foder, Nate — Thayer voltou a admirar a paisagem pela janela.

— É, quem sabe? Mas primeiro deixe-me ajuda-lo.

— Não há nada que você possa fazer.

— Alex, você ainda está aí? — Nate sorriu com malícia.

Thayer franziu a testa, nada poderia lhe deixar mais confuso. Só percebeu que Nate estava falando com o celular quando o viu tirar o aparelho do bolso e mostrar-lhe o visor com uma chamada em execução.

— Estou aqui — Alex respondeu. Thayer não tinha dúvidas de que o viva voz ficara ligado esse tempo inteiro.

— Você ouviu toda a nossa conversa? — Nate perguntou outra vez.

— Ai meu Deus... — Thayer suspirou fundo. Nunca teve tanta vontade de cavar um buraco e se esconder por toda a eternidade.

— Isso é mesmo necessário? — Alex parecia mais desconfortável do que o irmão esperava. — Preciso falar com Thayer a sós.

— Me escutem, vocês dois — Disse Nate. — Estou cansado dessa merda, e a partir de agora, só vão fazer o que eu mandar. Alex, em dois minutos Valeska chegará com suas roupas e você sairá deste hospital. Thayer, pegue as chaves do meu carro... —Jogou o chaveiro para Thayer agarrar. — Leve meu irmão para aquele lugar que nós dois conhecemos. Vocês vão rir, conversar, e em nome de Jesus Cristo, dar uns amassos tão violentos quanto aqueles que vocês imaginaram durante as ultimas semanas. Eu fui claro?

— Sim — Thayer e Alex responderam ao mesmo tempo.

— Agora cai fora daqui e vai ser feliz, Guadalajara. Viva o México, yay! — Nate levantou um dos punhos fingindo entusiasmo.

Thayer mal teve tempo de agradecer, saiu correndo feito uma bala para agarrar sua única chance com Alex Bennett. Nate o observou de longe, com o olhar perdido, e os pensamentos ultrapassando as fronteiras da realidade.


Breathe (2 A.M.) by Anna Nalick on Grooveshark

Quando Thayer desapareceu de sua vista, fitou a árvore seca em destaque do lado de fora. Algumas crianças portadoras de leucemia estavam fazendo um boneco de neve enquanto a madrinha do hospital lhes supervisionava. Além do estado de saúde, havia outra coisa que compartilhavam entre si. Nenhuma delas parecia precisar de algo além do que tinham para serem felizes. E não havia nada que impedia a humanidade inteira de pensar o mesmo.

A felicidade diante de seus olhos era admirável por si só, mas nunca deixaria de ser apenas mais uma prova de que nunca seremos todos iguais. Não há justiça quando se trata de uma doença genética. Não há justiça na morte prematura ou no coração partido. Todos os dias milhões de pessoas são condenadas a viver a própria vida como se a dignidade já não tivesse valor. Quem precisa de um propósito quando a mídia já se encarrega de nos convencer a praticar a conformidade? Nunca aprenderemos a viver com o pouco, então nada nos impede de sorrir por três segundos e fingir que tudo vai dar certo.

Nate mal havia começado e já estava cansado de pensar. Olhou uma ultima vez para as crianças brincando na neve e saiu pela porta da frente do hospital. Caminhou pela calçada por um minuto até alcançar a limusine estacionada. Peter estava esperando do lado de fora, mesmo sem saber quando um membro da família Strauss poderia estar precisando de seus serviços.

Nate caminhou até a porta que Peter gentilmente abrira, mas não conseguiu seguir em frente. De repente já não precisava de alguém que lhe abrisse a porta, nem que o levasse para onde queria. Uma mudança repentina em todos os seus costumes inúteis poderia ser exatamente o que precisava.

— O senhor está bem? — Perguntou Peter.

— Não... — Nate deu um passo para trás. — Eu acho que vou andando até o ponto de ônibus.

— Mas está nevando, o senhor pode congelar.

— Acho que é tarde demais para isso...

Com as mãos dentro do casaco, Nate afastou-se da limusine e caminhou até o ponto de ônibus mais próximo. Entrou no primeiro veículo que apareceu e sentou-se na ultima cadeira. Peter tinha razão, ele iria congelar. Mas qualquer um poderia dizer que não se importava. Era difícil pensar em qualquer outra coisa que não fosse a solução impossível para todos os seus problemas. E falando neles, estava mesmo na hora de visitar Jensen no hospital.

Mais alguns minutos se passaram enquanto comtemplava a paisagem de Nova York pela janela do ônibus, e então, encoutr-se nos corredores monótonos da St. Paul, caminhando em direção ao quarto de Jensen. Ao longe já podia enxergar duas enfermeiras retirando lençóis e travesseiros, exatamente como faziam quando o quarto deveria ser preparado para outro paciente. Não poderia ser verdade. Jensen não podia morrer, não depois de ter sobrevivido por tanto tempo.

Nate correu o mais rápido que pôde e abriu a porta. Ao invés de Jensen, quem estava no quarto era Kerr, sentado na poltrona de pernas cruzadas; brincando com uma pequena bola de baseball. Os olhos de Nate se encheram de lágrimas só de imaginar o que poderia ter acontecido.

— Não, ele não, por favor — Pediu num sussurro.

— Perdão? — Kerr não sabia se estava se fazendo de desentendido ou se realmente não entendera o comentário de Nate.

— Faça o que quiser comigo, mas deixe Jensen em paz...

— Você realmente acha que é isso que está acontecendo? — Kerr sorriu, debochado. — Acha que eu fiz alguma coisa com seu precioso Jensen?

— Onde ele está?

— Foi a mesma pergunta que eu fiz a enfermeira de cabelos ruivos — Kerr levantou-se. — Ela disse que não tinha autorização para revelar, então decidi fazer algumas ligações. Eu não sei como, mas Patrick conseguiu transferir Jensen para um hospital em Madrid. O voo está marcado para daqui a uma hora.

— O que? Isso é uma brincadeira, não é?

— Acredite quando eu digo que de todas as crueldades que eu já cometi, esta seria a única que eu não me atreveria.

— Mas como? — Nate exclamou. — Ele não pode fazer isso! Ele não pode simplesmente manda-lo para outro país!

— Ele é Patrick McPhee, ele pode fazer o que quiser!

— Não, isso é um absurdo! — Nate passou levemente as duas mãos no rosto. De repente o corpo inteiro começara a esquentar. — Não pode estar acontecendo...

— Nate! — Judit apareceu de surpresa. Os olhos assustados pareciam ter uma explicação perturbadora. — Ai meu Deus, Nate...

— Você conseguiu? — Perguntou Kerr a ela. Nate levou um segundo para perceber que ele e Judit estavam concordando em alguma coisa.

— Não, eles vão leva-lo embora! Nate, você precisa vir comigo!

Nate estava a um passo de perder o controle.

— O que está acontecendo?

— Patrick está levando Jensen para Madrid. Você precisa impedi-lo!

— Mãe, eu...

— Não temos tempo! — Judit segurou nas duas mãos do filho e se aproximou para olha-lo nos olhos. Ele precisava entender a gravidade da situação antes que tudo estivesse acabado. — O jatinho decola em uma hora, precisamos fazer alguma coisa!

Nate olhou para Kerr em busca de mais incentivo. Não poderia ser um truque. Não quando Judit estava envolvida na história e Kerr tinha acabado de lhe pedir perdão.

— Por que eu? — Nate engoliu em seco.

— Cala a boca e me escuta — Kerr estava farto. — Estou a um passo de sair desse quarto e deixar você ser o garoto mais fodido da face da Terra por toda a sua vida, mas não vou fazer isso. Neste momento, estou esquecendo tudo o que você fez comigo e toda essa merda que você causou nas nossas vidas para ajudá-lo da forma que eu puder. Agora escolha, ou vem comigo, ou apodreça exatamente onde está.

Nate não teve tempo para refletir. Antes que pudesse dar uma resposta, viu a si mesmo na BMW de Kerr, sendo acompanhado pela mãe. Algo lhe dizia que as próximas horas decidiriam sua vida inteira.

Alex deitou a cabeça no banco do carro. Esfregou as mãos rapidamente para enganar o frio e começou a balançar as pernas. A caminho do encontro mais importante de sua vida, nada poderia evitar uma dose excessiva de nervosismo.

Thayer, sentado no banco do motorista, decidira permanecer quieto o caminho inteiro para não estragar a surpresa. De onde Nate tirava tantas ideias admiráveis e por que não compartilhava com o mundo inteiro? Thayer lhe seria eternamente grato – em segredo – caso seu plano desse certo.

— Posso ouvir musica? — Alex se esticou para apertar o botão a sua frente. O rock pesado que começara a tocar no ultimo volume o fez mudar de ideia no mesmo instante. — Deixa pra lá.

— Você está bem? — Thayer tirou os olhos da direção por dois segundos para olhá-lo nos olhos.

— Sim, estou ótimo.

— Ok...

Alex tentou fixar o olhar na paisagem do lado de fora. Tudo parecia desinteressante perto do que ele e Thayer estavam prestes a fazer.

— Então... Aonde estamos indo? — Alex finalmente perguntou. Matar a curiosidade poderia ajudar com todos os tiques nervosos que não lhe deixavam em paz.

— Não posso dizer.

— Só preciso de uma dica.

— É, não vai rolar — O sorriso vencedor de Thayer brotou no mesmo instante.

— Eu preciso saber aonde estamos indo. Eu fui sequestrado uma vez, lembra? Sou um garoto traumatizado.

— Sério? — Thayer olhou para ele novamente. — Você parece bem.

— Sou do tipo que sofre calado.

— Outra coisa que temos em comum...

— Tudo bem — Alex deitou as costas no banco, dando um meio sorriso. — Mas você deveria saber que eu não gosto de surpresas. Se você me levar a um restaurante e colocar um cara sem camisa dentro de um bolo para me pedir em casamento, eu vou ficar chocado.

— Isso nunca vai acontecer nesta vida, eu garanto.

— Se você me levar a praia esperando sexo na areia, também não vai dar muito certo.

— Seria uma ótima ideia. Pena que eu não trouxe minha sunga.

— Ok — Alex hesitou por alguns instantes. Não havia muitas metáforas monogâmicas que o sarcasmo lhe permitia usar. — Estou pelo menos esquentando?

— Nem passou perto.

— Tudo bem, eu desisto. Não é como se você fosse me levar para ver as estrelas no capô do carro, ou para o alto de um prédio com um telescópio, ou para um parque de diversão deserto onde vamos nos beijar a luz do luar. Quer dizer, não estamos em um filme brega da Disney...

Alex levou dois segundos para perceber que a expressão de Thayer havia mudado. Ao invés do sorriso complacente que manteve nos lábios durante a viagem inteira, havia uma expressão envergonhada, capaz de destruir o clima que ambos demoraram tanto para criar. Alex tinha certeza que a mudança repentina tinha tudo a ver com seu incessante falatório.

— Ai meu Deus, você iria me levar para algum desses lugares? — Alex nem sabia o que dizer. — Eu sinto muito, eu... Eu não queria...

— Tudo bem, Alex — Thayer tentou sorrir.

— Não, eu não deveria ter dito nada disso. Me desculpe, vamos continuar a viagem.

— Ok Alex, deixa pra lá. Vamos continuar...

Thayer tentou focar-se apenas na direção. Trocou de marcha, mexeu no retrovisor e aumentou a intensidade do aquecedor. O silêncio lhe parecia confortável nos primeiros trinta segundos, mas nenhum deles conseguiria ignorar com tanta facilidade o que tinha acabado de acontecer.

— Qual seria o problema em ir a um parque de diversões? — Thayer resolveu perguntar. — É romântico demais pra você?

— Não, é perfeito. Eu adoraria. Já estamos chegando?

— Prefere ir à praia fazer sexo na areia?

— Não, qualquer lugar que você escolher está bom para mim — Alex tentou manter a calma. Brigar no primeiro encontro não lhes levaria a lugar algum se não de volta a estaca zero.

— Você tem escolha, Alex. Não quero que você vire um adolescente da Disney por minha causa.

— Você sabe que não foi isso que eu quis dizer.

— Eu entendi perfeitamente o que você quis dizer.

Alex estava farto. Não continuaria aquela discussão nem um segundo a mais.

— Thayer, pare o carro.

— E agora você quer que eu pare o carro?

— Thayer, pare o carro agora!

Thayer não teve escolha. Dirigiu por mais alguns metros até encontrar um lugar para estacionar. Pensou que veria Alex ir embora como da ultima vez, mas o garoto tinha outros planos. Caminhou até a porta do motorista e bateu duas vezes na janela.

— Saia do carro.

— O que? — Thayer franziu a testa. Que tipo de comportamento era aquele? Alex queria que ele saísse do carro e fosse andando para casa?

— Saia do carro!

— Você é inacreditável! — Thayer se deu por vencido novamente. Abriu a porta e pulou em cima da calçada onde Alex estava. — O que você está fazendo?

— É a minha vez de dirigir. Preciso te mostrar uma coisa.

— Você não quer mesmo me dar uma chance, não é?

— Você está entendendo tudo errado. Eu vou explicar tudo se você vier comigo.

Thayer hesitou para refletir. Nem mesmo o ego ferido servia como um bom motivo para desistir daquele encontro. Era injusto perder a compostura sempre que se tratava daqueles lindos olhos azuis. Mas no final, também era inevitável.

— Vamos lá... — Thayer deu volta para chegar até a porta do passageiro. 


Open Your Eyes by Snow Patrol on Grooveshark

Uma vez dentro do veículo, ambos partiram rumo a grande surpresa de Alex. E pelo que Thayer conseguiu identificar durante a viagem, o termo deveria ser usado de maneira literal.

Alex aproveitou a oportunidade no volante para ser um pouco mais descuidado. Avançou os sinais, desrespeitou as faixas de pedestres e ultrapassou vários carros que mantinham a velocidade apropriada; tudo para que conseguissem chegar o mais rápido possível a extremidade da cidade, próximo ao subúrbio nova-iorquino onde todas as casas seguiam o mesmo estilo.

Apesar das conclusões que Thayer tomara por conta própria, Alex não estava interessado na vida simplória que todas aquelas famílias levavam. Havia um lago de águas escuras escondido entre as árvores, que Alex descobrira junto da melhor amiga quando tinha treze anos. Thayer só entenderia o que passava em sua cabeça se conseguisse sentir aquela magia.

— Chegamos — Alex estacionou o carro próximo a uma placa de madeira. A frase “proibido a pesca” estava estampada em letras de forma na cor vermelha, justamente para que os visitantes do lago exclusivo soubessem o que não deveriam fazer.

— Ok... — Thayer parecia estar perdido. Saiu do carro logo depois de Alex e deu dois passos em direção ao cais de madeira. O medo de que tudo pudesse desabar o obrigou a interromper o percurso. — Onde estamos?

— No lago Victoria — Alex olhou ao redor. — Quando eu tinha treze anos, minha melhor amiga me convenceu a fugir de casa para assistirmos ao show do Green Day. Chegamos até o subúrbio de Nova York pedindo carona, mas não nos deixaram entrar. Então decidimos ficar por aqui até amanhecer. Foi o melhor dia de todos...

— E por que estamos aqui?

— Você sabe por que eu gosto de você, Thayer? — Alex virou-se para encará-lo. — Porque você não dá a mínima pra porra nenhuma. Quando estou com você, não preciso me perguntar se estou dizendo a coisa certa, se estou bonito ou se beijo bem. Foda-se o mundo e essa demência passageira que ele nos obriga a viver quando estamos apaixonados. Não precisamos ser bonitinhos, ou um exemplo notável, ou o casal mais romântico do mundo. Nós somos diferentes demais para aceitar uma vida normal, e isso só vai dar certo se respeitarmos tudo o que somos.

Thayer abaixou a cabeça, com um sorriso envergonhado no rosto. Alex sabia exatamente o que dizer sempre que o momento exigia um punhado de palavras. E tudo a seu respeito acabava se tornando um motivo especial para querê-lo tanto.

— Então... O que um cara como eu tem que fazer para ficar com um cara feito você?

— Eu não sei... — Alex jogou o casaco para o lado e começou a desabotoar a camisa. — Mas sempre podemos improvisar.

— O que você está fazendo?

— Você quer fazer perguntas ou nadar pelado comigo neste lago?

— Se pularmos, vamos congelar. É inverno.

— Você deveria saber que é capaz de despertar esse meu lado... — Alex jogou a camisa. Agora era a vez de abaixar as calças.

— Masoquista?

— Imprudente — Completamente despido, Alex pulou no lago.

Thayer levou poucos segundos para tirar todas as suas roupas e fazer o mesmo. A água não parecia tão ruim quanto o inverno exigia. O único problema era a escuridão do local, que poderia esconder todo tipo de animais indesejáveis.

— Caramba! — Gritou Alex quando voltou a superfície. — Era exatamente do que eu precisava.

— Me lembre de nunca mais duvidar de você, Alex Strauss.

— Eu te amo. — Alex sussurrou.

Thayer sentiu o corpo inteiro entrar em choque pouco a pouco enquanto tentava processar aquelas palavras. Poderia estar tendo um ataque de pânico, ou simplesmente conhecendo o amor pela primeira vez.

— Você tem certeza? — Ele brincou. — Amor é uma palavra muito forte que...

— Cala a boca — Alex avançou para cima e o beijou. Nenhum deles poderia negar o quão próximos estavam de sentir o céu.

— Só pra constar... — Thayer interrompeu o beijo. — Eu também te amo, valeu?

— Ok, conversamos depois, tudo bem? — Alex aproximou novamente seus lábios dos dele.

— Ok.

Thayer nunca pensaria em recusar a proposta. Poderiam conversar o quanto quisessem assim que aproveitassem tudo o que o lago solitário tinha a oferecer.


Nate encarava a janela do carro com o olhar apreensivo. O caos já havia se instalado completamente na vida que um dia conheceu como magnífica.

Kerr estava dirigindo com toda a imprudência que a situação exigia enquanto Judit tentava, sem obter bons resultados, ligar para todos os contatos que poderiam ajudá-la. Mas ninguém parecia ter poder suficiente para impedir que tudo fosse tomado das mãos de seu filho outra vez.

— Chegamos! — Kerr informou, freando o carro de maneira brusca. Nate precisou segurar-se no porta-luvas para impedir uma grande pancada.

— Mas que droga! — Ele olhou a sua volta. Como poderiam ter chegado ao seu destino se ainda estavam no Times Square? — Por que você parou?

— Não ouviu o que eu disse? Nós chegamos! — Kerr imediatamente saiu do veículo. Judit e Nate fizeram o mesmo logo em seguida.

— Mas que porra? — Nate começou a gritar. — Aonde você vai?

— Querido, você precisa se acalmar... — Judit segurou suas mãos para lhe passar segurança, mas Nate não estava interessado em nenhum gesto de carinho inexplicável. Achava ter direito a um ataque de pânico quando Jensen estava sendo levado sorrateiramente para fora do país.

— Me solta! O que vocês estão fazendo? Precisamos chegar a pista de decolagem!

— Você vai saber... — Kerr tirou um pequeno cronômetro de dentro do bolso. — Em seis, cinco, quatro, três, dois, um...

Como num passe de mágica, todos os telões ao redor do local perderam sua transmissão. As pessoas que circulavam naquele exato momento tiveram que parar todas as suas atividades rotineiras para prestar atenção no primeiro sinal de que algo estava errado.

Ao invés dos comercias e de todos os shows que entretêm o público, só o que podiam enxergar era um fundo verde combinado a vários ruídos inexplicáveis. Nate achou estar diante de mais uma ação terrorista que destruiria todos os pedaços frágeis de sua querida nação, como os americanos sempre nunca desaprenderam a fazer; mas isso não explicava porque Judit e Kerr pareciam tão tranquilos, e nem porque o haviam atraído para aquele local. Só quando a imagem de Jensen apareceu em todos os lugares que ele foi perceber que o espetáculo fora feito apenas para ele.

— Ai meu Deus... — Sussurrou para si mesmo.

Jensen estava sentado numa cadeira de madeira em frente ao fundo verde, com uma camisa preta para esconder o ferimento da bala e o cabelo todo bagunçado. Ao olhar para a lente da câmera, sentiu cada centímetro de seu corpo preparado para o que estava por vir.


Out of Reach by Matthew Perryman Jones on Grooveshark

— Meu nome é Jensen McPhee — Ele começou. — Peço desculpas por estar tomando o tempo de vocês, mas tenho algo a dizer. Não sei explicar em palavras tudo o que aconteceu recentemente na minha vida, mas sei que cada um de vocês já tem uma opinião formada sobre mim. Alguns gostam de quem me tornei, outros desaprovam publicamente sempre que aparece uma oportunidade. E honestamente, todos os argumentos mostram uma perspectiva bastante justa.

Nate deu um meio sorriso. Estava apenas começando, mas já podia sentir que aquele depoimento mudaria sua vida para sempre.

— Quanto a mim, posso afirmar que levei muito tempo para sentir orgulho de quem eu sou, e talvez eu seja um ótimo exemplo para todos os clichês que envolvem a “maneira difícil” de evoluir. Precisei perder a única pessoa que amei de verdade para entender o verdadeiro significado do amor próprio, e agora, tudo o que eu quero é seguir em frente — Jensen suspirou. A parte difícil estava prestes a chegar. — Meu nome é Jensen McPhee. Eu enganei, menti, trapaceei e desisti. E eu prometo me culpar para sempre se você decidir me amar agora, Nate. Porque você é tudo o que eu preciso, mesmo que o mundo não entenda isso. Você é o meu paraíso, Nathaniel Strauss.

Nate não sabia, mas era não era apenas o Times Square que estava assistindo àquela declaração de amor. Nova York inteira poderia ter acesso instantâneo a gravação ao vivo de Jensen com apenas um clique no celular, ou no controle remoto da televisão.

Patrick era um dos que assistia no sofá de sua casa, bebendo um copo de chocolate quente como incentivou sua madrinha dos alcoólicos anônimos. Quentin, ainda dentro do avião para a China, também havia sintonizado a exibição com seu notebook, assim como Mia e o restante dos empregados faziam na mansão Strauss. Até Simon, que sempre foi contra a união de Nate e Jensen, estava vibrando para que tudo desse certo no final.

— Eu estarei no lugar onde nos beijamos pela primeira vez — Jensen continuou. — Se a sua resposta for sim, venha me encontrar. Só você pode fazer isso.

Jensen ficou olhando para a câmera por alguns segundos, até sua transmissão terminar. Agora Nate estava livre do transe voluntário para tomar a mais importante das decisões. Bastava fingir que todas aquelas pessoas não estavam encarando-o em busca de uma resposta. Bastava ignorar o fato de ter sua vida inteira exposta publicamente e ser o gay mais famoso de Nova York. Não era tão difícil quando a resposta já estava na ponta da língua de qualquer maneira.

— Kerr, poderia me emprestar seu carro?

— Pegue — Kerr arremessou as chaves para que ele agarrase no ar. — Vá ser feliz, filho da puta.

— Eu irei — Nate olhou nos olhos da mãe no meio da multidão. Pelas lágrimas que derramava, não havia dúvidas de que apoiava o filho com todo o seu coração.

Nate sorriu para ela como despedida e correu para dentro do carro. Girou as chaves, pisou fundo no acelerador e partiu, deixando um rastro de poeira para aqueles que ficavam. Demorou um pouco mais de vinte minutos para chegar a pequena casa na árvore nos arredores da mansão Strauss. Foi onde tudo começou, e onde tudo estava fadado a recomeçar.

— Jensen? — Ele gritou. Só o que via era a neve cobrindo boa parte da trilha e as teias de aranha na madeira velha.

— Estou aqui — Jensen revelou-se atrás de uma das árvores.

Nate virou para encará-lo, sem dizer uma só palavra. Primeiro precisava se convencer de que Jensen havia mesmo sobrevivido e estava inteiro. O cabelo bagunçado, a roupa amassada, olheiras superficiais e a pele pálida. Não estava tão ruim para alguém que ficou em coma durante dias após levar um tiro no peito. Entretanto, também não aparentava ser a pessoa mais saudável do mundo.

— Por que você fez isso? — Nate deu um passo a frente.

— Eu tenho muitos motivos. Você é um deles, e os outros realmente não importam.

— O que isso significa?

— É tudo ou nada. — Jensen também avançou um passo. — A decisão é sua.

— Sem mentiras? — Dessa vez, Nate avançou dois passos. Cada um fazia sua parte para vencer a pequena distância enquanto a conversa era formada.

— Sem mentiras.

— Sem segredos?

— Sem segredos.

— Por quanto tempo? — Nate avançou um ultimo passo.

— Até que a morte nos separe.

— Você já sabe minha resposta, não é?

— Eu sei? — Jensen só queria ouvi-lo dizer com todas as letras.

— Há algumas semanas, tudo o que eu queria era uma oportunidade para partir seu coração em mil pedaços como você fez com o meu. Mas agora, olhando para você, preciso admitir que nunca seria capaz de machuca-lo. Não há uma maneira de destruir Jensen McPhee sem destruir a mim mesmo... E eu estou cansado de fugir do que eu sinto. Então aqui estou eu, tão vulnerável como eu prometi que nunca estaria... E inacreditavelmente feliz, pela primeira vez.

Jensen suspirou. Aproximou-se devagar do rosto de Nate e o beijou suavemente, de olhos fechados.

— Eu te amo — Sussurrou. — E foda-se todo o resto.

Next...
2x17: The Perfect Snow Falls (Season Finale) (11 de Outubro)
É, pessoal. O romance está no ar. E semana que vem diremos adeus a esta temporada. Também postarei algumas novidades gatíssimas sobre a Season 3, então não percam!
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