sábado, 14 de junho de 2014

[Livro] The Double Me - 2x01: Shut Up and Do Me (Season Premiere) [+18]


Previously on The Double Me...
Hamptons, Nova York. Foi lá que tudo começou.

Nate tinha apenas 15 anos quando foi traído pelos amigos e exilado da cidade para evitar os escândalos de sua vida secreta com o namorado. Eles pensaram que a guerra havia acabado, mas este era apenas o começo.

Nos três anos que sucederam sua trágica perda, Nate transformou-se em um cruel vingador, capaz de perder a si mesmo dentro do próprio ódio para derrubar todos aqueles que lhe fizeram mal. A chegada repentina de seu irmão gêmeo pode ter mudado seus planos, mas nada irá impedi-lo de concluir seus objetivos. No final, será olho por olho. E dente por dente.

A estrada até aqui deixou muitos assuntos inacabados. Nate e Thayer Van Der Wall, recém chegado a cidade, iniciaram uma Guerra particular que incendiou o aniversário da revista Vogue; tudo enquanto Alex lutava para descobrir a verdadeira história por trás de sua adoção. Justin, enfurecido de tanto ciúme, pisou fundo no acelerador e atropelou Jensen numa das avenidas mais movimentadas da cidade. Quem vive, quem morre, quem vai ao topo e quem vai a falência, é apenas uma questão de tempo até descobrirmos. 


Atenção: Os capítulos desta segunda temporada pertencem ao primeiro livro The Double Me, que foi dividido em duas partes para se adequar ao nosso método de postagem. Disponibilizarei no final do capítulo um link para download da primeira temporada completa em PDF.

2x01: Shut Up and Do Me
“Sexo é a resposta.”

Um estado de calamidade havia sido decretado no principal hospital de Manhattan. Jensen McPhee, o famoso filho do político Patrick McPhee, havia sofrido um acidente de carro a caminho de uma das festas mais requisitadas do meio artístico. Apesar do que as dezenas de fotógrafos revelavam a mídia, a avaliação parcial dos cirurgiões comprovava que não havia sido nada grave. Jensen poderia muito bem caminhar até o quarto reservado se não fosse a insistência de seu irmão, caminhando lado a lado de sua maca pelos corredores do hospital.

— Nenhuma fratura. — Disse uma das médicas que corria ao seu lado.

— Jake, me tire daqui... — Jensen puxou a camisa do irmão.

— Fique calmo, vai dar tudo certo...

— Eu estou bem... — Jensen levou a mão direita até sua cabeça. O sangue escorrendo de seu ferimento na testa dizia exatamente o contrário do que estava pensando. — Merda. Jake, não ligue pro meu pai...

— Ok, não vou ligar.

— Por favor, ele vai ficar chateado. — Jensen engoliu em seco. O gosto de sangue na boca o fazia ter vontade de vomitar.

— Não vou ligar, eu prometo.

— Senhor, precisa esperar aqui fora. — Disse a outra médica, de cabelos loiros. A porta da ala cirúrgica era o limite estipulado para acompanhantes.

— Ok...

Jake apenas se afastou para deixar os médicos fazerem seu trabalho. Ainda estava tentando encontrar uma explicação lógica para este acidente repentino. Se não havia ferimentos graves, o carro que atropelara seu irmão não estava em alta velocidade. E se não estava em alta velocidade, o agressor dentro do veículo não tinha intenção de matar. Mas se não tinha intenção de matar, o que realmente queria? Machucar? Assustar a família? Patrick deveria saber de tudo o que aconteceu para tomar as devidas providências.



— Que droga! — Era a sexta folha de papel que Nate arremessava na lata de lixo. E o enorme espelho a sua frente lhe dizia que o número iria dobrar para tirar o resto do glacê que ainda estava em seu rosto.

Thayer, ao seu lado, apenas sorriu. Provavelmente teria que jogar fora aquelas roupas cheia de comida, mesmo achando que aquela noite tinha valido a pena. Quando foi a ultima vez que se divertiu tanto sem prejudicar uma pessoa? Era impossível que Nate não estivesse pensando o mesmo. Já estavam lado a lado no mesmo banheiro há quase vinte minutos, com certeza as mágoas tinham ido para o lixo junto com o glacê do bolo.

— Podemos sair daqui? — Thayer fitou o espelho por alguns segundos para mexer no cabelo e deixa-lo como deveria. — É um bar de segunda.

— Você precisa da minha permissão para fazer alguma coisa? — Nate livrou-se de mais uma folha amassada. Era possível ter glacê por trás dos olhos? Ele não estava duvidando de nada.

— Só estava sendo educado. — Thayer cruzou os braços. — Mas já estou pronto para te dar o troco.

— Thayer... — Nate virou para encará-lo, preparando seu tom de voz sutilmente intimidante. — Eu sei que você é um Van Der Wall, mas a palavra “desistir” deveria começar a fazer parte do seu vocabulário. Só assim você vai descobrir o que significa autopreservação.

— Quando foi que você ficou tão cheio de si? Parece que você faz um grande esforço pra esconder o garoto com quem transei em Paris. Isso se ele ainda existir por baixo dessa carcaça de pedra.

— O que você quer dizer?

— Você é a pessoa mais desprezível que eu conheço, e eu não consigo achar isso ruim.

Nate quase sorriu. Aquele tinha sido o primeiro elogio verdadeiro que recebera desde que tornou-se o garoto perfeito aos olhos do mundo. Quentin havia feito vários comentários para engrandece-lo ao longa de sua relação, mas Nate não poderia confiar em alguém que não consegue enxergar seu lado sombrio; mesmo sendo o seu único lado.

Thayer, em contrapartida, admirava até mesmo seus piores feitos.

— Eu desisto. — Thayer deu um meio sorriso. — Mas estarei aqui para ver de camarote o que você guardou para o Jensen.

Nate olhou-se no espelho quando ouviu o nome de Jensen ecoar pelo local. Como em todas as outras vezes, era possível enxergar dentro dos próprios olhos o garoto que costumava ser; o mesmo que caia aos pedaços por dentro sempre que aquele nome era mencionado.

O que poderia fazer para que Jensen olhasse no espelho e sentisse a mesma coisa? Nada parecia ser o suficiente perto do que havia feito. A não ser que o jogo mudasse, e todas as respostas pudessem ser encontradas no “olho por olho”.

— Jensen? Nem queira saber.

— Estou indo embora. — Thayer passou por ele. — Vou nadar a noite inteira. Adivinha quem tem as chaves do clube?

— Ex-nadadores não deveriam ser tão convencidos.

— A não ser que eles sejam Thayer Van Der Wall.

Nate apenas sorriu enquanto Thayer desenvolvia sua saída triunfal. Como não era o bastante admitir que a vitória de Nate não mudava em nada, ele precisou piscar, sorrir e morder os lábios por milésimos de segundos antes de passar pela porta. Foi dessa maneira que ele se despediu em Paris após a primeira noite. Seria encantador se não fosse tão repulsivo.

Nate deu ultima olhada no seu visual através do espelho. Fora as roupas sujas de comida, estava tudo em ordem. Ou pelo menos aceitável para quando chegasse a hora de tomar banho.

— Vai se ferrar, Nate baleia. — Ele disse para si mesmo. Então passou pela porta, indo diretamente até a entrada do bar.

Olhares? Cochichos? Fotógrafos? Não havia nada disso ali dentro. Nenhum dos frequentadores humildes daquele bar fazia ideia da importância do nome Nathaniel Strauss, e pouco se importavam com o garoto bem vestido que voltava para casa. Não era necessário que as pessoas daquele local soubessem de todos os escândalos que ele participava, mas se ainda não sabiam, era porque algo estava errado no seu plano de dominar o entretenimento.

Em poucos segundos ele já estava do lado de fora, contemplando as ruas movimentadas de Nova York. Sua limusine estava estacionada há alguns metros, próximo ao garoto de terno e gravata que Nate não poderia deixar de notar. Ele era loiro, alto, forte, e mesmo de costas, a pessoa ideal para salvar uma noite desastrosa.

Quando notou Nate parado na calçada a alguns metros de distância, o garoto sorriu.

— Nathaniel Strauss, certo?

— Talvez. — Nate sorriu de volta, cheio de segundas intenções.

— Meu nome é Ian, sou o filho do Dennis. Ele teve uma emergência familiar e me mandou ficar no seu lugar. Isso é um problema para o senhor?

— De jeito nenhum.

— Então, aonde vamos agora?

— Você pode me levar pra casa.

— Sim senhor. — Ian sorriu. E como um bom empregado, correu até o banco do motorista.

Nate levou um tempo para sair do transe que os olhos verdes de Ian tinham lhe deixado. Era como se estivesse vivendo o início de pelo menos metade dos filmes pornográficos que já assistiu. Seus pensamentos estavam lhe ordenando a seguir o roteiro, porém, só valeria a pena de verdade se houvesse um pouco de originalidade. Talvez um bilhete escrito “Obrigado por me fazer feliz na minha ultima noite de vida” logo depois do terceiro ato. Seria tão épico quanto dar o número de uma pizzaria ao invés do seu. Afinal, tradição era tradição, e brincar com seus encontros casuais sempre ficava mais divertido com o tempo.

— Podemos, senhor? — Perguntou Ian, olhando para Nate pelo retrovisor da limusine.

— Com certeza.

Ian pisou fundo no acelerador.

Enquanto ele dirigia pela cidade, Nate planejava exatamente o que iria dizer para fazer sua noite casual dar certo. Poderia lançar um olhar sugestivo através do retrovisor, ou provoca-lo fazendo o bom uso de indiretas para que fosse até o banco de trás. Se funcionou com um executivo casado no metrô de Paris, funcionaria com qualquer outra pessoa em qualquer outro lugar.

Só que tenta distração não lhe deixou perceber que Ian estava seguindo o caminho errado. No lugar dos prédios, agora, havia árvores gigantescas. E no lugar do asfalto, uma estrada de terra que Nate não conhecia.

Foi próximo a uma árvore derrubada no meio do caminho que Ian freou de maneira brusca, quase machucando seu passageiro no banco de trás. Nate olhou pela janela, sem entender o que acontecia. Estavam mesmo no meio do nada, mas isso poderia não ser tão ruim.

— Onde estamos? — Ele perguntou.

Ian não disse nada, apenas saiu da limusine e deu a volta para chegar até a porta do banco de trás. Quando a abiu, agarrou Nate pelo colarinho da camisa e o jogou em cima do porta-malas. Sua atitude fez o garoto ficar na defensiva, mas era melhor deixar tudo acontecer. Ian não estava longe de ser o tipo selvagem que Nate precisava experimentar.

— Então, você curte hardcore? — Nate mordeu os lábios. A lama estava sujando seus sapatos caros, a escuridão atrapalhando seus olhos, e Ian cada vez mais perto.

— Ah, eu gosto. — Ian o puxou pela roupa novamente e o jogou numa poça atrás do veículo. Agora sim Nate estava certo de que aquilo era uma tragédia.

— Por que você fez isso, idiota?

— Sinto muito, mas Thayer foi bem específico: “Jogue-o no meio do nada e diga que eu o mandei ir para o inferno”. Acho que você sabe o que fazer agora.

— O que? — Bastou ouvir o nome de Thayer para que deixasse a fúria lhe consumir. Então tudo aquilo era ideia dele e fazia parte da sua vingança de colegial? Ele realmente não fazia ideia da pessoa com quem estava lidando.

— Se quiser uma vingança, é só me ligar. — Ian atirou seu cartão no chão enquanto caminhava de volta para a limusine. — Faça uma proposta melhor que a dele e terá meus serviços. Agora com licença. — Ele girou as chaves e pisou no acelerador.

— Espera! — Nate se levantou do chão e correu até a limusine. De tanto bater nas janelas, acabou sujando-as de lama. — Você não pode me deixar aqui! Eu não sei onde estou!

— É claro que não sabe. — Ian sorriu. — Cuidado com as aranhas.

— Aranhas? — Os olhos de Nate se arregalaram. Ele continuou a bater na janela com seus punhos sujos de lama até que fosse deixado para trás.

Agora era apenas ele, as estrelas, a escuridão, e possivelmente os ninhos gigantescos de aranhas que estava fadado a encontrar. Como se não bastasse, seu corpo fedia como um chiqueiro por causa da lama, e possuía restos de glacê de bolo até mesmo na nuca. Acima da sua cabeça, ele conseguia ver as nuvens de chuva cobrindo as estrelas e formando mais um temporal. Então, as coisas realmente poderiam piorar.

Nate só precisava de mais algum tempo pra decidir como iria escapar daquela armadilha, mas qualquer coisa seria melhor que ficar parado esperando ser atacado por um animal selvagem.

— Thayer, eu te odeio. — Murmurou para si mesmo. Obviamente se tratava uma maldição.

Ele cruzou os braços e começou a caminhar na direção onde viu a limusine desaparecer. O medo e o nervosismo estavam quase tomando conta do seu corpo quando percebeu que havia algo par impedi-lo de se entregar. Bastava imaginar-se socando o rosto de Thayer e revelando ao mundo inteiro suas preferências sexuais para que o medo desaparecesse completamente. Será que Quentin conseguira hackear sua conta bancária e esvaziá-la até o fim do dia? Esse seria um verdadeiro golpe de mestre que valeria por tudo o que estava passando.

Em meio ao barulho dos grilos e do vento batendo nas árvores, Nate ouviu um latido. Quando olhou para trás, percebeu que se tratava de um cachorro de rua, tão cheio de feridas quanto... Realmente não havia nada que se comparasse àquela besta selvagem.

Então, realmente havia chegado a hora de jogar tudo para o alto e perder a dignidade no meio do caminho. Não bastava ter sido humilhado na festa da Vogue e estar com as roupas cheias de lama, também precisava ser perseguido por um cachorro de rua no meio do nada. Era isso, ou receber uma mordida gratuita.

Nate sabia exatamente o que fazer.

Fingiu estar calmo perante o animal e depois começou a correr, tão rápido quanto fazia nos duros treinamentos em Paris.

A perseguição durou apenas alguns instantes, mas tempo o suficiente para que encontrar um caminho de terra por onde automóveis poderiam circular. Seus gritos incessantes não serviriam de nada. Ninguém poderia ouvi-lo. Ninguém iria ajuda-lo. E num breve momento de distração, o pior aconteceu. Nate tropeçou em um pequeno galho de árvore e caiu no chão, com o rosto diretamente em um monte de estrume.

A fúria e o nojo paralisaram seu corpo, deixando-o completamente sem reação. Nate apenas levantou a cabeça, fitou o horizonte e gritou o mais alto que pôde enquanto o cachorro lambia seu rosto. Se ainda houvesse vida para ele depois de tudo o que aconteceu, com certeza não haveria para Thayer quando o encontrasse.



— Jensen! — Alex gritou, adentrando o quarto de hospital.

Jensen já estava de pé, parado em frente a enorme janela com uma linda vista para a avenida. O cabelo bagunçado e a roupa de hospital diziam claramente o quanto seu dia estava péssimo.

— Alex?

— Você está bem? — Alex correu para abraça-lo, e sem querer, acabou apertando demais.

— Uow, vai com calma. — Jensen o afastou.

— Me desculpe. O que aconteceu?

— Eu sofri um pequeno acidente...

— Pequeno acidente? — Alex olhou para ele. Estava de pé, mas o rosto cheio de curativos.

— É, eu só... Um cara idiota não respeitou o sinal e me acertou, mas não é nada grave. Eu nem precisei de cirurgia... — Jensen quase vacilou. Deveria mesmo considerar a pequena cirurgia de quarenta e cinco minutos apenas para conter o sangramento ou não preocupar o namorado era a prioridade?

— Mas Jake disse...

— Ele é meu irmão. Tem direito de ser exagerado.

Alex estava quase convencido de que não deveria se preocupar. Jensen parecia muito bem comparado a descrição de Jake. Ou talvez, dada as circunstâncias, bastante recuperado. Como não acreditar naquele sorriso que sempre conseguia o que queria?

— Então, você vai viver... — Alex sentou na beira da cama, de frente para a janela. O rosto entristecido estava confundindo os pensamentos de Jensen.

— Nossa, não fique tão feliz por isso... — Jensen ironizou, sentando-se ao lado do garoto.

— Não tem nada a ver com você, é só... Você também é meu melhor amigo, e essa foi uma das piores noites da minha vida. Queria poder contar tudo o que aconteceu, mas acho que você não está em condições neste momento. E eu estou me sentindo um verdadeiro egoísta por precisar tanto desabar.

— Não seja tão duro consigo mesmo. Eu estou aqui...

— Posso ficar aqui até seu pai chegar?

— Tudo bem.

— Obrigado. — Alex parou de falar. O silêncio e a vista nublada da janela pareciam adorar a guerra que havia em sua cabeça.

— Quer comer alguma coisa?

— Comer? — Alex sentia náuseas só de imaginar. — Não estou com cabeça pra isso.

— Quer me contar o que aconteceu ou precisa de um tempo?

— Problemas na família. — A vergonha em citar seus entes queridos fez Alex encarar o chão. Para alguém que havia dito milhões de vezes o quanto sua família era perfeita, Alex estava deprimido demais. — Acho que não dá pra ser um Strauss sem o drama familiar.

— Isso tem a ver com seu irmão? Ele te fez alguma coisa?

— Não, estamos bem. — Alex suspirou. — Não existe uma maneira delicada de dizer isso, então vou apenas dizer. Judit nos comprou de sua empregada grávida há dezoito anos e escondeu a verdade de todo mundo. Agora acabamos de descobrir que temos uma irmã gêmea perdida que ela não fazia ideia que existia.

— O que? — Jensen arregalou os olhos. Estava mesmo ouvindo direito? Alex e Nate eram filhos de uma ex empregada dos Strauss e foram comprados pela família? Eles tinham mesmo uma irmã gêmea que nem sabiam que existia? Era muita informação para ser processada. — Ai meu Deus...

— Eu sei. A boa notícia é que ela vai começar a procurar nossa irmã mesmo que precise dizer a verdade a todos.

— Nate já sabe?

— Eu não estaria aqui se soubesse, estaria tentando convencê-lo a não colocar fogo na mansão. — Alex deu um ar de risos depressivo.

A relação com o irmão era a única coisa que permanecia intacta em sua vida. Não importava quantos segredos Judit escondesse, não importava quantas verdades precisavam ser ditas. Nate era seu irmão de sangue e nada poderia desfazer este laço. A não ser... Era só uma questão de tempo até que lhe contasse a verdade sobre Jensen.

— Nossa, eu... Não sei o que dizer. O que você vai fazer? — Jensen temia arriscar um conselho errôneo.

— Agora? Tentar dormir. Posso passar a noite aqui?

— Na poltrona? — Jensen apontou para trás com o polegar. A poltrona preta ao lado da porta não parecia ser confortável o suficiente para seu namorado.

— Eu já estive em lugares piores... — Alex deu um ar de risos. Mal acreditava que tinha conseguido fazer uma piada depois de tudo.

Sem hesitar, Jensen se aproximou para beijá-lo carinhosamente. Demorou apenas cinco segundos, mas foi o suficiente para Alex perceber do que precisava.

— Eu te amo. — Jensen sorriu cortês.

A abonança não iria demorar.



Duas horas se passaram desde que Nate encontrara um dos hotéis de seu pai após sair da floresta. Um banho de água quente demorado e litros de perfume foram o bastante para tirar todas as impurezas da floresta. Agora estava como novo, pronto para tratar de negócios inacabados com um certo nadador.

O Clube estava há poucos metros de distância do local onde o seu taxi havia parado. Com as luzes ligadas e o carro de seu inimigo do outro lado da rua, estava claro que não havia chegado tarde demais.

As enormes portas de entrada lhes levaram até a recepção, a beira de duas piscinas de treinamento. Em uma delas estava Thayer, nadando tranquilamente de um lado para o outro com um cronômetro esperando-o em cada borda. Suas roupas estavam jogadas em cima do banco de ferro vermelho junto do celular e os itens de seu armário que fora obrigado a levar embora. Era o momento perfeito para lhe mostrar com quem estava lidando.

Nate caminhou até a borda mais próxima e o esperou nadar de volta. Thayer mal teve tempo para recuperar o fôlego. Quando voltou a superfície, Nate segurou sua cabeça e afundou de volta na piscina.

— Como está a água, Guadalajara? — Nate sorriu. Fingir que iria mata-lo era tão divertido que poderia virar uma tradição.

Quando o soltou, Thayer imergiu até a superfície para recobrar o fôlego. Seus olhos arregalados de medo roubaram mais uma risada de Nate.

— Você ficou maluco?

— Definitivamente. — Nate cruzou os braços. — Agora sai da piscina, preciso atirar em você.

— Deixe-me adivinhar... — Thayer passou os dedos no nariz para conter a ardência. — Ian e você se divertiram bastante, não é? Ele é um ótimo ator. E bom de cama também.

— E você é um homem morto.

— Estou morrendo de medo. — Ignorando a escada de ferro do outro lado, Thayer debruçou-se na borda da piscina para sair.

— Eu fiquei perdido numa floresta escura, fui perseguido por um vira lata e demorei horas pra tirar aquele cheiro de merda de cima de mim. Você deveria estar com medo.

— Parece divertido. — Em passos lentos, Thayer caminhou até a toalha em cima do banco de ferro. — Mas você sabe que mereceu. Já tinha conseguido me tirar da competição, não precisava ter mandando aquele fax para todas as faculdades do país.

— É, eu sempre fui meio competitivo. — O sarcasmo de Nate transpirava pelos poros. Mesmo tendo vivido um inferno naquela floresta, Thayer parecia ter perdido muito mais que ele naquela briga.

— Bom, considere-se perdoado. — Thayer deu alguns passos a frente. Agora estava cara a cara com seu inimigo, num jogo de olhares que não estava disposto a perder. — A não ser que ainda tenha algo a dizer, acho que acabamos por aqui.

O ódio culminante que sentiam um pelo outro era exatamente o que estava destruindo suas vidas. Mas não havia uma maneira de ignorar o lado masoquista que fazia parte da personalidade de cada um. Era divertido brincar de destruir por etapas. Era divertido testar seus limites e cultivar um ódio aparentemente sem sentido. Ambos admitiam estar diante de um garoto incrível com um enorme poder de aniquilação. Então por que deveriam permanecer em guerra?

— Na verdade, quero sim. — Disse Nate. — Você é patético, repulsivo, irritante e péssimo na cama. — Ele quase sorriu. As palavras saiam de sua boca como se tivessem vida própria. — Você pode contar vantagem por um dia ter ficado com alguém como eu, mas deveria saber que foi a pior experiência sexual de todos os tempos.

— É mesmo? — O sorriso de Thayer estava cheio de ironia. Apenas um morador do Brooklyn não saberia que toda aquela raiva era desejo reprimido. Um desejo que Thayer acreditava ser mútuo.

— Sim. — Nate engoliu em seco. De tanto insistir em sua pose de durão, seu corpo começou a estremecer. Não era possível que seu coração estivesse batendo mais forte na presença do anticristo. Com tantos garotos atraentes a sua disposição, era inaceitável que Thayer fosse o único que lhe causava arrepios instantâneos. Ou seria assim tão ruim ficar com o mesmo garoto que fez da sua primeira vez inesquecível? 


Disease by Matchbox 20 on Grooveshark

Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Nate foi surpreendido com o beijo que aprendeu a querer da mesma maneira que o temia. Enquanto seus olhos permaneciam fechados, os lábios tentavam encontrar a sincronia perfeita para fazer tudo acontecer com perfeição. Não havia dúvidas de que a intimidade os rebaixaria para sempre. Não havia dúvidas de que as consequências de seus instintos não poderiam ser desfeitas. Mas no final, ambos estavam dispostos a aceitar a humilhação da própria consciência para que pudessem ficar tão próximos.

— Eu te odeio. — Disse Nate, as pressas. Não queria deixar seus lábios afastados por muito tempo.

— Eu também te odeio. — Respondeu Thayer, da mesma maneira.

A ferocidade do beijo lhes levou diretamente para dentro da piscina, numa queda repentina que estava longe de tirar o clima. Só precisaram voltar a superfície e encher os pulmões de ar e continuar exatamente de onde pararam.

Com a ajuda de Thayer, Nate livrou-se de peça por peça da roupa que estava usando. Primeiro o casaco, depois a camiseta, até restar apenas uma cueca branca destinada aos dentes de sua companhia. A única maneira de saciar completamente seus desejos e recuperar o tempo perdido era abusar do comportamento selvagem que seus corpos tanto imploravam.

Quando notou o que Nate escondia debaixo d’água, Thayer o imprensou na borda da piscina para dominá-lo com outro beijo. Sua língua percorreu cada traço e cada cicatriz do corpo de Nate até encontrar a grande recompensa no final do caminho.

Nate estava certo de que Thayer guardava o paraíso nos lábios. E se não soubesse demonstrar gratidão, nunca seria apresentado ao seu inferno particular.


— Meu Deus, Guadalajara. — Nate sussurrou, com a respiração ofegante. — Isso foi... Intenso.

— Valeu. — Thayer tentou não sorrir para poupar o ar. — Por que demoramos tanto pra fazer isso?

Ele virou a cabeça para olhar nos olhos de Nate. Ambos estavam deitados na borda da piscina, completamente pelados, apenas fitando o teto sem vida daquele lugar como se fosse um céu estrelado. Nada melhor que alguns minutos de descanso depois de uma noite de trabalho.

— Porque somos dois idiotas orgulhosos. — Nate respondeu.

— Bom, foi um ótimo jeito de extravasar a raiva...

— E agora o que a gente faz?

— Acho que ainda existe muita raiva para ser extravasada.

— Cala a boca. — Com um pequeno empurrão, Nate conseguiu jogar Thayer de volta na piscina. Era o preço que teria que pagar por ter lhe roubado uma risada, e por fazê-lo sentir-se tão confortável ao seu lado.

Thayer exibiu um lindo sorriso quando voltou a superfície. Por coincidências, estava pensando exatamente a mesma coisa.

— Então, isso é uma trégua? — Ele ao colocar os braços na borda. Apenas alguns centímetros separavam seus lábios de encontrar os de Nate.

— Depende. Você ainda vai se meter no meu caminho e estragar meus planos?

— Não se você não estragar os meus...

— Falando nisso, não abra seu armário do ginásio. Eu meio que coloquei alguns animais indesejáveis lá dentro. — Nate fez uma careta.

— O que? — Thayer sorriu. — Quantos planos malignos você tinha contra mim?

— Eu sabia que você não ia parar, então decidi me prevenir.

— Ok, confesso que talvez tenha colocado creme depilatório nos seus shampoos...

— Hey, Isso é golpe baixo!

— Eu sei. — Thayer hesitou por alguns instantes. Era hora de dizer algo que sempre quis, mas nunca teve coragem. — Você é um ótimo oponente, Nathaniel Strauss.

— E você não é tão ruim.

Felizmente ambos acreditavam estar na mesma página. Aquilo nada mais era que uma simples diversão entre amigos; livre de romance, drama, e o mais importante, livre de qualquer compromisso. Nate não tinha certeza se poderia contar com ele para realizar seus objetivos, mas era muito cedo para especular.

No meio da conversa, ouviu-se um estranho barulho vindo do próximo corredor. Logo surgiram as luzes de uma lanterna refletindo na parede e o som de passos que caminhavam em direção a eles.

— Merda! — Thayer saiu da piscina às pressas. — É o segurança!

— Droga! — Nate pegou suas roupas do chão. A luz da lanterna estava se intensificando na parede, assim como o som dos passos. Não poderia esperar Thayer vestir suas roupas, não se quisesse escapar. — Vem, não dá mais tempo! Corre!

Com o alerta, Thayer apenas agarrou suas roupas e correu atrás do garoto.

O timing foi realmente perfeito, no fim das contas.

Assim que passou pela porta de entrada, o segurança surgiu para vasculhar as piscinas. Não havia nada de errado se não a sunga azul escura que Thayer deixara cair no chão. Ele tinha certeza que alguém estava ali, e quando o encontrasse, faria questão de devolver o que deixara para trás.

Nate e Thayer correram até a árvore mais próxima e começaram a vestir suas roupas. Uma aventura daquelas com certeza não acontecia todos os dias.

— Essa foi por pouco. — Thayer vasculhou o monte de roupa que havia levado consigo. Sua sunga não parecia estar em lugar algum.

— Essa foi demais. — Nate gargalhou enquanto fechava o zíper de sua calça molhada.

— Então, a gente se vê amanhã? — Thayer também se apressou para vestir as roupas

— Depende. Odeio transar em camas.

— Neste caso, te vejo as sete no Times Square. — Thayer piscou.

— Só se você levar sua sunga azul escura. — Disse Nate enquanto vestia seu casaco por cima da camisa. Piscou de volta para Thayer e correu na direção oposta. Ali perto com certeza havia um ponto de táxi.

Thayer o observou desaparecer na escuridão com um sorriso no rosto. A ausência de compromisso e a intimidade imediata nunca lhe caíram tão bem. Só havia um problema em investir na nova aventura: Como explicaria aos comparsas as vantagens de dormir com o inimigo ao invés de simplesmente... Destruí-lo?


Next...
2x02: Somebody Mixed My Medicine (21 de Junho)

Após o pedido dos fãs, revolvi colocar a 1ª Temporada completa para download em PDF. Segue o link para quem quiser baixar: http://goo.gl/pWtiku
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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. Quantas saudades desses personagens... Acredito que Nate e Thayer farão um jogo de gato e rato épico, espero muitas maldades de Nate mais do que na primeira parte do livro!

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  2. Onde eu acho a 1ª temporada me manda o link please não consigo achar.

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