quinta-feira, 4 de setembro de 2014

[Crítica] A Possessão do Mal


Direção: David Jung
Ano: 2014
País: EUA
Duração: 83 minutos
Título original: The Possession of Michael King

» Será distribuído pela PlayArte, nos cinemas, com o título A Possessão do Mal. Convenhamos que o título ficou bem clichê e redundante! Muito inferior ao original, que se fosse traduzido literalmente ficaria A Possessão de Michael King. Literalmente teria dado mais personalidade ao título...

Crítica:

Se você o convidar, ele nunca o deixará ir.

Quem nunca desafiou o sobrenatural? Quem nunca brincou do jogo do compasso querendo se comunicar com forças desconhecidas? Nossa curiosidade, em alguns momentos, consegue ser maior que os nossos medos. E nós tememos justamente aquilo que desconhecemos. O escuro, por exemplo, é a fonte para o desenvolvimento da nossa imaginação. Afinal de contas, uma vez que não conseguimos enxergar, estamos à mercê do desconhecido, imaginando o que pode estar espreitando na escuridão ao nosso lado. É uma linha de pensamento aterrorizante, e mesmo aquelas pessoas que não acreditam em nada disso têm a sensatez de não brincar com essas forças. Michael King, infelizmente, não teve o mesmo bom senso.

O filme conta a história do documentarista Michael King, que não acredita em Deus ou no diabo. Após a morte repentina de sua esposa, Michael decide fazer seu próximo filme sobre a busca pela existência do sobrenatural, tornando-se o centro da experiência – permitindo que demonologistas, necromantes e vários praticantes do ocultismo tentem os mais profundos e sombrios feitiços e rituais que podem sobre ele – na esperança de que quando falharem, ele irá de uma vez por todas, ter a prova de que a religião, o espiritismo e o paranormal não são nada mais do que um mito. Mas algo acontece. Uma força maligna e horripilante assumiu Michael King. E não vai deixá-lo sair assim.

Filmes envolvendo exorcismos e tramas gravadas em primeira pessoa existem aos montes - principalmente nos últimos anos. Porém, The Possession of Michael King consegue se destacar em um mar de produções iguais ao apresentar um tom sombrio e inquietante, que certamente deixará todos os espectadores tensos. O elemento found footage é introduzido de forma diferente por aqui, não se limitando a apenas um ângulo. Em algumas cenas até parece que o filme voltou ao estilo convencional, por causa das constantes mudanças de ângulo e a ausência daquela tremida básica. O próprio desenvolvimento do roteiro se difere das outras produções em primeira pessoa, já que o terror começa muito cedo na história.

O grande chamativo do enredo é que o protagonista literalmente pede para ser atormentado. É como um dos mais marcantes diálogos do filme Constantine aponta, "não importa se você acredita ou não no diabo, ele acredita em você". Brincar com o sobrenatural é uma péssima ideia, não é verdade? Queria que o roteiro tivesse explorado um pouco mais dos rituais - e que também apresentasse alguns outros. Esse é um dos melhores momentos do filme! E, embora não fique claro qual deles introduziu os demônios no corpo do protagonista, o diretor, em uma entrevista, revelou que espera que as pessoas debatam sobre isso em suas casas, e que acredita que a resposta está no momento em que Michael King desafiou o desconhecido e pediu que fosse até ele.

A produção do filme é muito boa, principalmente em se tratando da maquiagem do protagonista. Nós testemunhamos sua degradação com o decorrer da história, e sua aparência se tornando cada vez menos humana. E é claro que o resultado final não seria a mesma coisa sem a excelente interpretação do ator Shane Johnson. Ele literalmente carregou o filme - e todos os seus demônios - nas costas. Além de roubar a atenção quando contracena com os outros atores, o protagonista também tem enormes sequências sozinho, onde mostra o elevado estágio de sua psicose e possessão em uma interpretação acima do esperado. Os efeitos visuais também cumprem bem o seu papel, e ajudam a chocar nas cenas mais gráficas - como os movimentos inumanos do protagonista no final do filme.

Eu só fiquei um pouco decepcionado com o desfecho do filme, que além de ser um pouco previsível, não consegue ser tão emocionante quanto os dois primeiros atos. Esperava algum tipo de ritual para tentar fazer o protagonista voltar ao normal, mas o roteiro se limitou a explorar o terror psicológico - a destruição do ser -, sem interferências. Sem contar que a cena em que o Michael reconhece que está com um problema sério, e vai pedir ajuda aos mesmos especialistas que o colocaram naquela situação, é bastante forte. Cai a ficha que ele se encontra em uma situação desesperadora, e que não poderá contar com ninguém para sair dela. Enfim, um filme de terror assustador, que merece ser conferido.


Trailer Legendado:

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Comentários
6 Comentários

Comentário(s)

6 comentários:

  1. Nem estava interessada em assistir esse filme, mas, depois da sua crítica, vou dar uma chance. Huehiaha.

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  2. O Filme é muito bom! com alguns sustos bem legais!

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  3. Pqp! bom bom filme. Alguns sustos. Aconselho ninguém brigar com o desconhecido

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