quinta-feira, 20 de março de 2014

[Livro] A Punhalada 3 - Capítulo 4: Não é Real



— Ok, vamos seguir em frente. — Os estonteantes olhos verdes de George quase brilhavam de excitação. Fazia muito tempo que ele e o namorado não saiam para almoçar em um restaurante e brincavam de expor os filmes de horror. — Melhor refilmagem dos ultimos vinte anos?

— Eu acho... — Luke hesitou em mexer os talhares para pensar. — “Sexta-Feira 13”.

— Você está brincando? — George debochou. — O filme foi um verdadeiro insulto aos fãs de Jason Voorhees.

— Eu gostei. — Luke voltou o olhar para seu prato, usando os talheres para cortar o frango. — Se matar adolescentes superficiais e desavisados já está fora de moda, a única maneira de obter sucesso é fazendo isso de maneira criativa. Pra que usar o facão se podemos pendurar uma vadia num saco de dormir em baixo de uma fogueira? Eu realmente aprecio a arte inventiva dos homicídios nas refilmagens, porque todas elas se sentem no dever de ir além.

— A essência de “Sexta-Feira 13” não está apenas no sexo e no sangue. Há algo estranhamente poético em matar as pessoas para vingar sua própria morte.

— Então, Jason sempre foi um serial killer sobrenatural?

— Não necessariamente. — George tomou o ultimo gole de seu refrigerante. — Mas as vítimas precisam evoluir ou então serão apenas vítimas. É uma regra das sequencias que não podemos simplesmente ignorar em nome de um massacre inventivo. Até quando o mais do mesmo vai sustentar as franquias slasher sem desagradar os fãs?

— Neste caso... Eu escolho “A Morte do Demônio”. A única refilmagem que supera o original.

— Não precisamos exagerar. — George sorriu. — Ash nunca vai ser superado por uma moradora de Suburgatory, mesmo que ela seja muito boa.

— Você não costumava falar tanta besteira desse jeito.

— Talvez você só esteja passando muito tempo ao lado da sua melhor amiga. — George olhou para a porta de entrada do restaurante. — E falando no diabo...

Luke olhou para trás, na direção que o olhar do namorado indicava. Megan estava passando pelo pedestal do recepcionista junto de sua cadela e uma bolsa que definitivamente não parecia ser couro de crocodilo. Óculos escuros e roupas justas completavam seu look moderno e elegante para aquela tarde de almoço.

— Hey pessoal. — Ela disse ao sentar-se no único lugar que restara ao lado da mesa de Luke e George. — Acabei de passar por uma loja com roupas de anões. Não é a coisa mais fofa do mundo? — Após colocar seu casaco no recosto da cadeira, Megan olhou para George e Luke. Ambos permaneceram quietos, olhando para ela como se estivessem esperando algo. — Me desculpem pelo atraso, esse trânsito está uma bagunça.

— Ficamos esperando por duas horas. — Respondeu Luke. — De novo.

— Você levou dezoito anos para sair do armário, estou no tempo certo... — Megan retocou o batom por cinco segundos antes de guardar de volta seu estojo de maquiagem. — Então, posso fazer meu pedido?

— Nós já terminamos de comer, mas... — Luke coçou a cabeça. — Vá em frente.

— Ok. — Megan agarrou o cardápio a sua frente com um sorriso no rosto.

Luke trocou um olhar cauteloso com George, do outro lado da mesa. A incerteza sobre tocar no assunto delicado que estavam pensando os obrigou a permanecer quietos. Deveriam deixar Megan continuar seu teatro ou ajuda-la como os bons amigos que sempre foram?

— Megan... — Luke sussurrou.

— O que? — Megan continuou observando o cardápio.

Luke trocou outro olhar cauteloso com o namorado para ter certeza se deveria continuar.

— Megan, nós vimos o noticiário...

— Que noticiário?

— Megan, nós sabemos... — Luke assentiu, compreensível.

— Eu... — Megan perde as palavras. — Eu prometi a mim mesma que não iria deixar isso me afetar. Não posso falar sobre isso.

— Nós não queremos que você fale. — Disse George. — Só queremos que você saiba que estamos aqui.

— Eu não sei se está acontecendo de novo. Todos ficam falando sobre trilogias, sobre os assassinatos, eu não sei o que pensar.

— Megan, isso não é um filme de terror. — Luke esticou uma mão em cima da mesa para encontrar a de Megan. — Não mais.

— Se você diz... Acho que eu só preciso de um tempo...

— Eu sei exatamente do que você precisa. — George tirou uma folha de papel da sua carteira.

Era o convite para o baile de inverno mais exclusivo de Chicago, que aconteceria em três dias no salão de festas do Hotel Maldonado. A lista de convidados, ano após ano, era resumida apenas aos membros de elite da cidade, e a todos os amigos de Pietra, a grande herdeira da fortuna bilionária de Thomas Maldonado. Sendo George o filho de uma grande amiga da família, tinha direito a convidar absolutamente todas as pessoas de seu interesse.

— O que é isso? — Megan tomou o convite de sua mão. Como uma nova moradora de Chicago, não fazia ideia do que o baile de inverno dos Maldonado significava.

— Cancele tudo o que precisa fazer. Temos um compromisso daqui a três dias. — George sorriu.

— Tudo bem, eu... — Megan assentiu. Ao que tudo indicava, George a estava convidando para uma festa elegante. — Talvez seja uma boa ideia.

— Perfeito! — Luke também sorriu. A timidez o impedia de dizer o que estava pensando, mas assim que houvesse uma oportunidade, George iria saber que era o melhor namorado de todos os tempos. — Podemos sair para comprar roupas novas.

Megan estava prestes a elogiar a ideia de seu amigo quando ouviu o celular tocando.

— Só um momento. — Ela atendeu. — Aaron?

— Megan, onde você está?

— Almoçando com os amigos. O que aconteceu? — A expressão de Megan estava deixando George e Luke preocupados.

— Megan, eu... Você precisa vir para casa.

— Megan, algum problema? — Perguntou Luke.

— O que aconteceu? — Megan sentiu a espinha gelar.

— É Melanie. Ela... Eu sinto muito.

— Melanie? — Megan desligou.

Todas as suas tentativas de controlar a respiração ofegante foram em vão. De repente, seu corpo inteiro estava tremendo, e a única coisa em que pensava era sair correndo para que ninguém a visse daquela maneira.

— Eu preciso ir! — Logo após tirar o casaco, ela correu apressada para fora do restaurante.

— Megan, espere! — Luke gritou. — Vá atrás dela! — Pediu ao namorado.

Sem hesitar, George atendeu a seu pedido. Luke permaneceu na cadeira, olhando para o lado de fora, e tentando conter a dor de cabeça que aumentara devido aos ultimos acontecimentos. George provavelmente não conseguiria alcançar Megan. Megan provavelmente não atenderia mais o telefone. E Aaron, tão super protetor, iria respeitar toda e qualquer vontade de Megan em permanecer solitária, escondendo de todos os próprios problemas.

Luke lembrou-se imediatamente do momento em que descobriu quem ela realmente era. Sobrevivente dos massacres de New Britain, que sofreu inúmeras perdas irreparáveis. O que, além de um assassino mascarado, poderia tirar toda a sua alegria?

Ao ouvir o toque de seu celular ao lado do prato, Luke olhou para a mesa. Havia uma nova mensagem em anônimo, que dizia “Qual o preço a se pagar por aqueles que deixamos entrar? SOMLAS 1:1”.

Luke franziu o cenho e aproximou o celular do rosto para ler com mais clareza. Nada fazia sentido, não importava quantas vezes relesse. E uma simples mensagem, que poderia ser apenas uma brincadeira, não era mais importante que sua melhor amiga. Ainda.
φ

— Chegamos. — Chloe abriu a porta de seu apartamento e jogou as chaves em cima da pequena mesinha da esquerda.

Kyle, seu convidado especial, adentrou logo em seguida, ficando encarregado de fechar a porta. Apesar de ter negado a visita noturna trinta vezes antes de finalmente aceitar, estava feliz em rever os velhos amigos que tanto lhe fizeram falta. Ou talvez referir-se a vida social de acordo com o plural era um tanto desnecessário. Além de questionável.

— Se eu não estivesse disposta a evitar o clichê, pediria para não reparar na bagunça. — Chloe tirou o casaco marrom e jogou em cima da poltrona branca da direta, ao lado de seu luxuoso sofá cama.

— Está tudo bem. — Kyle olhou ao redor, nada parecia fora de ordem. Exceto uma estranha organização que provavelmente não provinha de Chloe Field.

— Quer beber alguma coisa?

— Estou dirigindo.

— É por isso que sucos existem.

— Oh... — Kyle hesitou por um segundo. Seria deselegante recusar? — Tudo bem.

— Tudo bem. — Chloe repetiu com um sorriso. — Sente onde quiser, mas se colocar os pés em cima da mesa, você é um homem morto. — E marchou em direção à cozinha.

Kyle sorriu de volta, sentando na beirada esquerda do maior sofá. Abriu dois botões de sua camisa social para enganar o calor lançou os olhos curiosos na direção do porta-retratos na mesa de centro. Ele mostrava Chloe sorrindo ao lado dos pais no que parecia ser uma casa de campo; tão feliz quanto alguém que conseguiu livrar-se do passado sem olhar para trás. Era possível, e Kyle nunca poderia negar o que estava diante de seus olhos.

Dois minutos depois, Chloe já estava de volta com dois copos de suco de uva em mãos. Ela entregou um deles nas mãos de Kyle antes de sentar-se ao seu lado.

— Já escolheu que filme vamos assistir? — Perguntou ela enquanto Kyle terminava seu primeiro gole.

— Preciso apresenta-lo a alguém. — Chloe levantou-se correndo na direção da enorme estante marrom da esquerda. Kyle, mesmo vagaroso, a seguiu para o mesmo lugar. — Kyle, este é meu acervo abençoado de blu-rays. Blu-rays, este é Kyle.

— Ai meu Deus... — Kyle passou os dedos sobre os filmes Os olhos quase brilhavam de tanta nostalgia. — Você tem muitos filmes de terror...

— Eles são a minha inspiração. Estou escrevendo um novo livro.

— Ficção, eu espero. — Kyle olhou para ela.

— É claro. — Chloe sorriu, quase envergonhada. Era errado usar seu talento para contar fatos importantes para a história da América? Para Aaron, havia sido a atitude mais repugnante que alguém poderia cometer. Mas para Kyle, ela simplesmente não fazia ideia. — Estou tentando escrever um romance sobrenatural. Não é nada de mais.

— Você não deveria subestimar o seu talento. Mas eu sei que um elogio vindo do bad boy que não tem nada na cabeça não pode significar muita coisa. — Kyle sorriu, fazendo Chloe sorrir de volta da mesma maneira.

— Desculpe por isso. Como autora, tenho a obrigação de escrever todas as essências da verdade.

— Justo. — Kyle voltou a fitar a estante de blu-rays. Na tentativa de tirar o filme “Alien” de seu devido lugar, ela acabou derrubando uma pilha de DVDs. — Meu deus, sinto muito...

— Tudo bem. — Assim como ele, Chloe abaixou-se para recolher seus preciosos passatempos.

— Eu não queria... — Kyle levantou-se ao mesmo tempo em que ela.

— Kyle, relaxa. — Espontaneamente, Chloe se aproximou para lhe dar um rápido beijo. Seu sorriso alegre estava deixando claro que nada havia de errado, mas a expressão confusa de Kyle dizia exatamente o contrário.

— Chloe, eu não...

— Oh, ok. — Chloe assentiu, sem conseguir disfarçar o constrangimento.

— Não é nada pessoal, eu só...

— Eu entendo.

— Você é ótima, mas eu conheci alguém. Não podemos continuar com isso.

— Não, tudo bem. E você não me deve explicações. Combinamos que era apenas diversão e estou com David, então... — Chloe assentiu mais vezes que o necessário.

— Podemos ser apenas amigos... Sem benefícios?

— Não me trate como uma garota alucinada do seu fã clube. — Ao ouvir o telefone tocar, Chloe caminhou de volta até o sofá para atender. — Você nem é tudo isso... Alô? — Ela atendeu.

Kyle sorriu. Enquanto ela tagarelava com a pessoa do outro lado da linha, ele lembrou da primeira vez em que se beijaram. Nova York, outono, dançando em uma casa noturna após um longo dia de trabalho. Mesmo que fosse a mulher mais linda da pista de dança, ele sabia que Chloe seria a melhor amiga que sempre procurou. E olhando em seus olhos azuis, nas poucas vezes em que tinham a oportunidade de relembrar os velhos tempos, tinha certeza que ela também sabia. De que outro jeito poderia explicar uma ligação tão forte quanto a ligação que teve com Amanda?

— E vocês não podem resolver isso pelo telefone? — Chloe suspirou. — Ok, estou descendo. — Um segundo depois encerrou a chamada.

— O que aconteceu?

— Um problema com meus cartões de crédito. — Chloe vestiu o casaco rapidamente e caminhou até a porta. — Volto em dez minutos, você vai ficar bem?

— Sim.

— Ok, espere por mim.

Após a repentina saída de Chloe, Kyle deu um grande suspiro. Colocou as mãos no bolso, observou a cidade pela janela e liberou mais um botão de sua camisa. O calor exagerado continuava a lhe incomodar.

Aproveitando a ausência de sua amiga, ele correu até o banheiro e começou a lavar o rosto. A água amenizava o calor em suas bochechas, mas o resto do corpo continuava suando descontroladamente como se Chicago não estivesse no inverno. E como se o medidor de temperatura digital ao lado do espelho não estivesse indicando doze graus Celsius na capital.

Para ter certeza que não havia nada de errado, ele bateu no pequeno dispositivo duas vezes. A cor dos números mudou para vermelho, e segundos depois, para amarelo acinzentado. Cinco segundos se passaram e uma enorme variedade de cores começou a aparecer seguidamente.

— Merda... — Kyle sorriu, zombando de si mesmo. Era apenas um dispositivo tecnológico brincando de ser interessante.

Ao enxugar a mão com a toalha mais próxima, ele pensou ter um ouvido um barulho estranho dentro do apartamento. Chloe voltaria apenas em dez minutos e a janela estava aberta. As chances de ser apenas o vento eram o suficiente para impedir que entrasse em pânico. Mas então, no meio de toda a segurança que pensara estar em volta, o barulho se repetiu atrás da cortina do banheiro. Algo havia quebrado, e uma pessoa parecia estar sussurrando.

A estranha situação obrigou Kyle a correr para fora do banheiro, mas parando-o enquanto ainda estava na porta. Aquele desespero e aquele medo infundado precisavam ter fim ou então ficariam ao seu lado para sempre. Disso ele tinha certeza.

Devagar ele caminhou até a cortina do banheiro, esticando o braço direto o quanto podia. E quando finalmente afastou a cortina, deu de cara com um patinho de borracha boiando na banheira. Os sussurros haviam cessados, e a sensação de calor que tanto lhe incomodava, já não estava mais presente. Era exatamente como sua psicóloga costumava dizer. O medo está apenas em nossas mentes. Só o que nos resta é impedir que ele tome conta de tudo.

Kyle caminhou do banheiro até a sala de estar. Esperaria Chloe retornar observando sua coleção de blu-rays com um pouco mais de atenção, apenas para criar uma lista daqueles que ainda precisa assistir.

— Kyle? — Sussurrou uma voz feminina.

Kyle olhou para trás, o rosto pálido como o de um cadáver. Não era possível que estivesse ouvindo a voz de Amanda. Não era possível que ela estivesse atrás do maior sofá, chamando por seu nome, o seduzindo mais uma vez. E mesmo sabendo que era apenas um truque de sua mente, ele decidiu ir ao seu encontro. Caminhou devagar até o sofá, com os olhos cheios de lágrimas, o nó na garganta lhe sufocando a cada segundo.

Quando estava prestes a enxergar quem estava escondido, Ghostface revelou-se atrás do móvel e o esfaqueou no ombro. Kyle cambaleou para trás até tropeçar no corpo de Chloe estirado no chão. Ela estava com a garganta cortada e os olhos abertos, encarando-o para que sentisse sua dor.

Kyle caiu no chão e arrastou-se até a outra parede, o tempo inteiro gritando por socorro, o tempo inteiro achando que havia chegado a hora de pagar por todos os seus pecados.

Mas de repente, tudo desapareceu. O assassino não estava mais lá, Chloe não estava morta, e o ferimento em seu ombro não existia. Tudo não passava de uma alucinação. Aquela alucinação que ele lembrava muito bem.

— Não é real... — Ele repetiu para si mesmo. — Não é... Real?

— Kyle? — Chloe invadiu o apartamento. Ao ver o amigo escorado num canto, com os olhos cheios de lágrimas, ficou completamente sem ação.

Kyle olhou ao redor mais uma vez só para ter certeza que nada do que vira era real.

— Você está bem? — Chloe deu dois passos a frente.

— Eu... — Kyle olhou para ela. A vergonha o estava consumindo de uma maneira que ele nunca saberia controlar. Mas de uma coisa ele tinha plena certeza: Ninguém mais o veria como o louco da cidade. — Eu preciso ir! — Ele levantou-se rapidamente e passou pela porta.

Chloe gritou seu nome enquanto o seguia pelo corredor, mas desistiu quando o viu desaparecer através das escadas do prédio. O que quer que tenha acontecido, parecia ser apenas o começo.
φ

Amanda suspirou.

Após dez minutos de caminhada, encontrou-se parada exatamente onde o lindo jardim de entrada de Parken Hills tomava início. Situado nas enormes montanhas de Chicago, o pequeno parque possuía a melhor vista que a cidade poderia oferecer, e dava aos casais apaixonados uma chance de ficarem verdadeiramente a sós com a natureza.

Talvez por este motivo Isaac estivesse sempre ali, sentado no primeiro banco de ferro, com os cotovelos em cima dos joelhos e os olhos acompanhando a metamorfose das luzes da cidade. Talvez estivesse apenas aproveitando o único momento em que o universo pode parar o tempo, ou simplesmente a espera de alguém que nunca vai chegar. Amanda compreendia a solidão na imagem que estava vendo. Só havia decidido que era hora de dar uma chance.

— Você sabe que está cometendo um erro... — Ela sussurrou ao se aproximar.

Isaac não precisou olhar para trás. Apenas sorriu cortês para a paisagem e preparou uma resposta.

— É isso o que eu faço.

— Ok. — Amanda sentou ao seu lado. A vista da montanha, com todas aquelas luzes piscando, era ainda mais bonita que a vista de sua mansão. — Você deveria saber que eu não quero machuca-lo.

— Você deveria saber que eu não sou mais uma criança.

Amanda o fitou momentaneamente, tentando encontrar uma ligação entre suas palavras e no rosto que estava observando. Parecia mesmo ele tinha razão. Isaac não era mais uma criança, era um homem, que poderia tomar conta de si mesmo e lidar com um coração partido caso necessário. Um homem que não precisava ser protegido e que tinha o direito de tomar todas as suas decisões.

— Não, você não é. — Amanda sorriu. — Só quero que você saiba que tem uma escolha. E eu vou entender seja ela qual for.

— Eu conheço o seu tipo... — Isaac deu um ar de risos sarcástico. — Afasta as pessoas com medo de se envolver e acabar machucada. Eu entendo, mas isso é errado. Você precisa viver...

No meio do que parecia ser um longo discurso, Amanda aproximou-se rapidamente e roubou um beijo. Isaac ficou paralisado, sem saber o que fazer. Mas quando percebeu o tipo de mulher que acabou atraindo, retribuiu o beijo carinhosamente. A vida perfeita ao lado da mulher dos sonhos estava finalmente se transformando em realidade.

Cinco segundos se passaram e Amanda afastou-se com a mesma rapidez com que se aproximara. Só queria olhar nos olhos de Isaac e dizer a única coisa que precisava saber:

— Nunca mais me diga o que fazer. E o puxou para mais um beijo ardente; dessa vez com os olhos abertos para encarar a reprovação de Brandon há alguns metros. Sua ilusão não sabia o que ela estava pensando, mas o olhar não deixava dúvidas. Um foda-se nunca pareceu tão apropriado. Porque Brandon nunca mereceu tanto.
 
Capítulo 5: Doce Sacrifício (Dia 27 de Março de 2014)
Ghostface está pronto para fazer mais uma vítima. E vocês?
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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Acho que esse clima "harmonioso" só veio para nos preparar para mais um capítulo que o sangue prevalece

    P.S. A alucinação de Kyle me deixou com um nó no estômago.

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  2. Chloe morrendo sem nem ao menos ser narrada, realmente seria uma tragédia. Quase morri do coração, puta que pariu! Mas adorei!! haha Todos eles ainda estão aceitando que tudo está começando novamente, espero que não demorem a se encontrar. E a pequena provocação no final, bem, é melhor do que nada. kk

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