sábado, 20 de setembro de 2014

[Livro] The Double Me - 2x14: The Inner Workings of My Mind [+18]

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Previously on The Double Me... 
Hamptons, Nova York. Foi lá que tudo começou. 

Nate tinha apenas 15 anos quando foi traído pelos amigos e exilado da cidade para evitar os escândalos de sua vida secreta com o namorado. Eles pensaram que a guerra havia acabado, mas este era apenas o começo.

Nos três anos que sucederam sua trágica perda, Nate transformou-se em um cruel vingador, capaz de perder a si mesmo dentro do próprio ódio para derrubar todos aqueles que lhe fizeram mal. A chegada repentina de seu irmão gêmeo pode ter mudado seus planos, mas nada irá impedi-lo de concluir seus objetivos. No final, será olho por olho. E dente por dente.

A estrada até aqui deixou muitos assuntos inacabados. Jensen decidiu sacrificar a própria vida para salvar Nate de um tiro certeiro, mas a vida não permitiu que desistisse. Nate desistiu de sua vingança em nome do bem estar de seu grande amor, sem saber que o irmão gêmeo está sendo mantido em cativeiro por dois irmãos psicopatas que farão de tudo em nome de sua doença.
Quem vive, quem morre, quem vai ao topo e quem vai à falência, é apenas uma questão de tempo até descobrirmos. 

2x14:The Inner Workings of My Mind
"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal".

O barulho estridente da porta fez Alex despertar de um breve cochilo. Seus olhos atentos observaram o movimento até se certificar de que era apenas George fazendo uma visita rotineira. O garoto trazia consigo uma bandeja vermelha cheia de iguarias do seu restaurante junto de talheres decrépitos e guardanapos sujos; talvez compostos pela mesma refeição que Alex rejeitara duas horas atrás.

Além da comida, George também levava para dentro do quarto um pouco de inovação no seu visual. O cabelo bagunçado agora estava penteado impecavelmente para o lado, as roupas velhas e largas foram trocadas por roupas de marca que serviam perfeitamente para seu tipo físico; Alex podia sentir o cheiro de seu perfume barato a três metros de distância, como se tivesse tomado banho com o frasco.

— Oi, eu trouxe comida — George abriu um sorriso de orelha a orelha. — Você está acordado? — Fechou a porta e pairou os olhos em Alex. — Sua cabeça ainda dói?

— Não — Alex olhou para a bandeja que ele trazia. Apesar da repulsa, estava morrendo de fome. Não sabia por quanto tempo aguentaria recusar tudo o que trouxesse.

— Ah, sim — George notou seu olhar. — O chef do restaurante onde trabalho faz ótimos cafés da manhã. Você deve estar faminto.

Alex virou o rosto, cheio de recusa.

— Eu não quero.

— Não seja orgulhoso, eu só quero ajudar — George caminhou até ele e colocou a bandeja em cima da cama. Com os olhos brilhando, sentou-se ao seu lado para admirar seu ídolo. Nada lhe tirava da cabeça que Alex era uma obra prima da natureza, feita especialmente para ficar ao seu lado. — Você é tão lindo... Não acredito que você está aqui comigo.

— Eu quero ficar sozinho, por favor.

— Mas você ficou sozinho todo esse tempo. Eu até me arrumei pra você. Olhe para mim.

Alex continuou com o rosto virado. O corpo inteiro tremia junto de todas as possiblidades que enfatizavam seu castigo. Sabia que George não mediria esforços para fazê-lo entrar em seu jogo, mesmo que lhe custasse a bem estar de seu objeto de desejo.

— Alex, olhe para mim! — George insistiu. Percebendo que não iria adiantar, aproximou-se do garoto e virou seu rosto a força. Alex nunca teria escolha. — Viu como eu estou? Fiz isso só para você. Se você pelo menos me notasse...

— As pessoas vão começar a procurar por mim...

— Não vão não. Por que você acha que ainda está aqui? — George sorriu. — Usei seu celular para dizer a todos que você foi se reconciliar com sua mãe adotiva fora da cidade. Thayer nem respondeu, vai ser melhor ele achar que você partiu seu coração, de qualquer jeito.

George suspirou quando notou a revolta nos olhos de Alex. Sua intuição dizia que Thayer era um dos motivos para que o garoto lutasse contra o que lhe fora imposto. O que aconteceria se soubesse que Thayer continuou enviando mensagens mesmo depois de levar um fora pelo celular?

— Você é doente — Alex cuspiu.

— Não fale assim comigo. Eu faria qualquer coisa por você.

— Nate nunca vai acreditar nessa história, ele me conhece. Já deve saber que tem alguma coisa errada.

— Por que você gosta dele, afinal? — George levantou da cama, revoltado. — Não basta tudo o que ele já fez? Como você pôde perdoá-lo?

— Como você sabe o que ele fez? Estava me vigiando?

— Por bastante tempo. Você não tem ideia.

— Se você me amasse de verdade, me deixaria ir embora.

— Cala a boca! — George gritou. — Você tem que ficar perto de mim. Eu sou a única pessoa que te ama de verdade!

— Você acha que eu vou me apaixonar pela pessoa que me sequestrou e me mantém em um cativeiro? Eu tenho nojo de você!

— Terminamos aqui — George caminhou até a porta. Antes de ir, lançou um olhar tenebroso na direção de Alex como um verdadeiro sociopata. — Coma alguma coisa, ou você pode morrer de repente.

Alex entendera muito bem seu recado.

— O senhor precisa se retirar agora, por favor — Disse a enfermeira de cabelos vermelhos.

Sentado em frente ao leito de Jensen, Nate nem imaginava que o mundo lá fora tivera a chance de continuar existindo. Tudo o que realmente importava estava diante de seus olhos, lutando para sobreviver com as poucas armas que lhe haviam oferecido. Segurar suas mãos e lhe fazer companhia era a única coisa que ambos precisavam. Era a única coisa que realmente gostaria de fazer.

— Senhor, preciso que se retire — A enfermeira pediu novamente. O tom agressivo dizia bastante sobre a maneira que encarou Nate o dia inteiro, assim como o colar em forma de cruz que relevava sua verdadeira opinião quanto ao que os dois garotos poderiam ser.

Nate finalmente resolveu lhe dar atenção. Esperava que suas lágrimas lhe rendessem mais cinco minutos ao lado de Jensen, mesmo que já tenha descumprido as regras do horário de visita mais vezes do que qualquer médico poderia suportar.

— Tudo bem — E vagarosamente levantou-se da poltrona. Caminhou de cabeça baixa até a saída e olhou para trás uma ultima vez.

A enfermeira estava aplicando uma injeção no soro de Jensen como fizera duas horas atrás. Mas o curativo cheio de sangue no peito do garoto estava passando despercebido. E se estivesse tendo hemorragia? E se ficasse com uma enorme cicatriz? E se todo aquele sangue nas três camadas de gaze não fosse normal? Nate precisava dizer a si mesmo que estava em um hospital de cinco em cinco minutos para que acreditasse que Jensen estava sendo bem cuidado.

Quando ouviu gritos no fim do corredor, ele olhou para o outro lado. Dois policiais estavam retirando um paparazzo do hospital; o mesmo que tentara duas vezes conseguir um clique perfeito de Jensen em seu estado crítico.

Nate apenas suspirou de cansaço. Todos os insultos a falta de sensibilidade dos jornalistas haviam se esgotado há muito tempo.

Logo quando o dia começara, precisou ir até a delegacia de homicídios da cidade e prestar um longo depoimento a respeito de tudo o que aconteceu no edifício parlamentar. E como se não bastasse, Simon tinha acabado de vetar suas contas bancárias, seus cartões de crédito e seu acesso aos eventos mais importantes da elite nova-iorquina. Talvez estivesse culpando-o pela tragédia da mesma maneira que Nate culpava a si mesmo. E sendo assim, não havia nada mais justo.

— Quando você vai ficar bem? — Ele sussurrou. Sua respiração fez a vidraça embaçar a sua frente.

Era inevitável não lembrar-se de todos os momentos que fizeram de Jensen o verdadeiro escolhido. Nate sabia que ele ficara ao seu lado vinte e quatro horas após tomar todos aqueles comprimidos, mas esta não foi a primeira vez. Em um passado não tão distante, Jensen decidira tomar a mesma decisão. Logo quando descobrira que o mundo cairia aos seus pés.

Acampamento de verão, quatro anos atrás.

As mãos de Chipp Devenport passavam suavemente através do peitoral de Jensen. Escorados em uma árvore, no meio da floresta, ambos decidiram fazer uma pausa na busca pelo tesouro para brincar de outra coisa. Era a vez de Chipp colocar a boca no lugar certo e fazer Jensen gemer o quanto suas habilidades permitiam.

— Estou quase lá... — Jensen alertou. Forçou a cabeça de Chipp até o limite e encurvou os dedos dos pés. Aquela sensação de paraíso era inestimável.

Chipp tossiu para limpar a garganta e finalmente deixou o ar invadir seus pulmões. O rosto melado seria um problema para quando voltasse ao seu chalé.

— Ok... — Disse ele, limpando a boca com a manga da camisa.

— Foi incrível... — Jensen vestiu novamente a bermuda.

Apesar da indelicadeza proposital, Chipp estava orgulhoso de si mesmo. Jensen era perfeito até mesmo nos pequenos detalhes, como a idealização improvável de qualquer sonhador. Nem todos tinham a sorte de tê-lo tão perto de maneira tão intensa.

Infelizmente, Jensen não pensava da mesma maneira. Fechou o zíper e começou a caminhar em direção a trilha enquanto vestia sua camisa.

— Aonde você vai? — Chipp perguntou. Suas mãos já estavam preparadas para abaixar o zíper de sua bermuda. — Agora é minha vez.

— Desculpe, Chipp, eu realmente preciso ir.

— Como assim?

— Quem sabe hoje na festa da fogueira, mas agora preciso fazer uma coisa — Jensen lhe estendeu as mãos. — Até mais.

Chipp não teve tempo para insistir. Quando percebeu, Jensen já estava desaparecendo por entre as árvores com uma rapidez bastante sugestiva. Era o fim do romance mais duradouro de toda a sua vida.

Após uma breve corrida, Jensen conseguiu encontrar o pequeno jardim de mesas de madeira onde a monitora chefe havia marcado uma reunião. Seus amigos estavam mesmo interessados na pequena biografia arrogante do guarda florestal ou encarando o volume exuberante em seus shorts minúsculos? Jensen não se atrevia a tirar suas próprias conclusões.

Sentado na mesa de centro estava Justin, reclamando dos mosquitos indesejáveis e dos artifícios monótonos da vida no campo. Quando notou Jensen parado de braços cruzados, próximo as árvores da esquerda, seu mecanismo de fala deu os primeiros sinais de que iria travar. Como alguém poderia ser tão atraente? Aos quatorze anos, Jensen parecia um atleta bem sucedido, e poderia muito bem ser confundido com um dos três instrutores do acampamento. Não havia como explicar tantos atributos físicos sem os argumentos de uma milagrosa genética.

Justin continuou encarando-o até que ambos fizessem um breve contato visual.

— Apaixonado? — Comentou Gwen, sentando-se ao lado de Justin. O shake de emagrecimento que tomava três vezes ao dia já estava em suas mãos.

— Ele olhou pra mim — Justin quase sorriu. — Você acha que ele está afim?

— Se você tem orifícios, não há motivos para Jensen McPhee não estar afim de você.

— Você não precisa ser uma vadia o tempo inteiro.

— Relaxa — Gwen balançou o copo de plástico em suas mãos. — Hoje tem festa da fogueira. É o momento perfeito para você tomar uma atitude.

— Por que eu tenho que tomar uma atitude?

— Do que você tem medo? Nate?

—Seu irmão? Ele é o menor dos meus problemas — Justin sorriu quando percebeu a ironia em suas palavras. Nate nunca poderia ser o menor em nada.

— Então...?

— Jensen está na fase em que precisa pegar um grande número de pessoas para conseguir satisfazer a si mesmo. E eu acredito que sexo casual está ultrapassado.

— Homens como Jensen gostam daquilo que não podem ter. É só disso que você precisa saber.

— Hã, senhorita? — Perguntou o guarda florestal. Gwen demorou alguns segundos para perceber que estava falando com ela.

— Pois não?

— A senhorita sabe que o uso do uniforme é obrigatório?

— Sei sim — Gwen sorriu com desdém.

— Então por que não veste? Não é elegante, mas vai servir muito bem.

— Você tem razão, não é elegante — Cheia de atitude, Gwen levantou-se e jogou seu copo de plástico vazio em cima do gramado. Se ninguém havia entendido sua mensagem, esperava que sua caminhada triunfal para fora do jardim pudesse explanar seu ponto de vista.

Justin e Jensen sorriam discretamente junto dos cochichos da multidão. Não fazia muito tempo que Gwen consagrara a si mesma como a Rainha das elites. No pequeno grupo de jovens estudantes da Marymount, ela era a líder. Tanto pelos atributos físicos quanto pelas ideias engenhosas que sempre movimentavam a vida simplificada dos que nasceram em berço de ouro. Deixando o eufemismo de lado, talvez todos pudessem confessar que ela era extremamente má. E não apenas a malvada do colégio como exigem os estereótipos.

Jensen escutou pacientemente mais algumas palavras do discurso do guarda florestal, e então, decidiu retirar-se. Passou pela pequena trilha de mármore logo depois do jardim e encontrou os chalés masculinos que tanto odiava. Nate estava no número quatro, assoprando na vidraça da janela e observando a mancha sumir segundos depois. Precisava ser criativo para distrair a mente, já que a febre e a dor de cabeça não lhe deixavam ir para o lado de fora. 


— O que você está fazendo? — Jensen sorriu.

— Hey... — Nate enxugou o suor na sua testa e tentou controlar a respiração. Faria qualquer coisa para fazer Jensen acreditar que já estava melhor. — Eu... Nada.

— Você está bem? 


Jensen só precisava encará-lo para obter todas as suas respostas. Nate estava com ambos os olhos avermelhados, e a pele branca mais pálida que o habitual. O pijama cinza, que ganhara no ultimo aniversário, encontrava-se encharcado de tanto suor.

— Estou ótimo.

— Você parece mal — Jensen aproximou-se para checar.

— Não estou — Nate recuou um passo. — É o sono, preciso dormir. Tudo bem se eu não for à festa?

— Tudo — Jensen não podia evitar o olhar preocupado de sempre.

— Ok então. Vá se arrumar, vou só tomar alguma coisa e me deitar, o sono vai passar — Nate deu meia volta.

Jensen continuou no mesmo lugar, observando os esforços do amigo para conseguir chegar a cama. A grande amizade entre ambos lhe dava o respaldo que precisava para justificar sua presença. Mais cedo ou mais tarde, Nate teria que admitir estar precisando de ajuda. E pelo seu estado de saúde, o mais cedo decidiu prevalecer. Tinha conseguido caminhar lentamente até o criado mudo quando as pernas fraquejaram e o fizeram derrapar no chão. 


Jensen imediatamente correu para ajuda-lo. Só precisou tocá-lo na testa com as costas da mão para constatar a febre.

— Ai meu Deus, você está queimando.

— Não, eu estou bem... — Nate sussurrou, de olhos fechados.

— Você sabe que não — Jensen o ajudou a deitar-se na cama. — Vou pegar um remédio para você, tudo bem?

— Não, eu não quero, já vai passar... — Nate mal conseguia respirar por conta própria.

— Por que você tem que ser tão teimoso?

— Hey! — Chamou Gregory Prowley, da porta do chalé. — O que ele tem?

— Vá chamar os enfermeiros — Pediu Jensen. — Ele está doente, precisa de remédios.

— Ok! — Gregory saiu correndo.

— Vou pegar uma toalha molhada — Jensen correu até o banheiro.

Nate abriu os olhos e olhou para frente. Não conseguia levantar a cabeça normalmente, mas conseguia ver Jensen revirando os frascos de remédio dentro do banheiro. Olhando para o lado, dessa vez, ele conseguiu ver uma parte da porta aberta. O céu já estava começando a escurecer e logo todos estariam na festa da fogueira. Seria injusto fazer Jensen perder toda a diversão para cuidar de seu resfriado.

— Aqui — Jensen despejou delicadamente uma toalha molhada sobre a testa dele. — Eu acho que isso funciona...

— Valeu — Nate pigarreou.

Não demorou muito para que os enfermeiros chegassem até o chalé. Examinaram o paciente na cama, aplicaram uma injeção e partiram novamente, deixando um pequeno remédio de gotas que deveria ser tomado de seis em seis horas. De acordo com seu diagnóstico, Nate havia contraído a famosa virose que estava deixando várias crianças de cama nos acampamentos das redondezas. Nada do que Jensen e o próprio paciente não pudessem imaginar.

— Como você se sente? — Jensen rapidamente fechou a porta do chalé e sentou-se na cama ao lado de Nate.

— Bem melhor.

— Você quer alguma coisa? Água? Comida? Você está com frio?

— Por que você tem que ser tão teimoso?

Jensen sorriu. Deitou-se na cama ao seu lado para abraça-lo e o cobriu com o lençol, mesmo sem o consentimento do amigo. Nate não poderia negar que o toque de sua pele invalidava todo o frio proporcionado por sua febre.

— Você não precisa fazer isso — Murmurou para Jensen. — Todos estão na festa da fogueira, você deveria se divertir.

— Não faça drama, você está doente. Eu posso te fazer companhia.

— Você vai decepcionar Chipp...

— O que você sabe sobre ele? — Jensen sorriu, um tanto confuso. Ainda não havia contado sobre Chipp, mas isso não impedia o melhor amigo de saber.

— Sei que ele queria que você estivesse naquela festa agora. Ele gosta de você.

Jensen fitou o nada repentinamente. As lembranças do fim de tarde ao lado de Chipp nunca seriam bem vindas.

— Ele é um idiota, não serve para mim.

— Sério? — Nate deu um meio sorriso. Era só até aí que a virose lhe permitia chegar. — Parece que ninguém serve para você.

— Eu sei, eu não presto.

— Pelo menos você tem a mim. Não sou grande coisa, mas... Vou estar ao seu lado.

— Eu sei — Jensen assentiu.

As palavras de Nate haviam despertado uma clarividência repentina tão repentina quanto incoerente. A festa estava acontecendo a todo vapor do lado de fora, mas Jensen tinha certeza que ao lado de Nate era o único lugar onde realmente gostaria de estar. Doente ou não, sua companhia deixava seus dias monótonos um pouco mais suportáveis, e estranhamente alegres. Por que, de repente, seu coração estava batendo de maneira descontrolada?

— Eu não deveria ter vindo... — Murmurou Nate. — Esse lugar não é para mim. E a noite eu sempre ouço o barulho dos animais lá fora...

— É, eu sei...

— Isso não te deixa com medo?

— Sim — Jensen engoliu em seco. — Isso me deixa apavorado.

Jensen sentiu o corpo inteiro estremecer. Nate acreditaria na resposta conveniente, mas nunca saberia o que ela realmente significava. Nunca saberia que o grande temor de Jensen era se apaixonar perdidamente pela única pessoa capaz de lhe tomar todo o controle.


Alex levantou a cabeça para fitar a penteadeira desarrumada em frente a cama. Seu casaco e sua pulseira da sorte estavam ali, mas não havia sinal de seu celular. George e Brett foram muito cuidadosos ao tirar do quarto tudo o que poderia usar para uma possível fuga.

— Você está mais calmo? — Perguntou George ao abrir a porta.

— Eu preciso ir ao banheiro, por favor...

— Você está mentindo — George cruzou os braços.

— Por favor, eu preciso! Eu não vou fazer nada, eu juro.

— Não, Alex. Você não merece. Sei que pode fazer alguma gracinha.

— Juro que não vou! — Alex balançou as algemas no ferro da cama. — Por favor, eu preciso...

George olhou para o lado, sabia que não conseguiria resistir aos olhos suplicantes de Alex por muito tempo. Só não sabia se poderia confiar em sua palavra depois de tudo o que foi dito. Alex já tinha provado que não se sentia nem um pouco confortável com aquela situação e que nunca deixaria passar uma boa oportunidade de escapar. Nada o impediria de cometer alguma coisa dando a velha desculpa do banheiro.

— Acho melhor esperarmos Brett voltar... — George recuou um passo.

— Não posso esperar. É urgente — Alex fungou. — Por favor...

— Tudo bem — George caminhou até ele. — Você vai algemado.

Alex assentiu devagar. Ao olhar para cima, viu o momento exato em que George tirava suas algemas da cama e guardava a chave dentro do bolso de seu casaco.

— Vá na frente — George ordenou. Alex obedeceu sem hesitar quando notou o garoto pegando um enorme pedaço de madeira do chão. Aquela seria a garantia para que Alex não tentasse escapar.

Sem mais alarde, eles caminharam para fora do quarto até chegar a porta do banheiro. Alex precisou tapar o nariz para evitar aquele fedor insuportável.

— Entra logo — George o empurrou. — E não reclame. Quando você decidir morar aqui, vai ter que lidar com o cheiro.

Alex olhou para o chão do banheiro, o olhar cheio de frustração. Estava tão sujo que podia ver moscas sobrevoando a lata de lixo improvisada na parede. Não era possível que George e Brett conseguissem viver daquela maneira. Era desumano. Era doentio.

— Eu quero entrar sozinho — Disse Alex, destemido.

— Mas você pode fazer algu...

— Não — Alex repetiu. — Eu quero entrar sozinho.

George deu um grande suspiro. Alex pagaria pelo tom de voz empregado a sua decisão, mas esta era uma conversa que teriam depois.

Down by Thousand Foot Krutch on Grooveshark

— Tudo bem. Você tem cinco minutos. Se demorar um segundo a mais, vvai se arrepender. — George deu as costas para ele e caminhou em direção a porta.

Alex decidiu que esta seria a ultima ameaça. Avançou para cima do garoto cheio de fúria e o empurrou contra a parede. George bateu a cabeça e caiu no chão, com um pequeno ferimento na testa. Alex não sabia se realmente estava desacordado ou se era apenas um truque, mas nunca perderia aquela oportunidade. Enfiou as mãos no bolso do garoto e pegou a chave de suas algemas.

George acordou no momento exato de sua artimanha, dando gritos histéricos enquanto segurava seu braço. Os olhos furiosos diziam claramente até onde poderia chegar em nome de sua obsessão. Só não esperava que sua vítima também estivesse disposta a ir até o fim.

Para se defender, Alex juntou as duas mãos e bateu três vezes no rosto de George, até vê-lo inconsciente de verdade no chão. Tirou as algemas, jogou a chave no chão e começou a massagear levemente seus pulsos. Nem acreditava que já estava um passo a frente dos sequestradores. Só precisava continuar no mesmo ritmo para que pudesse conquistar a liberdade outra vez.

Pensando em encontrar seu celular, ele correu de volta ao quarto e começou a vasculhar os bolsos de seu casaco. Não havia nada além de poeira e um chiclete de menta fora da validade. Então, era hora de seguir em frente.

Correu pelo restante da casa, olhando para todos os lados, procurando qualquer coisa que pudesse servir para comunicar-se com o mundo exterior. Mas era como procurar uma agulha num palheiro. Havia lixo e sujeira por toda parte, seria impossível encontrar qualquer coisa.

Suas esperanças já estavam quase esgotadas quando entrou no quarto de Brett e viu o celular em cima da cama. Parecia uma obra divina, colocada ali especialmente para que conseguisse salvar a si mesmo. Alex agradeceria aos céus assim que terminasse de ligar para Thayer pedindo ajuda.

— Alex? — Thayer atendeu de imediato.

— Thayer, ai meu Deus! — Alex gritou.

— Alex? Você está bem?

— Eles me pegaram! — Ele olhou para trás, apenas por precaução. — Eu fui sequestrado!

— O que? — Thayer não sabia o que dizer.

— Liga para a policia!

Alex não teve tempo de dizer mais nada. Quando deu por si, George já havia acertado um golpe em sua cabeça com o pedaço de madeira que carregava. Ele caiu no chão, quase inconsciente, e com o celular todo espatifado.

— Depois de tudo o que eu fiz por você. Depois de ter te amado tanto... — George chorava de tanta amargura.

Alex engatinhou de costas pelo chão, com a ajuda dos cotovelos. Era injusto que tudo terminasse daquela maneira.

— É assim que você me agradece, Alex? É assim? — George tentou golpeá-lo novamente, mas virando seu corpo para o lado, Alex conseguiu esquivar.

Assim que o pedaço de madeira atingiu o chão, Alex correu até a penteadeira próxima a janela e começou a arremessar todos os objetos que as mãos podiam alcançar. Nenhum deles demonstrou fazer efeito até chegar a vez do rádio quebrado que Brett guardava. George foi golpeado na cabeça assim que se aproximou, e novamente caiu no chão.

Alex sabia que não poderia mais tentar a sorte. Correu para fora do quarto o mais rápido que podia e desceu as escadas. Quando abriu a porta em frente ao primeiro degrau, foi capaz de enxergar o portão de ferro a alguns metros. Ele estava aberto, mostrando a avenida do outro lado e os carros passeando paralelamente. Aquela era sua salvação. Só precisava atravessar o jardim e finalmente estaria livre de sua tortura.

Um sorriso de felicidade brotava em seus lábios a medida que se aproximava de seu objetivo. Não havia nada que pudesse impedi-lo de alcançar seu final feliz. Ou pelo menos, era isso que imaginava.

Quando finalmente colocou as mãos no portão de ferro, Brett apareceu de surpresa e o socou no rosto. Alex caiu de bruços no chão, com o nariz quebrado, e totalmente inconsciente por causa da pancada.

Dizem que o destino tem uma maneira engraçada de provar sua eficácia. E dessa vez, parece que ele quer um pouco de sangue.

Next...
2x15: Run, Alex, Run (27 de Setembro)
Estão gostando dos nossos eventos de Season Finale? Lembrando que a 3ª Temporada de The Double Me já foi confirmada e em algumas semanas já começaremos a postar novidades. Obrigado a vocês que acompanharam até aqui. E aos que estão atrasados (oi Junior), ainda dá tempo de recobrar o tempo perdido.
 
Bônus: Hoje o Dreamcast é super especial. Estamos falando da diva, rainha, deusa, pensadora contemporânea e seapunk Lydia Strauss. Ela é uma das minhas personagens preferidas justamente por ter me surpreendido em seu desenvolvimento. Lydia apareceria apenas na 1ª Temporada como a tia chata que o Nate adora azucrinar, mas decidi criar uma grande trama envolvendo-a porque ela tem muito potencial. Esperem que ela fique muito tempo do nosso lado, porque ainda falta sambar na cara de uns fulaninhos aí!

Imagino-a como a May Parker do filme Homem-Aranha. Gente, adoro essa mulher hahahaha <3

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