sábado, 5 de julho de 2014

[Livro] The Double Me - 2x04: Inject Me [+18]


Previously on The Double Me...
Hamptons, Nova York. Foi lá que tudo começou.

Nate tinha apenas 15 anos quando foi traído pelos amigos e exilado da cidade para evitar os escândalos de sua vida secreta com o namorado. Eles pensaram que a guerra havia acabado, mas este era apenas o começo.

Nos três anos que sucederam sua trágica perda, Nate transformou-se em um cruel vingador, capaz de perder a si mesmo dentro do próprio ódio para derrubar todos aqueles que lhe fizeram mal. A chegada repentina de seu irmão gêmeo pode ter mudado seus planos, mas nada irá impedi-lo de concluir seus objetivos. No final, será olho por olho. E dente por dente.

A estrada até aqui deixou muitos assuntos inacabados. Após voltar para suas sessões de terapia, Justin decidiu usar todas as armas para afastar Jensen e Alex usando o evento beneficente de seu pai como palco. Ele conseguiu fazer Alex confrontar sua mãe e a questão da homossexualidade, mas acabou despertando a fúria de Nate na frente de todos os convidados. O romance entre Jensen e Alex já não é mais um segredo para Nate, e Mia está cada vez mais perto de conhecer o lugar onde a única lei é da destruição. Quem vive, quem morre, quem vai ao topo e quem vai a falência, é apenas uma questão de tempo até descobrirmos.


2x04: Inject Me
"O veneno vos libertará".


— Essa não valeu! — Gritou Jensen quando viu o irmão marcar mais um ponto na quadra de tênis.

— Pensei que você fosse profissional. — Provocou Jake.

Jensen havia ganhado vários campeonatos de tênis pelo estado, mas sua falta de concentração estava entregando o jogo de mão beijada. Alex estava presente a cada arremesso, cada pausa, cada ponto que ele suava a camisa para marcar. Não retornar suas ligações feriu tanto seu ego quanto seu coração.

— Vai querer revanche? — Apesar do que indicava o sorriso, Jake estava exausto. Havia jogado contra o irmão a tarde inteira usando as roupas desconfortáveis que o esporte exigia.

— Outro dia. — Jensen enxugou o suor de sua testa e caminhou na direção dos bancos. — Você pode ir falar com os mortos agora.

Jake jogou a raquete no chão e observou o irmão deslocar-se até o banco de madeira próximo a parede gradeada. De dentro da mochila vermelha ao seu lado, Jensen tirou uma pequena garrafa azul guardada especialmente para o final da partida, que quase esvaziou em apenas alguns segundos.

Percebendo sua inquietude, Jake caminhou até o banco e sentou-se a um metro de distância. Esperou Jensen abaixar a garrafa e fitar o horizonte para se pronunciar.

— Então, problemas com garotos? Porque eu estou preparado para ter essa conversa. — Jake tentou sorrir, mas desistiu quando percebeu que Jensen não estava fazendo o mesmo.

— Não gosto de me queixar.

— Eu sou seu irmão, vi você se queixar a vida inteira.

— Mesmo assim.

— Ok. — Jake mirou na mesma direção para onde Jensen estava olhando. — Deixe-me adivinhar, aquele Alex Bennett é igualzinho o irmão gêmeo. Acertei?

— Não. — Jensen suspirou. — Ele é completamente diferente.

— Mas...?

— Sua mãe adotiva descobriu sobre a gente e não nos falamos desde então. Ele não responde minhas ligações, nem minhas mensagens; fiquei sabendo pela empregada que ele comprou um notebook, mas não responde meus emails.

— Hmm. — Jake assentiu. Precisou olhar na outra direção e hesitar por alguns instantes para escolher as palavras certas. — Você acha que ainda vão se ver?

— Honestamente, acho que esse é o jeito dele de dizer que acabou.

Jake assentiu novamente, dessa vez sem palavras. Não conhecia Alex tão bem a ponto de arriscar um palpite para que agisse daquela maneira, e tampouco tinha direito de prometer ao irmão que tudo daria certo no final. Mais frustrante que vê-lo daquela maneira, tentando aceitar uma grande perda, era saber que nada do que dissesse iria adiantar. Nem mesmo o tempo havia provado sua eficácia para os corações partidos ou os relacionamentos mal resolvidos.

Jake planejava chamar Jensen para mais uma saída noturna em homenagem aos velhos tempos, mas ao levantar a cabeça e fitar a parede gradeada do outro lado da quadra, ele notou Alex parado próximo a um casal de banhistas que estava de passagem. A distância não impediu Jake de notar que os olhos do garoto estavam cheios de culpa, como se estivesse ali exatamente para reverter o erro que cometeu.

— Jensen. — Ele chamou. — Eu acho que Alex não é o tipo de homem que conversa pelo telefone.

— O que você quer dizer?

Jake acenou com a cabeça, indicando a direção que Jensen deveria atentar. Quando encontrou o olhar de Alex do outro lado da grade, viu o irmão suspirar aliviado.

— Boa sorte. — Desejou a ele.

Sem tirar os olhos de Alex, Jensen atravessou a quadra até chegar ao enorme portão gradeado por onde entrara. Alex apenas cruzou os braços e esperou que a conversa tomasse início.

— Hey. — Disse Jensen. — Eu estava preocupado com você.

Alex assentiu devagar. Não estava tímido, nem inseguro. Queria apenas ouvir o que Jensen tinha a dizer antes de se pronunciar.

— Por que você não respondeu minhas ligações?

Outra vez o silencio. Se pudesse arriscar, Jensen diria que estava prestes a ser dispensado e que não seria nada bonito. Porém, havia outro motivo para que não tivesse ganhado uma resposta. De repente a expressão vazia de Alex se transformou num sorriso malicioso que Jensen reconheceria até mesmo na escuridão.

Aquele era Nate, usando novamente as lentes de contato azuis que lhe enganaram uma vez.

— Nate. — Jensen pronunciou seu nome como se fosse um palavrão patético.

— Surpresa. — Nate fingiu entusiasmo. — Essas lentes me incomodam. Um dia terei que aposentá-las.

— Que bom. — Jensen fez questão de fazer a voz soar tediosa.

— Sabe por que meu irmão não respondeu suas ligações? Porque eu pedi. Temos que fazer tudo o que os irmãos mais velhos pedem, mas... Não posso negar que estou surpreso. Fiz esse pedido há algum tempo e você continua ligando. Você não desiste fácil, não é?

— Não. — Jensen engoliu em seco. Nate realmente não sabia de nada ou aquilo era apenas teatro? — O que você quer? — Ele olhou para trás só para ter certeza de que Jake não sabia que aquele era Nate. Porém, tudo tinha o poder de passar despercebido aos olhos do irmão se houvesse garotas de biquíni como aquelas que estava fitando obcessivamente.

— Eu quero vingança, dinheiro e sexo selvagem. Não é justo termos que escolher apenas um.

— E como posso ajudá-lo? — Jensen sorriu, completamente falso.

— Eu sei que você está bastante interessado no meu irmão, mas nós dois sabemos que ele nunca vai ceder.

— É mesmo? — Jensen prendeu um riso. Se soubesse o que ele e Alex costumavam fazer, ficaria surpreso.

— Na verdade, eu tenho algumas suspeitas. Sempre me perguntei o que levaria você a se apaixonar por alguém idêntico a mim depois de todas as vezes em que insistiu me desprezar.

— Você deveria saber que Alex é completamente diferente.

— Mas fisicamente somos igualmente capazes de partir o coração das pessoas em quantos pedaços quisermos.

— Adeus, Nate. — Jensen lhe deu as costas.

— Ainda não terminei.

A autoridade na voz de Nate fez Jensen interromper seu trajeto e virar de volta. Não era uma ordem, ele sabia, mas era o suficiente pra fazê-lo ficar interessado pelo que precisava ser dito. E a oportunidade perfeita para dizer o que desde o começo guardara para si.

— Acho que você não vai chegar a lugar algum, portanto, esta conversa deve terminar.

— Não quer ouvir o meu lado da história? — Nate deu um ar de risos depressivo. — Por que eu não estou surpreso?

Com o olhar cabisbaixo, Nate deu meia volta para se retirar. Mal havia dado dois passos quando Jensen voltou a se pronunciar:

— Não espere que eu acredite que você é a vítima.

— Eu não espero nada de você. Só achei que seria legal se você me ouvisse. — Nate sorriu, zombando de si mesmo. — Deus, eu sou um idiota. Me lembre de nunca mais seguir os conselhos do gêmeo do bem...

— O que você quer de mim? — Mais uma vez as palavras de Jensen impediram que Nate fosse embora.

— Podemos começar tudo de novo?

— Me desculpe, não quero te ofender. Só não consigo mais acreditar em uma só palavra que saia da sua boca.

— Você acreditou no nosso beijo? — Nate hesitou, esperando uma resposta.

Mas Jensen estava desconfortável demais para dizer qualquer coisa; ou simplesmente lembrar a si mesmo que precisava manter a postura para que Nate não percebesse o quanto aquilo podia afetá-lo. Na verdade, tudo o que girava ao redor de Nathaniel Strauss lhe causava efeitos colaterais, tão indesejáveis quanto os pensamentos intrusivos que nem sempre tinha forças para reprimir. E que na maioria das vezes, nem mesmo queria.

— Você ta delirando, Nate.

— Talvez esteja. — Nate zombou. — Mas se não estiver, nós dois sabemos quem vai sair perdendo.

— Ok. — Jensen sorriu. — E se eu disser que não estou interessado?

I’m Nathaniel Fucking Strauss. Lembre-se disso.


— Eu sei. — Disse Justin ao celular enquanto abria a porta do Hall de sua mansão. Gwen, do outro lado da linha, parecia no mínimo alterada. — Meu pai preferiu não prestar queixa. Parece que a aliança com os Strauss é mais importante que a integridade do seu filho. Sem ofensas.

— Tudo bem, estou do seu lado.

— Não literalmente. — Justin olhou para a porta do escritório entreaberta quando ouviu vozes. Era uma ótima oportunidade para conversar com seu pai. — Ele está em casa, preciso desligar.

— Passe na Amber depois, estamos esperando por você.

— É, não façam isso. — Justin desligou. Só precisou dar três passos para chegar até a porta do escritório. — Hey Pai. — Ele parou de falar assim que percebeu que seu pai tinha visitas.

Preston Boyd e seu filho Andy estavam sentados lado a lado no sofá, mantendo um sorriso largo no rosto. Enquanto Andy mantinha um aspecto refinado e usava roupas sociais importadas, seu pai vestia roupas simples e um chapéu de vaqueiro que só tirava na hora de ir para cama. Era um dos motivos para Justin ter tanto desprezo pela família Boyd. Mesmo tendo enriquecido como fazendeiros e conquistado seu espaço nos Hamptons, ainda lembravam a plebe do campo que nunca fariam parte de uma elite.

— Justin. — Nathan deixou o copo de uísque em cima de sua mesa e levantou-se. — Algo errado?

— Defina errado. — O olhar petulante de Justin encontrou novamente a família Boyd.

Apesar das visitas indesejáveis, Justin estava verdadeiramente bem. Ou pelo menos, o máximo que alguém em suas condições poderia estar. Havia acordado as sete para a aula de tiro ao alvo, depois ido ao shopping para renovar sua coleção de CDs; e por fim, almoçado no clube com os alunos do intercâmbio que lhe convidaram para conhecer Portugal. Em momento algum havia lembrado de Jensen ou do que acontecera no evento beneficente, e estaria grato pelo seu dia se apenas pudesse conversar em paz com o pai. Fazia três dias que os remédios lhe provaram estar sendo inúteis, mas ele sentia que a apatia positiva de sua rotina nunca teve nada a ver com eles.

— Só queria saber se o senhor ligou para a doutora Malcolm. — Respondeu ao pai.

— Sim, nós conversamos. Ela disse que achava melhor que você continuasse sendo tratado em seu consultório.

— Não lhe pagamos uma fortuna pra ela fazer o que acha melhor. Tenho certeza que o tratamento surtirá o mesmo efeito se for feito em um lugar onde me sinto mais confortável. — Justin olhou para Preston e Andy novamente. — Na verdade, este assunto é particular.

— Por isso devemos conversar quando eu terminar com o Senhor Preston. Negócios em primeiro lugar, você sabe como funciona.

— Negócios? — Justin deu um ar de risos. Sua incredulidade estava divertindo Andy mais do que ele poderia notar. — Mas você é dono de uma editora e ele cuida de porcos.

— Na verdade, sou fazendeiro. — Defendeu-se Preston. — Não vejo um porco desde meus vinte anos. Mas uma vez que você sente o cheiro, você nunca esquece.

Andy pigarreou. Parecia que o pai nunca iria aprender a se comportar de maneira adequada na frente de pessoas importantes.

— Ok. — Justin tentou sorrir, sem se preocupar em fingir que não estava constrangido. — Eu volto depois. — Ele bateu a porta assim que colocou os pés para fora do escritório.

— Desculpem por isso. — Pediu Nathan. Apesar de concordar com o filho, nada justifica sua grosseria. — Ele é meio... — Tudo o que achava do filho estava passando por sua cabeça. Arrogante, mimado, impulsivo, inapropriado. Era cruel acha-lo feminino demais em certas ocasiões? Nathan sentiu-se imediatamente culpado apenas em cogitar.

— Eu sei, eu convivo com ele. — Disse Andy. — Mas às vezes fico preocupado. Ontem ele estava com os olhos vermelhos e suando frio. Pensei em chamar um médico, mas ele praticamente arrancou o celular das minhas mãos.

— Isso é verdade? — Nathan hesitou, parecia preocupado.

— Sim, mas logo em seguida já aparentava estar melhor. Talvez tenha sido apenas uma enxaqueca. — Andy prendeu um riso. Brincar com a mente das pessoas lhe trazia um prazer que poucas vezes pôde experimentar.

— É, talvez. — O olhar de Nathan encontrou o tapete vermelho do escritório. E se os tabloides descobrissem? Seria a ultima vez que o filho prejudicaria sua carreira por causa de caprichos.

— Jesus Cristo! — Exclamou Preston. — Da ultima vez que meu irmão ficou com os olhos vermelhos, “a gente descobrimos” que aquelas ervas que levava pra casa não eram medicinais.

— Tipo... Drogas? — Nathan estremeceu. Era impossível imaginar o filho usando drogas sem ver a si mesmo completamente vulnerável.

— Sim. — Preston assentiu.

Por sorte, Justin já estava longe demais para ouvir a conversa. Ele subia devagar as escadas do hall enquanto as lembranças da ultima festa lhe atingiam. Mesmo tendo seguido seu plano com perfeição e causado o impacto desejado, ainda sobrou espaço para mais uma derrota. Nate conseguira vencê-lo fazendo exatamente o que ele nunca conseguiria fazer: Defender a honra de alguém como um verdadeiro homem. E não era apenas nos momentos necessários, era o tempo inteiro, como se fosse o estereótipo perfeito de todos os homens que se deitam com outros homens sem abrir mão de sua masculinidade. Não era uma coisa que Justin poderia dizer de si mesmo.

Desde criança seu comportamento incomum chamava a atenção das pessoas. Seus pais — agora mais tolerantes — temiam que o pior acontecesse, e dedicaram muito tempo tentando ensinando-lhe a praticar apenas o que julgavam certo.

Justin soube que era diferente muito antes de poder compreender o papel que cada um tinha em seu mundo. E mesmo tendo asilado a própria condição, nunca deixou de imaginar a vida se pudesse ser outra pessoa. Como seria se tivesse a masculinidade de Jensen? O que mudaria se fosse tão romântico como Alex e fizesse qualquer mulher se apaixonar? E se pudesse simplesmente agir como um garoto e continuar gostando de garotos? Nate parecia fazer isso de maneira tão natural, que de repente, Justin achava não ser bom o bastante nem para si mesmo.

Queria ele poder agir de maneira bruta e radical como Nate fizera no evento beneficente. Queria poder aparecer num outdoor da Calvin Klein ao lado de Thayer Van Der Wall. Às vezes só o que queria era não ser discriminado pela própria família e ser fiel a sua verdadeira personalidade. Mas se pudesse apenas não ser o garoto óbvio dos Hamptons, já estava de bom tamanho.

Ao entrar em seu quarto, Justin flagrou Nate recostado na cabeceira de sua cama, aproveitando o bom e velho uísque roubado do escritório de Nathan. Além de ter um sorriso desdenhoso estampado no rosto, Nate estava sujando o lindo conjunto de cama de Justin com os sapatos cheios de lama.

— Como você entrou aqui? — Justin mal acreditava no que estava vendo. Se nem seus pensativos depreciativos tinham destruído seu dia, Nate não tinha este direito. — Eu vou chamar os seguranças.

— Só quero conversar. Sente-se e beba comigo.

— Sinto muito. — Justin deu meia voltar para sair do quarto.

— Se não fizer o que eu pedi, gritarei para todos o que preciso dizer a você. E sem Censura.

Apesar da tranquilidade transparecida pela voz de Nate, Justin estremeceu com a ameaça. Deu meia volta onde estava e encarou novamente seu inimigo.

— Você não me intimida, Nate.

— Sério? — Nate tomou o ultimo gole de seu uísque e deixou o copo em cima do criado mudo. — Então por que não somos amigos? Você podia me mostrar aqueles polaroides que mostrou a Senhora Bennett e depois podemos falar sobre garotos.

Justin estava incrédulo. Como Nate podia não saber sobre o que aconteceu na festa? Será que pelo menos sabia que o irmão estava tendo um caso com seu ex-namorado?

— Entendi. — Justin sorriu. — Você quer saber se o seu irmãozinho realmente está ao lado de quem não deveria.

— Algo desse tipo.

— Vou lhe dar os polaroides, mas estou longe de ser seu amigo.

— Como quiser, princesa.

— Não me chame disso. — Justin endureceu a voz.

— Ok. — Nate levantou as mãos para o alto, fingindo rendição.

Justin sorriu uma ultima vez antes de marchar até o closet. Lá dentro, ele começou a remexer nas prateleiras procurando o tesouro. Nate apenas observava, disfarçando sua ansiedade, e perguntando a si mesmo se conseguiria também disfarçar a aflição que sentiria ao confirmar a verdade.

Quando deu por si, Justin já estava marchando de volta com uma caixa azul de sapatos nas mãos. Ele a arremessou em cima da cama, fazendo a tampa cair para o lado. Nate fitou a caixa e depois lançou um olhar intrigado na direção do garoto.

— Caixa azul? Viramos hominhos, agora?

— Apenas veja a porra das fotos.

E Nate obedeceu.

Em meio a tantos polaroides irrelevantes que resolveu ignorar, ele encontrou o que estava procurando. Alex e Jensen. Beijando-se apaixonadamente. Em pelo menos dez fotos. E o que seria impossível disfarçar, desapareceu completamente quando foi consumido por um insaciável desejo de dar o troco.

— Bom... — Nate pegou uma das fotos para observar de perto. — Se você ficar um pouco vesgo olhando esta, parece que o Jensen está excitado.

— Excitado? Sério? — Justin revirou os olhos.

— Sim. Enfim. — Ele pegou todas as fotos da caixa e colocou no casaco. — Foi um prazer rever você, Cher, minha diva. Mas agora eu tenho que ir.

— Ah não, por favor, fique. — Ironizou Justin com o olhar cínico.

— Seja um cavalheiro e abra a porta para mim. Dessa maneira nos certificados de que eu voltarei sempre.

— Para você ir embora, eu faço qualquer coisa. — Justin andou até a porta enquanto Nate o seguia.

Quando ele girou a maçaneta, Nate o surpreendeu levando uma seringa azul até seu pescoço. O garoto cambaleou para o lado, tocando com a mão direita o local onde foi injetado.

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— O que... O que você fez?

— É só uma coisinha pra você ficar quieto enquanto eu injeto o mais importante. — Nate sorriu.

— O que? — Justin se apoiou na parede para manter o equilíbrio. Em poucos segundos sua vista ficara embaçada e a boca completamente seca.

— Vem, eu te ajudo. — Vendo que estava prestes a desabar, Nate o agarrou e o arremessou no colchão.

Justin pensou em gritar por socorro, mas já não tinha controle sobre o próprio corpo. Seus braços, pernas, e garganta, nada parecia obedecer seu comando. Até mesmo a audição começara a lhe falhar pouco a pouco.

— Não me olhe desse jeito. — Nate sentou ao seu lado na cama, fingindo remorso com o olhar — Não sou eu o viciado em drogas, é você.

— O que? — Justin engoliu em seco. Mesmo com o som abafado, conseguia entender perfeitamente o que Nate dizia. — Eu não...

— Shh! — Nate colocou dois dedos em sua boca. — Você precisa descansar.

— Por quê? Eu quero... Meu. Pai...

— Ele já vem. — De dentro do bolso esquerdo do casaco, Nate sacou outra seringa. Dessa vez, com um líquido esverdeado. Era tão estonteante que precisou contemplá-la por mais alguns segundos antes de usar — Sempre me perguntei como algo tão bonito poderia ser capaz de matar. Mas no final, esta é apenas a verdadeira natureza da beleza. — Com o polegar, Nate pressionou a seringa, fazendo espirrar um pouco do liquido contido em cima do travesseiro.

Justin, quase inconsciente do seu lado, recebeu duas bofetadas para impedir que dormisse antes da hora. Ele precisava ver e ouvir o que iria acontecer para que até mesmo seu subconsciente fosse capaz de estremecer.

— Sabe Justin, eu sempre sonhei em ir para a reabilitação como as estrelas de Hollywood. E agora você tem a chance de realizar este sonho por nós dois. Você pode cumprimentar a Lindsay por mim? — Enquanto dialogava, Nate amarrava a liga alaranjada que tirara do bolso próxima ao cotovelo esquerdo. Só precisou bater duas vezes com os dedos no meio do braço e uma enorme veia verde apareceu.

— Não... — Justin virou a cabeça para o outro lado, uma lágrima escorria pelo rosto. Ninguém iria acredita que era um viciado, ninguém poderia obriga-lo a ir para um centro de reabilitação. Mas sendo um plano de Nathaniel Strauss, Justin sabia que não teria a menor chance.

— Não se preocupe, tenho certeza que você vai conseguir se recuperar. — Nate aproximou a seringa do rosto. — Sabe o que tem aqui? Um monte de porcarias novas que me deram em Paris. Fiz questão de guardá-las pra você.

— Vai pro inferno!

— Um dia, quem sabe. Mas agora é a sua vez. — Mirando na veia, Nate enterrou a agulha no braço de Justin e despejou todo o líquido verde dentro de seu organismo.

Justin sentiu a droga queimando seu braço aos poucos, e logo em seguida, já estava completamente inconsciente.

— Adoro overdoses. — O sorriso maligno de Nate foi capaz de despejar uma grande energia sobre o quarto.

Quando ouviu um barulho no jardim, ele ficou em estado de alerta. Limpou a seringa com o lençol de Justin para não haver mais digitais e a colocou na mão do garoto, na posição mais convincente que conseguira pensar. Se a conversa de Nathan e Preston havia terminado, teria que ser rápido para sair dali sem ser visto.

Pela janela do quarto ele conseguia ver Andy, Preston e Nathan no gramado, ainda conversando como bons amigos. Andy, por outro lado, parecia inquieto e olhava para a janela de cinco em cinco segundos para saber se ocorreu tudo bem.

Nate fez um sinal para ele seguir com o plano logo no momento em que já estava de saída. Nathan e Pervis tinham acabado de apertar as mãos como despedida.

— Na verdade, senhor Priestly, posso usar o banheiro antes de ir embora? — Perguntou Andy, coçando a cabeça. Era um dos muitos tiques nervosos que vinham a tona quando começava a mentir.

— Banheiro? — Preston olhou para o filho, estava ligeiramente confuso — Você não pode esperar até chegarmos em casa?

— Não, é urgente. E mesmo assim quero me despedir de Justin e avisar onde a gente tem que se encontrar amanhã.

— Por mim tudo bem. — Nathan deu de ombros. — Você sabe onde fica, certo?

— Sei sim, obrigado. — Andy correu para dentro da mansão no exato momento em que Nate descia as escadas do Hall. — Por que você demorou?

— Desculpe, me deixei levar pelo meu momento Jigsaw, nada de mais. — Nate olhou pela janela comprida na lateral. Sussurrar era a única maneira de se sentir seguro, mesmo que Preston e Nathan ainda estivessem conversando no jardim.

— Você conseguiu, pelo menos?

— Ele está dormindo como um bebê. Agora faça a sua parte. — Nate passou por ele e deu dois passos na direção da porta dos fundos

— Espera! — Chamou Andy, obrigando-o a voltar. — O que você injetou nele? Não é... Perigoso? — Ele engoliu em seco.

— Isso não é problema seu. Mas se ajudá-lo a dormir a noite, prometo que amanhã ele estará como novo, só que bem longe daqui.

— Ok. — Andy suspirou.

— Até a próxima. — Nate lhe deu um selinho antes de correr na direção da estufa.

Andy olhou para Preston e Nathan no jardim pela janela de vidro. Seu pai sempre seria um fazendeiro antiquado demais para fazer parte da elite, mas com ele poderia ser diferente. Ele poderia ter os Hamptons inteiramente só para ele quando derrubasse cada um de seu trono. E faria o resto da família aderir aos padrões luxuosos assim que tomasse posse de sua herança. Ajudar Nate em sua vingança pessoal, mesmo sendo perigoso, era exatamente do que precisava.

Andy respirou fundo e ajeitou a camisa, estava suando frio. Com a cabeça matutando o que precisava dizer, ele abriu a porta da frente e correu até o jardim. Nathan e Preston ficaram imediatamente preocupados quando notaram o olhar assustado do garoto.

— Por Deus, Andy, o que aconteceu? — Perguntou seu pai.

— Eu estava no quarto de Justin... — Andy respondeu. Tinha certeza que a atuação impecável os convenceria de qualquer coisa. — Ele está com uma seringa vazia nas mãos e não consegui sentir seu pulso.

— O que? — Nathan não precisava ouvir mais nada. Apenas correu na direção da mansão, sendo seguido por Preston.

Andy esperou que estivessem distantes para deixar um sorriso malicioso brotar no rosto. Era a única maneira de celebrar o que lhe parecia a centésima vitória do Time Nate. Porque dentro de si mesmo não havia como controlar os fogos de artifícios.


Mia fechou o guarda chuva assim que adentrou a biblioteca de seu bairro. Balançou-o três vezes para tirar o excesso de água e depois marchou em direção a recepção. Meg era o nome escrito no crachá da garota loira atrás do balcão que usava um vestido florido e uma tiara vermelha depois da franja. Ela abriu um sorriso de orelha a orelha quando notou Mia se aproximando.

— Como posso ajudá-la?

— Preciso usar a internet. — Mia colocou as duas mãos sobre o balcão, ao lado da placa que dizia “Recepção”.

— Temos apenas quatro computadores em funcionamento. O tempo máximo de uso é vinte minutos.

— Tudo bem.

— Qual o seu nome? — Perguntou Meg, abrindo o enorme livro de acesso e pegando a caneta azul jogada ao lado de sua lata de refrigerante.

— Mia Vlasak.

— Pode soletrar?

— V-L-A-S-A-K. — Mia olhou para a esquerda, onde estavam os computadores. Havia oito organizados em duas fileiras de quatro, e apenas dois de cada fileira estavam em funcionamento. A fileira da frente já havia sido completamente ocupada, mas havia uma vaga na fileira de trás ao lado do garoto negro de camisa listrada.

— Os computadores ficam à esquerda. — Meg sorriu. — Sinta-se à vontade.

— Obrigada. — Mia agarrou a alça de sua mochila e caminhou na direção do computador disponível.

A lentidão do aparelho lhe fez balançar o mouse duas vezes e sussurrar um insulto, que logo depois tornou-se um agradecimentos aos céus ao encarar a página de pesquisas do Google. Só precisava decidir por onde começaria a pesquisar sobre os Strauss.

Apesar de ter um laço apenas com Nate e Alex, Mia ansiava por compreender a história da família inteira para formar uma opinião. Eles não deveriam ser apenas uma família de americanos bilionários que sempre se envolvem em escândalos. Talvez houvesse mais, talvez houvesse menos, talvez fossem sua salvação como Lydia nunca pôde ser. De uma forma ou de outra, Mia se sentia no direito de ter respostas sobre tudo o que queria.

Como ponto de partida, ela escolheu a vida de Judit Strauss, a mulher que empregou sua mãe adolescente. Não havia muita coisa a seu respeito na internet a não ser fotos de sua falsa gravidez e entrevistas fajutas sobre como era uma mulher feliz. Se Mia tinha certeza sobre alguma coisa naquela história era que nenhum dos lados conseguiu atingir a plena felicidade relatada nas revistas. Nem a mulher viciada que vendeu os próprios filhos, nem a mulher prepotente que achava estar acima de todos por causa de sua conta bancária.

Antes que deixasse o desapontamento tomar conta e revogar o perdão a sua mãe, Mia decidiu seguir em frente com a pesquisa. Minutos depois, já estava completamente extasiada com a história dos irmãos. A chegada de Alex, o strip tease de Nate, a festa da Vogue, Amber, Gwen... Nas mãos do diretor certo, a história da família Strauss poderia render um ótimo longa-metragem. Porém, o mais impressionante ainda estava por vir.

De acordo com o The New York Times, o império dos Strauss ultrapassa os nove bilhões de dólares e só cresce a cada ano. Mia precisou se controlar na cadeira para não gritar um palavrão. Apenas um por cento desse dinheiro resolveria todos os seus problemas em um piscar de olhos e não faria falta a nenhum Strauss.

Não pense nisso, disse a si mesma. Seu subconsciente já estava começando a lhe convencer de que era uma interesseira. Uma interesseira que queria se aproximar da família biológica apenas por dinheiro.

Mia, você não é assim. — disse a si mesma novamente. Mas do que adiantaria se martirizar? Mesmo que Nate e Alex fossem a maneira mais fácil de resolver sua vida, ainda queria ter irmãos. Ainda queria fazer festa do pijama, brigar por atenção e ter um ombro amigo nas noites mais difíceis. Ainda queria ter companhia para assistir filme, alguém pra lhe acobertar quando fugisse pra balada e também para dizer que tudo vai ficar bem, mesmo que seu coração esteja partido. Porque é para isso que servem os irmãos. E é exatamente o que ela nunca teve.

Quando ouviu um barulho distante no corredor a sua direita, Mia ficou em alerta. Ela tirou a mão do mouse e viu um livro caindo, sem a ajuda de uma pessoa ou sequer do vento. Depois olhou para o garoto na máquina ao lado. Ele estava tão concentrado em sua pesquisa que mal notava o que acontecia ao seu redor.

Mia sabia que era ridículo temer o que julgava como uma simples coincidência, mas foi o próprio medo que lhe instigou a averiguar. Era ridículo achar que algo aconteceria com todas aquelas pessoas dentro da biblioteca. Por isso, não hesitou em caminhar até o livro atirado no chão.

Assim que levantou com o livro nas mãos, foi puxada por um homem para o próximo corredor onde não havia ninguém. Ela só percebeu de quem se tratava quando foi imprensada numa estante de livros e o homem a olhou nos olhos.

Era Michael, seu antigo traficante, que apontava um canivete vermelho na direção da garota como sempre fazia para cobrar suas dívidas.

— Shhh, quietinha. — Ele disse.

— O que você quer? — O coração de Mia disparou numa fração de segundos. Estava sendo difícil até mesmo respirar com os dedos tatuados de Michael apertando seu pescoço.

— Quero te foder nessa estante porque eu cansei de ser fodido por você.

— Já disse que vou pagar. — Mia olhou para trás o quanto a prisão de Michael lhe permitia. Queria apenas checar se ambos podiam ser vistos. — Só preciso de um tempo.

— Mais tempo? Você ta me enrolando há semanas.

— Mas dessa vez é sério, juro que consigo. Vai acontecer uma parada e vou ganhar muito dinheiro. Te pago tudo o que eu devo com dinheiro vivo, se quiser.

— Cala a boca. — Michael deu uma risada perante os sussurros. — Você ganhar muito dinheiro? Vai assaltar um banco ou fazer um pacto com o diabo?

— Não, mas prometo que te pago tudo o que devo. Me dê uma semana e seus cinquenta mil estarão nas suas mãos.

— Acho bom. — Devagar, Michael deslizou o canivete no lado direito do rosto da garota. — Ou então serei obrigado a cortar esse rostinho lindo que Lúcifer te deu.

— Vai pro inferno.

— Nós vamos. — Michael sorriu. E da mesma maneira que chegou, também desapareceu entre os corredores.

Mia imediatamente se sentiu aliviada. Agora parecia que até mesmo sua vida dependia da fortuna de Nate e Alex. E quando o momento chegasse, poderia viver tempo o suficiente para ver Michael cumprir sua promessa, ou viveria para sempre. Quisera ela ser apenas uma questão de escolha.

— Hey, Alex. — Jensen fitou o enorme quadro da sua sala de estar assim que saiu do elevador. Com o celular ainda na orelha, ele sentiu que seu vocabulário havia esgotado na trigésima ligação para o possível ex-namorado. — Sinto sua falta. Apenas... Me ligue.

Ele encerrou a chamada e jogou o celular em cima do sofá da sala de estar, pensando em como seria se realmente tivesse coragem de atirá-lo na parede. Provavelmente teria que juntar os pedaços e rezar para funcionar novamente caso Alex decidisse ligar.

Porque o amava. Porque o achava lindo. Porque era frustrante não ter tudo o que quer pela primeira vez em sua vida. Porque Alex precisava responder antes que Nate virasse o jogo a seu favor.

Era a única coisa em que conseguia pensar quando milagrosamente Alex não estava presente em seus pensamentos. Nate e sua proposta, Nate e suas indiretas, Nate e sua maneira irritante de fazer o lado das trevas parecer incrivelmente excitante. Será que estava mesmo falando sério ou era apenas mais um truque para conseguir machucar as pessoas? Jensen sentia que a ausência de respostas estava prestes a fritar o próprio cérebro.

Quando finalmente decidiu ir para o quarto tentar relaxar a mente, encontrou Nate escorado na cabeceira da cama, com as mãos na nuca, as pernas esticadas e apenas um lençol cobrindo da cintura para baixo. Seu olhar provocante e o sorriso malicioso deixavam claro que sabia sobre sua exuberância, e que sempre a usaria a seu favor.

— Uau... — Jensen deu um longo suspiro, acompanhado de um sorrisinho sem graça. Não estava preocupado em disfarçar o olhar obcecado com o que via, porque ninguém na face da terra conseguiria.

— Era essa a reação que eu estava esperando.

— Nate, o que você...?

— Não estrague o momento com perguntas. — Nate levantou. Não havia nada cobrindo tudo o que os garotos dos Hamptons matariam para ver. — Eu tomei uma atitude. Isso já basta.

— O que você está fazendo aqui?

— Não é óbvio? Provando que eu estava falando a verdade.

— Bom, você pode... — Jensen gaguejou. O abdome propositalmente despido de Nate estava dificultando sua difícil imposição. — Você pode provar usando roupas...

— Eu acho que não. — Nate fez uma careta. A inquietude nos olhos de Jensen era uma coisa que tinha esperado muito tempo para ver. — O que foi? Eu sou crescidinho agora, sexo não é mais um problema. Aliás, existe maneira melhor de provar à você que estou dizendo a verdade?

— Nate, acho melhor você vestir suas roupas. Então podemos conversar.

— O que? — Nate sorriu, como se Jensen estivesse apenas de brincadeira. — Você está com medo de mim? Não é como se eu fosse te apunhalar pelas costas enquanto estamos de baixo dos lençóis.

— Não, é que você não pode... Quer dizer, fazer essas coisas e... Você sabe que não pode, chegar aqui assim, e fazer isso... Essas coisas, não pode. — Nem mesmo Jensen havia entendido uma palavra que saíra da própria boca.

— Cara... — Nate estava sentindo vontade de soltar uma risada diabólica, mas precisou se conformar com um simples sorriso cortês. — Isso não faz o menor sentido, mas realmente não importa. Eu estou aqui. Demorei muito para tomar coragem, mas estou aqui.

— Eu não posso, Nate...

— Por que não? Naquele dia você me beijou de um je...

— Aquilo foi um erro. Você estava se passando por Alex e é por ele que eu estou apaixonado.

— Vai negar que continuou o beijo mesmo depois de descobrir que era eu? — Nate deu dois passos a frente.

Então, estava mais difícil do que ele imaginava. O sentimento que ele tinha por Alex era forte o suficiente para obriga-lo a ser fiel pela primeira vez em sua vida. Nem mesmo Nathaniel Strauss — oferecendo toda sua glória — conseguia ultrapassar esta barreira. Mas não havia motivos em qualquer raciocínio para que não insistisse até conseguir. Punir o irmão era o tipo de autodestruição que Nate iria adorar.

— Jensen, você não sabe o quanto foi difícil admitir que ainda gosto de você. Eu estou me odiando muito neste momento, pensando em simplesmente vestir minhas roupas e sair correndo e chorando como um garotinho rejeitado. Não me faça implorar por você, não me faça sair por aquela porta.

— Nate. — Jensen abaixou o tom de voz. Mesmo que acreditasse nas palavras de Nate, nunca arriscaria o que tinha com Alex por causa de todos aqueles sentimentos confusos.

O que ele não sabia era que no meio da atuação, Nate dizia o que seu coração mandava. Todas as palavras, todos os sentimentos, todos os pensamentos, tudo era real.

— Eu sinto muito, Nate. Eu não posso. — Jensen abaixou a cabeça.

Nate não o esperou terminar de falar, o agarrou com tanta pressa que seus dentes chocaram-se no momento em que os lábios se encontraram. Jensen não encontrou forças para impedi-lo, mas estava ciente de que era perigoso. Apenas um toque de Nate no lugar errado e eles terminariam na cama. Mais alguns segundos de beijo e ele falaria tudo o que estava sentindo. Ou o que achava sentir. Ou o que nunca deixara de sentir.

Queria segurar o rosto de Nate com as duas mãos e dizer o quanto estava arrependido por tê-lo magoado. Queria abraça-lo bem forte e confessar o quanto tinha sentido sua falta. Queria falar sobre os pesadelos que o assolavam só porque sabiam que Nate não estava lá para lhe amparar. E pedir desculpas pela pessoa que precisou se tornar para suportar a ausência de um amor que nunca mereceu. O mesmo amor que não poderia ser revivido para impedir que Nate se machucasse novamente.

Agora ele tinha Alex, um novo amor, o único capaz de fazê-lo mudar e encontrar a verdadeira felicidade. O único capaz de fazê-lo seguir na direção certa, sem machucar mais ninguém. Não, ele não podia machucar mais ninguém.

— Não. — Jensen o afastou. — Eu não posso. Eu amo outra pessoa...

Nate assentiu devagar após o choque daquelas palavras. A tentativa de ficar com Jensen era tão falsa quanto aquela dor nunca seria.

— Me desculpe você, J. — Nate se afastou. — Eu não devia ter vindo aqui...

Ele juntou suas roupas espalhadas pelo chão ao lado da cama. Vestiu a calça por cima da bermuda, mas não teve tempo de vestir a camisa. Apenas colocou o casaco por cima de seu peito nu e o fechou.

— Não é sua culpa, Nate. Eu gosto de outra pessoa, não tem nada de errado com você...

— Eu sei. — Nate o fitou. — Você gostou de mim de verdade quando eu era gordo e feio, não precisa se explicar. Eu que viajei. Não conte isso pra ninguém, tudo bem? Não iria aguentar a pressão se as pessoas soubessem. — Mesmo estando verdadeiramente decepcionado, Nate colocou sua atuação em primeiro lugar.

— Não vou contar...

— Obrigado. — Nate passou por ele. Caminhei até chegar a porta e virou de volta. — Não sei se você sabe, mas gostar de outra pessoa não vai mudar o que você sente por mim.

— Isso não significa que eu não posso tentar.

— Não culpo você. Eu também não iria querer me amar.

Nate deu as costas para ele e caminhou na direção do elevador. Jensen permaneceu estático fitando o vazio, com os olhos cheios de solidão e culpa. Como ele iria lidar com o que tinha acabado de acontecer? Como era possível superar se ele estava com alguém que lembrava a todo momento quem ele estava tentando esquecer? Jensen já estava começando a acreditar que o passado nunca lhe deixaria em paz.

Nate, dentro do elevador, apertou o botão para que ele interrompesse a descida antes de chegar ao terceiro andar. Ali, escorado no espelho e completamente sozinho, ele começou a despejar as lágrimas verdadeiras que nunca ninguém veria. Como um plano que visava punir o irmão havia terminado com ele mesmo de coração partido? Estava na hora de colocar sua impulsividade para trabalhar.

Enquanto houvesse Alex Bennett, nunca haveria lugar nos Hamptons para Nathaniel Strauss. Tudo o que queria era simplesmente desaparecer com as cinzas de uma guerra que tão bem lutou.


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2x05: If You Love Me, Why Am I Gone? (12 de Julho)
Nate encontrou a primeira dificuldade sentimental em seu plano, e os próximos eventos de sua trajetória prometem ser decisivos. Alex ou Nate?

Bônus: Muitos fãs estão me procurando nas redes sociais para conversar sobre o livro, e uma das perguntas mais frequentes é: Por que todos se apaixonam pelo Jensen? Já deixei claro que ele é a perfeição em forma de masculinidade, mas para vocês que só acreditam em "ibagens", está aqui uma foto que salvei em um site há alguns meses. Ela mostra mais ou menos como eu enxergo o Jensen dentro da minha cabeça, então... Agora quem tem uma pergunta sou eu. É possível não se apaixonar perdidamente? rs

Após o pedido dos fãs, revolvi colocar a 1ª Temporada completa para download em PDF. Segue o link para quem quiser baixar: http://goo.gl/pWtiku



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