sábado, 23 de agosto de 2014

[Livro] The Double Me - 2x10: Why Am I Letting You Do This to Me? [+18]

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Previously on The Double Me...  
Hamptons, Nova York. Foi lá que tudo começou.

Nate tinha apenas 15 anos quando foi traído pelos amigos e exilado da cidade para evitar os escândalos de sua vida secreta com o namorado. Eles pensaram que a guerra havia acabado, mas este era apenas o começo.

Nos três anos que sucederam sua trágica perda, Nate transformou-se em um cruel vingador, capaz de perder a si mesmo dentro do próprio ódio para derrubar todos aqueles que lhe fizeram mal. A chegada repentina de seu irmão gêmeo pode ter mudado seus planos, mas nada irá impedi-lo de concluir seus objetivos. No final, será olho por olho. E dente por dente.

A estrada até aqui deixou muitos assuntos inacabados. Mesmo depois de pedir a Andy para fazer seu serviço sujo, Nate vai ao encontro de Justin para um ultimo acerto de contas e acaba despertando o ódio daquele que já não possui mais nada a perder. Thayer conseguiu despertar em Alex sem lado destemido, mas o vazamento de videos impróprios dos garotos dos Hamptons pode acabar com tudo antes mesmo de começar.
Quem vive, quem morre, quem vai ao topo e quem vai à falência, é apenas uma questão de tempo até descobrirmos. 

2x10:Why Am I Letting You Do This To Me?
"O passado é o maior inimigo dos bem sucedidos".

Jensen observava a multidão com o olhar perdido. Nem mesmo os quatro copos de uísque que acabara de tomar conseguiam tirar a cabeça de sua eminente tortura.

Não importava para onde olhasse, tudo o que via eram as mesmas pessoas desnecessárias, com os mesmos sorrisos decadentes e os mesmos comentários irrelevantes, que serviam apenas para manter as aparências de uma sociedade materialista. Nada melhor que um evento de Patrick McPhee para levar embora toda a sua vontade de continuar desperto, logo quando mais precisava de um pouco de tranquilidade.

Em um passado não tão remoto, teria culpado todas as suas dores de cabeça ao whisky importado de seu pai, feito especialmente para os magnatas que possuem mais de trinta anos de história com as bebidas. Mas esta noite, ele sabia que todas as suas queixas tinham nome, sobrenome, um sorriso presunçoso e um olhar cheio de maldade. Não era sua culpa achar beleza nos defeitos de Nathaniel Strauss quando até eles estavam fazendo falta.

Na enorme tela acima da porta da direta, Jensen percebeu a exibição de uma matéria sobre a bolsa de valores, que deixava os convidados bastante concentrados. Então era apenas nisso que seu pai estava interessado? Nas notícias que poderiam fazê-lo ir de milionário a super milionário em fração de segundos? Era melhor guardar suas conclusões para quando estivesse sóbrio.

Seus olhos, de repente, pairaram sobre a entrada da mansão; a tempo de ver Nate adentrando o evento e pegando uma taça de champanhe da bandeja de um garçom. Jensen colocou seu copo em cima do balcão e caminhou até ele, puxando-o para o hall desabitado da mansão. A dor de cabeça já estava a ponto de multiplicar-se.

— O que você ta fazendo aqui, Nate? — Jensen olhou para trás rapidamente. Queria ter certeza que ninguém ouviria a conversa. — Você deveria estar no hospital.

— Por quê? Eu tentei suicídio, não estou com câncer.

Jensen deu um passo para trás enquanto suspirava profundamente. Alguns garçons caminhavam através do hall.

— Nate, por que você veio? Você disse que não poderia nem mesmo ser meu amigo, não precisa me torturar.

— Torturar? Eu ainda nem tirei a camisa...

— Por favor, apenas vá embora. — Jensen fez um sinal com a cabeça em direção a porta.

— Ainda é meu aniversário. Dezoito anos. Quem diria que eu iria durar tanto? — Nate debochou. Talvez ainda pudesse morrer aos vinte e sete como seus ídolos, então nem tudo estava perdido.

— Você quase morreu...

— Você não tem essa sorte. Mas enfim, eu quero meu presente.

Jensen suspirou novamente. Deixar Nate saber que faria qualquer coisa que pedisse estava começando a deixar suas bochechas rosadas.

— O que você quer?

— Você sabe o que eu quero... — Nate sorriu com malícia.

— Você quer... Aquilo? — Jensen ficou desconcertado. As bochechas rosadas estavam prestes a explodir.

— Não, mas você deveria ter visto a sua cara. — Ele debochou. — Na verdade, quero que você me dê uma chance para ser completamente altruísta.

— Altruísta?

— Jensen, você precisa ficar com meu irmão. — Nate enrijeceu a voz.

— O que?

— É isso que eu quero. Ele ainda é apaixonado por você e eu sei que isso é recíproco. Então... É uma proposta irrecusável.

— Ah ta — Jensen deu um sorriso cheio de sarcasmo. — Você realmente espera que eu acredite nisso? Como eu vou saber se não é apenas mais um plano seu?

— Porque quando eu magoei meu irmão, tentei tirar minha própria vida. Eu não faria isso de novo.

— Eu não posso ficar com ele, você sabe por quê...

— Mas esse é o certo — Nate se aproximou — Jensen e Nathaniel não foram feitos para ficar juntos. Se tivéssemos sorte, teríamos acabado como Romeu e Julieta, mas parece que as pessoas simplesmente vão continuar me salvando.

— Me ver com Alex vai deixa-lo feliz?

— Alex vai estar feliz. E isso é o suficiente para mim.

— Acho que você tem coração, afinal. — Jensen olhava para ele com orgulho e admiração ao mesmo tempo.

— Eu sei, isso é uma droga. Atrapalha todos os meus esquemas.

Ambos sorriram brevemente, e então, o silêncio tomou conta do ambiente. Foi a sugestiva troca de olhares que fez Jensen pronunciar-se novamente. Olhar nos olhos de Nate daquela maneira poderia ser um caminho sem volta.

— Nate, eu, olha...

— Você deveria voltar para sua festa. — Nate o interrompeu antes que pudesse ser enfeitiçado por suas palavras. — Seu pai pode ficar chateado, e todo mundo sabe que não se deve irritar Patrick McPhee.

O ultimo garçom de passagem abriu as portas para o salão de festas novamente.

— Você tem razão — Jensen assentiu. — Acho melhor eu voltar...

Virou de costas e deu dois passos para frente antes de parar. A multidão parecia bastante interessada em olhar para ele, ou era Nate quem estava chamando atenção? De qualquer maneira, era uma das situações mais constrangedoras que já tinha vivenciado.

A ficha só caiu quando o DJ aumentou o volume da tv e eles perceberam que seus vídeos pessoais estavam sendo exibidos pela emissora, com uma tarja preta censurando a exposição comprometedora. Eram pelo menos cinco vídeos de sexo amador sendo exibidos para o mundo inteiro, incluindo versões que Nate guardara apenas em seu notebook pessoal e sob a proteção de senha.

— Ai meu Deus... — Foi só o que Nate conseguiu sussurrar. Quentin iria mata-lo quando visse seus vídeos na internet.

Jensen tirou os olhos da tela quando percebeu a presença do pai em meio aos amigos parlamentares. O olhar severo fez seu corpo inteiro estremecer.

— Ok, cavalheiros. Precisamos ir agora. — Nate tentou puxar Jensen pelo braço, mas o garoto simplesmente não conseguia mover-se do lugar. — Jensen, vamos agora!

Na segunda tentativa, Jensen se deu por vencido. Deixou Nate guia-lo para o lado de fora da mansão e depois até o carro estacionado próximo ao chafariz. Se precisava fugir como se fosse um criminoso, então seu maior pesadelo tinha acabado de acontecer. E sua vida como conhecia estava arruinada.

— É o fim do mundo. — Thayer arregalou os olhos. Os comentários do blogueiro Perez Hilton poderiam ajuda-lo a cavar sua própria cova em fração de segundos. — Dois mil comentários em algumas horas. Eu vou morrer...

— Isso não deveria ter acontecido... — Apesar de não estar em nenhum dos vídeos, Alex também parecia atordoado.

Quanto mais falavam sobre o assunto, mais distante ficava o local de chegada. Thayer nem mesmo sabia em qual rua estavam e porque a iluminação era tão precária.

— Mas que droga! — Ele socou o volante.

Alex estremeceu, mas entendia perfeitamente sua necessidade de extravasar. A agressividade seria essencial para que pudesse lidar com todas as mudanças repentinas que acabaram de ser decretadas em sua vida. Os olhares, o preconceito, a perda de várias oportunidades que poderiam mudar seu futuro... O mundo realmente não fora feito para tolerar as diferenças. E os homossexuais sempre descobririam da maneira difícil.

— Olha esse — Alex voltou sua atenção novamente para seu celular. — “Nathaniel Strauss e Alex Bennett são uma vergonha para a nação americana. Alguém deveria tirá-los do país”. Não acredito que alguém diria uma coisa dessas...

— Acredite, você vai encontrar pessoas assim pelo resto da vida.

— Apenas tente relaxar...

— Cala a boca, você não entende.

Alex voltou a olhar pela janela do carro. Não importava o que dissesse, Thayer nunca iria se acalmar. A exposição o deixaria louco muito antes de pensar o que fazer para resolver a bagunça.

— Quero ouvir musica. — Alex ligou o rádio com apenas um toque.

O rock pesado e inapropriado iria serviria como uma boa distração se Thayer não tivesse desligado cinco segundos depois. Então nem mesmo as musicas eram bem vindas?

— Thayer, olha... — Alex tentou iniciar seu discurso.

— A gente podia não conversar agora, por favor?

— Ta legal. — Alex se recostou no banco. Não seria o culpado dessa vez. Não dessa vez. — Para o carro.

— O que? — Thayer deu um ar de risos irônico.

— Para esse carro, eu quero descer.

— Você não vai a lugar algum, relaxa aí.

— Tudo bem. — Alex simplesmente abriu a porta.

— Você ta maluco? — O coração de Thayer quase saiu pela boca. — Fecha essa droga de porta!

— Para o carro ou eu me jogo.

— Merda! — Thayer parou o carro no acostamento. Havia um posto de gasolina a alguns metros dali e algumas pessoas fantasiadas passando em grupos.

Alex imediatamente saiu do carro e bateu a porta com severidade. Após alguns passos olhou para trás. Thayer continuava dentro do carro esperando que mudasse de ideia. Era assim tão difícil ir atrás e pedir desculpas? Era tudo o que Alex desejava. Colocou as mãos no bolso da camisa listrada e continuou caminhando como se nada estivesse acontecendo.

— Alex! — Thayer finalmente se deu por vencido. Alex já estava a treze metros de distância. — Já chega, volta aqui!

— Não, obrigado!

— Hey! — Thayer bateu a porta do carro e correu alguns metros. — Me desculpa, ta legal? Você estava querendo ajudar e eu fui um idiota.

Alex decidiu interromper seu percurso e olhar para trás. Thayer estava a alguns metros de distância, com as duas mãos na cintura e o olhar cansado. Tinha sido uma longa noite para todos eles, e era apenas a primeira de muitas. Mas não era isso que Alex tinha em mente. De alguma forma, todos os seus conflitos pareciam girar em torno daquela noite que ele não sabia se deveria ter acontecido.

Voltando alguns passos para perto de Thayer, ele começou o discurso:

— Você acha que eu gosto da situação em que a gente se meteu? Nós transamos, Thayer. Isso deveria ser uma coisa boa, mas está uma bagunça; porque você acha que tem obrigação de me aguentar só porque foi o meu primeiro. E por achar isso, fica com raiva de si mesmo, já que nunca teve que lidar com um virgem antes. E sempre desconta essa raiva em mim, mesmo que só o que eu esteja pedindo é sua amizade. Então por que diabos eu deveria voltar para o carro? Pra você me culpar por tudo o que dá errado e se arrepender do que a gente fez?

Thayer mal teve tempo de dar uma resposta. De repente, Alex e ele estavam sendo atacados por uma multidão de paparazzi sedentos por cliques milionários.

— Vocês estão juntos? — Gritou aquele com a boina francesa.

— É verdade que Nate Strauss foi o melhor sexo da sua vida, Thayer? — Perguntou a garota de cabelos loiros.

Thayer e Alex estavam cercados. E com todos aqueles flashes, ficava difícil distinguir quantos paparazzi estavam no local. A única alternativa era sair correndo e encontrar um lugar para que pudessem se refugiar.

Eles conseguiram atravessar duas quadras com os paparazzi em sua cola até perceberem que aquela perseguição nunca teria fim. Poderiam continuar correndo até que o cansaço os vencesse, ou simplesmente invadir um dos estabelecimentos e pedir por ajuda. Até mesmo Alex concordava que era a melhor alternativa se quisessem chegar vivos em suas casas.

No meio de uma pequena pausa para recobrar o fôlego, eles ouviram um sussurro estridente vindo do beco a direita. A imagem de um garoto magro e com roupas largas estava surgindo entre a escuridão, e pedia para que não tivessem medo.

— Eu posso ajuda-los!

— Quem é você? — Alex olhou para trás. Os paparazzi estavam se aproximando cada vez mais.

— Venham por aqui! — Incentivou o garoto.

Thayer e Alex trocaram um breve olhar cauteloso. Realmente não havia tempo para pensar. Decidiram apenas seguir o garoto antes que fossem devorados por todos aqueles parasitas.

Após adentrar alguns metros naquela escuridão, o garoto misterioso os levou até uma enorme porta de ferro que abria na cozinha de um restaurante. Apesar de atraírem o olhar de todos, Thayer e Alex não pararam nem por um segundo. Continuaram seguindo seu salvador até uma pequena escada que levava ao andar de cima do estabelecimento.

— Vocês estão seguros aqui. — O garoto fechou todas as cortinas.

Alex se aproximou discretamente da janela. Os paparazzi estavam passando direto pelo local. Thayer, em contrapartida, estava mais preocupado com as doenças que poderia contrair ficando tempo demais naquele apartamento sujo.

— Eles estão indo embora... — Alex respirou aliviado.

— Eu vi o que estava acontecendo e pensei que poderia ajudar. — O garoto jogou o casaco em cima da pequena poltrona quadriculada na sala de estar.

— Obrigado! — Alex agradeceu.

— Tudo bem. Eles nunca vão encontrar vocês aqui...

— Não diga... — Thayer ironizou.

Observando atentamente o restante do apartamento, ele percebeu que preferiria ter sido atacado pelos paparazzi. George também não lhe parecia confiável. Havia algo de errado com aquele corpo intensamente magro, na franja mal penteada e na maneira exageradamente tímida com que se comportava. Parecia ser um garoto muito doente, ou voluntariamente esquisito.

— Vocês podem ficar aqui por algum tempo, até eles desistirem. Não é o tipo de lugar que vocês estão acostumados, mas...

— Ai meu Deus. — Thayer fitou a parede da esquerda. Havia um enorme pôster sendo estampado pelos gêmeos Strauss. — Não acredito no que estou vendo...

Alex ficou na defensiva, mas preferiu não se importar. Ele havia se tornado uma celebridade influente. Não apenas pelo ensaio fotográfico da Calvin Klein, como também, por ser o irmão gêmeo desaparecido do garoto mais polêmico de Nova York. Quantas garotas possuíam seus pôsteres em seus quartos? E por que não adicionar os garotos a essa equação?

— Ah, isso. — O garoto ficou desconcertado. — É da minha irmãzinha, Caroline, ela adora vocês.

— Nossa... — Alex quase sorriu. — Nunca pensei que estaria na parede de alguém. Qual é o seu nome?

— George. Não é nada original...

— Não seria se você se chamasse John Smith. — Thayer sorriu sem mostrar os dentes.

— Na verdade, é George Smith.

— Então, George — Alex se aproximou — Agradecemos muito a sua ajuda, mas precisamos ir. Temos algumas coisas para resolver e...

— Eu sei, o lance dos vídeos. — George abaixou a cabeça quando percebeu o olhar fixante de Thayer — Todo mundo já sabe, então...

— Ok — Thayer caminhou até Alex — Agora nós já vamos, obrigado pela ajuda. — E puxou Alex de volta para a pequena escada por onde subiram.

Para validar sua despedida, Alex só teve tempo de acenar para George. Thayer nunca o deixaria permanecer naquele local mais tempo do que o necessário. Além de sujo e desarrumado, poderia pertencer a um serial killer nada discreto.

— Vamos logo... — Thayer continuou empurrando. — Antes que ele nos prenda no seu porão.

— Cala a boca, Thayer. — Alex resmungou. Infelizmente ainda estavam perto o suficiente para que George ouvisse o insulto.

— Ele pode ser um serial killer...

Pela janela, George conseguiu ver o momento exato em que ambos deixavam o estabelecimento. Não valia a pena se importar quando poderia simplesmente voltar para o quarto. Afinal, era ali que estava seu santuário particular.

A maioria dos adolescentes teria optado por decorar seu quarto com fotos de sua banda preferida, mas George decidiu ir um pouco além. Suas paredes eram recheadas de fotos de Alex Bennett, desde o momento de sua chegada aos Hamptons até o seu ensaio fotográfico para a Calvin Klein. Quase nem havia mais espaço para que pudesse enxergar a verdadeira cor de seu quarto.

Dentro do armário a direita, George guardava os objetos mais especiais de seu fanatismo. A antiga escova de dentes que Alex pensara ter perdido, a camisa velha que Nate o obrigara a jogar fora, e várias fotos onde conseguira colocar seu próprio rosto recortado para fingir que estava ao lado de Alex. Amor de fã sempre seria incondicional.

— Adorei conhece-lo, Alex Bennett. — Ele passou os dedos sob a foto em destaque no pequeno altar dentro do armário. — Você é perfeito para mim.


Miss Independent by Kelly Clarkson on Grooveshark

Nate e Jensen não faziam ideia há quanto tempo estavam na estrada. O sol já havia nascido, e os pequenos estabelecimentos onde passavam já se encontravam abertos para funcionamento. Pelo enorme milharal concentrado nos dois lados da estrada, Nate tinha certeza que já haviam chegado a cidade de Hoboken, Nova Jersey, a 2.48 milhas de Nova York.

Infelizmente, Jensen ainda não havia acordado para perceber que já estava longe do perigo. Adormeceu no banco do passageiro há pelo menos duas horas, e agora estava a mercê das brincadeiras de Nate com uma caneta piloto. Em seu rosto fora desenhado um bigode falso, um cavanhaque chamativo e inúmeras sardas pretas. Nate tentou colocar duas hashis dentro do nariz dele para que ficasse semelhante a um leão marinho, mas Jensen acordou com o incômodo antes que pudesse terminar sua brincadeira.

As hashis caíram no chão sem que fizesse qualquer esforço.

— Você ronca, bela adormecida. — Nate sorriu.

— Obrigado por brincar comigo enquanto durmo. — Jensen massageou o nariz para aliviar a coceira.

— Você estava implorando para ter o rosto pintado.

— O que? — Jensen olhou para o espelho retrovisor. Nate havia feito uma verdadeira bagunça.

— Não se preocupe, essa tinta é fácil de remover. Não é como nossos virais de internet.

— Nem me fale... — Jensen tirou alguns lenços do porta-luvas e começou a limpar seu rosto. — Eu estava sonhando com isso, você não faz ideia do que meu pai estava fazendo comigo...

— Não me diga que o estava mandando a Paris?

Jensen preferiu não levar a ironia para o lado pessoal. Enrolou todos os lenços que usara para limpar o rosto, jogou pela janela e voltou a deitar sua cabeça no banco. Onde estava a terrível dor de cabeça que o vitimava sempre que não dormia em uma cama confortável? Só o que sentia era sonolência, e uma fome capaz de obriga-lo a sair da dieta saudável de seu personal trainer.

— Onde estamos indo? — Ele olhou para trás. Não havia nada além de uma estrada vazia e um milharal gigantesco.

— Para um hotel mixuruca onde nenhum paparazzo nos encontre.

— Saímos de Nova York? — Jensen olhou para o céu. Parecia clarear a cada minuto como se a manhã tivesse acabado de começar.

— É claro, é a cidade do pecado. Jesus não aprova.

— Precisamos voltar, tenho que falar com meu pai.

— Você perdeu o juízo? — Era a pior ideia que Nate já tinha ouvido. — Ta usando as drogas do Kerr?

— Não, só quero conversar, talvez...

— Não é uma boa ideia. — Nate voltou a fitar a estrada a sua frente. Seu tom de voz deixava claro que aquela conversa precisava terminar.

— Como você sabe?

— Olha, eu sei que fugir não vai resolver seu problema, mas é a sua única opção. Patrick precisa de tempo para se acostumar com a ideia de ter um filho gay e confrontá-lo em um momento de raiva pode prolongar este processo. É por isso que você precisa ficar longe de Nova York até a poeira baixar.

— Isso não está acontecendo... — Jensen suspirou, fechando os olhos. Aquilo só poderia ser um pesadelo.

— Você pode não acreditar, mas existe um lado bom. A internet está repleta de comentários elogiando nossos instrumentos. Somos bonitos, ricos e másculos, e agora todos os gays querem ser como nós. Sem falar que em poucas horas nossos vídeos tiveram mais de quatrocentos mil acessos apenas no Redtube.

— Eu não sou como você. Não estou interessado em ser um ator pornô bem sucedido.

— Bem, o que você esperava? Não somos aceitos, não podemos casar e estamos indo contra as leis de Deus. Temos que ser bons em alguma coisa.

— Prefiro ser bom em tênis.

— Chegamos. — Nate finalmente parou o carro.

Jensen olhou timidamente para o lado de fora. Estavam diante de um hotel de estrada completamente deserto e caindo aos pedaços. Nem mesmo o nome poderia ser lido, já que a enorme placa de neon estava com pelo menos três letras faltando.

— Não vai sair? — Nate estava impaciente.

— Você não vem comigo?

— Claro que não. Preciso voltar e resolver algumas coisas.

— Não vou ficar aqui sozinho.

— Não seja tão passivo, Jensen McPhee. — Nate quase revirou os olhos. — É só por alguns dias, depois pensamos no que fazer.

— Por que eu estou deixando você fazer isso comigo?

— Porque ninguém consegue dizer não a mim. Agora vai.

Jensen deu um ar de risos depressivo. Por um lado, estava feliz em saber que ainda poderia contar com Nate para salvar sua pele. Mas por outro, era inevitável desejar que não estivesse precisando de qualquer ajuda. O que iria acontecer quando chegasse a hora de voltar ao mundo real e enfrentar a reação das pessoas? Nate não estaria ali para sempre.

Devagar ele abriu a porta do carro e deu dois passos para frente, segurando a pequena mala que organizara em seu apartamento. Não havia nada a fazer se não observar a partida de Nate, que parecia um bêbado imprudente no volante agora que estava sozinho. Tanta pressa só poderia ser explicada de uma maneira: Nate precisava ir embora o mais rápido possível antes que a incontrolável vontade de ficar dominasse suas ações.


Jar of Hearts by Christina Perri on Grooveshark

Alex abriu a porta da mansão e logo foi abordado por uma dúzia de empregados histéricos. Com a tentativa de suicídio de Nate e o escândalo dos vídeos, todos eles sentiam que a família Strauss estava prestes a desabar.

— É o senhor Alex. — Disse Greg, o porteiro. — A não ser que o senhor Nate esteja usando suas lentes de contato outra vez.

— Não, sou eu mesmo. — Alex quase sorriu. — Não faço ideia de onde Nate está.

— Sua mãe está na sala. — Disse Valeska; o olhar psicótico de preocupação. — Ela quer conversar. Americanos adoram conversar sobre seus problemas.

— Essa não... — Alex fitou a porta da sala, estava a poucos minutos de mais uma decepção familiar. — Obrigado, pessoal, acho que foi bom ter conhecido todos vocês.

Os empregados não disseram nada, apenas observaram-no caminhar até a sala de estar. Judit estava sentada na poltrona em destaque, esperando que qualquer um de seus filhos passasse por aquela porta.

— Hey... — Alex sussurrou. Tinha medo de dizer qualquer outra coisa que ajudasse a piorar seu estado emocional. Não deveria estar sendo fácil para ela lidar com tantas mudanças ao mesmo tempo.

— Alex... — Ela disse, aliviada. — Eu estava... Esperando por uma ligação. Meus amigos estão fazendo o que podem pra deter aqueles vídeos, mas sempre que conseguem tirar do ar, aparecem dez novos links. É como uma praga... — Ela suspirou.

— Eu sinto muito. Eu sei o que você vai dizer, já me disseram antes. Então não se preocupe, vou sair daqui o mais rápido possível.

— Você tem ideia da gravidade do que aconteceu? — Judit fungou. — Alex, vocês nunca mais serão os mesmos. Vocês vão perder oportunidades, empregos, amigos. Se você soubesse quantas pessoas não quiseram atender meus telefonemas...

— Eu sei disso. — Alex abaixou a cabeça.

— Podem me incluir nessa conversa — Nate tinha acabado de chegar. — Agora é a minha vez de dizer algumas verdades.

— Nate, não... — Alex deu dois passos na direção do irmão. Seus olhos imploravam que ele não fizesse outro escândalo.

— Você cala a boca. Não vou deixar que ela faça com você o mesmo que fez comigo. — Nate passou por ele — Dessa vez ninguém vai ser mandado à Paris, Judit. Isso não vai acontecer agora, nem comigo, nem com meu irmão. Nós vamos ficar juntos, vamos passar pó isso juntos, porque é isso que as pessoas fazem quando se amam. Não precisamos de você, da sua aprovação ou do seu dinheiro. Você sabe muito bem onde pode enfiar tudo isso.

— Nate, para! — Alex gritou — Já chega!

— E você ainda a defende? Essa mulher só se preocupa com ela mesma e esse status de esposa troféu que só convence seus amiguinhos da elite. Você deveria estar me agradecendo por ser a única pessoa que se importa verdadeiramente com essa família.

— É claro! — Debochou Alex — Obrigado por tentar suicídio, Nate. Obrigado por ter acabado meu namoro com Jensen. E obrigado por estar fazendo da vida dessa mulher um inferno como se não bastasse tudo o que ela está passando.

— Me desculpe se todas as vezes em que ela me humilhou e me abandonou me transformaram nesse monstro sem coração que você tanto odeia. Meu único crime foi amar um homem mais do que eu amo a mim mesmo. E se você acha que é motivo o suficiente para abandonar um filho, você pode simplesmente ir para o inferno. — Nate fitou Judit — Você é a pessoa mais repugnante que eu tive o desprazer de conhecer. Foi por isso que a natureza tentou impedir de todas as formas que você gerasse um filho.

Judit enxugou as lágrimas que escorriam pelas bochechas e se levantou. Deu alguns passos para ficar cara a cara com Nate, e então, apenas o abraçou. Por não saber quais eram suas verdadeiras intenções, Nate acabou ficando sem reação em seus braços.

— Eu sou uma vadia patética. — Ela sussurrou em seu ouvido — Mas eu amo você do jeito que é...

— Não... — Nate engoliu em seco.

— Eu o amo do jeito que você é. E irei até o inferno para defende-lo. 


Next...
2x11: Thank You, Sis. You Definitely a Strauss (30 de Agosto)
Estão preparados para o acerto de contas entre Nate e Gwen? Finalmente chegou a vez da princesinha Strauss pagar suas dívidas atrasadas... E com juros monstruosos.

Bônus: Para aqueles que ficaram curiosos a respeito da irmã perdida, apresento-lhes Mia Vlasak. Ou Mia Strauss, já que a garota não nega o sangue e acabou de declarar guerra a sua nova irmãzinha. É como vocês imaginaram? Provavelmente não, mas não podemos ficar sem nosso Dreamcast de cada dia.
 

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