sábado, 27 de setembro de 2014

[Livro] The Double Me - 2x15: Run, Alex, Run [+18]

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2x15:Run, Alex, Run
"Somos todos sobreviventes no final".

Os olhos assustados de Alex iam de um lado para o outro, sem saber aonde fixar. Pelo pouco que a falta de luminosidade lhe permitia enxergar, estava em um porão horripilante cheio de infiltrações, insetos e móveis velhos. Todas as correntes e cordas resistentes que o envolviam na cadeira de centro faziam parte do castigo estipulado por George, para que o episódio desagradável de fuga nunca mais se repetisse. 

Apesar de tudo, George decidira aproximar-se para acariciar seus cabelos molhados. Alex merecia sentir-se amado até mesmo nos momentos de repreensão. 

— Você estragou tudo, Alex... Eu confiei em você. 

— Não... — Alex estava fraco demais para impedir George de fazer qualquer coisa. 

— Você merece ser castigado — George marchou até a mesinha de ferro ao lado. Havia uma enorme variedade de canivetes, seringas e alicates, guardados especialmente para este tipo de situação. — Você partiu meu coração. 

— Não, por favor — Alex tentou engolir o choro. Era hora de levar a série todas as ameaças de George. 

— Quando você vai entender que eu te amo? — George fitou as escadas do porão. Uma lágrima estava escorrendo por sua bochecha. — Eu fiz tudo por você, Alex. É tão difícil assim me valorizar? 

Alex tentou mover a cadeira com a força de seu corpo, mas nada aconteceu. Nunca conseguiria romper todas aquelas correntes e cordas sozinho. E não havia mais nenhuma brecha que pudesse aproveitar no comportamento de George. Thayer não ouvira o suficiente para saber que estava em perigo, e todos acreditavam em sua viagem repentina. Aceitar o fim seria muito mais fácil que persistir em uma guerra que já nomeou o vitorioso. 

— Brett disse que queria matá-lo. Eu não deixei — George pegou um rolo de fita isolante e arrancou um pedaço com os dentes. — Eu te perdôo, mas você precisa estar arrependido. 

— Eu estou — Alex engoliu em seco. — Por favor, me tire daqui... 

— Você quer ir embora desta casa? 

— Não — Alex ficou na defensiva. — Eu quero ir pra cama, por favor... 

— Talvez quando você merecer — George se aproximou novamente. — Espero que você use seu tempo aqui em baixo para refletir. Alex, eu só quero o melhor pqra você. 

— Não, por favor... 

Com um leve sorriso no rosto, George cobriu os lábios de Alex com o pedaço de fita isolante. Agora ele estava pronto para passar uma semana de castigo dentro do porão. 

— Tente fugir outra vez e eu corto suas pernas — Foi a ultima coisa que ouviu George dizer antes que todas as luzes fossem desligadas.


Os olhos cabisbaixos de Nate não negavam sua exaustão. Apenas uma caminhada da sala de estar até a cozinha conseguia despertar todas as dores musculares que a preocupação entorpecia. Quando fora a ultima vez que teve a chance de deitar na cama e ter uma boa noite de sono? Após as quarenta e oito horas de reclusão, Nate havia perdido as contas. 

Abriu a geladeira na esperança de provocar uma fome repentina. Nenhum daqueles alimentos mal distribuídos caloricamente poderia vencer a inapetência que estava vivendo. Nem mesmo o sorvete de morango dentro do pote branco e a lasanha congelada que tanto implorou para Judit fazer. Ao que lhe constava, todas as funções que mantinham seu corpo de pé estavam em greve por tempo indeterminado. 

— Tudo bem... — Ele sussurrou, sentando-se a mesa logo em seguida. Era estranhamente confortável pensar no pior e olhar para o nada. 

— O senhor voltou! — Valeska apareceu de surpresa, com um sorriso no rosto. Nate nunca teve tanta certeza que os empregados de sua casa eram como fantasmas. — Precisa de alguma coisa? 

— Não obrigado, você pode ir se deitar. 

— Algo errado? O senhor foi gentil, esse não é o senhor. 

— Eu sei — Nate deu um ar de risos entristecido. — Mas você merece um descanso. Não se preocupe comigo. 

— Claro que me preocupo com o senhor — Valeska tomou posse da cadeira mais próxima, de frente para ele. — Se algo acontecer ao senhor, Valeska vai ficar muito triste. 

— Por quê? Não é como se eu fosse o patrão dos seus sonhos. 

— Eu sinto que o senhor Nate tem um bom coração. Todos nesta casa também sentem — Valeska sorriu, seus olhos quase se fecharam completamente. 

— Okay... — Nate sorriu sem graça. Ela estava mesmo falando sério? 

— O senhor quer descansar? Devo dizer aos visitantes que não vai poder atendê-los? 

— Visitantes? 

— Sim, eles estão no portão da mansão esperando pelo senhor. Acabaram de chegar. 

Nate tirou um segundo para refletir. Não havia muitas pessoas interessadas em lhe fazer uma visita tarde de noite; a não ser no caso de Andy e Quentin. Nate não estava no melhor clima para uma comemoração, mas precisava pelo menos mandá-los embora. 

— Obrigado Valeska — Ele se levantou. — Agora vá deitar, acho que você precisa. 

— Obrigada, senhor. 

Nate assentiu como despedida. Caminhou de volta até o hall da mansão e depois através do enorme jardim. 

Faltando apenas alguns metros para alcançar o portão, ele notou, em meio a escuridão, quem realmente estava do outro lado aguardando sua chegada. Até mesmo a visita dos pais de Justin faria sentido, mas Kerr e Amber Foster? Aquela era uma verdadeira surpresa. 

— Greg, abra os portões — Ordenou Nate. Quinze segundos se passaram enquanto as barras de ferro se estendiam pelo jardim e abriam espaço para o encontro inevitável. Algo nos olhos de Kerr e Amber dizia o quanto estavam ansiosos por este momento. 

— Nathaniel — Kerr foi o primeiro a se pronunciar. Seu cumprimento veio junto de dois passos curtos para diminuir a distância entre ele e seu anfitrião. — Faz algum tempo, não é? 

— É sempre um prazer... — Nate olhou para Amber, a direita. Aquele sorriso presunçoso parecia inapropriado quando sua derrota já havia sido sutilmente decretada. — Dependendo da circunstância. Mas algo me diz que vocês não vieram até aqui só para relembrar os velhos tempos. 

— Você quer ir direto ao ponto? — Kerr sorriu novamente. 

— Por que não? 

— O tempo está sempre do nosso lado, Nate. Devemos a ele todas as nossas vitórias. Você está familiarizado com o termo “tudo que vai, sempre volta”? 

— Não neste tipo de filosofia barata, mas sinta-se a vontade para continuar — Nate cruzou os braços. 

— O mundo está sempre em transição, e nós somos a prova viva disso. Dentro daquele quarto, Amber estava segurando a filmadora, e foi por causa de um vídeo que sua dignidade desapareceu. Eu fui o culpado pelas drogas e acabei de sentir o gosto de uma cela de prisão. Mas você acha que nesta inevitável transição, Justin merecia morrer? 

— Eu não... — Nate gaguejou. — Eu não sei. 

— Mas deveria saber — Retrucou Amber, dando um passo a frente. — Não foi você que trocou seus remédios, a única coisa que tinha o poder de manter a sanidade de um garoto psicologicamente afetado? 

— Eu não sabia que isso iria acontecer... — Nate engoliu em seco. As lembranças da morte de Justin gritavam de maneira incessante dentro de sua cabeça. 

Kerr trocou um olhar de aprovação com a irmã. A culpa explanada nos olhos de Nate fazia bem a tudo o que lhe dizia respeito. 

— Nós acreditamos em você, Nate — Kerr continuou. — Mas a polícia não seria tão condescendente. Ter provas que você adulterou a medicação de Justin poderia fazê-lo ser condenado por homicídio culposo. 

— Ou doloso. Depende das habilidades de seu advogado — Amber concluiu. — Você se surpreenderia com o que a psiquiatra de Justin tem a dizer. Falamos com ela pelo telefone. Não seria correto dar muitos detalhes, mas posso dizer que o quadro de Justin estaria estável caso tivesse tomado corretamente sua medicação. Esta informação facilitaria a vida de qualquer juiz. 

— O que? — Nate deu um ar de risos amedrontado. Por mais que tentasse esconder, o nervosismo já estava tomando conta de seu corpo inteiro. — Vocês não estão falando sério. 

— Agora que você é maior de idade pode ficar até duas décadas em um presídio — Amber caminhou até ficar lado a lado com o irmão. — Isso não estava nos seus planos, estava? 

Nate mal teve coragem de abrir boca para se defender. Eles estavam certos, não estavam? Justin não estaria morto se não tivesse trocado seus remédios. Jensen não estaria entre a vida e a morte se não tivesse ido longe demais. Kerr e Amber não sabiam, mas apenas uma merecida punição poderia confortar o coração de Nate para que tudo voltasse a fazer sentido. 

— Tudo bem. Eu estou pronto... — Nate abaixou a cabeça. 

Kerr e Amber se entreolharam. Nathaniel Strauss não poderia estar se rendendo. Não quando havia um plano a seguir. 

— Se eu fosse você, aproveitaria o momento para investir em uma barganha — Kerr retrucou. 

— Vocês já tomaram uma decisão — Nate respondeu. — Não importa o que eu tenha a dizer. 

— Você acha que vai ser assim tão fácil? 

— De que maneira você acha que pode tirar mais proveito da minha confissão? Vendo ela se estender inutilmente ou contando a verdade a polícia? 

— Tudo bem, Nate — Kerr assentiu. — Já entendemos. Não tem acordo com você. 

— Faça o que quiser. Eu estarei aqui para enfrentar as consequências — Nate deu meia volta. 

E logo no primeiro passo de sua trajetória até a mansão, Kerr segurou seu ombro direito e o socou no rosto. Nate cambaleou um metro para trás, mas conseguiu permanecer de pé. O olhar furioso era exatamente o que Kerr estava desejando. 

— Quer me bater, vadia? — Kerr o socou no rosto mais duas vezes. Dessa vez, Nate caiu em cima de uma poça de lama. — Achei que você podia fazer melhor que isso. 

— Kerr... — Amber sussurrou num tom de alerta. Era arriscado demais continuar com aquela brincadeira. 

Vendo Nate quase inconsciente no chão, Greg decidiu dar um basta. Já estava com um bastão de baseball preparado para defender seu patrão. 

— Greg, cai fora daqui... — Disse Nate, cuspindo sangue no chão. 

— Mas senhor! 

— Cai fora daqui agora ou vai ser despedido! 

— Senhor, por favor... — Greg deu um passo a frente. 

— Agora, seu filho da puta! — Nate gritou. 

Greg não teve escolha. Pegou seu taco de baseball e caminhou de volta a pequena cabine de descanso dos porteiros. 

Kerr já não podia compreender o que estava acontecendo. Nate tinha acabado de recusar a ajuda de Greg apenas para levantar-se do chão e continuar sem reação. A única prova de que ainda estava ali eram os olhos furiosos, que desapareceram em fração de segundos sem qualquer explicação. 

Kerr nunca aceitaria tamanho insulto. Correu novamente na direção de Nate e o derrubou no chão para golpeá-lo no rosto quantas vezes a raiva lhe exigisse. Foram muitos golpes, mais do que qualquer um dos presentes poderia contar. 

— Kerr, já chega! — Amber gritava, mesmo sabendo que nada iria adiantar. 

A única coisa capaz de impedir uma tragédia maior era a própria consciência de Kerr. Encarar o rosto machucado de Nate e as mãos cheias de sangue lhe trouxe de volta a mesma realidade que levara embora todo seu senso de justiça. Amber não merecia o que aconteceu. Justin não merecia terminar daquela maneira. E Nate, de todos eles, era o que menos merecia sofrer. Uma vez sua vida fora destruída por um grupo de adolescentes gananciosos e levianos. Qual o propósito em fazê-lo sangrar mais uma vez? 

— Kerr, pare! — Amber segurou o braço do irmão. Kerr parecia estar em transe, olhando nos olhos penosos de Nate sem qualquer reação. — Já chega! 

Com a ajuda de Amber, conseguiu levantar-se do chão e respirar fundo. Apesar dos ferimentos, Nate conseguiu deitar-se de lado, apoiando o corpo inteiro no cotovelo direito. Ainda se perguntava o motivo que levara a hesitação de Kerr num momento tão crucial. Qualquer um em seu lugar teria tirado a vida de Nathaniel Strauss sem pensar duas vezes. 

— Sua mão... — Amber tirou o casaco cor de rosa e enrolou no punho quebrado do irmão. A adrenalina era o único motivo para que ele não estivesse gritando de dor. — Greg, chame uma ambulância! 

— Minha nossa! — Greg não demorou três segundos para sair correndo até a mansão. 

Kerr, ainda ofegante, pairou seu olhar novamente nos olhos de Nate. Tudo o que via era uma apatia desmedida capaz lhe causar um doloroso arrependimento. E por um segundo, desejou estar em seu lugar. 

— Por tê-lo ridicularizado... Eu peço perdão. — Sussurrou finalmente. 

— Eu perdoo você... — Nate respondeu. Nenhum de seus ferimentos foi capaz de impedir um sentimento de imediata restauração. — Eu perdoo vocês dois. 

Amber suspirou profundamente. As palavras de Nate trouxeram um alívio incomparável ao seu coração. Logo quando imaginou que ele nunca deixaria de estar em pedaços. 

— Obrigada — Foi só o que conseguiu pronunciar. — Vamos embora, Kerr... 

— Ai meu Deus! — Mia finalmente chegara aos portões da mansão. Ajoelhou-se no chão para ajudar o irmão, mas não ousou tocá-lo. O medo de que pudesse piorar seu estado de saúde era mais forte. — O que vocês fizeram? — Gritou em acusação. 

Kerr e Amber não disseram uma só palavra. Apenas caminharam pela estrada a sua frente, apoiando-se um no outro. O fim nunca lhes seria satisfatório, mas estavam felizes por ele ter chegado.


Run Boy Run by Woodkid on Grooveshark

Uma pequena gota de água conseguiu despertar Alex de seu cochilo. Olhando para cima, por entre as brechas de madeira, podia ver George e Brett caminhando pela casa enquanto repetiam as mesmas discussões. Brett só precisava de permissão para livrar-se de seu refém antes que a polícia descobrisse o que estavam fazendo, mas George, tão apaixonado como sempre acreditou, não desistiria do amor da sua vida assim tão fácil. 

Alex olhou para o chão ao notar o barulho insistente dos ratos. A infiltração já estava pelo menos três centímetros maior que da ultima vez em que estivera consciente, deixando os ratos livres para tentar subir em seus sapatos. 

Quando ouviu o barulho de um vaso sendo quebrado, ficou em estado de alerta. Aquela deveria ser a briga mais feia entre George e Brett desde que as desavenças começaram... Desde que tentara fugir e Brett chegou a conclusão de que seria melhor acabar com sua vida. 

— Seu infeliz! — Brett gritou. George já estava longe demais para ouvir seus insultos. — Você acha que ele gosta de você? Você é um demente! 

Alex olhou novamente para cima. Podia ouvir os passos de Brett na madeira, podia ver sua sombra indo de um lado para o outro, mas não podia escutar nenhuma palavra do que estava sussurrando. 

— Eu vou te dar uma lição, George! Em você e nesse almofadinha que você tanto gosta! 

E de repente, não se ouviu mais nada. Nem mesmo a respiração ofegante de Brett que fazia Alex congelar por inteiro. Não podia ser apenas uma coincidência infeliz, podia? Se havia algo pior que ouvir seus sequestradores no andar de cima, era não poder ouvir qualquer coisa ao seu redor. 

E então a porta se abriu, fazendo Alex fitar a escada com os olhos arregalados. A sombra de Brett, aos poucos, era formada através do pequeno feixe de luz refletido pela lâmpada do andar de cima. Alex tinha certeza que sua vida estava prestes a ser tomada. 

— Alex? — Brett sussurrou pausadamente. — Você está aí? 

Alex imediatamente começou a forçar as correntes, mas nada adiantou. A pouca iluminação já lhe permitia enxergar a imagem do inimigo se aproximando junto de um sorriso doentio. 

— Olhe pra você... — Brett passou a mão carinhosamente pelos cabelos dele. Não havia como impedi-lo de fazer o que quisesse. — Até que é bonitinho. Por isso meu irmãozinho gosta tanto de você. 

Brett mordeu os lábios. Os olhos assustados e os gemidos de pavor do garoto estavam começando lhe excitar. Fazia muito tempo desde a ultima vez em que estivera com alguém daquela maneira. E Alex, naquelas circunstâncias, poderia ser uma de suas melhores vítimas. 

— Acho que você me deseja — Sussurrou, lambendo o rosto suado de Alex. Logo as correntes vieram abaixo junto das cordas que fizera questão de arrancar com os dentes. 

Uma vez livre de tudo o que lhe prendia aquela cadeira de madeira, Alex tentou fugir, mas nem um mil anos poderia ter uma chance. Brett o puxou pela camisa e o jogou no chão, deixando-o face a face com todos os ratos que circulavam pela inundação. Se não houvesse uma fita isolante cobrindo sua boca, Alex estaria implorando para morrer. 

— Você vai adorar isso — Brett usou um dos pés para manter Alex no chão enquanto abaixava suas calças. Cinco segundos depois, ambos já estavam despidos da cintura para baixo. — Se você não contar ao George, eu não também não conto... 

Alex fechou as mãos em um punho. Não era capaz de impedir o choro descontrolado, mas precisava ser forte para o que estava por vir. 

Brett realmente pensou ter tudo sob controle. E teria feito tudo o que sua mente distorcida demandava se não ouvisse o grito acusador de Thayer no primeiro degrau da escada. Era contra todas as probabilidades que estava disposto a lutar. Em nome de Alex, era sua própria vida que estava disposto a arriscar. 

— Seu filho da puta! — Thayer correu na direção de Brett e lhe acertou um soco no meio do nariz. 

Brett caiu na inundação, tropeçando nas próprias calças, assustando os ratos que circulavam pelo local. Enquanto Thayer travava uma batalha corpo a corpo contra ele, Alex conseguiu levantar-se do chão e colocar de volta suas roupas. A fita isolante que cobria os lábios foi arrancada logo em seguida, junto do pedaço de corda que ainda estava preso na perna direita. 

Com as calças atrapalhando os movimentos de seu inimigo, Thayer conseguiu tomar uma grande vantagem. Socou Brett mais algumas vezes no rosto e correu até as correntes jogadas no chão. Brett começou a jorrar sangue pela boca logo no primeiro golpe. E quando chegou ao terceiro, já estava inconsciente. 

— Thayer, já chega! — Pediu Alex. 

Thayer só parou de atacar quando os movimentos repetitivos cansaram seus braços. Só esperava que Brett apodrecesse no inferno pelo resto da eternidade. 

— Eu... — Ele sussurrou. 

Alex preferiu ficar quieto. Apenas correu em sua direção e lhe deu o abraço apertado mais importante de toda a sua vida. Ser salvo por qualquer pessoa já era um milagre. Mas ser salvo por Thayer Van Der Wall significava muito mais do que ele teria coragem de admitir. 

— Tudo bem — Thayer passou as mãos por seu rosto. — Eu estou aqui. Eu estou aqui... 

— Eles iam me matar! — Alex chorava compulsivamente. 

— Já passou. Você está bem... Vamos sair daqui. 

— Ok... — Alex assentiu. 

Thayer passou o braço direito do garoto em volta de seu ombro e o ajudou a caminhar até as escadas. Juntos eles subiram ao primeiro andar, até chegar a porta que levava ao jardim. Alex precisava de uma pequena pausa para enganar a dor antes de continuar. 

— Algo errado? — Thayer olhou em seus olhos. 

— Minha cabeça... — Alex piscou freneticamente. Aqueles deveriam ser os efeitos colaterais do soco biônico de Brett. 

— Você consegue andar? 

— Sim, estou bem. 

— Falta pouco... Vai ficar tudo bem — Thayer o incentivou a continuar caminhado. 

Alex estava certo de que sua fuga daria certo dessa vez, mas parecia haver algo errado. Thayer parou de caminhar no meio do percurso e fitou o chão com o olhar preocupado. 

— O que foi? — Perguntou Alex. 

— George desmaiou bem aqui quando bati em sua cabeça... 

— O que? 

Alex olhou para o chão no momento exato em que George acertava a cabeça de Thayer com uma pá. O impacto foi tão grande que os dois caíram no gramado de uma só vez. 

Mad World by Gary Jules on Grooveshark

— Você quer roubá-lo de mim! — George começou a gritar. — Você quer separar a gente! 

— Corre, Alex! Corre! — Gritou Thayer antes de ser atingido novamente. Dessa vez, George havia-o deixado inconsciente. 

— Thayer, não! 

— Fique longe dele! — Ao notar as tentativas de Alex para socorrer Thayer, George decidiu ataca-lo. 

Alex conseguiu desviar da pancada certeira em um movimento rápido, e logo já estava de pé, correndo em direção ao portão. Pedir a ajuda dos vizinhos e chamar a polícia era seu grande objetivo, e não havia tempo para cometer erros. Thayer contava com ele. Sua sobrevivência, a partir de agora, dependia inteiramente de Alex Bennett. 

— Você não vai a lugar nenhum! — George começou a correr. 

As vozes dentro de sua cabeça não paravam de dizer o quanto Brett estava certo. Alex deveria morrer e ser enterrado no quintal da propriedade, assim como os outros três garotos que não foram capazes de corresponder seu amor; assim como faria com muitos outros que cruzassem seu caminho. 

Alex conseguiu passar pelo portão e chegar ao meio da rua, sem nenhum motorista para lhe prestar socorro. 

— Você não me deu valor! — Gritou George. A pá já estava preparada para ceifar a vida de Alex. — Você não é bom para mim! 

— Socorro! — Alex gritou. As três pessoas em volta do carrinho de cachorro quente na esquina olharam imediatamente. 

Tentando atravessar a rua para o outro lado, sentiu as pernas fraquejarem e desabou no chão. Era o máximo que sua debilitação lhe permitia chegar. Era o máximo que poderia aguentar. George, por outro lado, tinha forças de sobra para continuar a perseguição. Mas assim que aproximou-se do local onde Alex caíra, um carro azul lhe acertou em cheio no meio do tráfego. Seu corpo voou por cima do veículo e derrapou no asfalto, cheio de sangue e fraturas externas horripilantes. 

Alex mal teve tempo de se recuperar do susto. Meio segundo se passou e já estava cercado por dezenas de curiosos que brotavam do nada enquanto o motorista do carro tentava inutilmente ajudar George. Era difícil entender como os últimos dez segundos foram capazes de mudar sua vida para sempre. Tão difícil quanto tentar acreditar na realidade pacífica diante de seus olhos. 

Apenas o tempo poderia provar-lhe o quanto é bom estar vivo outra vez.

Nate passou a mão suavemente através do espelho para desembaça-lo. Havia uma mudança apreciável no rosto que passou a encarar, como se estivesse diante de uma nova pessoa. Os traços inegáveis do Nate de antigamente ainda estavam presentes, assim como os traços da pessoa que se tornara para iniciar o tão temido acerto de contas. Mas era possível distinguir todas as mudanças significativas após adquirir uma nova perspectiva. Não se tratava apenas dos ferimentos que Kerr deixara em seu rosto como presente de recordação. E sim de todos os artifícios que o ajudaram a encontrar a melhor versão que poderia ser. 

Nate não estava feliz, e precisava deixar isso bem claro para si mesmo. Jensen ainda estava no hospital, Justin não iria voltar e sua família sempre arrumaria um motivo para manter-se desunida. Não havia realização em parte alguma de sua vida; mas pela primeira vez não havia motivos para que as coisas dessem errado. Bastava deixar tudo acontecer da maneira que as circunstâncias exigiam. Bastava começar a fazer o certo a partir do momento em que conhecesse seu significado. 

Com este pensamento, ele saiu do banheiro e caminhou até a cama. Vestiu as roupas, passou perfume, penteou os cabelos e deu um grande suspiro. O interfone do andar de baixo tinha acabado de tocar. 

Antes que Valeska pudesse atender, ele desceu correndo as escadas até chegar perto do pequeno aparelho branco na cozinha. Nem se preocupou em perguntar quem estava interessado em fazer uma visita a mansão dos Strauss. Apenas apertou o botão vermelho para fazer a conexão e ordenou que os portões fossem abertos. Ainda deu tempo de olhar na geladeira e escolher seu lanche noturno enquanto ninguém dava sinal de vida. 

A visita só deu seu ar da graça quando estava prestes a fatiar o pão. Nate largou tudo o que tinha em mãos e correu em direção ao hall. 

Para sua surpresa, quem estava do outro lado era Quentin, com o rosto entristecido, e cercado por três malas gigantescas. Nate já havia entendido o que estava acontecendo. 

— Você vai...? — Ele travou antes que pudesse terminar. 

— Estou saindo da cidade. 

— Oh... — Nate abaixou a cabeça. Sem que percebesse, os olhos se encheram de lágrimas. — Tudo bem. Eu... 

— Nate, não faça isso, por favor. 

— Quentin, eu sinto muito por tudo. 

— Não é o bastante, Nate. 

— Eu posso mudar. 

— Não quero que você mude. Você... — Quentin hesitou. As palavras a seguir partiriam seu coração em mil pedaços. — Você ama outra pessoa. Nenhum de nós pode mudar isso. 

— Eu não quero que você vá. Nós podemos dar um jeito nisso, nós podemos... 

— Não, não podemos. 

— Eu amo você. Não é da maneira que você gostaria, mas é o que eu sinto! 

— Nate, para — Quentin fechou os olhos por alguns segundos. Aquilo estava sendo mais difícil do que esperava. E muito mais difícil do que ambos mereciam. 

— Você não pode simplesmente ir embora... 

— Nate, você precisa me deixar partir. Eu preciso que você me deixe partir. 

Nate olhou para baixo, franzindo a testa. Faria qualquer coisa para acreditar que Quentin não tinha razão, mas nunca fora um bom mentiroso. Quentin merecia libertar-se daquele amor platônico que virou sua vida de cabeça para baixo; merecia ser a pessoa mais feliz do mundo ao lado de alguém que não fosse tão problemático. 

— Algum dia... Eu vou te ver de novo? — Nate fitou a decoração no jardim da mansão. Qualquer coisa era melhor que enfrentar os olhos de Quentin naquele momento. 

— Eu espero que sim — Quentin quase sorriu. — Eu vou voltar assim que estiver tudo bem. É uma promessa. 

Nate deu dois passos a frente e o beijou. Mesmo sabendo que as coisas poderiam fugir do controle, Quentin resolveu corresponde-lo de maneira carinhosa. Ambos permaneceram de olhos fechados até o momento escapar de seus lábios. Era hora de dizer adeus. 

— Eu vou sentir sua falta todos os dias... — Nate sussurrou. — É uma promessa. 

— Adeus Nate — Quentin pegou as malas do chão e partiu rumo ao portão da mansão. 

Nate bateu a porta sem pensar duas vezes e escorou-se nela, com a cabeça erguida. A ultima coisa que gostaria de ver era Quentin desaparecendo no horizonte como se nunca tivesse estado ali... Como se tudo não tivesse passado de uma grande mentira. 

— Merda! — Agarrou o vaso de flores mais próximo e atirou na parede, soltando um grito de raiva. 

Nunca perdoaria a si mesmo por ser incapaz de corresponder um homem tão íntegro. E talvez nunca mais tivesse a chance de dizer-lhe “Obrigado”.

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2x16: You Are My Heaven (04 de Outubro)
Estamos apenas há duas semanas da Season Finale e eu quero saber: Estão preparados pra mais um hiatus? A 3ª Temporada ainda nem tem data de estreia =\

Bônus: Vou aproveitar o reaparecimento de Amber Girl pra mostrar mais ou menos como ela é na minha cabeça. Ok, talvez ela não seja assim tão menininha, mas a modelo nesta foto representa muito bem a personalidade dela como fator externo. O que acharam?

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