quarta-feira, 25 de junho de 2014

[Crítica] Almost Human


Direção: Joe Begos
Ano: 2013
País: EUA
Duração: 80 minutos
Título original: Almost Human

Crítica:

Um horror indescritível voltou para casa.

Filmes independentes e de baixo orçamento são sempre uma surpresa. Sem um grande estúdio para impor suas vontades, os realizadores têm chance de deixar sua imaginação fluir sem medo de repressão. É por isso, talvez, que eles sejam os que mais conseguem inovar no gênero. Não me levem a mal, eu até gosto de super produções, mas é importante reconhecer que não é preciso um grande orçamento para desenvolver um bom filme. Almost Human é um grande exemplo disso! Era mais um dentre vários, mas conseguiu se destacar ao usar seus recursos de forma inteligente.

A história gira com os eventos extraordinários de uma noite que marcou o desaparecimento de Mark Fisher, bem diante dos olhos do seu melhor amigo e esposa. Mark desapareceu com um flash brilhante de luz azul e nunca mais foi visto. Dois anos depois, Seth Hampton começa a ter pesadelos relacionados com a abdução do seu amigo e passa a desconfiar que Mark está de volta. O que ele não podia imaginar é que Mark retornou com algo maligno dentro dele. Uma vez na Terra, Mark irá espalhar uma trilha de sangue por onde passa, procurando pelo seu antigo amor. Agora, resta a Seth ajudar a ex-mulher de Mark e protegê-la de suas intenções misteriosas...

Sabe aquelas aberturas de filmes de terror que apresentam as primeiras vítimas que acontece antes dos créditos iniciais? Neste filme, essas vítimas são os próprios protagonistas do filme, em uma sequência de tirar o fôlego onde tudo se desenrola de forma ágil e frenética. Não há qualquer tipo de enrolação! As primeiras cenas são uma das mais frenéticas do filme, então desde o começo já sabemos que não estamos vendo um filme ordinário. A trama primeiro começa em seu ápice, para depois apresentar seus personagens principais de forma apropriada. E o melhor disso tudo é que, depois dos créditos, não somos levados para o passado (para vermos como os personagens chegaram até aquele ponto, como tipicamente costuma acontecer), mas sim ao futuro.

Desde as primeiras cenas fica claro que a produção teve um orçamento muito baixo. Algumas cenas até parecem amadoras demais, o que não é realmente um ponto negativo. O diretor obviamente mostra-se muito talentoso por conseguir contornar os problemas financeiros, e entregar um filme sangrento, com mortes violentas e muitos momentos trash - dignos dos clássicos antigos. De fato, este filme respira anos 80. Claramente inspirado em outros grandes clássicos, como Enigma de Outro Mundo, o enredo faz diversas homenagens à outras produções aclamadas pelos fãs do gênero. Os créditos de abertura, por exemplo, são muito parecidos com os do já citado clássico de John Carpenter.

Para completar essa vibe nostálgica, o diretor poderia ter usado luzes neon em alguns cenas. Produções antigas eram marcadas pelas suas cores fortes na tela, o que se encaixaria perfeitamente em um filme sobre abdução alienígena. Como já adiantei, há diversas mortes, e elas estão muito bem feitas. Aliás, toda a produção foi feita com bastante cuidado. Ainda que algumas cenas tenham ficado com cara "amadora", é inegável que o gore e as gosmas alienígena têm uma aparência satisfatória. O terceiro ato é realmente insano! Queria que o filme tivesse durado mais. Tinha potencial para um confronto final maior, principalmente com os outros personagens que também foram transformados.

Só para vocês terem uma ideia, os créditos finais têm mais de oito minutos de duração. Eles foram estendidos para que o filme tivesse duração suficiente para ser considerado um longa (principalmente nos festivais em que passou). Há ainda uma cena final após os créditos finais, criando uma ponta para uma possível segunda parte. Estaria muito interessado em assistir uma sequência deste filme, especialmente porque gostaria muito de ter a oportunidade de ver como o diretor se sairia com um orçamento maior nas mãos. São pessoas assim que merecem financiamento, e não aqueles diretores robóticos que produzem aqueles lixos de milhões de dólares direto para o mercado de vídeo. Enfim, apesar dos elogios, garanto que este filme não é para todos. Há algumas cenas muito trash, e, enquanto eu surto e adoro, muitas pessoas irão achar apenas sem noção.


Trailer:

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