quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[Crítica] Antisocial


Direção: Cody Calahan
Ano: 2013
País: Canadá
Duração: 90 minutos
Título original: Antisocial

Crítica:

Esse não é um vírus comum.

Nos últimos anos, filmes de terror têm trazido milhares de mortos à vida para dominar a terra - e as bilheterias -, com a esperança da dominação total. Eu gosto de filmes de zumbis, mas há outras coisas no começo do apocalipse que acho muito mais interessantes. Uma delas é testemunhar o que desencadeou a infestação (e, neste caso, não estou falando necessariamente de mortos-vivos comedores de carne, como, por exemplo, no filme Contágio). Infelizmente, a grande maioria dos filmes desse estilo não narram o que levou o apocalipse a acontecer. Eu estava levemente ansioso por Antisocial porque se tratava de uma premissa diferente dos manjados zumbis. Obviamente não me deixei criar expectativas, mas havia certas esperanças...

A história gira em torno de cinco amigos universitários se reúnem em uma festa em casa para curtir o Ano Novo. Sem o conhecimento deles, uma epidemia irrompeu do lado de fora, causando surtos em todo o mundo. Sem ter a quem recorrer, eles protegem-se dentro de casa com apenas seus telefones, laptops e outros dispositivos de tecnologia. Eles usam seus aparelhos para pesquisar a possível causa deste surto. Informações e vídeos invadem os seus computadores à medida que são arrastados ainda mais no caos que se segue. Como o vírus se espalha, o clima na casa muda de medo a paranoia. Quem está seguro? Quem eles podem confiar? A realidade torna-se turva enquanto eles lentamente descobrem a origem do vírus que causa a doença... e não há como voltar atrás.

Se havia qualquer esperança que este filme pudesse render algo interessante, essa esperança morreu antes mesmo da metade do filme. Não demorou muito para cair a ficha de que eu estava assistindo a primeira bomba deste ano. E o mais incrível é que o filme conseguiu se superar em sua ruindade.  Antisocial conseguiu descer ainda mais no meu conceito durante a sua segunda metade. Esqueça a premissa do vírus e a forma como ele se espalha. Estou sendo sincero com vocês quando digo que vocês não irão querer saber as respostas. E esse é o conselho mais amigo que eu posso dar para todos. Bem, vamos cair da cabeça nos pontos negativos no filme?

Vamos começar pelo vírus em si, que é o tema central do enredo. O filme todo se desenvolve em cima de uma mentira, na verdade. Não há vírus algum! Não há nada de passe pelo ar ou através de fluídos corporais. Eu não vou relevar na íntegra em respeito aos guerreiros que ainda pensam em matar esse filme no peito. Eu mesmo posso dizer que já conferi um filme especialmente depois de ter lido uma crítica ruim, então é óbvio que não julgarei ninguém. Aliás, se alguém conseguiu gostar, eu realmente gostaria de ler um pouco sobre os seus pontos de vista. Mas o importante é que a causa do vírus é decepcionante e, principalmente, incoerente.

E o pior de tudo é que os contaminados se comportam basicamente como zumbis normais. Há alguns sintomas básicas - e universais, diga-se de passagem - até que os contaminados se transformem completamente. O roteiro ainda tenta estabelecer uma crítica falha sobre os limites da interação digital. Usa elementos errados para apresentar os personagens (mostrando o seus perfis em redes sociais), e não consegue sair do clichê quando os próprios personagens recorrem à tecnologia para saber o que está acontecendo. E o pior de tudo é que, por mais que esse plot sobre a internet seja forçado, o enredo insiste nele com todas as suas forças.

Outras subtramas, porém, são esquecidas completamente. Qual a relevância da protagonista estar grávida? Até pensei que poderia ser determinante no final, mas eles sequer fizeram menção a isso depois de um certo tempo. Não posso esquecer de falar mal do desfecho do filme que, assim como o seu desenvolvimento, é lamentável. Mais do que lamentável, na verdade. O roteiro é tão raso que a última cena entra em contradição com a explicação surreal sobre os contaminados no decorrer do filme. Enfim, não há nada de bom para se ver aqui. Se quiser assistir um filme com uma proposta parecida, basta conferir O Sinal, que é um dos filmes mais interessantes e originais de apocalipse que eu já tive o prazer de assistir.


Trailer:

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