quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

[Crítica] A Menina que Roubava Livros


Direção: Brian Percival
Ano: 2013
País: EUA | Alemanha
Duração: 131 minutos
Título original: The Book Thief

Crítica:

Coragem além das palavras.

Assim como todas as pessoas que leram o livro, eu também estava ansioso por esta adaptação. Sei que muita gente fica com o pé atrás, já que sempre fica faltando algo, mas essa adaptação me parecia segura. Uma oportunidade de acompanhar a mesma história sob outra perspectiva. Nada irá tirar o prestígio e os bons momentos do livro, então recebi essa versão cinematográfica com o coração aberto. Fiquei feliz de ver que eu não me decepcionei. De fato, eu me surpreendi ao ver quão próximas a versão cinematográfica e minha imaginação estavam. Alguém mais sentiu isso?

A história gira em torno de Liesel Meminger, uma menina com uma vida difícil que foi cercada pela morte desde criança. Em uma exaustiva viagem de trem, o seu irmão mais novo é morto e enterrado próximo à estação. A menina, então, começa sua jornada ao roubar um livro que o coveiro deixou cair no chão, logo antes de ser levada e adotada por um casal de classe trabalhista formado por Hans e Rosa Hubermann. Lá, ela convive com os novos responsáveis e vai à escola, assim como faz amizade com o vizinho Rudy Steiner. Ao longo dos quatro anos que viveu com os Hubermann, roubou diversos livros e aprendeu lições com eles, percebendo que não há nada mais forte que o poder das palavras.

A primeira coisa que devo esclarecer é que essa versão cinematográfica é extremamente fiel ao livro. Não sei se vocês perceberam, mas eu coloquei a mesma sinopse nas duas críticas, já que não faria sentido "readaptá-la". Todos os pontos mais fortes do livros foram muito bem incorporados, de forma que nenhum fã ficará decepcionado. Fiquei muito contente em ver que não cortaram a "Morte" do filme. Ela abre e fecha a história com sua narração. Gostaria que tivesse sido mais recorrente na trama, mas sua participação foi limitada a momentos chave da história.

O primeiro susto em relação ao filme são os atores. Não estou falando como algo negativo. O fato é que todos estão basicamente do mesmo jeito que eu imaginei. Fiquei impressionado com o desempenho de todos, em especial da Sophie Nélisse (Liesel) e Nico Liersch (Rudy). O único personagem que sofreu uma leve alteração foi o judeu Max. No livro é um pouco mais velho do que no filme. É compreensível porque os produtores fizeram essa mudança. Apesar disso, até mesmo ele se parece muito com a descrição do livro, só que alguns anos mais jovem. A rua onde os personagens principais moram também está assustadoramente familiar.

Apesar de ter mais de duas horas de duração, o tempo passa voando. Já era esperado que alguma coisa ficasse de fora nessa adaptação. Neste caso, os roubos da Liesel à casa com a enorme biblioteca não foram muito bem aprofundados. No livro, esses roubos são bem desenvolvidos, mas, no filme, acontecem em cerca de alguns minutos e não têm a menor repercussão. Outros momentos, como a citação ao atleta Jesse Owens, têm muito mais peso no livro. Esses pequenos detalhes - que são importantes para a construção dos personagens - passam rápido pela história. É compressível, de fato. Filmes expressam uma urgência, então fico admirado com a fidelidade e preocupação dessa adaptação.

A narração da Morte perto do final da história certamente transmite a emoção que a cena necessitava. E, apesar de eu ter falado exaustivamente quão boa é essa adaptação, recomendo que vocês procurem ler o livro primeiro. Como já deixei claro, filmes nunca conseguirão ser tão completos quanto os livros. E, se vocês assistirem ao filme primeiro, não terão a mesma surpresa quando decidirem ler a história. Enfim, o importante é que esse é um excelente filme, independente se você leu, lerá ou não pretende ler o livro. Uma história tocante sobre uma das épocas mais cruéis da história.


Trailer Legendado:

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Comentários
2 Comentários

Comentário(s)

2 comentários:

  1. O filme foi muito bem feito mesmo, tudo foi feito como eu imaginei pela primeira vez. NADA passou diferente. Crítica impecável, parabéns Nefferson!

    PS: e as críticas de PLL? pararam?

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  2. Conferi o filme com o um "pé atrás", a Liesel estava muito "perfeitinha" aquela que o livro apresenta, mas a medida que a história avança fui me surpreendendo com a fidelidade ao livro, e me deixei levar pelas cenas. Claro que o livro é tudo mais minuciosamente explorado, mas a química dos atores foram tão boas que foi impossível não se emocionar.

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