domingo, 6 de julho de 2014

[Crítica] Hoje Eu Quero Voltar Sozinho


Direção: Daniel Ribeiro
Ano: 2014
País: Brasil
Duração: 95 minutos
Título original: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Crítica:

Nem todo amor acontece à primeira vista.

Apesar do Brasil ser mais conhecido por suas produções de "realidade chocante", como Tropa de Elite e Cidade de Deus, e suas comédias, De Pernas Pro Ar e Cilada.com, há diversos outros gêneros que são bem trabalhados, mas não recebem o devido reconhecimento. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho certamente é um deles. O filme teve um enorme destaque no mundo afora, recebeu diversos prêmios, e, ainda assim, recebeu uma distribuição limitada nos cinemas nacionais. Por quê? Por ser "polêmico"? Sinceramente, essa questão é uma grande besteira. A única polêmica mesmo seria debater porquê os estrangeiros dão mais valor para nossas produções do que nós mesmos.

A história deste filme gira em torno de Leo, um adolescente cego que, como qualquer adolescente, está em busca de seu lugar. Desejando ser mais independente, o garoto precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe. Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana, ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio. Porém, a chegada de Gabriel, um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver um mundo novo para a vida dele.

Para quem não sabe, esse filme é baseado em um curta-metragem, chamado Eu Não Quero Voltar Sozinho, que está disponível na íntegra no canal oficial do filme, no Youtube. Ao contrário do que foi anunciado erroneamente no começo da produção do filme, esta história do longa não é uma continuação, mas sim uma reimaginação da mesma trama, com novos elementos e personagens. Além, é claro, de apresentar novos conflitos e desenvolver melhor os que já haviam sido levantados nos quase vinte minutos do curta. O mais legal é que os três atores principais do curta-metragem voltam a encarnar os seus papéis no longa, o que os tornam mais seguros em suas interpretações.

Ao falar sobre os atores, não tem como não destacar a atuação do Ghilherme Lobo, na pele do menino cego, Leornado. Ainda que ele deixe a desejar em alguns diálogos, é inegável o seu trabalho como cego. É tão perfeito que parece que o ator realmente não consegue enxergar. Desde o olhar vago até os sustos com os toques inesperados, é realmente sensacional. Fabio Audi também está muito bem na pele do Gabriel, e entrega uma interpretação convincente e natural. Juntos, esses dois atores são ótimos, porque eles têm uma química forte. Já tínhamos visto isso no curta, mas neste filme houve muito mais desenvolvimento. Nem preciso dizer que as melhores cenas da história envolvem os dois, certo?

O que eu mais gostei na proposta desta história, porém, é que não apela para os clichês irritantes de outros filmes gays. Esta é uma trama que aborda o tema de uma forma simples e convincente. Homossexualidade é uma coisa natural hoje em dia, então eu não entendo porque produções atuais continuam desenvolvendo suas histórias como se isso fosse um enorme tabu, presos em uma mentalidade de cinquenta anos atrás. Por que não pode existir um final feliz para histórias gays? Daniel Ribeiro os desafia e mostra que, sim, é possível. Outra situação que enriquece o filme é não apelar para o sexo - que é outro grande clichê das produções que focam em personagens gays.

Enfim, eu gostei bastante deste filme. Além de trabalhar bem sua história, consegue acrescentar bons elementos para sua trama. O único ponto negativo mesmo é que tudo demora demais para acontecer, e, quando acontece, o filme acaba rapidamente - deixando um desejo, por parte do espectador, de querer ver mais (assim como no curta). Apesar da maioria das tramas terem uma espécie de conclusão, uma sequência não seria um absurdo. Muito pelo contrário, há diversos outros pontos que ainda podem, e devem, ser trabalhados. Bem, a recomendação parece bastante óbvia agora, não é verdade? Vocês não irão se arrepender. É um filme fofo e tocante, que merece ser conferido.


Trailer:

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1 comentários:

  1. Eu gostei muito do curta, e se o filme for tão bom, merece todo o destaque internacional que está tendo.

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