quarta-feira, 8 de outubro de 2014

[Crítica] Wilfred (US) - 4ª Temporada


Status: Finalizada
Duração: 22 minutos
Nº de episódios: 10 episódios
Exibição: 2014
Emissora: FX

Crítica:

Bone voyage.


Enquanto muitas séries são canceladas sem um desfecho apropriado e outras são estendidas além de suas capacidades, raras são as produções que se mantêm fieis ao seu objetivo, ou seja: desenvolver suas respectivas histórias de uma forma planejada, sem que haja uma pressa em contá-la, e nem que o espectador se sinta enrolado por diversos anos em uma trama que sequer se sustentaria por uma temporada (essa última frase resumiu perfeitamente a situação de Pretty Little Liars). Neste quesito, Wilfred foi uma dessas poucas séries que pararam na hora certa - ainda que tenha sido cedo.

Depois do final bombante da temporada anterior, eu esperava por tudo... menos o que realmente aconteceu. Como sempre, os roteiristas nos deixaram com a cara na poeira. E, como não poderia deixar de ser, a Season Premiere desta quarta temporada funcionou como uma viagem alucinante em direção ao nonsense (algo que a série sempre apresentou muito bem). O primeiro episódio, porém, sequer se compara que a loucura que vimos no quarto episódio desta temporada. Intitulado Answers, vemos os roteiristas introduzirem uma das teorias mais interessantes (e sem noção) dos fãs, em um episódio típico da série, ou seja, uma verdadeira viagem psicológica.

É interessante ver que os roteiristas brincaram com as principais teorias dos espectadores, sempre tirando sarro delas. Mas, no final das contas, qual seria a verdade por trás do mistério do Wilfred? A resposta certamente pode decepcionar quem esperou por grandes explicações. A trama não guarda todo um episódio para explicar algo que sempre foi muito óbvio para todos. Não há manias de conspirações ou envolvimento dos aliens, o que é decepcionante, já que eles seguraram esse mistério por quatro anos para nos entregar a resolução mais óbvia possível. Diversas teorias dos fãs são mais interessantes do que vimos acontecer no episódio final, o que não quer dizer que o desfecho da série tenha sido ruim.

Obviamente eu não gostei dos roteiristas terem focado, durante toda esta última temporada, no culto O Rebanho do Pastor Cinzento. A ideia por si só era absurda e sem noção, o que certamente combina com o que a série entregou durante toda sua jornada. Apesar de ser completamente diferente do que estávamos esperando, essa teoria poderia preencher diversos buracos na história da série - como o irmão gêmeo do Wilfred, que apareceu na Premiere de uma das temporadas anteriores. A crença dos seguidores do Rebanho do Pastor Cinzento, gira em torno de um cachorro-deus (!), que levaria o escolhido até o caminho da felicidade. Eles também acreditavam que esse deus tinha um irmão gêmeo, que teria um propósito contrário, ou seja, trazer ruína ao escolhido. Obviamente eu não acreditei muito nisso, mas depois de saber que o último episódio da série se chamaria Happiness (em português, Felicidade), fiquei com um pé atrás.

Infelizmente, como já adiantei, os roteiristas seguiram pelo caminho mais óbvio possível. Nada de Ryan morto desde o começo da série, ou tumor no cérebro. A verdade é muito mais simples do que poderíamos ter imaginado. E, apesar da revelação não ter me agradado completamente, confesso que condiz com o que vimos no decorrer desta série. O final deixou um gosto agridoce na boca. Não foi exatamente sombrio, mas terminou com um toque de melancolia - o que é extremamente irônico para um episódio intitulado Felicidade. Acredito, na verdade, que esta "felicidade" seja relativa. Não é o que esperávamos para o protagonista desde o começo, mas também não podemos dizer que ele não terminou a série feliz (de sua própria maneira).

Não posso terminar essa última crítica sem destacar o meu descontentamento com a troca da atriz que interpretava a mãe do Ryan. A primeira atriz definitivamente havia dado uma característica especial para sua personagem, o que foi completamente desconstruído com a substituição. A nova atriz sequer tentou manter o mesmo "espírito" que sua personagem carecia. O personagem Bruce também teve o seu intérprete trocado, mas, neste caso, é um pouco mais tolerável, já que o personagem sempre foi um mistério (e poderia sequer ser real, ou até mesmo um deus-cachorro do mal). Enfim, eu esperava mais dessa temporada final. Os roteiristas introduziram diversos dramas nos últimos episódios - que deveriam ter sido muito mais emocionantes do que realmente foram -, o que acabou fazendo a série perder o tom único que apresentou até aqui. O importante é que o Ryan se aceitou no final, e provou que há diversos caminhos para a felicidade. Só precisamos nos aceitar primeiro antes de persegui-la.
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Comentários
1 Comentários

Comentário(s)

1 comentários:

  1. Muito bom, mas isso do Deus do mal eu smp via como Bruce e até hj n entendo o outro cachorro q tinha aparecido kkkkk

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