segunda-feira, 23 de junho de 2014

[Crítica] Delirium (Pilot)


Direção: Rodrigo García
Duração: 42 minutos
Ano de Lançamento: 2014
Emissora: FOX | HULU

E se o amor fosse uma doença?

Crítica:


Todos os anos, todas as emissoras produzem pilotos de novas séries e aprovam apenas alguns deles. Quanto às produções não aprovadas, elas estão condenadas ao esquecimento, e nunca ouvimos falar delas outra vez. Mas, de vez em quando, algo surpreendente acontece. E este é o caso de Delirium, um episódio piloto encomendado pela FOX para a Fall Season de 2013, mas que não recebeu sinal verde para se tornar uma série. Graças à plataforma online Hulu, o episódio piloto recebeu a chance de ser exibido por um curto período de tempo.

Na história, seguimos uma sociedade distópica, onde o amor é considerado uma doença - denominada Deliria. Para erradicar este problema, os cientistas inventaram a cura: Um processo obrigatório que todos os jovens, ao completarem 18 anos, têm que se submeter. A ideia é criar um mundo perfeito, sem as inconstâncias do sentimento mais perigoso: o amor. Além disso, os casamentos são arranjados através de combinações dos gostos pessoais de cada pessoa. Tudo muito técnico, e sem sentimentos. É neste mundo que somos apresentados à Lena, uma jovem ansiosa pelo seu procedimento, mas que vê todo o seu mundo virar de cabeça para baixo quando a coisa mais extraordinária acontece: ela se apaixona.

A protagonista, Lena, é interpretada pela sempre maravilhosa Emma Roberts. Gostei muito da escolha do elenco. Diversos rostos conhecidos, e atores eficientes em seus papéis. O casal principal apresentava química suficiente para que sua história de amor proibido (essa expressão nunca foi tão literal!) despertasse a curiosidade dos espectadores. Em uma época em que romances juvenis e tramas distópicas estão arrastando multidões para os cinemas, é de se admirar que a FOX tenha dado para trás com este projeto. Especialmente porque ele não é ruim, e ainda tem uma boa produção.

Ainda não tive a oportunidade de ler os livros, mas certamente fiquei instigado a começar. A trama é realmente muito criativa, se pararmos para pensar. Como seria um mundo sem amor? Até onde essa automatização do sentimento iria? Uma mãe conseguiria amar seu próprio filho da mesma maneira que antes? Estamos falando de uma erradicação total do amor, ou apenas da questão romântica da coisa? São perguntas como essas que me levam a procurar pelos livros. Espero muito que a autora explique mais sobre isso, até porque, em um piloto de televisão já era esperado que eles não se aprofundassem muito no tema. De fato, todas as informações são jogadas com muita rapidez na tela.

Quase não dá tempo de processarmos o que está acontecendo. Ao final dos quarenta minutos fiquei me perguntando por quantos mais episódios os roteiristas iriam conseguir equilibrar os acontecimentos da série sem fazê-la perder o ritmo. Talvez este tenha sido um ponto crucial para o projeto não ter sido escolhido. Seria interessante se o projeto continuasse e sofresse alguns regressões para transformar este piloto em um filme para televisão. Além de trazer algum tipo de conclusão para trama, seria um retorno do investimento descartado. Esse lançamento do piloto foi tão incomum que me pergunto se há alguma chance do projeto receber uma segunda chance. Talvez eles estejam testando a recepção dos espectadores.

Mas se vocês forem assistir, vejam apenas por curiosidade, e não esperando algo mais. Este é um piloto de televisão descartado, então nada na trama é concluído adequadamente. Se serve de consolo, acontecem muitas coisas em quarenta minutos (chega a ser surpreendente!). Eu gostei muito do projeto, e espero que ele ganhe uma nova chance da melhor maneira possível. Até lá, estarei me consolando nas páginas dos livros da saga da Lauren Oliver. Será mesmo que a sociedade poderia sobreviver sem amor? Não tem nada a ver, mas isso me faz lembrar da clássica cena da Rebekah, na série The Vampire Diaries, onde ela diz para o seu irmão "Ninguém jamais vai sentar ao redor da mesa e contar histórias sobre o homem que não podia amar". Pelo menos de acordo com a FOX, ela tem um bom ponto de vista.

Trailer:


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