quarta-feira, 5 de março de 2014

[Crítica] Hannibal - 2x01: Kaiseki (Season Premiere)


Feche os olhos.

Review:
(Spoilers abaixo)

Quando uma série varia de mediana para ruim – temos vários exemplos aqui neste blog, mas vamos evitar citar nomes, por favor –, é extremamente fácil criticá-la, expor seus aspectos positivos e negativos, fazer uma análise do roteiro, etc. Mas quando temos uma série excepcional, que até o momento não errou em exatamente nada e que quase beira a perfeição, nos vemos diante de uma plena dificuldade de crítica. E é aí que começamos com Hannibal. É uma pena eu não ter começado a assistir a série a tempo de poder fazer as reviews da primeira temporada, mas pelo que li, teve uma considerável demora para a renovação e o hiatus foi realmente gigantesco. Sem mais delongas, sou quase que obrigado a falar um pouco da primeira temporada.

Hannibal é uma série diferente de tudo que já foi visto. Literalmente corre do normal, e mesmo aparentando o óbvio em determinados momentos, consegue elevar as cenas a um nível tão alto que chegamos a desconsiderar qualquer coisa que tente queimar o seu filme em nossa mente. As atuações são simplesmente magníficas. Hugh Dancy e Mads Mikkelsen formam uma dupla incrível: o primeiro consegue mostrar uma inquietação absurda e o segundo é simplesmente uma geladeira de tão frio e calculista... Sério, chega a arrepiar!

Hannibal não privilegia as tramas recorrentes dos episódios, deixando-as em segundo plano, quase que pinceladas, diante da trama central da temporada. Vemos o desenvolvimento dos personagens, imergimos na personalidade de cada um, observando os seus relacionamentos... quando uma vez ou outra, vislumbramos a trama recorrente do episódio, que se dá com uma bela cena de crime, que de tão bem feita, pode ser chamada de obra de arte. Como não mencionar a plantação de corpos no segundo episódio?

Essa forma de narrativa pode não agradar a muitos, que talvez prefiram a forma tradicional de deixar o “caso” do episódio em primeiro plano e apenas pincelar a trama principal, de forma que seja resolvida aos poucos até que totalmente – ou nada, dependendo da série que está sendo assistida – no season finale. Talvez muita gente também ache que os produtores de Hannibal priorizam mais o impacto visual, do que o roteiro em si, e sou a obrigado a discordar. A escolha do primeiro caso para desdobramento da história, no começo me incomodou um pouco, pois o achei visualmente pobre em relação aos outros... mas a partir dos episódios finais, fui me dando conta de que era a história mais adequada a ser seguida, pois todos os personagens puderam criar vínculos, segredos, mistérios...

Pois bem, a segunda temporada começou tão eletrizante que mal pude me conter na primeira cena... A luta entre Hannibal e Jack, foi simplesmente um começo perfeito, que eleva as nossas expectativas lá no alto, até mesmo quando vemos a mensagem de “12 semanas antes” na tela. Daí já sabemos o que esperar da temporada, e que com certeza, ela não irá nos decepcionar. As cenas seguintes são banhadas de significados e ironias, que para muitos, podem passar por meros detalhes despercebidos, coisa que é de praxe na série... cada frase, cada ação, pode sim, ter um significado bastante diferente do que aparenta ser.

Vemos também que Alana Bloom está realmente disposta a ajudar Will, que está preso, incriminado pelos assassinatos de Hannibal, que conseguiu – de maneira genial, diga-se de passagem – implantar cada prova contra Will, que torna quase que impossível de se comprovar a sua inocência. Vale comentar também que Jack aparenta querer ajudar Will, porém não vê como acreditar no rapaz, o que é extremamente compreensível.

As consultas de Hannibal com a Dra. Du Maurier, são sempre impecáveis e inquietantes, mas pela primeira vez, pudemos ver a expressão de medo no rosto da psicóloga, que sempre se mostrou extremamente fria, coisa que nos faz pensar bastante sobre o destino de sua personagem e sobre as ações que esta tomará adiante.

Como sempre, têm-se o tradicional caso do FBI, neste inclusive, temos o próprio Hannibal como substituto de Will, tentando ligar as pontas soltas do crime, coisa que fica impossível sem o próprio, o que faz com que Beverly – que eu me simpatizo muito – vá procurá-lo, pedindo ajuda e acaba a conseguindo. Mesmo de longe, e sem visualizar a cena do crime, Will traça o perfil do assassino e descobre a sua motivação.

Depois de um turbilhão de ótimas cenas e efeitos, o episódio chega ao fim com uma cena mostrando um belo arranjo de corpos, digno de causar arrepios, confirmando a proposta visual e artística da série. Uma missão cumprida com sucesso.

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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. Depois de alguns episodios da 1ª temporada eu quis desistir, pq tinha muita raiva do Hannibal e de ninguém perceber o que ele fazia, mas o que me fez continuar foi que a série não é a típica série de "caso da semana", tanto que eles revelam o vilão antes mesmo do final do episodio. Além disso, saber que a Katharine Isabelle vai fazer uma participação me deixou muito animado. Pena que eu já imagino que ela não terá um destino tão bom, só espero que a psiquiatra do Hannibal e a Alana não morram.

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  2. A volta da série está mais dark do que nunca. Aquela luta foi... sem palavras!!!! Como o próprio Will disse o Hannibal falhou,ele deixou alguma evidencia e a partir daí que poderemos ver a ruína do nosso doutor sarcastico ao extremo.
    Bedelia esta literalmente apreensiva com ele e essa é a 1° vez!!!
    Mads arrasa como Hannibal,pra mim ele é o trunfo da série.

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