quinta-feira, 27 de março de 2014

[Crítica] Paixão Obsessiva


Direção: Lance Daly
Ano: 2011
País: EUA
Duração: 91 minutos
Título original: The Good Doctor

Crítica:

Não faça mal.

Uma das maiores preocupações dos seres humanos é em relação a sua saúde. Sempre que nos sentimos mal ou vemos algo diferente em nosso corpo, nós corremos para o médico para saber o que está acontecendo. Nós deitamos em suas meses, somos examinados e obedecemos fielmente suas recomendações, afinal, nós depositamos toda nossa confiança em suas mãos. Não queremos imaginar que nosso médico não esteja querendo o nosso melhor, porque esse é um pensamento assustador. E é por isso que o enredo desse filme, apesar de simples, é extremamente eficiente em sua proposta.

A história gira em torno de um jovem médico, Dr. Martin Blake, que passou a maior parte de sua vida profissional frustrado, sempre em busca de respeito. Quando uma paciente de 18 anos chamada Diane cruza o seu caminho, parece que enfim ele terá sua chance de redenção. Sofrendo de uma infecção renal, a menina logo melhora e Blake arma um plano para que ela continue sob seus cuidados, cruzando todos os limites da ética médica. A situação rapidamente sai do controle e, encurralado, o médico se vê sem saída, a não ser cobrir os rastros de seus atos, custe o que custar.

Primeiro que este pôster acima tenta forçar um tom que não é apresentado pela história. Esse não é exatamente um filme de suspense, muito menos terror. É por isso que o pôster original consegue ser eficaz em sua proposta. O título nacional também remove toda a ironia do original, tornando-o um grande clichê. É com esse material de divulgação errôneo e sem qualquer atenção que esse filme chegou ao território nacional, além de ter sido exibido na TV à cabo, é claro. O primeiro grande ponto negativo foi tentar forçar o filme a ser o que ele não é. Não se enganem, Paixão Obsessiva não passa de um drama. E sequer é dos bons.

O grande acerto do filme atende pelo nome de Orlando Bloom. Ele é um ator conhecido e não estamos acostumados a vê-lo neste tipo de papel. Aqui ele interpreta um doutor que tem o desejo de se tornar visível e, mesmo alcançando uma profissão prestigiada, não conseguiu o reconhecimento que estava procurando. Acompanhamos sua frustração diária, o que constrói um bom início para a trama principal, que seria a obsessão por uma paciente. Ela o respeita e o vê como ele realmente espera das pessoas. Martin Blake é psicologicamente carente e sente a necessidade de ser visto por alguém. Bloom está em total harmonia com o que é exigido dele no papel, que é exatamente o contrário dos grandes heróis que ele já viveu nas telonas, como em Piratas do Caribe.

Ironicamente, o filme nunca chega a ficar ruim, ele apenas acaba (oi?). Vivemos em um mundo onde nossas ações causam consequências, mas alguém esqueceu de dizer isso aos roteiristas. É como se a trama simplesmente tivesse sido cortada na metade. Não há desfecho ou conclusão. Quando nós pensamos que o cerco passaria a se fechar em torno do protagonista, os créditos finais passam a subir na tela. Não posso nem descrever meus sentimentos na hora. Basicamente senti vontade de rir de mim mesmo. Passei mais de uma hora do meu dia esperando por um término vazio e mal desenvolvido.

Tenho certeza que muitas pessoas irão adorar a "poesia" em torno do desfecho do filme, outros irão me acusar de não ter entendido nada, mas eu posso afirmar que estou a par do que foi apresentado e simplesmente não gostei. Não era nada disso que eu estava esperando, e não me venham acusar que eu não gosto de um dramas, porque estava achando a história incrível até ela acabar de nada. Nem deixarei recomendação alguma. Se vocês sentirem interesse na trama, basta conferir. Mas pelo menos agora vocês já sabem exatamente o que esperar do desfecho. Pelo menos a ótima interpretação do Orlando Bloom não passará em branco, e isso é tudo.


Trailer Legendado:

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Comentários
3 Comentários

Comentário(s)

3 comentários:

  1. Eu discordo de você quanto ao final do filme, Nefferson. Se o médico tivesse sido preso, aí sim seria um final chato, pois isso é o que se esperava dele. Mas o diretor optou por não terminar o filme de forma óbvia. Eu, particularmente, achei este final muito mais interessante, pois como este doutor era de boa família e de ótima aparência, ele sempre estaria acima de qualquer suspeita, pois é assim em nossa sociedade. Todavia, assim como o assassino do brilhante filme "Match Point", de Woody Allen, a personagem de Orlando Blood terá de lidar com a sua consciência eternamente, pois a nossa consciência é o nosso maior inquisidor.

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  2. Final ilógico e chato ...

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